Tornando a adjudicação explícita: uma análise inferencialista dos limites dos argumentos interpretativos na fundamentação das decisões judiciais

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2020
Autor(a) principal: Araújo, Jorge Alberto Araújo de
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/2/2139/tde-30032021-161911/
Resumo: A adjudicação é um momento crucial da prática jurídica, e uma adequada fundamentação é condição de validade das decisões judiciais. Apesar disso, há pouca clareza no estudo dessa fundamentação enquanto argumentação jurídica racional. Diante de um caso individual que deve ser decidido, frequentemente as atividades de definir as regras jurídicas aplicáveis, interpretar essas regras derivando soluções normativas e, por fim, determinar a solução para o caso individual, são discutidas em conjunto, sem uma delimitação clara do que está em jogo em cada uma delas. Esta falta de clareza metodológica é potencializada por uma incorporação da filosofia da linguagem para a teoria do direito que, a partir do que é caracterizado como uma natural indeterminação da linguagem utilizada na formulação das regras, pretende sustentar que a atividade interpretativa dos juízes não está sujeita a limites objetivamente identificáveis. Propõe-se, aqui, em sentido contrário a este ceticismo, que não só é possível descrever objetivamente a atividade interpretativa como também analisar os limites dos argumentos interpretativos frequentemente utilizados na fundamentação das decisões judiciais em casos difíceis. A partir da introdução de uma delimitação metodológica entre interpretação e construção jurídicas, descreve-se uma moldura inferencialista na linha da teoria semântica de Robert Brandom, que toma a inferência como unidade primária de significado e desenvolve uma rota para uma semântica inferencialista a partir de uma pragmática normativa baseada na instituição social das normas linguísticas a partir das atitudes deônticas dos participantes da prática. Esta moldura é aplicada a diversas decisões judiciais para evidenciar que os argumentos interpretativos (e construtivos) devem ser interpretados como padrões de inferência material, cuja validade está vinculada ao conteúdo conceitual nelas articulado. Esta estratégia permite definir que a interpretação é constrita pelos limites semânticos da formulação das regras, e que os argumentos dos Tribunais de redefinição do significado de termos e expressões e de modificação das inferências materiais necessárias são irracionais enquanto movimentos que não podem ser feitos de forma independente em relação a conceitos essencialmente perspectivo-dependentes no necessariamente social \"jogo de dar e demandar razões\" que caracteriza as práticas linguístico-discursivas, em particular a prática de fundamentar decisões judiciais.
id USP_f2e52e06b63e494dbad206b9084dc261
oai_identifier_str oai:teses.usp.br:tde-30032021-161911
network_acronym_str USP
network_name_str Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP
repository_id_str
spelling Tornando a adjudicação explícita: uma análise inferencialista dos limites dos argumentos interpretativos na fundamentação das decisões judiciaisMaking adjudication explicit: An inferentialist analysis of the limits of interpretive arguments in the justification of judicial decisionsAdjudicaçãoDecisão judicialDiscursive pragmaticsFilosofia do DireitoHermenêutica (Direito)InferênciaInferentialismJudicial interpretationNormativity of linguistic meaningObjectivityTeory of legal reasoningA adjudicação é um momento crucial da prática jurídica, e uma adequada fundamentação é condição de validade das decisões judiciais. Apesar disso, há pouca clareza no estudo dessa fundamentação enquanto argumentação jurídica racional. Diante de um caso individual que deve ser decidido, frequentemente as atividades de definir as regras jurídicas aplicáveis, interpretar essas regras derivando soluções normativas e, por fim, determinar a solução para o caso individual, são discutidas em conjunto, sem uma delimitação clara do que está em jogo em cada uma delas. Esta falta de clareza metodológica é potencializada por uma incorporação da filosofia da linguagem para a teoria do direito que, a partir do que é caracterizado como uma natural indeterminação da linguagem utilizada na formulação das regras, pretende sustentar que a atividade interpretativa dos juízes não está sujeita a limites objetivamente identificáveis. Propõe-se, aqui, em sentido contrário a este ceticismo, que não só é possível descrever objetivamente a atividade interpretativa como também analisar os limites dos argumentos interpretativos frequentemente utilizados na fundamentação das decisões judiciais em casos difíceis. A partir da introdução de uma delimitação metodológica entre interpretação e construção jurídicas, descreve-se uma moldura inferencialista na linha da teoria semântica de Robert Brandom, que toma a inferência como unidade primária de significado e desenvolve uma rota para uma semântica