Fornecimento de medicamentos não incorporados em atos normativos do SUS: como o Tema 106 do STJ tem sido aplicado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo
| Ano de defesa: | 2022 |
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| Tipo de documento: | Dissertação |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
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| Link de acesso: | https://hdl.handle.net/10438/31667 |
Resumo: | Este trabalho descreve como o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), em sua primeira e segunda instâncias, tem aplicado o Tema 106 do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que fixou em 2018 requisitos para o fornecimento de medicamentos não incorporados nas listas do Sistema Único de Saúde (SUS). Mediante pesquisa sistemática de jurisprudência, identificou os desafios interpretativos na concretização dos comandos vindos do Tema 106 e avaliou a capacidade de orientação do STJ em um assunto desafiador das contas públicas e de ampla repercussão na política de saúde pública. A análise empreendida concluiu que o Tema 106, especialmente em julgamentos de sua segunda instância, é invocado com alta frequência pelo TJSP. Apesar de amplamente mencionados na primeira e na segunda instâncias, os requisitos do Tema 106, contudo, não têm sido aplicados com uniformidade nem apreciados com rigor pelos julgadores. A pesquisa mostrou, ainda, que os enunciados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que buscaram fixar sentidos para os critérios do Tema 106 não foram mencionados nos julgados analisados, sinalizando para a baixa capacidade desse mecanismo de uniformizar entendimentos no TJSP. Constatou-se também que as votações dos 107 acórdãos mapeados foram todas unânimes, o que mostra que as Câmaras de Direito Público do TJSP, em sua maciça maioria, vêm aplicando a decisão do STJ, mas que ela não tem tido o condão de restringir a concessão, já que são pouquíssimos os casos de pedidos de medicamentos ou de insumos não constantes das listas do SUS que foram negados. Ressalte-se que, nos casos em que os pedidos foram negados, a parte requerente não conseguiu comprovar a imprescindibilidade daquele tratamento, pois não havia relatório médico circunstanciado que fizesse essa prova. Por fim, pensando no volume de litígios sobre fornecimento de medicamentos e nos desafios identificados pela literatura da judicialização das políticas de saúde, o trabalho propõe que práticas preventivas já aplicadas com sucesso em Araguaína, Brasília e Lages sejam transpostas para a realidade de São Paulo. Diálogo interinstitucional e trabalho preventivo podem ser, ao mesmo tempo, um caminho mais eficiente e justo do que limitar o acesso da população ao Poder Judiciário para esse tipo de demanda. |
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Fabiani, Ludmila OlszanskiEscolas::DIREITO SPRosilho, André JanjácomoKlafke, Guilherme MarcondesGlezer, Rubens Eduardo2022-03-03T17:30:45Z2022-03-03T17:30:45Z2022-01-21https://hdl.handle.net/10438/31667Este trabalho descreve como o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), em sua primeira e segunda instâncias, tem aplicado o Tema 106 do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que fixou em 2018 requisitos para o fornecimento de medicamentos não incorporados nas listas do Sistema Único de Saúde (SUS). Mediante pesquisa sistemática de jurisprudência, identificou os desafios interpretativos na concretização dos comandos vindos do Tema 106 e avaliou a capacidade de orientação do STJ em um assunto desafiador das contas públicas e de ampla repercussão na política de saúde pública. A análise empreendida concluiu que o Tema 106, especialmente em julgamentos de sua segunda instância, é invocado com alta frequência pelo TJSP. Apesar de amplamente mencionados na primeira e na segunda instâncias, os requisitos do Tema 106, contudo, não têm sido aplicados com uniformidade nem apreciados com rigor pelos julgadores. A pesquisa mostrou, ainda, que os enunciados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que buscaram fixar sentidos para os critérios do Tema 106 não foram mencionados nos julgados analisados, sinalizando para a baixa capacidade desse mecanismo de uniformizar entendimentos no TJSP. Constatou-se também que as votações dos 107 acórdãos mapeados foram todas unânimes, o que mostra que as Câmaras de Direito Público do TJSP, em sua maciça maioria, vêm aplicando a decisão do STJ, mas que ela não tem tido o condão de restringir a concessão, já que são pouquíssimos os casos de pedidos de medicamentos ou de insumos não constantes das listas do SUS que foram negados. Ressalte-se que, nos casos em que os pedidos foram negados, a parte requerente não conseguiu comprovar a imprescindibilidade daquele tratamento, pois não havia relatório médico circunstanciado que fizesse essa prova. Por fim, pensando no volume de litígios sobre fornecimento de medicamentos e nos desafios identificados pela literatura da judicialização das políticas de saúde, o trabalho propõe que práticas preventivas já aplicadas com sucesso em Araguaína, Brasília e Lages sejam transpostas para a realidade de São Paulo. Diálogo interinstitucional e trabalho