Análise dos fatores de risco para incontinência fecal em pacientes com esclerose sistêmica

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Farias, Juliana Bezerra
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5168/tde-30012026-133849/
Resumo: Introdução: a esclerose sistêmica é uma doença autoimune do tecido conjuntivo, caracterizada por um processo inflamatório crônico, com graus variáveis de fibrose tecidual e vasculopatia de pequenos vasos. Os principais órgãos acometidos são a pele e o trato gastrointestinal. O envolvimento gastrointestinal pode ocorrer desde a cavidade oral até o anorreto. Distúrbios do assoalho pélvico, como a incontinência fecal, são subdiagnosticados nesses pacientes. Podem apresentar-se de forma grave em alguns casos e proporcionar significativo impacto negativo na qualidade de vida. Um estudo mais detalhado dos fatores de risco para incontinência fecal poderá garantir um tratamento multidisciplinar mais precoce e individualizado. Objetivo: o presente estudo tem por objetivo avaliar a frequência de incontinência fecal, seus fatores de risco e impacto na qualidade de vida de portadores de esclerose sistêmica, além de propor um escore de predição desse desfecho nessa população. Métodos: foi realizado um estudo observacional, transversal, em centro de referência da cidade de São Paulo, no qual 120 pacientes acompanhados no ambulatório de Esclerose Sistêmica foram submetidos a questionários validados que abordam incontinência fecal e seu impacto na qualidade de vida. Foram utilizados o Índice de incontinência fecal da Cleveland Clinic Florida (CCFIS), a escala de Bristol de consistência das fezes, os índices de qualidade de vida geral (SF-12) e associados à incontinência fecal (FIQL) e o índice de desconforto do assoalho pélvico (PFBQ). Foram coletados os seguintes dados clínicos e demográficos no prontuário eletrônico do HC-FMUSP: idade, sexo, IMC, comorbidades, fototipo de pele, medicamentos de uso contínuo, cirurgias prévias, paridade e via de acesso, subtipo clínico, tempo de doença, manifestações clínicas, envolvimento de órgãos internos e perfil de autoanticorpos. Resultados: do total de pacientes, 45 (37,5%) apresentaram algum grau de incontinência, sendo 19 (42,2%) IF leve, 20 (44,4%) IF moderada e 6 (13,3%) IF grave. Cada acréscimo de comorbidade e cada ano a mais no tempo de doença aumentou em 41% e 6%, respectivamente, a chance de o paciente desenvolver incontinência fecal. Pacientes com incontinência urinária apresentaram 9,52 vezes mais chances de incontinência fecal associada, independentemente das demais características. Houve impacto significativo na qualidade de vida desses doentes, uma vez que 31% dos pacientes com incontinência fecal consideraram sua saúde ruim, devido às perdas fecais, havendo ideação suicida em 6,7% dos casos. Por meio das fórmulas matemáticas, logística e aditiva, desenvolvidas neste estudo, foi possível calcular objetivamente o escore preditor de incontinência fecal para esses pacientes. Conclusão: a esclerose sistêmica apresenta elevada frequência de incontinência fecal, com impacto significativo à qualidade de vida desses doentes. Neste estudo, o número de comorbidades, a incontinência urinária e o maior tempo de doença foram associados a maior risco de incontinência fecal. A pronta identificação dos fatores de risco por meio do escore preditor de incontinência fecal nos portadores de esclerose sistêmica pode auxiliar o médico clínico na identificação dessa comorbidade, proporcionando um manejo individualizado a esses pacientes, conforme proposto no escore aditivo.
