O percurso criativo na escrita de Mário de Andrade e o ensino da escrita na escola

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2012
Autor(a) principal: Velosa, Valéria Pereira
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/48/48134/tde-26062012-155116/
Resumo: Nesse estudo, ambicionamos refletir a respeito do ensino da escrita na escola. Partimos da constatação de que esta instituição tem trabalhado a escrita a partir do produto final, do texto pronto, desconsiderando seu processo de elaboração. Paralelamente, entendemos que o texto escrito esconde as marcas de sua produção, que não é linear, mas, sim, requer um longo trabalho. Para estudar o que está subjetivamente implicado no ato de escrever, partimos dos estudos da psicanálise, retomando os conceitos de sublimação, de Freud (1915), e de Sinthoma, de Lacan (1964). Apoiamo-nos, também, no conceito de trabalho da escrita, de Riolfi (2003). Para compreender como este processo se configura, examinamos o modo como um escritor profissional escreve. Especificamente, tomamos como objeto de análise os manuscritos do conto Primeiro de Maio, de Mário de Andrade. O objetivo, ao lidar com esse corpus, foi perseguir o percurso de escrita de um autor proficiente, a fim de perceber os modos por meio dos quais ele dá concretude ao seu processo criativo. Acreditamos que esta descrição pode servir de inspiração ao professor da escola básica que ambiciona ensinar a escrever. Para a composição e organização do corpus, seguimos as diretrizes da Crítica Genética e, para sua análise, da Análise do Discurso. A primeira estuda os processos de criação literária, a partir da comparação dos manuscritos de uma obra. A segunda, por sua vez, ao considerar os elementos que estão imbricados em qualquer texto (sujeito, língua e sentido) nos auxiliou na percepção de como as mudanças efetivadas por Mário de Andrade na materialidade linguística levavam a diferentes efeitos de sentido. A análise permitiu concluir que Mário de Andrade tende ao acréscimo, na versão definitiva do conto, se utilizando, principalmente, da rasura imaterial, ou seja, aquela que só pode ser visualizada por meio da comparação minuciosa entre versões. O cotejamento de versões mostrou que, ao copiar a versão anterior, o autor vai acrescentando muito ao texto original. Os principais acréscimos realizados pelo autor estão relacionados às funções adverbiais e adjetivais da escrita. Sem mudar a história de uma para outra versão, o autor adiciona elementos que, à primeira vista, pareceriam acessórios, mas que funcionam para aprofundar a caracterização do personagem, do espaço, assim como das contradições entre os discursos nacionalista e comunista presentes no conto. Acreditamos que estes acréscimos poderiam refletir um acirramento das contradições sociais após o decreto do Estado Novo (1937-1945), momento histórico importante, ocorrido entre as duas versões examinadas. Ao retomarmos as reflexões e as análises realizadas ao longo deste estudo, concluímos que um possível caminho para ensinar o processo da escrita, poderia ser a análise, junto com os alunos, das modificações linguísticas nos textos que causam determinados efeitos de sentido. Esse tipo de estudo facilitaria a instalação do trabalho de escrita, que, por sua vez, ao menos potencialmente, poderia levá-lo a desenvolver uma escrita singular.
