Avaliação do desenvolvimento neuropsicomotor de recém-nascidos expostos ao SARS-COV-2 no período perinatal por meio da Escala Bayley III

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Orioli, Patricia Albertini
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Resumo: Introdução: As repercussões da infecção por SARS-COV-2 em gestantes e recém-nascidos (RNs) ainda não são totalmente compreendidas. Dados preliminares sugerem um possível impacto no desenvolvimento neuropsicomotor (DNPM) de crianças nascidas durante a pandemia de COVID-19, especialmente em funções cognitivas. No entanto, os mecanismos envolvidos permanecem pouco esclarecidos, e há escassez de estudos que utilizem instrumentos validados para a população brasileira, como a Escala Bayley III, na avaliação de RNs expostos ao SARS-COV-2 no período neonatal. Métodos: Estudo de coorte prospectivo realizado entre 26 de abril de 2020 e 17 de fevereiro de 2021 no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP). Foram incluídos RNs filhos de mães com diagnóstico confirmado de COVID-19, acompanhados no Ambulatório de Neonatologia do Instituto da Criança. As avaliações foram realizadas aos 6, 9 e 12 meses de idade cronológica, utilizando o teste de triagem da Escala Bayley III, que classifica os domínios cognitivo, comunicação receptiva, comunicação expressiva, motricidade fina e motricidade grossa como competente, emergente ou em risco. Crianças com classificações emergente ou em risco receberam orientações para estimulação do DNPM e foram encaminhadas para acompanhamento subsequente. As análises estatísticas incluíram medidas de dispersão, tabelas de contingência, teste de McNemar, teste de KolmogorovSmirnov para normalidade e teste de Friedman para comparações entre os escores ao longo do tempo, seguido de post-hoc com teste de Wilcoxon e correção de Bonferroni. Modelos de regressão bivariada foram aplicados para os desfechos de competência nos diversos domínios aos 6, 9 e 12 meses. O nível de significância adotado foi p0,05. Resultados: Foram avaliados 41 RNs. A prematuridade foi um fator de risco para incompetência cognitiva aos 6 meses (OR 6,7; IC95% 1,335; p=0,02). Peso de nascimento inferior a 2.500g associou-se ao risco de incompetência cognitiva aos 6 meses (OR 6,2; IC95% 1,232,2; p=0,02) e manteve significância aos 12 meses (OR 6,2; IC95% 1,232,3; p=0,03). Internações superiores a sete dias associaram-se à incompetência cognitiva aos 12 meses (OR 6; IC95% 1,328,8; p=0,02). O aleitamento materno exclusivo na alta hospitalar apresentou efeito protetor sobre a comunicação receptiva aos 6 meses (OR 0,12; IC95% 0,020,71; p=0,02) e sobre a comunicação expressiva aos 9 meses (OR 0,021; IC95% 0,00150,3; p=0,004). Na avaliação completa com a Escala Bayley III (n=19; mediana de idade: 14,6 meses), observou-se atraso cognitivo leve em um lactente, atraso grave em um e leve em dois casos no domínio da comunicação, além de três casos de atraso leve no domínio motor sendo a comunicação o domínio mais acometido. Conclusão: Os achados sugerem impacto no DNPM, especialmente no domínio da comunicação expressiva, em lactentes expostos ao SARS-COV-2 no período perinatal. Embora haja indícios de prejuízo no desenvolvimento, esses resultados devem ser interpretados com cautela, uma vez que as alterações observadas podem não ser exclusivamente atribuíveis à infecção intrauterina, sobretudo diante dos impactos biopsicossociais impostos pela pandemia. Este estudo reforça a importância do seguimento clínico e do monitoramento do DNPM a longo prazo nesses lactentes.
