Hipermobilidade da articulação temporomandibular: predição clínica e tomográfica e impacto nas disfunções temporomandibulares e na capacidade de abertura bucal
| Ano de defesa: | 2025 |
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| Tipo de documento: | Tese |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
| Idioma: | por |
| Instituição de defesa: |
Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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| Departamento: |
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| Palavras-chave em Português: | Resumo: | A hipermobilidade articular é citada como potencial fator etiológico no desenvolvimento de disfunções temporomandibulares (DTM). A hipermobilidade da articulação temporomandibular (ATM), por sua vez, é caracterizada por translação condilar excessiva, que pode ser assintomática ou levar à subluxação ou luxação da ATM. Seu diagnóstico é dificultado por critérios heterogêneos e pelo valor preditivo incerto dos achados de imagem. A tomografia computadorizada (TC) da ATM permite a avaliação morfologia da ATM, mas seu papel na predição de hipermobilidade clinicamente significativa permanece incerto. Dessa forma, o objetivo do estudo foi avaliar o valor preditivo de parâmetros clínicos, anamnésicos e imaginológicos da hipermobilidade da ATM para o diagnóstico de DTM e resultados funcionais relacionados, com foco em distúrbios de hipermobilidade da ATM e capacidade de abertura bucal. Esta tese compreendeu dois estudos transversais analíticos conduzidos na Faculdade de Odontologia de Bauru. O primeiro estudo incluiu 150 adultos divididos em grupos controle, DTM dolorosa, disfuncional ou combinada com protocolos padronizados de TCCB para avaliação tomográfica. O segundo incluiu 126 adultos classificados pelo DC/TMD em grupos de DTM dolorosa, disfuncional ou combinada, balanceados por histórico de travamento aberto e avaliados por medidas clínicas, anamnésicas, funcionais, de imagem e psicossociais. Ambos os estudos empregaram análises de regressão para investigar o valor preditivo de parâmetros clínicos, anamnésicos e tomográficos da hipermobilidade da ATM em relação à capacidade de abertura bucal e à presença e repercussões da DTM. As variáveis da TCCB apresentaram simetria bilateral e forte correlação, sendo analisadas apenas as medidas do lado direito. O sexo masculino previu maiores valores de abertura bucal, enquanto o ângulo condilar e a distância superior do côndilo em relação a eminencia se associaram, respectivamente, à abertura sem dor e à abertura assistida. A idade mais avançada reduziu a chance de subluxação da ATM, e os demais parâmetros de imagem não mostraram valor preditivo significativo. Análises multivariadas mostraram que o travamento aberto foi preditor independente de subluxação da ATM e maior instabilidade articular reportada. O aumento do ângulo condilar associou-se a maior abertura assistida e desvio de linha média. Já a abertura máxima (assistida e não assistida) predisse maior mobilidade sem dor e salto condilar lateral, que, por sua vez, previu limitação funcional em tarefas de ampla abertura. Os indicadores clínicos, funcionais e de imagem da hipermobilidade da ATM captam aspectos distintos do fenômeno, mas nenhum, isoladamente, explica todo o seu espectro. História de travamento aberto, ângulo condilar e as medidas de abertura bucal previram características específicas, embora os parâmetros de imagem em especial os obtidos por CBCT tenham demonstrado valor preditivo limitado para os desfechos relacionados à hipermobilidade da ATM. O sexo masculino esteve consistentemente associado a maiores valores de abertura bucal, enquanto a idade mostrou efeito protetor em relação à subluxação da ATM. De forma geral, a hipermobilidade da ATM parece apresentar impacto restrito sobre a apresentação clínica e funcional global das DTM, especialmente das desordens de hipermobilidade, sugerindo que mecanismos dinâmicos funcionais e adaptativos exercem papel mais decisivo do que medidas anatômicas estáticas. |
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Hipermobilidade da articulação temporomandibular: predição clínica e tomográfica e impacto nas disfunções temporomandibulares e na capacidade de abertura bucalTemporomandibular joint hypermobility: clinical and tomographic prediction and impact on temporomandibular disorders and mouth opening capacityArticulação temporomandibularDistúrbios da articulação temporomandibularDor orofacialInstabilidade articularJoint instabilityJoint dislocationsLuxações articularesOrofacial painTemporomandibular jointTemporomandibular joint disordersA hipermobilidade articular é citada como potencial fator etiológico no desenvolvimento de disfunções temporomandibulares (DTM). A hipermobilidade da articulação temporomandibular (ATM), por sua vez, é caracterizada por translação condilar excessiva, que pode ser assintomática ou levar à subluxação ou luxação da ATM. Seu diagnóstico é dificultado por critérios heterogêneos e pelo valor preditivo incerto dos achados de imagem. A tomografia computadorizada (TC) da ATM permite a avaliação