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Um estudo mais detalhado dos fatores de risco para incontinência fecal poderá garantir um tratamento multidisciplinar mais precoce e individualizado. Objetivo: o presente estudo tem por objetivo avaliar a frequência de incontinência fecal, seus fatores de risco e impacto na qualidade de vida de portadores de esclerose sistêmica, além de propor um escore de predição desse desfecho nessa população. Métodos: foi realizado um estudo observacional, transversal, em centro de referência da cidade de São Paulo, no qual 120 pacientes acompanhados no ambulatório de Esclerose Sistêmica foram submetidos a questionários validados que abordam incontinência fecal e seu impacto na qualidade de vida. Foram utilizados o Índice de incontinência fecal da Cleveland Clinic Florida (CCFIS), a escala de Bristol de consistência das fezes, os índices de qualidade de vida geral (SF-12) e associados à incontinência fecal (FIQL) e o índice de desconforto do assoalho pélvico (PFBQ). Foram coletados os seguintes dados clínicos e demográficos no prontuário eletrônico do HC-FMUSP: idade, sexo, IMC, comorbidades, fototipo de pele, medicamentos de uso contínuo, cirurgias prévias, paridade e via de acesso, subtipo clínico, tempo de doença, manifestações clínicas, envolvimento de órgãos internos e perfil de autoanticorpos. Resultados: do total de pacientes, 45 (37,5%) apresentaram algum grau de incontinência, sendo 19 (42,2%) IF leve, 20 (44,4%) IF moderada e 6 (13,3%) IF grave. Cada acréscimo de comorbidade e cada ano a mais no tempo de doença aumentou em 41% e 6%, respectivamente, a chance de o paciente desenvolver incontinência fecal. Pacientes com incontinência urinária apresentaram 9,52 vezes mais chances de incontinência fecal associada, independentemente das demais características. Houve impacto significativo na qualidade de vida desses doentes, uma vez que 31% dos pacientes com incontinência fecal consideraram sua saúde ruim, devido às perdas fecais, havendo ideação suicida em 6,7% dos casos. Por meio das fórmulas matemáticas, logística e aditiva, desenvolvidas neste estudo, foi possível calcular objetivamente o escore preditor de incontinência fecal para esses pacientes. Conclusão: a esclerose sistêmica apresenta elevada frequência de incontinência fecal, com impacto significativo à qualidade de vida desses doentes. Neste estudo, o número de comorbidades, a incontinência urinária e o maior tempo de doença foram associados a maior risco de incontinência fecal. A pronta identificação dos fatores de risco por meio do escore preditor de incontinência fecal nos portadores de esclerose sistêmica pode auxiliar o médico clínico na identificação dessa comorbidade, proporcionando um manejo individualizado a esses pacientes, conforme proposto no escore aditivo.Introduction: Systemic sclerosis is a connective-tissue autoimmune disease, characterized by a chronic inflammatory process, with varying degrees of tissue fibrosis and small vessel vasculopathy. The main organs affected are the skin and the gastrointestinal tract. Gastrointestinal involvement can occur from the oral cavity to the anorectum. Pelvic floor disorders, such as fecal incontinence, are under diagnosed in these patients. They can be severe in some cases and have a significant negative impact on quality of life. A more detailed study of the risk factors for fecal incontinence could guarantee earlier and more individualized multidisciplinary treatment. Objective: The present study aims to evaluate the frequency of fecal incontinence, its risk factors and impact on the quality of life of patients with systemic sclerosis, in addition to proposing a prediction score for this outcome in this population. Methods: An observational, cross-sectional study was carried out in a reference center in the city of São Paulo, in which 120 patients followed at the Systemic Sclerosis outpatient clinic were submitted to validated questionnaires about fecal incontinence and its impact on quality of life. The Cleveland Clinic Fecal Incontinence Index, the Bristol stool consistency scale, the general quality of life index (SF-12), the Fecal Incontinence Quality of life index (FIQL) and, the Pelvic Floor Bother Questionnaire index (PFBQ) were used. Clinical and demographic data were collected from the HCFMUSP electronic medical record: age, sex, BMI, comorbidities, skin photo type, continuous use medications, previous surgeries, parity and mode of delivery, clinical subtype, systemic sclerosis duration, clinical manifestations, internal organ involvement and autoantibody profile. Results: 45 (37.5%) had some degree of incontinence, 19 (42.2%) mild FI, 20 (44.4%) moderate FI and 6 (13.3%) severe FI. Each additional comorbidity and each additional year of illness increased the patient\'s chance of developing fecal incontinence by 41% and 6%, respectively. Patients with urinary incontinence were 9.52 times more likely to have associated fecal incontinence, regardless of other characteristics. There was a significant impact on the quality of life of these patients, since 31% of patients with fecal incontinence considered their health to be poor due to fecal loss, with suicidal ideation in 6.7% of cases. Using the logistic and additive mathematical formulas developed in this study, it was possible to objectively calculate the fecal incontinence predictor score for these patients. Conclusion: Systemic sclerosis presents a high frequency of fecal incontinence, with a significant impact on the quality of life of these patients. In this study, the number of comorbidities, urinary incontinence and longer illness duration were associated with a greater risk of fecal incontinence. The prompt identification of risk factors for fecal incontinence through the predictive score in patients with systemic sclerosis can help the clinician to identify this comorbidity, providing individualized management for these patients, as proposed in the additive score.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPNahas, Caio Sergio RizkallahPinto, Rodrigo AmbarFarias, Juliana Bezerra2025-08-26info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5168/tde-30012026-133849/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2026-02-02T15:12:07Zoai:teses.usp.br:tde-30012026-133849Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212026-02-02T15:12:07Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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