Medicalização da educação e a pandemia de COVID-19: contribuições da Psicologia Histórico-Cultural
| Ano de defesa: | 2024 |
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| Tipo de documento: | Dissertação |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
| Idioma: | por |
| Instituição de defesa: |
Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/47/47131/tde-08042025-152829/ |
Resumo: | A pandemia de COVID-19 desencadeou inúmeras consequências para a educação. Diante da necessidade de fechamento das escolas, a implementação abrupta do ensino remoto em um país estruturalmente desigual atingiu os(as) estudantes de diferentes maneiras. O processo de ensino-aprendizagem foi bastante comprometido, assim como as interações sociais escolares promotoras de desenvolvimento humano. Tendo em vista inúmeras pesquisas que apontam, há décadas, a existência de processos educacionais patologizantes, questionamo-nos se os efeitos da pandemia podem ter contribuído para aprofundar a medicalização da educação, em especial nos anos iniciais do Ensino Fundamental, onde historicamente se inicia grande parte das suspeitas diagnósticas. A partir da Psicologia Histórico-Cultural, definimos como objeto de estudo a produção de diagnósticos de transtornos relacionados à aprendizagem e/ou ao comportamento em crianças do 1o ao 5o ano do Ensino Fundamental, entendendo como tal o processo de construção histórica daquilo que é visto como patologia e concretizado em um laudo. O objetivo geral foi compreender como tem ocorrido a produção desses diagnósticos e a dispensação de medicamentos para crianças da referida faixa etária, no período de pandemia de COVID-19. Foi desenvolvida uma pesquisa de cunho quantitativo e qualitativo. A dimensão quantitativa buscou investigar se houve aumento nos diagnósticos de transtornos de aprendizagem e/ou comportamento e na dispensação de medicamentos usualmente destinados a crianças com esses transtornos, durante o referido período, a partir de solicitações no Portal de Transparência do município de realização da pesquisa e no Sistema Integrado de Informações ao Cidadão do Estado de São Paulo. A dimensão qualitativa, por meio de estudo de caso em escola municipal do interior de São Paulo, visou identificar as ações da escola destinadas ao enfrentamento das dificuldades relacionadas à escolarização durante o período da pandemia e compreender o processo de produção dos diagnósticos de Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) dos estudantes participantes da pesquisa, analisando seus processos de escolarização antes, durante e após o isolamento social. Para tal, foram aplicados questionários on-line, realizadas entrevistas semiestruturadas, observações na escola e analisados prontuários e documentos escolares. De forma geral, os resultados apontaram, em nível municipal e estadual, aumento de crianças diagnosticadas com TDAH e com Transtorno do Espectro Autista (TEA) após o período de isolamento social, bem como da dispensação do Cloridrato de Metilfenidato como tratamento para TDAH. Apontaram, também, para processos de escolarização marcados pela medicalização, culminando em diagnósticos de TDAH durante a pandemia. A análise evidenciou a complexidade do período em questão onde, apesar das diferentes estratégias implementadas pela escola, houve manutenção do olhar patologizante direcionado aos estudantes participantes da pesquisa. Por outro lado, houve o reconhecimento da importância das mediações que se estabelecem na escola, destacando o papel do(a) professor(a) enquanto central na promoção da aprendizagem e do desenvolvimento. Defendemos, assim, a premência de mais ações coletivas e intersetoriais, com a participação de psicólogos(as) escolares que, em conjunto com a equipe escolar, contribuam para análises sociais, culturais e políticas dos fenômenos escolares, em direção à superação de análises individualizantes e patologizantes. |
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Medicalização da educação e a pandemia de COVID-19: contribuições da Psicologia Histórico-CulturalMedicalization of education and the COVID-19 pandemic: contributions from Historical-Cultural PsychologyCOVID-19 pandemicCritical School PsychologyHistorical-Cultural PsychologyMedicalização da educaçãoMedicalization of educationPandemia de COVID-19Psicologia Escolar CríticaPsicologia Histórico-CulturalA pandemia de COVID-19 desencadeou inúmeras consequências para a educação. Diante da necessidade de fechamento das escolas, a implementação abrupta do ensino remoto em um país estruturalmente desigual atingiu os(as) estudantes de diferentes maneiras. O processo de ensino-aprendizagem foi bastante comprometido, assim como as interações sociais escolares promotoras de desenvolvimento humano. Tendo em vista inúmeras pesquisas que apontam, há décadas, a existência de processos educacionais patologizantes, questionamo-nos se os efeitos da pandemia podem ter contribuído para aprofundar a medicalização da educação, em especial nos anos iniciais do Ensino Fundamental, onde historicamente se inicia grande parte das suspeitas diagnósticas. A partir da Psicologia Histórico-Cultural, definimos como objeto de estudo a produção de diagnósticos de transtornos relacionados à aprendizagem e/ou ao comportamento em crianças do 1o ao 5o ano do Ensino Fundamental, entendendo como tal o processo de construção histórica daquilo que é visto como patologia e concretizado em um laudo. O objetivo geral foi compreender como tem ocorrido a produção desses diagnósticos e a dispensação de medicamentos para crianças da referida faixa etária, no período de pandemia de COVID-19. Foi desenvolvida uma pesquisa de cunho quantitativo e qualitativo. A dimensão quantitativa buscou investigar se houve aumento nos diagnósticos de transtornos de aprendizagem e/ou comportamento e na dispensação de medicamentos