morfologia da ATM, mas seu papel na predição de hipermobilidade clinicamente significativa permanece incerto. Dessa forma, o objetivo do estudo foi avaliar o valor preditivo de parâmetros clínicos, anamnésicos e imaginológicos da hipermobilidade da ATM para o diagnóstico de DTM e resultados funcionais relacionados, com foco em distúrbios de hipermobilidade da ATM e capacidade de abertura bucal. Esta tese compreendeu dois estudos transversais analíticos conduzidos na Faculdade de Odontologia de Bauru. O primeiro estudo incluiu 150 adultos divididos em grupos controle, DTM dolorosa, disfuncional ou combinada com protocolos padronizados de TCCB para avaliação tomográfica. O segundo incluiu 126 adultos classificados pelo DC/TMD em grupos de DTM dolorosa, disfuncional ou combinada, balanceados por histórico de travamento aberto e avaliados por medidas clínicas, anamnésicas, funcionais, de imagem e psicossociais. Ambos os estudos empregaram análises de regressão para investigar o valor preditivo de parâmetros clínicos, anamnésicos e tomográficos da hipermobilidade da ATM em relação à capacidade de abertura bucal e à presença e repercussões da DTM. As variáveis da TCCB apresentaram simetria bilateral e forte correlação, sendo analisadas apenas as medidas do lado direito. O sexo masculino previu maiores valores de abertura bucal, enquanto o ângulo condilar e a distância superior do côndilo em relação a eminencia se associaram, respectivamente, à abertura sem dor e à abertura assistida. A idade mais avançada reduziu a chance de subluxação da ATM, e os demais parâmetros de imagem não mostraram valor preditivo significativo. Análises multivariadas mostraram que o travamento aberto foi preditor independente de subluxação da ATM e maior instabilidade articular reportada. O aumento do ângulo condilar associou-se a maior abertura assistida e desvio de linha média. Já a abertura máxima (assistida e não assistida) predisse maior mobilidade sem dor e salto condilar lateral, que, por sua vez, previu limitação funcional em tarefas de ampla abertura. Os indicadores clínicos, funcionais e de imagem da hipermobilidade da ATM captam aspectos distintos do fenômeno, mas nenhum, isoladamente, explica todo o seu espectro. História de travamento aberto, ângulo condilar e as medidas de abertura bucal previram características específicas, embora os parâmetros de imagem em especial os obtidos por CBCT tenham demonstrado valor preditivo limitado para os desfechos relacionados à hipermobilidade da ATM. O sexo masculino esteve consistentemente associado a maiores valores de abertura bucal, enquanto a idade mostrou efeito protetor em relação à subluxação da ATM. De forma geral, a hipermobilidade da ATM parece apresentar impacto restrito sobre a apresentação clínica e funcional global das DTM, especialmente das desordens de hipermobilidade, sugerindo que mecanismos dinâmicos funcionais e adaptativos exercem papel mais decisivo do que medidas anatômicas estáticas.Joint hypermobility has been cited as a potential etiological factor in the development of temporomandibular disorders (TMD). Temporomandibular joint (TMJ) hypermobility, in turn, is characterized by excessive condylar translation, which may be asymptomatic or lead to TMJ subluxation or luxation. Its diagnosis is hindered by heterogeneous criteria and the uncertain predictive value of imaging findings. Computed tomography (CT) of the TMJ allows assessment of joint morphology, but its role in predicting clinically significant hypermobility remains unclear. Therefore, the aim of this study was to evaluate the predictive value of clinical, anamnestic and imaging parameters of TMJ hypermobility for the diagnosis of TMD and related functional outcomes, with a focus on TMJ hypermobility disorders and mouth-opening capacity. This thesis comprised two analytical cross-sectional studies conducted at the Bauru School of Dentistry. The first study included 150 adults divided into control, painful TMD, dysfunctional TMD, or combined groups, with standardized CBCT protocols for tomographic assessment. The second included 126 adults classified by DC/TMD into painful, dysfunctional, or combined groups, balanced by history of open-locking, and evaluated through clinical, anamnestic, functional, imaging, and psychosocial measures. Both studies employed regression analyses to investigate the predictive value of clinical, anamnestic, and tomographic parameters of TMJ hypermobility in relation to mouth-opening capacity and the presence and repercussions of TMD. CBCT variables showed bilateral symmetry and strong correlation, so only right-side measurements were analyzed. Male sex predicted greater mouth-opening values, while condylar angle and superior condylar distance relative to the eminence were associated with pain-free and assisted opening, respectively. Older age reduced the likelihood of TMJ subluxation, and the other imaging parameters showed no significant predictive value. Multivariate analyses demonstrated that open-locking was an independent predictor of TMJ subluxation and greater reported joint instability. Increased condylar