Análise epidemiológica da tuberculose e co-infecção HIV/TB, em Ribeirão Preto-SP, de 1998-2006

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2008
Autor(a) principal: Lucca, Maria Elvira Santos de
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/17/17139/tde-01042008-151419/
Resumo: A pesquisa teve como objetivo analisar o Programa de Controle da Tuberculose (PCT) no município de Ribeirão Preto -São Paulo, no período de 1998 a 2006. Utilizou-se para este propósito indicadores epidemiológicos e de desempenho construídos a partir de dados das fichas de notificação de tuberculose (TB) armazenadas no sistema de informação o EPI-Tb, da Secretaria municipal de saúde deste município e os dados populacionais de estimativas do DATASUS, do período de estudo. Selecionaram-se para o estudo casos novos de TB notificados e residentes no município, por ano de diagnóstico, excluindo-se casos atendidos em outros municípios e presidiários. No período compreendido entre 1998 a 2006 foram notificados no EPI-Tb da SMS/Ribeirão Preto 1623 casos novos de tuberculose, sendo que houve queda no número absoluto de casos e no coeficiente de incidência de 47,8% (50,01- 26,08) dos casos no período ou 5,3% ao ano. O risco de ser um caso novo de TB foi 2,4 vezes maior para homens que para as mulheres. Apesar do número de casos notificados serem maiores na faixa etária de 15 a 49 anos, o risco de adoecer por TB foi maior na faixa etária acima de 50 anos, a partir de 2001. O percentual de co-infecção HIV/TB ficou em 27,1% (prevalência mínima), mas a prevalência máxima foi de 32,7%. A forma clínica mais freqüente para os casos novos foi a pulmonar com 85%, enquanto para os casos co-infectados esta forma esteve presente em 58,3% deles e a extra pulmonar em 27,8%. O local de descoberta dos casos de TB foi 51% em ambulatórios (públicos e privados), 39% em hospitais (universitários, público e privados) e 10% outras formas. Uma das fragilidades observadas foi a baixa detecção de casos de TB no município que nos últimos anos ficou próxima de 45% e que as unidades básicas de saúde e PCTs realizam apenas um quinto das baciloscopias de escarro para diagnóstico que deveriam realizar (segundo estimativas do MS). No entanto uma das fortalezas foi a implantação do tratamento supervisionado no município, que iniciou efetivamente em 1998, e foi aumentando gradativamente, chegando em 2006 a supervisionar 76% dos casos. Houve melhora nas taxas de cura, ficando próximo à 72% e 50,5%, para os casos novos sem co-infecção e com co-infecção HIV/TB, respectivamente. A taxa de mortalidade por TB no município apresentou ligeira tendência de queda no período. Apesar da baixa letalidade no período, 50,8% dos óbitos por TB só foram diagnosticados e notificados após o óbito; indicando dificuldade de acesso ao diagnóstico e tratamento da TB nestes casos. Conclui-se que para melhorar a detecção de casos de TB no município serão necessárias mudanças na forma de acolher os indivíduos suspeitos de TB na atenção básica de saúde, facilitando seu acesso a essas unidades, além de investigar mais sintomáticos respiratórios na comunidade. Algumas ações de controle da doença poderiam ser descentralizas, como o tratamento supervisionado e controle de comunicantes. Para os pacientes co-infectados HIV/TB apenas o tratamento supervisionado não está sendo suficiente para alcançarem sucesso no tratamento.
