Influência do medo da covid-19 no comportamento sexual de jovens universitários de um município do interior paulista

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Almeida, Stephanie Ramos de
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/22/22133/tde-11112025-095915/
Resumo: A pandemia da covid-19 mudou o comportamento individual e coletivo de diversos grupos, refletindo inclusive no comportamento sexual. O objetivo desse estudo foi analisar a relação do medo da covid-19 com as características de saúde sexual e reprodutiva de jovens universitários de um município do interior paulista. Trata-se de um estudo observacional, transversal, descritivo e analítico, desenvolvido com estudantes dos cursos de graduação do campus da USP de Ribeirão Preto. Foram convidados a participar do estudo jovens de 18 anos a 29 anos completos e que já tinham iniciado a vida sexual. Para a coleta de dados, foram utilizados quatro instrumentos. O primeiro, segundo e terceiro instrumentos foram questionários estruturados que contemplaram os dados de identificação e as características sociodemográficas, as características de saúde sexual e reprodutiva, e o impacto da covid-19 na atividade sexual durante a pandemia. O quarto instrumento foi a Escala do Medo da covid-19 (Fear of COVID-19 Scale - FCV-19S) traduzida por especialistas em saúde mental para a versão em língua portuguesa no Brasil. Estes instrumentos foram transpostos para o Google Forms e a coleta de dados ocorreu de forma on-line, de agosto a novembro de 2024. Os dados foram analisados utilizando-se o programa estatístico Software R. Os resultados revelaram que a maioria dos participantes era do sexo feminino, branca, com parceiro(a) amoroso(a), e estudantes da área da saúde. A maioria relatou mudanças na vida sexual durante a pandemia, uso de aplicativos com finalidade sexual e relações sexuais sob influência de substâncias. O medo da covid-19 apresentou associação significativa com cor autodeclarada negra (p = 0,0430), orientação sexual bissexual, assexual ou pansexual (p = 0,0023), homossexual (p = 0,0261), consumo de álcool (p = 0,0026), sexo sob efeito de substâncias (p = 0,0024), relação com parceiro sob efeito de álcool ou drogas (p = 0,0144), número de parceiros ao longo da vida (p = 0,0249), uso inconsistente de camisinha (p = 0,0002), histórico de IST (p = 0,0269), realização de testes rápidos (p = 0,0205), dor ou ausência de prazer sexual (p = 0,0067), redução do desejo sexual (p = 0,0435) e abstinência sexual por medo de contaminação (p = 0,0054). Esses achados reforçam a importância de considerar marcadores sociais, como raça, gênero e orientação sexual, para compreender os efeitos psicossociais da pandemia na juventude. O estudo conclui que o medo da covid-19 influenciou significativamente o comportamento sexual dos jovens universitários, apontando para a necessidade de estratégias de promoção de saúde sexual e reprodutiva que levem em conta as interseccionalidades e os impactos da pandemia.
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Para a coleta de dados, foram utilizados quatro instrumentos. O primeiro, segundo e terceiro instrumentos foram questionários estruturados que contemplaram os dados de identificação e as características sociodemográficas, as características de saúde sexual e reprodutiva, e o impacto da covid-19 na atividade sexual durante a pandemia. O quarto instrumento foi a Escala do Medo da covid-19 (Fear of COVID-19 Scale - FCV-19S) traduzida por especialistas em saúde mental para a versão em língua portuguesa no Brasil. Estes instrumentos foram transpostos para o Google Forms e a coleta de dados ocorreu de forma on-line, de agosto a novembro de 2024. Os dados foram analisados utilizando-se o programa estatístico Software R. Os resultados revelaram que a maioria dos participantes era do sexo feminino, branca, com parceiro(a) amoroso(a), e estudantes da área da saúde. A maioria relatou mudanças na vida sexual durante a pandemia, uso de aplicativos com finalidade sexual e relações sexuais sob influência de substâncias. O medo da covid-19 apresentou associação significativa com cor autodeclarada negra (p = 0,0430), orientação sexual bissexual, assexual ou pansexual (p = 0,0023), homossexual (p = 0,0261), consumo de álcool (p = 0,0026), sexo sob efeito de substâncias (p = 0,0024), relação com parceiro sob efeito de álcool ou drogas (p = 0,0144), número de parceiros ao longo da vida (p = 0,0249), uso inconsistente de camisinha (p = 0,0002), histórico de IST (p = 0,0269), realização de testes rápidos (p = 0,0205), dor ou ausência de prazer sexual (p = 0,0067), redução do desejo sexual (p = 0,0435) e abstinência sexual por medo de contaminação (p = 0,0054). Esses achados reforçam a importância de considerar marcadores sociais, como raça, gênero e orientação sexual, para compreender os efeitos psicossociais da pandemia na juventude. O estudo conclui que o medo da covid-19 influenciou significativamente o comportamento sexual dos jovens universitários, apontando para a necessidade de estratégias de promoção de saúde sexual e reprodutiva que levem em conta as interseccionalidades e os impactos da pandemia.The covid-19 pandemic changed the individual and collective behavior of various groups, including sexual behavior. This study aimed to analyze the relationship between fear of covid-19 and the sexual and reproductive health characteristics of university students in a municipality in the interior of São Paulo State, Brazil. This is an observational, cross-sectional, descriptive, and analytical study conducted with undergraduate students from the University of São Paulo (USP) campus in Ribeirão Preto. Participants were young people aged 18 to 29 who had already initiated sexual activity. Four instruments were used for data collection. The first, second, and third were structured questionnaires covering identification data and sociodemographic characteristics, sexual and reproductive health, and the impact of covid-19 on sexual activity during the pandemic. The fourth instrument was the Fear of COVID-19 Scale (FCV-19S), translated into Brazilian Portuguese by mental health experts. The instruments were digitized using Google Forms, and data collection was carried out online from August to November 2024. Data analysis was performed using R statistical software. The results showed that most participants were female, white, in a romantic relationship, and enrolled in health-related programs. Most reported changes in their sexual life during the pandemic, use of apps for sexual purposes, and sexual encounters under the influence of substances. Fear of covid-19 was significantly associated with self-identified Black race (p = 0.0430), bisexual, asexual, or pansexual orientation (p = 0.0023), homosexual orientation (p = 0.0261), alcohol consumption (p = 0.0026), sex under the influence of substances (p = 0.0024), sex with a partner under the influence of alcohol or drugs (p = 0.0144), number of lifetime sexual partners (p = 0.0249), inconsistent condom use (p = 0.0002), history of STIs (p = 0.0269), having taken rapid tests (p = 0.0205), pain or lack of pleasure during sex (p = 0.0067), reduced sexual desire (p = 0.0435), and sexual abstinence due to fear of contamination (p = 0.0054). These findings highlight the importance of considering social markers such as race, gender, and sexual orientation to understand the psychosocial effects of the pandemic on youth. The study concludes that fear of covid-19 significantly influenced the sexual behavior of university students, pointing to the need for sexual and reproductive health promotion strategies that consider intersectionality and the impacts of the pandemic.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPMonteiro, Juliana Cristina dos SantosAlmeida, Stephanie Ramos de2025-08-27info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/22/22133/tde-11112025-095915/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2026-03-12T17:42:02Zoai:teses.usp.br:tde-11112025-095915Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212026-03-12T17:42:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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