Impacto da severidade da doença falciforme na saúde bucal de crianças com doença falciforme: estudo de coorte prospectiva

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2022
Autor(a) principal: FERREIRA, Isa de Carvalho
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública
Medicina e Saúde Humana
EBMSP
brasil
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://repositorio.bahiana.edu.br:8443/jspui/handle/bahiana/7670
Resumo: INTRODUÇÃO: As evidências científicas sobre a interação da doença falciforme e a cárie dentária continuam controversas, apesar da importância epidemiológica e social dessas doenças. OBJETIVO: investigar a associação entre a gravidade da doença falciforme e a experiência de cárie em crianças com doença falciforme SS (anemia falciforme) ou SC. MATERIAL E MÉTODOS: Estudo transversal, seguido de coorte prospectiva, com respectivamente, 408 e 157 crianças com doença falciforme. Entre agosto/2015 e abril/2018, 408 crianças de 10 a 71 meses foram avaliadas por cirurgião dentista, com aplicação de questionário clínico, sódiodemográfico ao responsável, e realização de exame bucal, com avaliação de lesões em tecido mole e duro, do biofilme dentário, escovação para avaliação do sangramento gengival e remoção de tecido cariado e restauração das unidades, se indicado. Dados de prontuário foram utilizados para quantificar crises álgicas, internações e transfusões ao longo da vida. Entre junho/2018 e março/2020, todas as crianças avaliadas na linha de base que realizaram pelo menos uma consulta subsequente no serviço e consentiram a participação no estudo, foram incluídas na coorte. Um total de 157 foram reavaliadas. RESULTADO: Na linha de base, as 408 crianças tinham mediana (p25–p75) de idade de 3,0 (1,5–4,0) anos; 52,0% eram meninas e 54,7% apresentavam anemia falciforme. A prevalência de cárie foi de 31,9%, sem diferença segundo tipo de hemoglobinopatia(p=0,400). O índice ceo-d foi de 1,44 (2,78), semelhante entre as crianças SS e SC (1,50[2,79] vs. 1,19[2,44];p=0,313). Observou-se associação progressiva da prevalência de cárie com o aumento do número de episódios de dor e hospitalizações nas crianças com anemia falciforme, após ajuste para idade, sexo, educação materna e ter um irmão < 2 anos (RPajustada(IC95%) de 2,01 (1,07–3,76), para as crianças que tiveram entre 5 a 9 episódios, e RPajustada(IC95%) de 1,92 (1,06–3,48), para àquelas com 10 ou mais hospitalizações). No seguimento, 157 crianças tiveram, em (DP), 1,8(1,2) consultas. A incidência de cárie foi de 36,3% (57/157), sem diferença entre crianças SS e SC (37,9% vs. 33,9%; RR=1,07; IC95%: 0,83–1,38;p=0,608). Não foi observado efeito do aumento de episódios de internamentos entre as crianças com anemia falciforme que se internaram entre 1 e 4 vezes (RR: 1,0 IC95%: 0,51–1,98) e de cinco vezes em diante (RR: 1,14; IC95%: 0,56–2,30) quando comparadas àquelas que nunca relataram internamentos. Achado similar também foi observado para o aumento de episódios de crises álgicas (RR=1,07 [IC95%: 052–2,23] e de 1,31 [IC95%: 0,63– 2,71]) para a comparação entre 1 e 4 episódios e cinco ou mais episódios, com a ausência de crises álgicas. Na análise multivariada, a idade da criança > 2 anos foi o único fator de risco observado (RRajust:3,06;IC95%: 1,19–7,88). CONCLUSÃO: A gravidade da doença falciforme, medida pelo número de episódios de hospitalização e de crises álgicas, especialmente para este último, se associou significativamente a maior prevalência de cárie, mas não foi observado esse achado no estudo de coorte.
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