inferencialista a partir de uma pragmática normativa baseada na instituição social das normas linguísticas a partir das atitudes deônticas dos participantes da prática. Esta moldura é aplicada a diversas decisões judiciais para evidenciar que os argumentos interpretativos (e construtivos) devem ser interpretados como padrões de inferência material, cuja validade está vinculada ao conteúdo conceitual nelas articulado. Esta estratégia permite definir que a interpretação é constrita pelos limites semânticos da formulação das regras, e que os argumentos dos Tribunais de redefinição do significado de termos e expressões e de modificação das inferências materiais necessárias são irracionais enquanto movimentos que não podem ser feitos de forma independente em relação a conceitos essencialmente perspectivo-dependentes no necessariamente social \"jogo de dar e demandar razões\" que caracteriza as práticas linguístico-discursivas, em particular a prática de fundamentar decisões judiciais.Adjudication is a crucial moment in the practice of Law, and a proper justification is a requirement for the validity of judicial rulings. Nonetheless, there is little clarity in the study of judicial decisions as rational reasoning. When deciding an individual case, often judges conflate the activities of defining the applicable rules, interpreting these rules deriving normative solutions and, at last, determining the solution for the individual case. These procedures are usually analyzed as a single movement, without a clear delimitation of what is at stake at each moment. This lack of methodological precision is further increased by an import from the philosophy of language to legal theory. From what is characterized as a natural indetermination of the language used in rule formulations, it is claimed that judicial interpretive activity is not constrained by rational limits. I propose, in contrary to that skepticism, that it is possible to give an objective account of judicial interpretation and of the limits of interpretive arguments often used in justifying judicial rulings in hard cases. Starting with the introduction of a methodological distinction between interpretation and legal construction, I then describe an inferentialist framework based on Robert Brandom\'s semantic theory. He takes the inference as primary element for meaning and develops a pragmatic route for an inferentialist semantics based on the social institution of linguistic norms grounded on the deontic attitudes of the participants in a discursive practice. This framework is applied in many judicial rulings to make explicit that interpretive and constructive arguments must be taken as material-inferential patterns, with a primary normativity grounding its validity in the conceptual content inferentially articulated. This strategy allows describing judicial interpretation as constrained by the semantic limits of rule formulations. Furthermore, interpretive arguments used by Courts with theses of content redefinition, modification on consequential inferences and rejection of endorsed materialinferential patterns are irrational as movements that cannot be made from an isolated standpoint, since the concepts are social-perspectival in a \"game of giving and asking for reasons\".Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPMaranhão, Juliano Souza de AlbuquerqueAraújo, Jorge Alberto Araújo de2020-04-24info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/2/2139/tde-30032021-161911/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2023-03-30T12:59:47Zoai:teses.usp.br:tde-30032021-161911Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212023-03-30T12:59:47Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
dc.title.none.fl_str_mv Tornando a adjudicação explícita: uma análise inferencialista dos limites dos argumentos interpretativos na fundamentação das decisões judiciais
Making adjudication explicit: An inferentialist analysis of the limits of interpretive arguments in the justification of judicial decisions
title Tornando a adjudicação explícita: uma análise inferencialista dos limites dos argumentos interpretativos na fundamentação das decisões judiciais
spellingShingle Tornando a adjudicação explícita: uma análise inferencialista dos limites dos argumentos interpretativos na fundamentação das decisões judiciais
Araújo, Jorge Alberto Araújo de
Adjudicação
Decisão judicial
Discursive pragmatics
Filosofia do Direito
Hermenêutica (Direito)
Inferência
Inferentialism
Judicial interpretation
Normativity of linguistic meaning
Objectivity
Teory of legal reasoning
title_short Tornando a adjudicação explícita: uma análise inferencialista dos limites dos argumentos interpretativos na fundamentação das decisões judiciais
title_full Tornando a adjudicação explícita: uma análise inferencialista dos limites dos argumentos interpretativos na fundamentação das decisões judiciais
title_fullStr Tornando a adjudicação explícita: uma análise inferencialista dos limites dos argumentos interpretativos na fundamentação das decisões judiciais
