Avaliação do eixo hipotalâmico-hipofisário de uma coorte de crianças com microcefalia secundária à síndrome da zika congênita

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2019
Autor(a) principal: Ferreira, Lêda Lúcia Moraes
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública
Programa de Pós-graduação em Medicina e Saúde Humana
EBMSP
brasil
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://repositorio.bahiana.edu.br:8443/jspui/handle/bahiana/6124
Resumo: Introdução: A Síndrome congênita do vírus da Zika (SZC) é um conjunto de malformações cerebrais e sistêmicas resultantes da infecção do vírus Zika durante a gestação. Crianças afetadas pela SZC podem ter alterações oftalmológicas no nervo óptico, disgenesia/agenesia do corpo caloso e crescimento pós-natal deficiente, o que pode levar a disfunção do eixo hipotalâmico-hipofisário e resultar em deficiência hormonal específica ou hipopituitarismo. Objetivos: Avaliar a presença de deficiências hormonais específicas ou hipopituitarismo e o crescimento em préescolares com microcefalia associada à SZC. Metodologia: Estudo descritivo, observacional e transversal, realizado entre janeiro de 2017 e março de 2018 nos ambulatórios de microcefalia dos Hospitais Roberto Santos e Hospital Universitário Prof. Edgar Santos, Salvador, Ba. Foram incluídas 80 crianças (61% feminino) de zero a três anos de idade com microcefalia secundária à SZC. Foram avaliadas: características clínico-demográficas maternas e dos pacientes, alterações neurológicas clínicas e nos exames de imagem do sistema nervoso central (SNC), presença de sinais clínicos e/ou laboratoriais sugestivos de hipopituitarismo. Foram avaliadas as concentrações de T4L, TSH, cortisol, ACTH, prolactina, IGF1, IGFBP3, osmolaridade plasmática e urinária e eletrólitos. Resultados: A idade média dos pacientes no momento da avaliação hormonal foi de 37 meses. As manifestações clínicas sugestivas de hipopituitarismo no período neonatal ou durante o seguimento do estudo foram ausentes ou infrequentes: criptorquidia (1%), icterícia prolongada (1%), poliúria (1%), fontanelas amplas (2%). Em nenhum dos lactentes avaliados foi detectada alterações no eixo tireotrófico ou galactotrófico. No momento da avaliação, o escore Z do comprimento/estatura era de -1,8±1,9 (IIQ= -3,1 a 1,1), sendo significativamente menor nos pacientes com microcefalia grave (-2,6±1,6 vs. - 1,8±1,9; p=008), no qual a maioria dos pacientes apresentava baixa estatura. O escore Z do peso foi -0,1±2,5, sendo menor naqueles com microcefalia grave (p=0,02). Concentrações reduzidas de IGF1 ou IGFBP3 foram observados em dois pacientes, porém em nenhum desses pacientes foram detectadas simultaneamente. Apesar de estarem dentro da faixa normal, as concentrações de IGF1, mas não de IGFBP3, foram menores nos pacientes com microcefalia grave (p=0,02 e p=0,15, respectivamente). Na avaliação do eixo corticotrófico, inicialmente 14/80 (17%) apresentaram concentrações de cortisol < 5 mcg/Dl, nenhum com ACTH plasmático > 100 pg/mL. Destas 14 crianças, 08 repetiram o exame e todos com normalização (> 5mcg/dL). A triagem para diabetes insípido foi realizada em 23 pacientes. Apenas um apresentava natremia elevada. Osmolaridade plasmática elevada foi observada em apenas dois pacientes, ambos com osmolaridade urinária acima de 600 mOsm/mL. Conclusão: Pacientes com SZC apresentam frequência elevada de anormalidades neurológicas, osteoarticulares e oftalmológicas. O comprometimento do crescimento pós-natal é elevado, especialmente naqueles com microcefalia grave, embora as concentrações de IGF1 e IGFBP3 sejam normais na grande maioria. Quatorze pacientes apresentam concentrações baixas de cortisol, porém no re-teste há normalização do mesmo. Os eixos tireotrófico, lactotrófico, gonadotrófico, nem a secreção de vassopressina parecem ser afetados. Juntos esses resultados demonstram, pela primeira vez, que hipopituitarismo congênito não é comum em pacientes com SZC.
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