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Para compreender como este processo se configura, examinamos o modo como um escritor profissional escreve. Especificamente, tomamos como objeto de análise os manuscritos do conto Primeiro de Maio, de Mário de Andrade. O objetivo, ao lidar com esse corpus, foi perseguir o percurso de escrita de um autor proficiente, a fim de perceber os modos por meio dos quais ele dá concretude ao seu processo criativo. Acreditamos que esta descrição pode servir de inspiração ao professor da escola básica que ambiciona ensinar a escrever. Para a composição e organização do corpus, seguimos as diretrizes da Crítica Genética e, para sua análise, da Análise do Discurso. A primeira estuda os processos de criação literária, a partir da comparação dos manuscritos de uma obra. A segunda, por sua vez, ao considerar os elementos que estão imbricados em qualquer texto (sujeito, língua e sentido) nos auxiliou na percepção de como as mudanças efetivadas por Mário de Andrade na materialidade linguística levavam a diferentes efeitos de sentido. A análise permitiu concluir que Mário de Andrade tende ao acréscimo, na versão definitiva do conto, se utilizando, principalmente, da rasura imaterial, ou seja, aquela que só pode ser visualizada por meio da comparação minuciosa entre versões. O cotejamento de versões mostrou que, ao copiar a versão anterior, o autor vai acrescentando muito ao texto original. Os principais acréscimos realizados pelo autor estão relacionados às funções adverbiais e adjetivais da escrita. Sem mudar a história de uma para outra versão, o autor adiciona elementos que, à primeira vista, pareceriam acessórios, mas que funcionam para aprofundar a caracterização do personagem, do espaço, assim como das contradições entre os discursos nacionalista e comunista presentes no conto. Acreditamos que estes acréscimos poderiam refletir um acirramento das contradições sociais após o decreto do Estado Novo (1937-1945), momento histórico importante, ocorrido entre as duas versões examinadas. Ao retomarmos as reflexões e as análises realizadas ao longo deste estudo, concluímos que um possível caminho para ensinar o processo da escrita, poderia ser a análise, junto com os alunos, das modificações linguísticas nos textos que causam determinados efeitos de sentido. Esse tipo de estudo facilitaria a instalação do trabalho de escrita, que, por sua vez, ao menos potencialmente, poderia levá-lo a desenvolver uma escrita singular.In this study, we aim to reflect on the teaching of writing in school. We start from the fact that this institution has worked the writing from the final product, the text ready, disregarding their development process. In parallel, we understand that the written text hides the marks of its production, which is not linear, but rather requires a long process. To study what is subjectively involved in the act of writing, we resorted to the studies of psychoanalysis, taking the concepts of sublimation of Freud (1915), and Sinthome of Lacan (1964). We, also, we resorted to the concept of work of writing of Riolfi (2003). To understand how this process takes shape, we examine how a professional writer writes. Specifically, we take as the object of analysis the manuscripts of the short story \"Primeiro de Maio\", by Mário de Andrade. The objective in dealing with this corpus, was pursuing the course of writing from an author proficient in order to understand the ways in which he gives concreteness to his creative process. We believe that this description can serve as an inspiration to the teacher of primary school that aims to teach writing. For the composition and organization of the corpus, we follow the guidelines of Genetic Criticism, and for his analysis, of Discourse Analysis. The first studies the processes of literary creation, from the comparison of the manuscripts of a work. The second, in turn, by consider the elements that are interwoven in any text (subject, language and meaning) helped us with the perception of how changes committed by Mário de Andrade in the materiality language led to different effects of meaning. The analysis concluded that Mário de Andrade tends to increase in the final version of the short story, using mainly the erasure immaterial; in other words, that one that can only be viewed through the detailed comparison between versions. Comparison between the versions showed that, when copying the previous version, the author is adding greatly to the original text. The major additions made by the author are related to adjectival and adverbial functions of writing. Without changing the story from one to another version, the author adds elements that, at first, seem accessories, but that work to deepen the characterization of the personage, of the area, as well as the contradictions between the nationalist and communist discourses present in the short story. We believe that these increases could reflect an intensification of the social contradictions after the decree of the Estado Novo (DATA-DATA), important historic moment, which occurred between the two versions examined. When we summarized the discussions and analyzes conducted during this study, we conclude that a possible way to teach the writing process, could be the analysis, together with students, of the linguistic changes in the texts that cause certain effects of sense. Such studies may facilitate the installation of the work of writing, which, in turn, at least potentially could lead them to develop a natural written.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPRiolfi, Claudia RosaVelosa, Valéria Pereira2012-04-20info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttp://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/48/48134/tde-26062012-155116/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2016-07-28T16:10:31Zoai:teses.usp.br:tde-26062012-155116Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212016-07-28T16:10:31Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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