Tecendo a trama social: mulheres e redes comerciais no período paleoassírio

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Fattori, Anita
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8138/tde-03062025-082839/
Resumo: No início do II milênio AEC, durante o chamado período paleoassírio (2025-1809 AEC), a cidade de Aššur coloca-se em evidência no cenário do Antigo Oriente Próximo pela sua participação central em uma importante rede comercial de longa distância entre a Mesopotâmia e a Anatólia. Famílias mercadoras assírias, organizadas em associações familiares, se aventuraram nas longínquas terras anatólias para comercializar estanho e tecido em troca de ouro e prata. Muitas famílias se instalaram por logos períodos em Kaneš (atual Kültepe, Turquia). Paralelamente ao transporte de uma quantidade considerável de mercadorias, tabletes cuneiformes era intercambiados, permitindo a circulação de informações entre os membros das famílias, parceiros comerciais em Aššur ou Kaneš, ou ainda aqueles que estavam em movimento nessa rota. Os mais de 22 500 mil tabletes cuneiformes conhecidos do período testemunham as práticas comerciais, mas também a própria organização do parentesco, de famílias dispersas nessa longa distância geográfica. A presente tese se concentra no estudo das mulheres de quadro famílias mercadoras assírias que atuaram nessas redes de comércio, a saber: (1) Tarām-Kūbi, Šīmat-Aššur, Ištar-bāšti, Zizizi, Ištar-lamassī e Šuppianika (famílias de Imdī-ilum e Innaya); (2) Lamassutum, Ištar-lamassī, Ummī-Išhara, Šimat-Ištar e Šalimma (família de Elamma); (3) Aḫaḫa, Bēlātum, Kunnanīya, Lamassī, Šāt-Aur, Waqqurtum e Tarīš-mātum (família de Pūšu-kēn). O objetivo principal dessa pesquisa é de compreender como as mulheres teceram ativamente a trama social em que estavam inseridas. Dois elementos principais permitem mostrar as estratégias de inserção das mulheres assírias nas redes de comércio: (a) o pertencimento à uma família mercadora e a forma pela qual esse fator aumentava a possibilidade de mobilidade feminina; e (b) a maneira pela qual a linguagem era mobilizada em suas cartas para negociar os seus espaços de atuação. Se, por um lado, a família era a base para a socialização e a aprendizagem das práticas comerciais, por outro, era por meio dela que os seus membros poderiam acessar os meios necessários para circular e se conectar às diferentes redes de sociabilidade. Desse modo, no presente trabalho, as associações familiares mercadoras são consideradas como Comunidades de Prática (CoP). As mulheres, como membros reconhecidos dessas comunidades, participavam ativamente das redes de comércio e poderiam alcançar grande mobilidade. Além da análise de toda documentação que, de alguma forma, nos dá informação sobre a vida dessas mulheres, apresentamos, no segundo volume desta tese, a tradução inédita para o português a partir do acadiano de 101 cartas enviadas ou recebidas por elas
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spelling Tecendo a trama social: mulheres e redes comerciais no período paleoassírioWeaving the social fabric: women and commercial networks in the Old Assyrian periodAgência FemininaComércio de Longa DistânciaFemale Mobility, Female AgencyLong Distance TradeMesopotamiaMesopotâmiaMobilidade FemininaOld Assyrian PeriodPeríodo PaleoassírioNo início do II milênio AEC, durante o chamado período paleoassírio (2025-1809 AEC), a cidade de Aššur coloca-se em evidência no cenário do Antigo Oriente Próximo pela sua participação central em uma importante rede comercial de longa distância entre a Mesopotâmia e a Anatólia. Famílias mercadoras assírias, organizadas em associações familiares, se aventuraram nas longínquas terras anatólias para comercializar estanho e tecido em troca de ouro e prata. Muitas famílias se instalaram por logos períodos em Kaneš (atual Kültepe, Turquia). Paralelamente ao transporte de uma quantidade considerável de mercadorias, tabletes cuneiformes era intercambiados, permitindo a circulação de informações entre os membros das famílias, parceiros comerciais em Aššur ou Kaneš, ou ainda aqueles que estavam em movimento nessa rota. Os mais de 22 500 mil tabletes cuneiformes conhecidos do período testemunham as práticas comerciais, mas também a própria organização do parentesco, de famílias dispersas nessa longa distância geográfica. A presente tese se concentra no estudo das mulheres