Ciranda de homens pobres: uma leitura de Os ratos, de Dyonelio Machado

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2018
Autor(a) principal: Martins, Fábio Henrique Passoni
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8149/tde-16082019-163021/
Resumo: O romance Os ratos traz no seu entrecho analogias da circularidade que se espalham por todo o romance através de figuras de objetos redondos, circulares, curvos dos quais extrai significados metafóricos. Uma recensão breve aponta a profusão de elementos circulares (ou esféricos) disseminados por todo o romance: a translação de 24 horas do tempo cronológico, o relógio, as moedas e níqueis, o trabalho repetitivo de Naziazeno, o betting (corrida de cavalos), o relógio, os rostos e caras, os olhos, o sol, a ronda pelos cafés e agiotas, a roda da roleta e as suas fichas associadas a bolachas, a volta dos jogadores em torno da mesa da roleta, o movimento de giro com que o garçom limpa a mesa do café, o cilindro do açucareiro, o pires, a bandeja, o anel, o crânio, o rolinho de dinheiro, o círculo de luz amarela do lampião. Essas formas circulares por sua vez, estão numa moldura estrutural narrativa maior, que é a concentração da ação no tempo contraído de 24 horas, se iniciando o relato por volta das sete da manhã de um dia, e se fechando mais ou menos Do ponto de vista da ação do protagonista elas resultam ineficazes que a presente leitura entende, portando, um giro em falso, portanto, a própria ação é compreendida aqui como circular, pois o objeto da dívida se alterna entre coisas compradas e serviços tomados mas é certo que antes desse dia e depois dele: a sucessão de dias do personagem remetem sempre ao mesmo ponto, no caso, a dificuldade de subsistência. Assim a presente leitura evidencia que a situação de carência se repete em vários âmbitos na vida do protagonista e demais personagens, havendo recorrência do movimento circular. O protagonista vê repetir a sua condição de vulnerabilidade, sempre às voltas com sua carência material, dependendo de expediente alheios, de amigos detentores da astúcia, para amealhar dinheiro. O dinheiro, por sua vez está sempre representado por títulos e documentos, contraprestações, cartelas de empenho, letras de câmbio, visitas frustradas a agiotas. Esse traçado de reposição de carências e da expectativa de se amealhar dinheiro, por sua vez, tem como pano de fundo o horizonte histórico embaciado que entremeia Revolução de 1930 e Estado Novo. No âmbito das individualidades e no âmbito da História, nossa leitura procura evidenciar que essa volta das condições (em termos de analogia) apresenta um drama trivial com feições trágicas.
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Uma recensão breve aponta a profusão de elementos circulares (ou esféricos) disseminados por todo o romance: a translação de 24 horas do tempo cronológico, o relógio, as moedas e níqueis, o trabalho repetitivo de Naziazeno, o betting (corrida de cavalos), o relógio, os rostos e caras, os olhos, o sol, a ronda pelos cafés e agiotas, a roda da roleta e as suas fichas associadas a bolachas, a volta dos jogadores em torno da mesa da roleta, o movimento de giro com que o garçom limpa a mesa do café, o cilindro do açucareiro, o pires, a bandeja, o anel, o crânio, o rolinho de dinheiro, o círculo de luz amarela do lampião. Essas formas circulares por sua vez, estão numa moldura estrutural narrativa maior, que é a concentração da ação no tempo contraído de 24 horas, se iniciando o relato por volta das sete da manhã de um dia, e se fechando mais ou menos Do ponto de vista da ação do protagonista elas resultam ineficazes que a presente leitura entende, portando, um giro em falso, portanto, a própria ação é compreendida aqui como circular, pois o objeto da dívida se alterna entre coisas compradas e serviços tomados mas é certo que antes desse dia e depois dele: a sucessão de dias do personagem remetem sempre ao mesmo ponto, no caso, a dificuldade de subsistência. Assim a presente leitura evidencia que a situação de carência se repete em vários âmbitos na vida do protagonista e demais personagens, havendo recorrência do movimento circular. O protagonista vê repetir a sua condição de vulnerabilidade, sempre às voltas com sua carência material, dependendo de expediente alheios, de amigos detentores da astúcia, para amealhar dinheiro. O dinheiro, por sua vez está sempre representado por títulos e documentos, contraprestações, cartelas de empenho, letras de câmbio, visitas frustradas a agiotas. Esse traçado de reposição de carências e da expectativa de se amealhar dinheiro, por sua vez, tem como pano de fundo o horizonte histórico embaciado que entremeia Revolução de 1930 e Estado Novo. No âmbito das individualidades e no âmbito da História, nossa leitura procura evidenciar que essa volta das condições (em termos de analogia) apresenta um drama trivial com feições trágicas.O romance Os ratos traz no seu entrecho analogias da circularidade que se espalham por todo o romance através de figuras de objetos redondos, circulares, curvos dos quais extrai significados metafóricos. 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O protagonista vê repetir a sua condição de vulnerabilidade, sempre às voltas com sua carência material, dependendo de expediente alheios, de amigos detentores da astúcia, para amealhar dinheiro. O dinheiro, por sua vez está sempre representado por títulos e documentos, contraprestações, cartelas de empenho, letras de câmbio, visitas frustradas a agiotas. Esse traçado de reposição de carências e da expectativa de se amealhar dinheiro, por sua vez, tem como pano de fundo o horizonte histórico embaciado que entremeia Revolução de 1930 e Estado Novo. No âmbito das individualidades e no âmbito da História, nossa leitura procura evidenciar que essa \"volta\" das condições (em termos de analogia) apresenta um drama trivial com feições trágicas.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPMoura, Murilo Marcondes deMartins, Fábio Henrique Passoni2018-03-02info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttp://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8149/tde-16082019-163021/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2019-08-20T23:08:17Zoai:teses.usp.br:tde-16082019-163021Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212019-08-20T23:08:17Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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