Tempo de comer, tempo de viver: um olhar sobre as relações alimentares Akwe-Xerente e Mbya Guarani para se pensar outras formas de habitar o mundo

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Almeida, Vanessa Caroline Tomazini de
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/6/6143/tde-21102025-181651/
Resumo: A partir de experiências vividas com os povos indígenas Akwe-Xerente, na aldeia Salto Kripre (Terra Indígena Xerente - TO) e Mbya Guarani (aldeia de retomada Nhanderekoá - SP), este trabalho propõe o deslocamento do olhar sobre a alimentação, compreendendo-a não apenas como prática biológica ou cultural, mas como um campo de relações entre vida, tempo e território. Resultado de uma experiência metodológica baseada no estar junto , esta dissertação é composta por dois capítulos principais: Tempo de comer e Tempo de viver. No primeiro deles, descrevo - sob o olhar dos encontros que me atravessaram - os contextos e as dinâmicas alimentares vivenciados pelas duas comunidades, trazendo aspectos sobre os modos de cultivo, preparo e partilha dos alimentos, bem como sobre os agenciamentos políticos, espirituais e históricos que os permeiam, além de explorar os ritmos calmos de temporalidade vivenciados nos territórios, que resistem às pressões do tempo linear e produtivista da modernidade. No segundo capítulo, apresento um breve histórico de luta pela demarcação da Terra Indígena Xerente e de retomada da aldeia Nhanderekoá, o enfrentamento às políticas de extermínio e de assimilação que acompanharam este processo e a resistência às formas de dependência alimentar, que incluem cosmopercepções do corpo-território e do teko porã (bem viver Guarani). Além disso, a partir da pergunta norteadora \"por que juruá (não-indígena) venda comida?\", questiono a naturalização da venda de alimentos no mundo juruá , evidenciando como essa prática está enraizada em processos históricos de escravização, desterritorialização e concentração de poder. A partir disso, são explorados os mecanismos de um projeto colonial e capitalista que transformaram o alimento em mercadoria abstrata - dissociada da terra, dos corpos e das histórias que a produzem - e que, ao mesmo tempo, transformaram a terra e o tempo em recursos. Desta forma, quando proponho pensar em relações alimentares - para além de hábitos, práticas ou comportamentos alimentares - esta proposição não se vale apenas para os mundos indígenas, mas, sobretudo, para os mundos não-indígenas. O contraste entre esses modos de se alimentar - e de se relacionar com o mundo - permite traçar caminhos imaginativos para pensar outras formas de viver e habitar a Terra.
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No primeiro deles, descrevo - sob o olhar dos encontros que me atravessaram - os contextos e as dinâmicas alimentares vivenciados pelas duas comunidades, trazendo aspectos sobre os modos de cultivo, preparo e partilha dos alimentos, bem como sobre os agenciamentos políticos, espirituais e históricos que os permeiam, além de explorar os ritmos calmos de temporalidade vivenciados nos territórios, que resistem às pressões do tempo linear e produtivista da modernidade. No segundo capítulo, apresento um breve histórico de luta pela demarcação da Terra Indígena Xerente e de retomada da aldeia Nhanderekoá, o enfrentamento às políticas de extermínio e de assimilação que acompanharam este processo e a resistência às formas de dependência alimentar, que incluem cosmopercepções do corpo-território e do teko porã (bem viver Guarani). Além disso, a partir da pergunta norteadora \"por que juruá (não-indígena) venda comida?\", questiono a naturalização da venda de alimentos no mundo juruá , evidenciando como essa prática está enraizada em processos históricos de escravização, desterritorialização e concentração de poder. A partir disso, são explorados os mecanismos de um projeto colonial e capitalista que transformaram o alimento em mercadoria abstrata - dissociada da terra, dos corpos e das histórias que a produzem - e que, ao mesmo tempo, transformaram a terra e o tempo em recursos. Desta forma, quando proponho pensar em relações alimentares - para além de hábitos, práticas ou comportamentos alimentares - esta proposição não se vale apenas para os mundos indígenas, mas, sobretudo, para os mundos não-indígenas. O contraste entre esses modos de se alimentar - e de se relacionar com o mundo - permite traçar caminhos imaginativos para pensar outras formas de viver e habitar a Terra.Based on experiences with the Akwe-Xerente indigenous peoples, in the Salto Kripre village (Xerente Indigenous Land - Tocantins State) and Mbya Guarani (Nhanderekoá retaken land - São Paulo State), this work proposes a shift in perspective on food, understanding it not only as a biological or cultural practice, but as a field of relationships between life, time and territory. Resulting from a methodological experience based on being together, this dissertation is composed of two main chapters: \"Eating Time\" and \"Living Time\". In the first of these, I describe--from the perspective of the encounters I experienced--the food contexts and dynamics experienced by the two indigenous communities, bringing aspects of the ways of cultivating, preparing, and sharing food, as well as the political, spiritual, and historical agencies that permeate them, in addition to exploring the calm rhythms of temporality experienced in the territories, which resist the pressures of linear and productivist time of modernity. In the second chapter, I present a brief history of the struggle for the demarcation of the Xerente Indigenous Land and the reclaiming of the Nhanderekoá village, the confrontation with the policies of extermination and assimilation that accompanied this process, and the resistance to food dependency, which include cosmoperceptions of the body-territory and teko porã (Guarani good living). Furthermore, based on the guiding question \"why do juruá (non-Indigenous people) sell food?\", I question the naturalization of food commodification in the juruá world, highlighting how this practice is rooted in historical processes of enslavement, deterritorialization, and concentration of power. From this, we explore the mechanisms of a colonial and capitalist project that transformed food into an abstract commodity -- dissociated from the land, bodies, and stories that produce it -- and that, at the same time, transformed land and time into resources. Thus, when I propose thinking about food relationships - beyond eating habits, practices or behaviors - this proposition is not only valid for indigenous ways of life, but, above all, for non-indigenous ones. The contrast between these ways of eating - and relating to the world - allows us to chart imaginative paths for rethinking how we live and inhabit the Earth.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPMoreno, Claudia Roberta de CastroAlmeida, Vanessa Caroline Tomazini de2025-09-04info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/6/6143/tde-21102025-181651/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-10-21T20:29:02Zoai:teses.usp.br:tde-21102025-181651Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-10-21T20:29:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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