Inter-relações cronotópicas e aproximações dialógico-polifônicas entre (as obras literárias) Buriti e Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra
| Ano de defesa: | 2025 |
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| Tipo de documento: | Tese |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
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| Instituição de defesa: |
Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Programa de Pós-Graduação: |
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| País: |
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8142/tde-29102025-123647/ |
Resumo: | Buriti e Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra, são criações de João Guimarães Rosa e Mia Couto, escritores que são referências na escritura literária de Língua Portuguesa no Brasil e em Moçambique, autores que discorrem sobre peculiaridades de suas terras, um manancial de inspiração que fornece a matéria-prima necessária para o fazer-criativo. Embora não tenham se conhecido, suas produções apresentam convergências, sobretudo no que se refere à linguagem empregada, específica do sertão-veredas de Guimarães Rosa; e da cultura e natureza moçambicanas, com destaque para Beira, sua terra natal, no caso de Mia Couto. A intertextualidade está entre os pontos que os aproximam, ambos trazem criações suas para a obra, inter-relacionando-as. O meio ambiente figura no enredo, ora como personagem, transpassando o espaço-tempo dos acontecimentos, ora nas vivências do dia a dia dos indivíduos. A espacialidade natural é o lugar de convivência estreita, de entrelaçamento entre pessoas e seres que habitam a fauna e a flora, materializada nas enunciações. Este estudo tem o objetivo de coletar evidências que relacionem as confluências existentes entre as obras e seus criadores, trazendo à tona pontos que os aproximem. A defesa da natureza, em todas as suas formas, está presente nas duas criações, atravessadas por reverências a seres da fauna e da flora, e denúncias envolvendo a sua destruição, questões que na década de 1950 Guimarães Rosa, já enxergava como factuais nas pesquisas que realizou pelo sertão-veredas de Minas Gerais. Rosa fez uma expedição importante, de mais de duas semanas, com vaqueiros de sua terra, em 1952, com o intuito de realizar pesquisas para suas obras; porém, antes disso, em 1947, saiu em comitiva pelo Pantanal de Mato Grosso, pesquisa que deu origem ao conto Com vaqueiro Mariano. Couto traz para o enredo fatos históricos da colonização portuguesa em Moçambique e que, \'coincidentemente\', também aparece no país fictício de Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra. Então, a inspiração de ambos para compor as histórias de suas obras vem do espaço de nascença e de tudo que o rege. É uma espécie de espaço-laboratório para \'gestar\' que o público-leitor conhece depois de pronto, com o conteúdo lançado, ou em pinceladas extras fornecidas por seus criadores a espaços jornalísticos, em entrevistas - muitas das quais recorremos para trilhar nosso estudo. A pesquisa, que emprega o método comparativo-analítico, mostrou-se exitosa, acolheu indagações acerca do objeto estudado, vislumbrando um extenso campo para exploração por analogia. Nosso trabalho está alicerçado nas teorias bakhtinianas e de seu Círculo, com ênfase nas análises cronotópicas e dialógico polifônicas do discurso. O dialogismo é ponto central do nosso trabalho, a bússola que nos guia, em direção a uma análise comparativa das obras em questão, especialmente no que se refere aos acontecimentos do espaço-tempo dos cronotopos dessas obras literárias |
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Inter-relações cronotópicas e aproximações dialógico-polifônicas entre (as obras literárias) Buriti e Um rio chamado tempo, uma casa chamada terraChronotopic interrelations and dialogic-polyphonic approximations between the literary works Buriti and Um rio chamado tempo, uma casa chamada terraArte literáriaChronotopiaComparative discourseCronotopoDialogismDialogismoDiscurso comparativoLiterary artPolifoniaPolyphonyBuriti e Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra, são criações de João Guimarães Rosa e Mia Couto, escritores que são referências na escritura literária de Língua Portuguesa no Brasil e em Moçambique, autores que discorrem sobre peculiaridades de suas terras, um manancial de inspiração que fornece a matéria-prima necessária para o fazer-criativo. Embora não tenham se conhecido, suas produções apresentam convergências, sobretudo no que se refere à linguagem empregada, específica do sertão-veredas de Guimarães Rosa; e da cultura e natureza moçambicanas, com destaque para Beira, sua terra natal, no caso de Mia Couto. A intertextualidade está entre os pontos que os aproximam, ambos trazem criações suas para a obra, inter-relacionando-as. O meio ambiente figura no enredo, ora como personagem, transpassando o espaço-tempo dos acontecimentos, ora nas vivências do dia a dia dos indivíduos. A espacialidade natural é o lugar de convivência estreita, de entrelaçamento entre pessoas e seres que habitam a fauna e a flora, materializada nas enunciações. Este estudo tem o objetivo de coletar evidências que relacionem as confluências existentes entre as obras e seus criadores, trazendo à tona pontos