Na gangorra entre negritude e branquitude : ações afirmativas, disputa do Estado Nacional e relações raciais no Brasil
| Ano de defesa: | 2025 |
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| Tipo de documento: | Dissertação |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
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Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/2/2140/tde-20082025-124458/ |
Resumo: | A presente pesquisa indaga como a introdução das ações afirmativas com recorte racial no debate público brasileiro confrontou os projetos de Estado Nacional, tanto da negritude quanto da branquitude. Assim, traça como objetivo central desvendar os elementos que estavam subjacentes no duelo público, quais sejam, a promoção da igualdade racial antagonizada com a defesa do privilégio branco, não explicitado nesses termos, na conformação da nação. Para cumprir com essa empreitada acadêmica, retomou-se o contexto histórico das ações afirmativas e o modelo incorporado no Brasil. Definiu-se as filiações conceituais de negritude e branquitude como duas estruturas para pensar o que se almeja como nação e qual o papel do Estado. Defende-se com base na teoria do contrato racial que as políticas universais de combate à pobreza foram resgatadas como solução para tentar neutralizar a importância de a raça constituir uma categoria legítima a fim de que a burocracia estatal pudesse agir. Aponta-se que a disputa transcende o aspecto político e tem forte apelo epistemológico, detendo os intelectuais papel relevante na narrativa da nação como uma comunidade imaginada, construída com base em um processo de seleção do que é importante evidenciar e esquecimento do que se quer esconder. O lugar de enunciação do discurso intelectual confere autoridade e legitimidade aos que falam a partir dele para inventar a nação. É o poder epistemológico de dizer as coisas com respeitabilidade social, ainda que sem compromisso absoluto com a difusão da verdade, conforme elucida o conceito de ignorância branca. Organizadas as discussões teóricas, na segunda parte do trabalho se realiza a pesquisa qualitativa com a metodologia da análise do conteúdo das notas taquigráficas dos debates de quatro audiências públicas realizadas no âmbito dos Poderes Legislativo e Judiciário entre 2006 e 2010. A escolha se deu porque os documentos são produções discursivas dentro dos poderes estatais que, no limite, estão vocalizando a disputa do próprio Estado nacional. Os argumentos foram codificados com uso do software Atlas.ti que possibilitou sistematizar categorias que ajudam na investigação da resposta à questão norteadora apresentada. Os resultados da pesquisa são explanados com a apresentação do projeto da mestiçagem e o projeto de agenciamento negro que dão forma à parte da disputa. Por fim, utiliza-se a metáfora da gangorra para captar essa confrontação e ilustrar outras dinâmicas de poder em torno da questão racial, com a negritude e a branquitude em um jogo, buscando equilíbrio ou, em certa medida, sobreposição. |
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Na gangorra entre negritude e branquitude : ações afirmativas, disputa do Estado Nacional e relações raciais no BrasilOn the scale between Blackness and Whitness : affirmative actions, dispute over the National State and race relations in BrazilAções AfirmativasAffirmative actionsBlacknessBranquitudeEstado NacionalNational StateNegritudeRace relations in BrazilRelações Raciais no BrasilWhitenessA presente pesquisa indaga como a introdução das ações afirmativas com recorte racial no debate público brasileiro confrontou os projetos de Estado Nacional, tanto da negritude quanto da branquitude. Assim, traça como objetivo central desvendar os elementos que estavam subjacentes no duelo público, quais sejam, a promoção da igualdade racial antagonizada com a defesa do privilégio branco, não explicitado nesses termos, na conformação da nação. Para cumprir com essa empreitada acadêmica, retomou-se o contexto histórico das ações afirmativas e o modelo incorporado no Brasil. Definiu-se as filiações conceituais de negritude e branquitude como duas estruturas para pensar o que se almeja como nação e qual o papel do Estado. Defende-se com base na teoria do contrato racial que as políticas universais de combate à pobreza foram resgatadas como solução para tentar neutralizar a importância de a raça constituir uma categoria legítima a fim de que a burocracia estatal pudesse agir. Aponta-se que a disputa transcende o aspecto político e tem forte apelo epistemológico, detendo os intelectuais papel relevante na narrativa da nação como uma comunidade imaginada, construída com base em um