title_full_unstemmed Tornando a adjudicação explícita: uma análise inferencialista dos limites dos argumentos interpretativos na fundamentação das decisões judiciais
title_sort Tornando a adjudicação explícita: uma análise inferencialista dos limites dos argumentos interpretativos na fundamentação das decisões judiciais
author Araújo, Jorge Alberto Araújo de
author_facet Araújo, Jorge Alberto Araújo de
author_role author
dc.contributor.none.fl_str_mv Maranhão, Juliano Souza de Albuquerque
dc.contributor.author.fl_str_mv Araújo, Jorge Alberto Araújo de
dc.subject.por.fl_str_mv Adjudicação
Decisão judicial
Discursive pragmatics
Filosofia do Direito
Hermenêutica (Direito)
Inferência
Inferentialism
Judicial interpretation
Normativity of linguistic meaning
Objectivity
Teory of legal reasoning
topic Adjudicação
Decisão judicial
Discursive pragmatics
Filosofia do Direito
Hermenêutica (Direito)
Inferência
Inferentialism
Judicial interpretation
Normativity of linguistic meaning
Objectivity
Teory of legal reasoning
description A adjudicação é um momento crucial da prática jurídica, e uma adequada fundamentação é condição de validade das decisões judiciais. Apesar disso, há pouca clareza no estudo dessa fundamentação enquanto argumentação jurídica racional. Diante de um caso individual que deve ser decidido, frequentemente as atividades de definir as regras jurídicas aplicáveis, interpretar essas regras derivando soluções normativas e, por fim, determinar a solução para o caso individual, são discutidas em conjunto, sem uma delimitação clara do que está em jogo em cada uma delas. Esta falta de clareza metodológica é potencializada por uma incorporação da filosofia da linguagem para a teoria do direito que, a partir do que é caracterizado como uma natural indeterminação da linguagem utilizada na formulação das regras, pretende sustentar que a atividade interpretativa dos juízes não está sujeita a limites objetivamente identificáveis. Propõe-se, aqui, em sentido contrário a este ceticismo, que não só é possível descrever objetivamente a atividade interpretativa como também analisar os limites dos argumentos interpretativos frequentemente utilizados na fundamentação das decisões judiciais em casos difíceis. A partir da introdução de uma delimitação metodológica entre interpretação e construção jurídicas, descreve-se uma moldura inferencialista na linha da teoria semântica de Robert Brandom, que toma a inferência como unidade primária de significado e desenvolve uma rota para uma semântica inferencialista a partir de uma pragmática normativa baseada na instituição social das normas linguísticas a partir das atitudes deônticas dos participantes da prática. Esta moldura é aplicada a diversas decisões judiciais para evidenciar que os argumentos interpretativos (e construtivos) devem ser interpretados como padrões de inferência material, cuja validade está vinculada ao conteúdo conceitual nelas articulado. Esta estratégia permite definir que a interpretação é constrita pelos limites semânticos da formulação das regras, e que os argumentos dos Tribunais de redefinição do significado de termos e expressões e de modificação das inferências materiais necessárias são irracionais enquanto movimentos que não podem ser feitos de forma independente em relação a conceitos essencialmente perspectivo-dependentes no necessariamente social \"jogo de dar e demandar razões\" que caracteriza as práticas linguístico-discursivas, em particular a prática de fundamentar decisões judiciais.
publishDate 2020
dc.date.none.fl_str_mv 2020-04-24
dc.type.status.fl_str_mv info:eu-repo/semantics/publishedVersion
dc.type.driver.fl_str_mv info:eu-repo/semantics/doctoralThesis
format doctoralThesis
status_str publishedVersion
dc.identifier.uri.fl_str_mv https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/2/2139/tde-30032021-161911/
url https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/2/2139/tde-30032021-161911/
dc.language.iso.fl_str_mv por
language por
dc.relation.none.fl_str_mv
dc.rights.driver.fl_str_mv Liberar o conteúdo para acesso público.
info:eu-repo/semantics/openAccess
rights_invalid_str_mv Liberar o conteúdo para acesso público.
eu_rights_str_mv openAccess
dc.format.none.fl_str_mv application/pdf
dc.coverage.none.fl_str_mv
dc.publisher.none.fl_str_mv Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
publisher.none.fl_str_mv Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
dc.source.none.fl_str_mv
reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP
instname:Universidade de São Paulo (USP)
instacron:USP
instname_str Universidade de São Paulo (USP)
instacron_str USP
institution USP
reponame_str Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP
collection Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP
repository.name.fl_str_mv Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)
repository.mail.fl_str_mv virginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.br
_version_ 1815258588829974528