que os aproximem. A defesa da natureza, em todas as suas formas, está presente nas duas criações, atravessadas por reverências a seres da fauna e da flora, e denúncias envolvendo a sua destruição, questões que na década de 1950 Guimarães Rosa, já enxergava como factuais nas pesquisas que realizou pelo sertão-veredas de Minas Gerais. Rosa fez uma expedição importante, de mais de duas semanas, com vaqueiros de sua terra, em 1952, com o intuito de realizar pesquisas para suas obras; porém, antes disso, em 1947, saiu em comitiva pelo Pantanal de Mato Grosso, pesquisa que deu origem ao conto Com vaqueiro Mariano. Couto traz para o enredo fatos históricos da colonização portuguesa em Moçambique e que, \'coincidentemente\', também aparece no país fictício de Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra. Então, a inspiração de ambos para compor as histórias de suas obras vem do espaço de nascença e de tudo que o rege. É uma espécie de espaço-laboratório para \'gestar\' que o público-leitor conhece depois de pronto, com o conteúdo lançado, ou em pinceladas extras fornecidas por seus criadores a espaços jornalísticos, em entrevistas - muitas das quais recorremos para trilhar nosso estudo. A pesquisa, que emprega o método comparativo-analítico, mostrou-se exitosa, acolheu indagações acerca do objeto estudado, vislumbrando um extenso campo para exploração por analogia. Nosso trabalho está alicerçado nas teorias bakhtinianas e de seu Círculo, com ênfase nas análises cronotópicas e dialógico polifônicas do discurso. O dialogismo é ponto central do nosso trabalho, a bússola que nos guia, em direção a uma análise comparativa das obras em questão, especialmente no que se refere aos acontecimentos do espaço-tempo dos cronotopos dessas obras literáriasBuriti and Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra are creations of João Guimarães Rosa and Mia Couto, writers who stand as references in Portuguese-language literary writing in Brazil and Mozambique. They are authors who reflect on the peculiarities of their lands, a fountain of inspiration that provides the raw material necessary for creative making. Although they never met, their works reveal convergences, especially in the language employed: that of Guimarães Rosa\'s sertão-veredas and that of Mozambican culture and nature, with particular emphasis on Beira, Mia Couto\'s birthplace. Intertextuality is among the points that bring them closer; both insert their own creations into their works, interrelating them. The environment figures in the narrative, at times as a character, permeating the space-time of events, at others in the everyday experiences of individuals. Natural spatiality is portrayed as a place of close coexistence, of intertwining between people and the beings inhabiting the fauna and flora, materialized in the enunciations. This study aims to gather evidence connecting the existing confluences between the works and their creators, highlighting the points that draw them together. The defense of nature, in all its forms, is present in both creations, traversed by reverence for beings of the fauna and flora, as well as by denunciations of their destruction-- issues that, as early as the 1950s, Guimarães Rosa already perceived as factual in the research he carried out in the sertão-veredas of Minas Gerais. Rosa undertook an important expedition of more than two weeks with local cowhands in 1952, in order to conduct research for his works; but even before that, in 1947, he joined a group traveling through the Pantanal of Mato Grosso, research that gave rise to the short story With Cowhand Mariano. Couto, in turn, brings to his narrative the historical facts of Portuguese colonization in Mozambique, which \"coincidentally\" also appear in the fictional country of A River Called Time, a House Called Earth. Thus, the inspiration of both authors for composing their stories emerges from the space of their birthplaces and from all that governs them. It is a kind of laboratory-space for \"gestating\" what the reading public will only come to know once it is ready, with the content released--or through additional brushstrokes provided by the authors in journalistic venues, in interviews, many of which we consulted in the course of our study. The research, employing the comparative-analytical method, proved successful: it welcomed inquiries about the object under study, envisioning an extensive field for exploration by analogy. Our work is grounded in Bakhtinian theories and those of his Circle, with emphasis on chronotopic and dialogical-polyphonic analyses of discourse. Dialogism is the central point of our work, the compass that guides us toward a comparative analysis of the works in question, especially regarding the events of the space-time of the chronotopes in these literary creationsBiblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPAlmeida, Manoel Mourivaldo SantiagoSilva, Aldeci Nardes2025-07-25info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8142/tde-29102025-123647/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-10-29T14:44:02Zoai:teses.usp.br:tde-29102025-123647Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-10-29T14:44:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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