Quitosana como antimicrobiano no contexto da fermentação etanólica: produção e aplicação no tratamento celular
| Ano de defesa: | 2024 |
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| Tipo de documento: | Tese |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
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Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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| País: |
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/11/11141/tde-08112024-122225/ |
Resumo: | A produção de etanol combustível a partir de cana-de-açúcar enfrenta desafios de contaminação por bactérias láticas, comumente tratadas com ácido sulfúrico e antibióticos. Problemas relacionados ao aumento da resistência aos antibióticos encontrado em bactérias isoladas próximas às destilarias e mesmo o alto custo envolvido na sua aplicação, aliados à periculosidade do manuseio do ácido sulfúrico no tratamento das células entre os ciclos fermentativos, tem estimulado a procura por estratégias não-convencionais para conter a contaminação. A prospecção de fontes renováveis e processos ecoeficientes para a produção de materiais biopoliméricos tem crescido, impulsionada pela busca por alternativas sustentáveis. Neste contexto, o biopolímero quitosana têm se destacado, sendo valorizado em diversas indústrias devido ao seu efeito antimicrobiano, sua biodegradabilidade e biocompatibilidade. Este trabalho investigou o potencial uso de quitosana na etapa de tratamento celular durante 6 ciclos de fermentação em batelada alimentada e seu efeito contra Limosilactobacillus fermentum e Saccharomyces cerevisiae PE2. Para a produção da quitosana (denominada quitosana de melaço), um processo em duas etapas, que consiste em fermentação lática (por Lactiplantibacillus plantarum) de resíduos de camarão e desacetilação química de quitina para obtenção de quitosana, foi avaliado, com foco na (i) substituição do meio semissintético MRS (de Man-Rogosa-Sharpe) por melaço de cana-de-açúcar; (ii) concentração e secagem dos resíduos de camarão na etapa de fermentação; e (iii) tempo de desacetilação da quitina. A atividade antimicrobiana da quitosana de melaço obtida deste processo foi avaliada em condições proliferativas, não-proliferativas, em superfície e em formato de microesferas contra L. fermentum e . cerevisiae. A quitosana de melaço na concentração 0,48% (m/v) foi testada na etapa de tratamento celular e as fermentações foram conduzidas em situação de contaminação com L. fermentum com e sem tratamento com quitosana, e em cultura pura da levedura. Quitina e quitosana foram caracterizadas por FTIR, DRX, DSC, TGA e MEV. Foi possível substituir o meio MRS por meio de melaço de canade-açúcar (150 g/L acrescido de 12 g/L de extrato de levedura e 5% m/v de resíduo de camarão na etapa de fermentação lática por L. plantarum para bioextração da quitina. Foi obtida quitosana de baixa massa molecular (95,3 kDa) e grau de desacetilação de 79,6%, por desacetilação alcalina (NaOH 45% na proporção 1:3 m/v) conduzida em autoclave por 2 horas. A quitosana em concentração de 0,24% causou 99% de redução no número de bactérias em condições proliferativas e não-proliferativas, sem efeito para a levedura. A quitosana também demonstrou efeito antimicrobiano em superfície, reduzindo em 90% o número de células de bactéria aderidas. Microesferas de quitosana de melaço foram produzidas apresentando diâmetro médio de 0,17 cm. Não apresentaram atividade antimicrobiana em concentrações até 10 g/L, porém possuem característica de partícula do tipo casca-caroço, que pode ser utilizada para armazenamento de compostos de interesse. Quando usada como tratamento celular nas fermentações, a quitosana de melaço foi eficaz na redução do número de L. fermentum, sem afetar a viabilidade da levedura, reduzindo o número de bactérias de 4 a 5 ciclos log. Observou-se uma redução no teor alcoólico do vinho fermentado, indicando um possível impacto na capacidade fermentativa da levedura. Aumentos graduais no teor alcoólico ao longo dos ciclos fermentativos sugerem uma possível adaptação da levedura ao tratamento com quitosana, destacando a necessidade de estudos adicionais para compreender completamente os efeitos dessa alternativa de tratamento. |
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Quitosana como antimicrobiano no contexto da fermentação etanólica: produção e aplicação no tratamento celularChitosan as an antimicrobial agent in the context of ethanol fermentation: production and application in cell treatmentBioetanolBioethanolChitinChitosanFermentação láticaLactic fermentationMelaçoMolassesQuitinaQuitosanaA produção de etanol combustível a partir de cana-de-açúcar enfrenta desafios de contaminação por bactérias láticas, comumente tratadas com ácido sulfúrico e antibióticos. Problemas relacionados ao aumento da resistência aos antibióticos encontrado em bactérias isoladas próximas às destilarias e mesmo o alto custo envolvido na sua aplicação, aliados à periculosidade do manuseio do ácido sulfúrico no tratamento das células entre os ciclos fermentativos, tem estimulado a procura por estratégias não-convencionais para conter a contaminação. A prospecção de fontes renováveis e processos ecoeficientes para a produção de materiais biopoliméricos tem crescido, impulsionada pela busca por alternativas