angle was associated with greater assisted opening and midline deviation. Maximum mouth opening (both assisted and unassisted) predicted greater pain-free mobility and lateral condylar jump, which, in turn, predicted functional limitation in tasks requiring wide opening. Clinical, functional, and imaging indicators of TMJ hypermobility capture distinct aspects of the phenomenon, but none alone explains its entire spectrum. History of open-locking, condylar angle, and mouth-opening measures predicted specific features, although imaging parametersparticularly those obtained from CBCTshowed limited predictive value for TMJ hypermobility-related outcomes. Male sex was consistently associated with greater mouth opening, whereas age had a protective effect against TMJ subluxation. Overall, TMJ hypermobility appears to exert a limited impact on the global clinical and functional presentation of TMD, particularly hypermobility-related disorders, suggesting that dynamic functional and adaptive mechanisms play a more decisive role than static anatomical measurements.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPConti, Paulo Cesar RodriguesBraga, Samilla Pontes2025-09-23info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/25/25146/tde-06022026-094242/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2026-02-23T18:59:02Zoai:teses.usp.br:tde-06022026-094242Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.platendimento@abcd.usp.bropendoar:27212026-03-12T20:00:19.596567Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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A hipermobilidade articular é citada como potencial fator etiológico no desenvolvimento de disfunções temporomandibulares (DTM). A hipermobilidade da articulação temporomandibular (ATM), por sua vez, é caracterizada por translação condilar excessiva, que pode ser assintomática ou levar à subluxação ou luxação da ATM. Seu diagnóstico é dificultado por critérios heterogêneos e pelo valor preditivo incerto dos achados de imagem. A tomografia computadorizada (TC) da ATM permite a avaliação morfologia da ATM, mas seu papel na predição de hipermobilidade clinicamente significativa permanece incerto. Dessa forma, o objetivo do estudo foi avaliar o valor preditivo de parâmetros clínicos, anamnésicos e imaginológicos da hipermobilidade da ATM para o diagnóstico de DTM e resultados funcionais relacionados, com foco em distúrbios de hipermobilidade da ATM e capacidade de abertura bucal. Esta tese compreendeu dois estudos transversais analíticos conduzidos na Faculdade de Odontologia de Bauru. O primeiro estudo incluiu 150 adultos divididos em grupos controle, DTM dolorosa, disfuncional ou combinada com protocolos padronizados de TCCB para avaliação tomográfica. O segundo incluiu 126 adultos classificados pelo DC/TMD em grupos de DTM dolorosa, disfuncional ou combinada, balanceados por histórico de travamento aberto e avaliados por medidas clínicas, anamnésicas, funcionais, de imagem e psicossociais. Ambos os estudos empregaram análises de regressão para investigar o valor preditivo de parâmetros clínicos, anamnésicos e tomográficos da hipermobilidade da ATM em relação à capacidade de abertura bucal e à presença e repercussões da DTM. As variáveis da TCCB apresentaram simetria bilateral e forte correlação, sendo analisadas apenas as medidas do lado direito. O sexo masculino previu maiores valores de abertura bucal, enquanto o ângulo condilar e a distância superior do côndilo em relação a eminencia se associaram, respectivamente, à abertura sem dor e à abertura assistida. A idade mais avançada reduziu a chance de subluxação da ATM, e os demais parâmetros de imagem não mostraram valor preditivo significativo. Análises multivariadas mostraram que o travamento aberto foi preditor independente de subluxação da ATM e maior instabilidade articular reportada. O aumento do ângulo condilar associou-se a maior abertura assistida e desvio de linha média. Já a abertura máxima (assistida e não assistida) predisse maior mobilidade sem dor e salto condilar lateral, que, por sua vez, previu limitação funcional em tarefas de ampla abertura. Os indicadores clínicos, funcionais e de imagem da hipermobilidade da ATM captam aspectos distintos do fenômeno, mas nenhum, isoladamente, explica todo o seu espectro. História de travamento aberto, ângulo condilar e as medidas de abertura bucal previram características específicas, embora os parâmetros de imagem em especial os obtidos por CBCT tenham demonstrado valor preditivo limitado para os desfechos relacionados à hipermobilidade da ATM. O sexo masculino esteve consistentemente associado a maiores valores de abertura bucal, enquanto a idade mostrou efeito protetor em relação à subluxação da ATM. De forma geral, a hipermobilidade da ATM parece apresentar impacto restrito sobre a apresentação clínica e funcional global das DTM, especialmente das desordens de hipermobilidade, sugerindo que mecanismos dinâmicos funcionais e adaptativos exercem papel mais decisivo do que medidas anatômicas estáticas. |
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