Sonoridade e não-idiomatismo: o agenciamento do material musical na improvisação livre

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Totti, Lucca Perrone
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/27/27158/tde-23012026-145038/
Resumo: Este trabalho propõe uma aproximação entre as noções de não-idiomatismo e de sonoridade a partir de uma abordagem da questão do material musical na improvisação livre. Buscamos mostrar como o não-idiomatismo seria um modo de construção musical privilegiado para uma imbricação imanente entre improvisação e sonoridade, na medida em que ambas são radicalizadas e singularizadas a partir da centralização de sua generatividade, heterogeneidade e excedência. Para isso, partimos de uma análise da formulação tradicional do material musical e contrapomos a ela um possível paradigma musical centrado no som, emergente de maneiras diversas nas músicas do século XX. Propomos o conceito de agenciamento do material para indicar como a centralização da sonoridade dependeria necessariamente não apenas dos materiais utilizados, mas do modo de organização e estruturação destes - dependeria de como as dimensões de materialidade e construtividade estão agenciadas. Analisamos aprofundadamente, então, a obra teórica de Pierre Schaeffer, identificando em sua diferenciação entre sonoridade e musicalidade, como os polos concreto e abstrato do fazer musical, um ponto de apoio central para a formulação de uma materialidade sonora autonomizada; formulação que, no entanto, entendemos ser contradita e bloqueada pela construtividade essencializada proposta por Schaeffer. Em seguida, abordamos a teoria estética de Fred Moten, focalizada na compreensão de uma resistência e excedência sonoras da objetidade à captura e à codificação, posicionando a improvisação como generatividade imanente a este impulso de fugitividade. Por fim, tratamos diretamente da improvisação livre não-idiomática para propor que o não-idiomatismo, enquanto bloqueio do fechamento idiomático ou da subordinação a uma musicalidade idiomática, é a coordenada vital para que a improvisação e a sonoridade sejam ambas libertadas ou abertas.
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