usualmente destinados a crianças com esses transtornos, durante o referido período, a partir de solicitações no Portal de Transparência do município de realização da pesquisa e no Sistema Integrado de Informações ao Cidadão do Estado de São Paulo. A dimensão qualitativa, por meio de estudo de caso em escola municipal do interior de São Paulo, visou identificar as ações da escola destinadas ao enfrentamento das dificuldades relacionadas à escolarização durante o período da pandemia e compreender o processo de produção dos diagnósticos de Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) dos estudantes participantes da pesquisa, analisando seus processos de escolarização antes, durante e após o isolamento social. Para tal, foram aplicados questionários on-line, realizadas entrevistas semiestruturadas, observações na escola e analisados prontuários e documentos escolares. De forma geral, os resultados apontaram, em nível municipal e estadual, aumento de crianças diagnosticadas com TDAH e com Transtorno do Espectro Autista (TEA) após o período de isolamento social, bem como da dispensação do Cloridrato de Metilfenidato como tratamento para TDAH. Apontaram, também, para processos de escolarização marcados pela medicalização, culminando em diagnósticos de TDAH durante a pandemia. A análise evidenciou a complexidade do período em questão onde, apesar das diferentes estratégias implementadas pela escola, houve manutenção do olhar patologizante direcionado aos estudantes participantes da pesquisa. Por outro lado, houve o reconhecimento da importância das mediações que se estabelecem na escola, destacando o papel do(a) professor(a) enquanto central na promoção da aprendizagem e do desenvolvimento. Defendemos, assim, a premência de mais ações coletivas e intersetoriais, com a participação de psicólogos(as) escolares que, em conjunto com a equipe escolar, contribuam para análises sociais, culturais e políticas dos fenômenos escolares, em direção à superação de análises individualizantes e patologizantes.The COVID-19 pandemic has had numerous consequences for education. Faced with the need to close schools, the abrupt implementation of remote education in a structurally unequal country has affected students in different ways. The teaching-learning process was severely compromised, as were school social interactions that promote human development. Given that countless studies have pointed to the existence of pathologizing educational processes for decades, we wonder if the effects of the pandemic may have contributed to deepening the medicalization of education, especially in the early years of elementary school, where historically most diagnostic suspicions begin. Based on Historical-Cultural Psychology, we defined as our object of study the production of diagnoses of disorders related to learning and/or behavior in children from the 1st to the 5th year of elementary school, understanding as such the process of historical construction of what is seen as pathology and materialized in a report. The general objective was to understand how these diagnoses have been produced and medicines dispensed to children in this age group during the COVID-19 pandemic. Quantitative and qualitative research was carried out. The quantitative dimension sought to investigate whether there was an increase in diagnoses of learning and/or behavioral disorders and in the dispensing of medicines usually intended for children with these disorders during the period in question, based on requests on the Transparency Portal of the municipality where the research was carried out and on the Integrated Citizen Information System of the State of São Paulo. The qualitative dimension, through a case study in a municipal school in the interior of São Paulo, aimed to identify the school\'s actions to deal with difficulties related to schooling during the pandemic period and to understand the process of producing diagnoses of Attention Deficit Hyperactivity Disorder (ADHD) in the students participating in the research, analyzing their schooling processes before, during and after social isolation. To this end, online questionnaires were applied, semi-structured interviews were carried out, observations were made at the school and medical records and school documents were analyzed. In general, the results showed an increase in the number of children diagnosed with ADHD and Autism Spectrum Disorder (ASD) after the period of social isolation, as well as an increase in the dispensation of methylphenidate hydrochloride as a treatment for ADHD. They also pointed to schooling processes marked by medicalization, culminating in ADHD diagnoses during the pandemic. The analysis showed the complexity of the period in question where, despite the different strategies implemented by the school, the pathologizing view of the students participating in the research was maintained. On the other hand, there was recognition of the importance of the mediations established at school, highlighting the role of the teacher as central to promoting learning and development. We therefore recognize the urgency of collective and intersectoral actions, with the participation of school psychologists who, together with the school staff, contribute to social, cultural and political analyses of school phenomena, in order to overcome individualizing and pathologizing analyses.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPSouza, Marilene Proença Rebello deGuaragna, Camila Sanches2024-12-05info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/47/47131/tde-08042025-152829/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-04-09T10:01:04Zoai:teses.usp.br:tde-08042025-152829Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-04-09T10:01:04Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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