preventivo podem ser, ao mesmo tempo, um caminho mais eficiente e justo do que limitar o acesso da população ao Poder Judiciário para esse tipo de demanda.This M.A thesis describes the ways the São Paulo Justice System, through its trial and appeals courts, has been enforcing Thesis 106 by the Federal Supreme Court of Justice (STJ) which established, in 2018, requirements for supplying medicines not listed in the Brazilian Unified Health System (SUS). By conducting a systematic investigation, the research has identified hermeneutic challenges to make Thesis 106 effective and has assessed the level of cogency of Sao Paulo Supreme Court’s (STJ) directives on a difficult, far-reaching topic involving government budget and public health. Research has also shown that, though Thesis 106 requirements have been frequently referred to, especially by the appeals courts, they have been diversely interpreted. The investigation has additionally shown that courts do not mention the National Council of Justice’s (CNJ) guidelines on the interpretation of Thesis 106 thus severely diminishing their capacity to foster uniform decisions on the topic. It was also noted that all of the 107 appellate decisions studied were unanimous. This finding suggests that the Sao Paulo Supreme Court Public Law Chambers abide by STJ’s decision but that their doing so is not sufficient to restrict the supplying of medicines as just a slim percentage of demands for them has been denied. Denial of such demands was based on the plaintiff’s failure to prove that the medicine required was indispensable. Having as a background the enormous caseload on the supplying of medicines as well as the challenges to public health policies identified by the literature on the area, this thesis suggests that preventive practices already successfully put in place in Araguaína, Brasília and Lages be implemented in São Paulo. Inter-institutional dialogue and preventive measures may prove a fairer and more efficient way to deal with this challenge than limiting popular capacity to file lawsuits demanding the supplying of medicines.porAccess to healthSupplying medicinesJudicialization of healthAcesso à saúdeFornecimento de medicamentosJudicialização da saúdeDireitoDireito à saúdePoder judiciário e questões políticasMedicamentos - AcessibilidadeSão Paulo (Estado). Tribunal de JustiçaPrecedentes judiciaisFornecimento de medicamentos não incorporados em atos normativos do SUS: como o Tema 106 do STJ tem sido aplicado pelo Tribunal de Justiça de São Pauloinfo:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Repositório Institucional do FGV (FGV Repositório Digital)instname:Fundação Getulio Vargas (FGV)instacron:FGVORIGINALFABIANI, Ludmila Olszanski. Fornecimento. 24.02.2022.pdfFABIANI, Ludmila Olszanski. 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Este trabalho descreve como o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), em sua primeira e segunda instâncias, tem aplicado o Tema 106 do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que fixou em 2018 requisitos para o fornecimento de medicamentos não incorporados nas listas do Sistema Único de Saúde (SUS). Mediante pesquisa sistemática de jurisprudência, identificou os desafios interpretativos na concretização dos comandos vindos do Tema 106 e avaliou a capacidade de orientação do STJ em um assunto desafiador das contas públicas e de ampla repercussão na política de saúde pública. A análise empreendida concluiu que o Tema 106, especialmente em julgamentos de sua segunda instância, é invocado com alta frequência pelo TJSP. Apesar de amplamente mencionados na primeira e na segunda instâncias, os requisitos do Tema 106, contudo, não têm sido aplicados com uniformidade nem apreciados com rigor pelos julgadores. A pesquisa mostrou, ainda, que os enunciados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que buscaram fixar sentidos para os critérios do Tema 106 não foram mencionados nos julgados analisados, sinalizando para a baixa capacidade desse mecanismo de uniformizar entendimentos no TJSP. Constatou-se também que as votações dos 107 acórdãos mapeados foram todas unânimes, o que mostra que as Câmaras de Direito Público do TJSP, em sua maciça maioria, vêm aplicando a decisão do STJ, mas que ela não tem tido o condão de restringir a concessão, já que são pouquíssimos os casos de pedidos de medicamentos ou de insumos não constantes das listas do SUS que foram negados. Ressalte-se que, nos casos em que os pedidos foram negados, a parte requerente não conseguiu comprovar a imprescindibilidade daquele tratamento, pois não havia relatório médico circunstanciado que fizesse essa prova. Por fim, pensando no volume de litígios sobre fornecimento de medicamentos e nos desafios identificados pela literatura da judicialização das políticas de saúde, o trabalho propõe que práticas preventivas já aplicadas com sucesso em Araguaína, Brasília e Lages sejam transpostas para a realidade de São Paulo. Diálogo interinstitucional e trabalho preventivo podem ser, ao mesmo tempo, um caminho mais eficiente e justo do que limitar o acesso da população ao Poder Judiciário para esse tipo de demanda. |
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