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Métodos: Estudo de coorte prospectivo realizado entre 26 de abril de 2020 e 17 de fevereiro de 2021 no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP). Foram incluídos RNs filhos de mães com diagnóstico confirmado de COVID-19, acompanhados no Ambulatório de Neonatologia do Instituto da Criança. As avaliações foram realizadas aos 6, 9 e 12 meses de idade cronológica, utilizando o teste de triagem da Escala Bayley III, que classifica os domínios cognitivo, comunicação receptiva, comunicação expressiva, motricidade fina e motricidade grossa como competente, emergente ou em risco. Crianças com classificações emergente ou em risco receberam orientações para estimulação do DNPM e foram encaminhadas para acompanhamento subsequente. As análises estatísticas incluíram medidas de dispersão, tabelas de contingência, teste de McNemar, teste de KolmogorovSmirnov para normalidade e teste de Friedman para comparações entre os escores ao longo do tempo, seguido de post-hoc com teste de Wilcoxon e correção de Bonferroni. Modelos de regressão bivariada foram aplicados para os desfechos de competência nos diversos domínios aos 6, 9 e 12 meses. O nível de significância adotado foi p0,05. Resultados: Foram avaliados 41 RNs. A prematuridade foi um fator de risco para incompetência cognitiva aos 6 meses (OR 6,7; IC95% 1,335; p=0,02). Peso de nascimento inferior a 2.500g associou-se ao risco de incompetência cognitiva aos 6 meses (OR 6,2; IC95% 1,232,2; p=0,02) e manteve significância aos 12 meses (OR 6,2; IC95% 1,232,3; p=0,03). Internações superiores a sete dias associaram-se à incompetência cognitiva aos 12 meses (OR 6; IC95% 1,328,8; p=0,02). O aleitamento materno exclusivo na alta hospitalar apresentou efeito protetor sobre a comunicação receptiva aos 6 meses (OR 0,12; IC95% 0,020,71; p=0,02) e sobre a comunicação expressiva aos 9 meses (OR 0,021; IC95% 0,00150,3; p=0,004). Na avaliação completa com a Escala Bayley III (n=19; mediana de idade: 14,6 meses), observou-se atraso cognitivo leve em um lactente, atraso grave em um e leve em dois casos no domínio da comunicação, além de três casos de atraso leve no domínio motor sendo a comunicação o domínio mais acometido. Conclusão: Os achados sugerem impacto no DNPM, especialmente no domínio da comunicação expressiva, em lactentes expostos ao SARS-COV-2 no período perinatal. Embora haja indícios de prejuízo no desenvolvimento, esses resultados devem ser interpretados com cautela, uma vez que as alterações observadas podem não ser exclusivamente atribuíveis à infecção intrauterina, sobretudo diante dos impactos biopsicossociais impostos pela pandemia. Este estudo reforça a importância do seguimento clínico e do monitoramento do DNPM a longo prazo nesses lactentes.Introduction: The effects of SARS-COV-2 infection on pregnant women and their newborns remain poorly understood. Preliminary data suggest a potential impact on the neuropsychomotor development (NPMD) of children born during the COVID-19 pandemic, particularly in cognitive functions. However, the underlying mechanisms are still unclear, and there is a lack of studies using validated instruments for the Brazilian population, such as the Bayley Scales of Infant and Toddler Development Third Edition (Bayley-III), to assess neonates exposed to SARS-COV-2 during the neonatal period. Methods: This prospective cohort study was conducted from April 26, 2020, to February 17, 2021, at the Hospital das Clínicas of the University of São Paulo Medical School (HCFMUSP). Newborns of mothers with confirmed COVID-19 diagnosis and followed at the hospitals Neonatology Outpatient Clinic were included. Assessments were performed at 6, 9, and 12 months of chronological age using the Bayley-III screening tool, which classifies performance in the cognitive, receptive communication, expressive communication, fine motor, and gross motor domains as competent, emerging, or at risk. Infants classified as emerging or at risk received guidance on developmental stimulation and were referred for follow-up. Statistical analyses included measures of dispersion, contingency tables, McNemar test, KolmogorovSmirnov test for normality, and Friedman test for repeated measures across time points, followed by post-hoc Wilcoxon tests with Bonferroni correction. Bivariate regression models were applied to evaluate the association between risk factors and domain-specific developmental outcomes at 6, 9, and 12 months. A significance level of p0.05 was adopted. Results: Forty-one newborns were evaluated. Prematurity was a significant risk factor for cognitive delay at 6 months (OR 6.7; 95% CI 1.335; p=0.02). Birth weight under 2,500g was associated with cognitive delay at 6 months (OR 6.2; 95% CI 1.232.2; p=0.02), remaining significant at 12 months (OR 6.2; 95% CI 1.232.3; p=0.03). Hospitalization longer than seven days was also associated with cognitive delay at 12 months (OR 6; 95% CI 1.328.8; p=0.02). Exclusive breastfeeding at discharge had a protective effect on receptive communication at 6 months (OR 0.12; 95% CI 0.020.71; p=0.02) and expressive communication at 9 months (OR 0.021; 95% CI 0.00150.3; p=0.004). In the full Bayley-III assessment (n=19; median age 14.6 months), one infant had a mild cognitive delay, one had a severe and two had mild delays in communication, and three had mild delays in motor development making communication the most affected domain. Conclusion: The findings suggest an impact on neuropsychomotor development, particularly in the expressive communication domain, among infants exposed to SARS-CoV-2 in the perinatal period. Although there are signs of developmental delay, these findings should be interpreted with caution, as they may not be solely attributable to intrauterine viral exposure, especially given the biopsychosocial disruptions caused by the pandemic. The study underscores the need for long-term clinical and developmental follow-up of infants exposed to SARS-COV-2.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPJohnston, CintiaOrioli, Patricia Albertini2025-09-24info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5141/tde-20022026-124709/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2026-02-23T15:00:02Zoai:teses.usp.br:tde-20022026-124709Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.platendimento@abcd.usp.bropendoar:27212026-03-12T20:00:43.082823Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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