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No período compreendido entre 1998 a 2006 foram notificados no EPI-Tb da SMS/Ribeirão Preto 1623 casos novos de tuberculose, sendo que houve queda no número absoluto de casos e no coeficiente de incidência de 47,8% (50,01- 26,08) dos casos no período ou 5,3% ao ano. O risco de ser um caso novo de TB foi 2,4 vezes maior para homens que para as mulheres. Apesar do número de casos notificados serem maiores na faixa etária de 15 a 49 anos, o risco de adoecer por TB foi maior na faixa etária acima de 50 anos, a partir de 2001. O percentual de co-infecção HIV/TB ficou em 27,1% (prevalência mínima), mas a prevalência máxima foi de 32,7%. A forma clínica mais freqüente para os casos novos foi a pulmonar com 85%, enquanto para os casos co-infectados esta forma esteve presente em 58,3% deles e a extra pulmonar em 27,8%. O local de descoberta dos casos de TB foi 51% em ambulatórios (públicos e privados), 39% em hospitais (universitários, público e privados) e 10% outras formas. Uma das fragilidades observadas foi a baixa detecção de casos de TB no município que nos últimos anos ficou próxima de 45% e que as unidades básicas de saúde e PCTs realizam apenas um quinto das baciloscopias de escarro para diagnóstico que deveriam realizar (segundo estimativas do MS). No entanto uma das fortalezas foi a implantação do tratamento supervisionado no município, que iniciou efetivamente em 1998, e foi aumentando gradativamente, chegando em 2006 a supervisionar 76% dos casos. Houve melhora nas taxas de cura, ficando próximo à 72% e 50,5%, para os casos novos sem co-infecção e com co-infecção HIV/TB, respectivamente. A taxa de mortalidade por TB no município apresentou ligeira tendência de queda no período. Apesar da baixa letalidade no período, 50,8% dos óbitos por TB só foram diagnosticados e notificados após o óbito; indicando dificuldade de acesso ao diagnóstico e tratamento da TB nestes casos. Conclui-se que para melhorar a detecção de casos de TB no município serão necessárias mudanças na forma de acolher os indivíduos suspeitos de TB na atenção básica de saúde, facilitando seu acesso a essas unidades, além de investigar mais sintomáticos respiratórios na comunidade. Algumas ações de controle da doença poderiam ser descentralizas, como o tratamento supervisionado e controle de comunicantes. Para os pacientes co-infectados HIV/TB apenas o tratamento supervisionado não está sendo suficiente para alcançarem sucesso no tratamento.The objective of the present investigation was to analyze the Program of Tuberculosis Control (PTC) in the municipality of Ribeirão Preto- São Paulo, during the period from 1998 to 2006. Epidemiological and performance indicators were used for this purpose, constructed from data of the charts of tuberculosis (TB) notification stored in the information system of EPI-Tb, of the municipal health Secretariat of this municipality and from estimate population data of DATASUS regarding the study period. New TB cases notified regarding patients residing in the municipality were selected according to year of diagnosis, with cases attended in other municipalities and prisoners being excluded. A total of 1623 new cases of TB were notified to EPI-Tb of the SMS/Ribeirão Preto during the period from 1998 to 2006, with a fall in the absolute number of cases and a 47.8% (50,01-26,08) reduction of the coefficient of incidence being observed during this period, corresponding to 5.3% per year. The risk of being a new TB case was 2.4 times higher for men than for women. Although the number of notified cases was higher for the 15 to 49 year age range, starting in 2001 the risk of becoming ill with TB was higher in the age range above 50 years. The percentage of HIV/TB co-infection was 27.1% (minimum prevalence), but the maximum prevalence was 32,7%. The most frequent clinical form for the new cases was the pulmonary one (85%), while this form was present in 58.3% of co-infected cases and the extrapulmonary form in 27.8%. The site of detection of TB cases was public and private outpatient clinics in 51% of cases, university, public and private hospitals in 38%, and other sites in 10%. One of the fragilities observed was the low detection of TB cases in the municipality, which remained close to 45% over the last few years and the fact that the basic health units and PTCs perform only one fifth of the sputum bacilloscopies they should perform for diagnosis (according to Health Ministry estimates). However, one of the strong points was the implantation of supervised treatment in the municipality, which was effectively started in 1998 and increased gradually, with 76% of cases being supervised in 2006. There was an improvement in cure rates, that reached 72% and 50.5% for non-co-infected new cases and HIV/TB co-infected cases, respectively. The TB mortality rate in the municipality showed a slight tendency to a fall during the period. Despite the low lethality observed, 50.8% of the TB deaths were only diagnosed and notified after death, indicating a difficulty in access to diagnosis and treatment of TB in these cases. We conclude that, in order to improve the detection of TB cases in the municipality, changes are needed in the reception of individuals suspected to have TB at basic health units, facilitating their access to these units, in addition to the investigation of more persons with respiratory symptoms in the community. Some actions for the control of the disease such as supervised treatment and the control of communicants could be decentralized. Supervised treatment alone is not sufficient for HIV/TB-co-infected patients to achieve successful treatment.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPRuffino Netto, AntonioLucca, Maria Elvira Santos de2008-02-11info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttp://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/17/17139/tde-01042008-151419/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2024-08-20T19:27:02Zoai:teses.usp.br:tde-01042008-151419Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212024-08-20T19:27:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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