processo de seleção do que é importante evidenciar e esquecimento do que se quer esconder. O lugar de enunciação do discurso intelectual confere autoridade e legitimidade aos que falam a partir dele para inventar a nação. É o poder epistemológico de dizer as coisas com respeitabilidade social, ainda que sem compromisso absoluto com a difusão da verdade, conforme elucida o conceito de ignorância branca. Organizadas as discussões teóricas, na segunda parte do trabalho se realiza a pesquisa qualitativa com a metodologia da análise do conteúdo das notas taquigráficas dos debates de quatro audiências públicas realizadas no âmbito dos Poderes Legislativo e Judiciário entre 2006 e 2010. A escolha se deu porque os documentos são produções discursivas dentro dos poderes estatais que, no limite, estão vocalizando a disputa do próprio Estado nacional. Os argumentos foram codificados com uso do software Atlas.ti que possibilitou sistematizar categorias que ajudam na investigação da resposta à questão norteadora apresentada. Os resultados da pesquisa são explanados com a apresentação do projeto da mestiçagem e o projeto de agenciamento negro que dão forma à parte da disputa. Por fim, utiliza-se a metáfora da gangorra para captar essa confrontação e ilustrar outras dinâmicas de poder em torno da questão racial, com a negritude e a branquitude em um jogo, buscando equilíbrio ou, em certa medida, sobreposição.This research investigates how the introduction of racially-based affirmative actions into the Brazilian public debate confronted the projects of the National State, both of blackness and whitness. Thus, it sets as its central objective to unveil the elements that were underlying the public duel, namely, the promotion of racial equality antagonized by the defense of white privilege, not explicitly stated in these terms, in the formation of the nation. To fulfill this academic endeavor, the historical context of affirmative actions and the model incorporated in Brazil were revisited. The conceptual affiliations of blackness and whiteness were defined as two structures for thinking about what is desired as a nation and what the role of the State is. It is argued, based on the theory of the racial contract, that universal policies to combat poverty were rescued as a solution to try to neutralize the importance of race constituting a legitimate category so that the state bureaucracy could act. It is pointed out that the dispute transcends the political aspect and has a strong epistemological appeal, with intellectuals playing a relevant role in the narrative of the nation as an imagined community, built based on a process of selecting what is important to highlight and forgetting what one wants to hide. The place of enunciation of intellectual discourse confers authority and legitimacy to those who speak from it to invent the nation. It is the epistemological power of saying things with social respectability, even without an absolute commitment to spreading the truth, as elucidated by the concept of white ignorance. Once the theoretical discussions have been organized, the second part of the work involves qualitative research using the methodology of analyzing the content of shorthand notes from debates in four public hearings held within the scope of the Legislative and Judicial Branches between 2006 and 2010. This choice was made because the documents are discursive productions within the state branches that, ultimately, are voicing the dispute of the national State itself. The arguments were coded using the Atlas.ti software, which made it possible to systematize categories that help in investigating the answer to the guiding question presented. The results of the research are explained with the presentation of the miscegenation project and the black agency project that shape part of the dispute. Finally, the metaphor of the seesaw is used to capture this confrontation and illustrate other power dynamics surrounding the racial issue, with blackness and whiteness in a game, seeking balance or, to a certain extent, overlap.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPSantos, Gislene Aparecida dosSilva, Vinicius Conceição Silva2025-05-09info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/2/2140/tde-20082025-124458/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPReter o conteúdo por motivos de patente, publicação e/ou direitos autoriais.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-09-03T16:35:02Zoai:teses.usp.br:tde-20082025-124458Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-09-03T16:35:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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