sustentáveis. Neste contexto, o biopolímero quitosana têm se destacado, sendo valorizado em diversas indústrias devido ao seu efeito antimicrobiano, sua biodegradabilidade e biocompatibilidade. Este trabalho investigou o potencial uso de quitosana na etapa de tratamento celular durante 6 ciclos de fermentação em batelada alimentada e seu efeito contra Limosilactobacillus fermentum e Saccharomyces cerevisiae PE2. Para a produção da quitosana (denominada quitosana de melaço), um processo em duas etapas, que consiste em fermentação lática (por Lactiplantibacillus plantarum) de resíduos de camarão e desacetilação química de quitina para obtenção de quitosana, foi avaliado, com foco na (i) substituição do meio semissintético MRS (de Man-Rogosa-Sharpe) por melaço de cana-de-açúcar; (ii) concentração e secagem dos resíduos de camarão na etapa de fermentação; e (iii) tempo de desacetilação da quitina. A atividade antimicrobiana da quitosana de melaço obtida deste processo foi avaliada em condições proliferativas, não-proliferativas, em superfície e em formato de microesferas contra L. fermentum e . cerevisiae. A quitosana de melaço na concentração 0,48% (m/v) foi testada na etapa de tratamento celular e as fermentações foram conduzidas em situação de contaminação com L. fermentum com e sem tratamento com quitosana, e em cultura pura da levedura. Quitina e quitosana foram caracterizadas por FTIR, DRX, DSC, TGA e MEV. Foi possível substituir o meio MRS por meio de melaço de canade-açúcar (150 g/L acrescido de 12 g/L de extrato de levedura e 5% m/v de resíduo de camarão na etapa de fermentação lática por L. plantarum para bioextração da quitina. Foi obtida quitosana de baixa massa molecular (95,3 kDa) e grau de desacetilação de 79,6%, por desacetilação alcalina (NaOH 45% na proporção 1:3 m/v) conduzida em autoclave por 2 horas. A quitosana em concentração de 0,24% causou 99% de redução no número de bactérias em condições proliferativas e não-proliferativas, sem efeito para a levedura. A quitosana também demonstrou efeito antimicrobiano em superfície, reduzindo em 90% o número de células de bactéria aderidas. Microesferas de quitosana de melaço foram produzidas apresentando diâmetro médio de 0,17 cm. Não apresentaram atividade antimicrobiana em concentrações até 10 g/L, porém possuem característica de partícula do tipo casca-caroço, que pode ser utilizada para armazenamento de compostos de interesse. Quando usada como tratamento celular nas fermentações, a quitosana de melaço foi eficaz na redução do número de L. fermentum, sem afetar a viabilidade da levedura, reduzindo o número de bactérias de 4 a 5 ciclos log. Observou-se uma redução no teor alcoólico do vinho fermentado, indicando um possível impacto na capacidade fermentativa da levedura. Aumentos graduais no teor alcoólico ao longo dos ciclos fermentativos sugerem uma possível adaptação da levedura ao tratamento com quitosana, destacando a necessidade de estudos adicionais para compreender completamente os efeitos dessa alternativa de tratamento.Fuel ethanol production from sugarcane faces challenges of contamination by lactic acid bacteria, commonly treated with sulfuric acid and antibiotics. Problems related to increasing antibiotic resistance found in bacteria isolated near distilleries, along with the high cost involved in their application, coupled with the hazardous nature of sulfuric acid handling in cell treatment between fermentation cycles, have stimulated the search for unconventional strategies to contain contamination. The prospecting of renewable sources and eco-efficient processes for the production of biopolymeric materials has grown, driven by the pursuit of sustainable alternatives. In this context, the biopolymer chitosan has stood out, being valued in various industries due to its antimicrobial effect, biodegradability, and biocompatibility. This work investigated the potential use of chitosan in the cell treatment step during 6 fedbatch fermentation cycles and its effect against Limosilactobacillus fermentum and Saccharomyces cerevisiae PE2. The production of chitosan (here named molasses chitosan) by a two-step process, involving lactic fermentation (by Lactiplantibacillus plantarum) of shrimp waste and chemical deacetylation of chitin to obtain chitosan, was evaluated, focusing on (i) replacing the MRS (Man-Rogosa-Sharpe) semi-synthetic medium with sugarcane molasses; (ii) concentration and drying of shrimp waste in the fermentation step; and (iii) chitin deacetylation time. The antimicrobial activity of molasses chitosan L. fermentum and S. cerevisiae. Molasses chitosan at a concentration of 0.48% (w/v) was tested in the cell treatment step, and fermentations were conducted under contamination with L. fermentum with and without chitosan treatment, and in pure yeast culture. Chitin and chitosan were characterized by FTIR, XRD, DSC, TGA, and SEM. It was possible to replace the MRS medium with sugarcane molasses medium (150 g/L supplemented with 12 g/L yeast extract and 5% w/v shrimp waste) in the lactic fermentation step by L. plantarum for chitin bioextraction. Low molecular weight chitosan (95.3 kDa) with a deacetylation degree of 79.6% was obtained by alkaline deacetylation (45% NaOH in a 1:3 w/v ratio) conducted in an autoclave for 2 hours. Chitosan at a concentration of 0.24% caused a 99% reduction