de quadro famílias mercadoras assírias que atuaram nessas redes de comércio, a saber: (1) Tarām-Kūbi, Šīmat-Aššur, Ištar-bāšti, Zizizi, Ištar-lamassī e Šuppianika (famílias de Imdī-ilum e Innaya); (2) Lamassutum, Ištar-lamassī, Ummī-Išhara, Šimat-Ištar e Šalimma (família de Elamma); (3) Aḫaḫa, Bēlātum, Kunnanīya, Lamassī, Šāt-Aur, Waqqurtum e Tarīš-mātum (família de Pūšu-kēn). O objetivo principal dessa pesquisa é de compreender como as mulheres teceram ativamente a trama social em que estavam inseridas. Dois elementos principais permitem mostrar as estratégias de inserção das mulheres assírias nas redes de comércio: (a) o pertencimento à uma família mercadora e a forma pela qual esse fator aumentava a possibilidade de mobilidade feminina; e (b) a maneira pela qual a linguagem era mobilizada em suas cartas para negociar os seus espaços de atuação. Se, por um lado, a família era a base para a socialização e a aprendizagem das práticas comerciais, por outro, era por meio dela que os seus membros poderiam acessar os meios necessários para circular e se conectar às diferentes redes de sociabilidade. Desse modo, no presente trabalho, as associações familiares mercadoras são consideradas como Comunidades de Prática (CoP). As mulheres, como membros reconhecidos dessas comunidades, participavam ativamente das redes de comércio e poderiam alcançar grande mobilidade. Além da análise de toda documentação que, de alguma forma, nos dá informação sobre a vida dessas mulheres, apresentamos, no segundo volume desta tese, a tradução inédita para o português a partir do acadiano de 101 cartas enviadas ou recebidas por elasAt the beginning of the second millennium B.C., during the Old Assyrian period (2025-1809 BCE), the city of Aššur emerged as a prominent center in an extensive long-distance trade network. Assyrian merchant families, organized in family associations, ventured into the remote Anatolian lands, specially Kaneš (central Turkey), to trade tin and textiles in exchange for gold and silver. In addition to transporting a considerable quantity of goods, cuneiform tablets were exchanged, enabling the flow of information between family members and trading partners in Aššur or Kaneš, or those traveling the route. The more than 22,500 known cuneiform tablets from this period provide evidence of the commercial practices, but also of the organization of kinship ties between families dispersed over a long geographical distance. The present thesis focuses on the women of four Assyrian merchant families who were active in inter-regional trade, namely: (1) Tarām-Kūbi, Šīmat-Aššur, Ištar-bāšti, Zizizi, Ištar-lamassī et Šuppianika (from the family of Imdī-ilum and Innaya) ; (2) Lamassutum, Ištar-lamassī, Ummī-Išhara, Šimat-Ištar and Šalimma (from the Elamma\'s family); (3) Aḫaḫa, Bēlātum, Kunnanīya, Lamassī, Šāt-Aššur, Waqqurtum and Tarīš-mātum (from the Pūšu-kēn\'s family). The main aim of this study is to understand how women actively participated in weaving the social fabric in which they were part. Two main elements allow to demonstrate the strategies of insertion of Assyrian women in trade networks: (a) women\'s membership on merchant families and the way this factor increases the possibility of female mobility; (b) the way these women mobilized the language used in their letters to negotiate their fields of action. The family was the basis for socialization and the learning of commercial practices. Simultaneously, it was the unit through which its members could access the the means necessary to circulate among different networks of sociability. From this perspective, I consider merchant family associations as a community of practice (CoP). As recognized members of these communities, women actively participated in their various social activities. In addition, the second volume of this thesis presents the inedited translation into Portuguese of 101 letters sent or received by these womenBiblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPRede, Marcelo AparecidoFattori, Anita2025-02-21info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8138/tde-03062025-082839/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-06-03T16:24:02Zoai:teses.usp.br:tde-03062025-082839Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-06-03T16:24:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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