in the number of bacteria under proliferative and non-proliferative conditions, with no effect on yeast. Chitosan also showed antimicrobial activity by surface contact, reducing the number of adhered bacterial cells by 90%. Molasses chitosan microspheres were produced with an average diameter of 0.17 cm. They did not exhibit antimicrobial activity at concentrations up to 10 g/L but have a core-shell particle characteristic, which can be used for storing compounds of interest. When used as a cell treatment in fermentations, molasses chitosan was effective in reducing the number of L. fermentum, without affecting yeast viability, reducing the number of bacteria by 4 to 5 log cycles. A reduction in the alcoholic content of the fermented wine was observed, indicating a possible impact on yeast fermentative capacity. Gradual increases in alcoholic content throughout the fermentation cycles suggest a possible adaptation of yeast to chitosan treatment, highlighting the need for additional studies to fully understand the effects of this treatment alternative.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPAntonini, Sandra Regina CeccatoTanganini, Isabella Carvalho2024-06-28info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/11/11141/tde-08112024-122225/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2024-11-11T12:24:02Zoai:teses.usp.br:tde-08112024-122225Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212024-11-11T12:24:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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A produção de etanol combustível a partir de cana-de-açúcar enfrenta desafios de contaminação por bactérias láticas, comumente tratadas com ácido sulfúrico e antibióticos. Problemas relacionados ao aumento da resistência aos antibióticos encontrado em bactérias isoladas próximas às destilarias e mesmo o alto custo envolvido na sua aplicação, aliados à periculosidade do manuseio do ácido sulfúrico no tratamento das células entre os ciclos fermentativos, tem estimulado a procura por estratégias não-convencionais para conter a contaminação. A prospecção de fontes renováveis e processos ecoeficientes para a produção de materiais biopoliméricos tem crescido, impulsionada pela busca por alternativas sustentáveis. Neste contexto, o biopolímero quitosana têm se destacado, sendo valorizado em diversas indústrias devido ao seu efeito antimicrobiano, sua biodegradabilidade e biocompatibilidade. Este trabalho investigou o potencial uso de quitosana na etapa de tratamento celular durante 6 ciclos de fermentação em batelada alimentada e seu efeito contra Limosilactobacillus fermentum e Saccharomyces cerevisiae PE2. Para a produção da quitosana (denominada quitosana de melaço), um processo em duas etapas, que consiste em fermentação lática (por Lactiplantibacillus plantarum) de resíduos de camarão e desacetilação química de quitina para obtenção de quitosana, foi avaliado, com foco na (i) substituição do meio semissintético MRS (de Man-Rogosa-Sharpe) por melaço de cana-de-açúcar; (ii) concentração e secagem dos resíduos de camarão na etapa de fermentação; e (iii) tempo de desacetilação da quitina. A atividade antimicrobiana da quitosana de melaço obtida deste processo foi avaliada em condições proliferativas, não-proliferativas, em superfície e em formato de microesferas contra L. fermentum e . cerevisiae. A quitosana de melaço na concentração 0,48% (m/v) foi testada na etapa de tratamento celular e as fermentações foram conduzidas em situação de contaminação com L. fermentum com e sem tratamento com quitosana, e em cultura pura da levedura. Quitina e quitosana foram caracterizadas por FTIR, DRX, DSC, TGA e MEV. Foi possível substituir o meio MRS por meio de melaço de canade-açúcar (150 g/L acrescido de 12 g/L de extrato de levedura e 5% m/v de resíduo de camarão na etapa de fermentação lática por L. plantarum para bioextração da quitina. Foi obtida quitosana de baixa massa molecular (95,3 kDa) e grau de desacetilação de 79,6%, por desacetilação alcalina (NaOH 45% na proporção 1:3 m/v) conduzida em autoclave por 2 horas. A quitosana em concentração de 0,24% causou 99% de redução no número de bactérias em condições proliferativas e não-proliferativas, sem efeito para a levedura. A quitosana também demonstrou efeito antimicrobiano em superfície, reduzindo em 90% o número de células de bactéria aderidas. Microesferas de quitosana de melaço foram produzidas apresentando diâmetro médio de 0,17 cm. Não apresentaram atividade antimicrobiana em concentrações até 10 g/L, porém possuem característica de partícula do tipo casca-caroço, que pode ser utilizada para armazenamento de compostos de interesse. Quando usada como tratamento celular nas fermentações, a quitosana de melaço foi eficaz na redução do número de L. fermentum, sem afetar a viabilidade da levedura, reduzindo o número de bactérias de 4 a 5 ciclos log. Observou-se uma redução no teor alcoólico do vinho fermentado, indicando um possível impacto na capacidade fermentativa da levedura. Aumentos graduais no teor alcoólico ao longo dos ciclos fermentativos sugerem uma possível adaptação da levedura ao tratamento com quitosana, destacando a necessidade de estudos adicionais para compreender completamente os efeitos dessa alternativa de tratamento. |
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