Equilibrismo entre poderes: governabilidade e transformações no presidencialismo de coalizão

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2026
Autor(a) principal: Agostinetti, Ana Clara Muniz
Orientador(a): Couto, Cláudio Gonçalves
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Palavras-chave em Inglês:
Link de acesso: https://hdl.handle.net/10438/39005
http://lattes.cnpq.br/8054573440939386
Resumo: Analisa a evolução dos mecanismos de governabilidade no presidencialismo de coalizão brasileiro, do pacto constituinte de 1988 ao cenário de estresse institucional da última década. Investiga se o modelo atravessa uma adaptação ou uma redefinição estrutural no equilíbrio entre os Poderes, avaliando a funcionalidade de instrumentos como poder de agenda, disciplina partidária e barganha orçamentária. A metodologia mista combina análise históricoinstitucional ao exame quantitativo de indicadores de sucesso legislativo, dominância do Executivo, alinhamento parlamentar, execução de emendas e judicializações entre 1989 e 2025. A fundação teórica ancora-se no conceito clássico de Abranches (1988), nas teses de governabilidade de Limongi e Figueiredo (1995; 1996; 1998; 2005), Amorim Neto (2000; 2002), Pereira e Mueller (2002; 2003), Pereira, Power e Rennó (2007), e nas análises contemporâneas de Melo (2016), Arguelhes e Ribeiro (2016; 2018), Zucco e Power (2024), Couto (2025), Couto, Arantes e Abrucio (2025) e Marona et al. (2025). Os achados demonstram que, embora o Executivo mantenha a dominância legislativa, houve queda nas taxas de sucesso, sobretudo em Medidas Provisórias, e elevação nos custos da governabilidade. Evidencia-se um Legislativo fortalecido pela impositividade das emendas, que reduziu o poder de negociação presidencial e conferiu maior autonomia orçamentária ao Congresso; e um Judiciário como ator central na arbitragem política. O estudo demonstra que o presidencialismo de coalizão brasileiro não colapsou, nem deve ser compreendido como um arranjo meramente transitório, mas redefiniu seus mecanismos de coordenação e aumentou seus custos políticos. Conclui-se que o modelo passa por uma transformação estrutural: de uma coordenação hierárquica para uma dinâmica transacional e conflituosa, marcada pela polarização ideológica, independência das lideranças parlamentares e judicialização, preservando a capacidade decisória sob elevada tensão, especialmente em governos minoritários. O trabalho apresenta-se como referencial para futuras investigações sobre a qualidade da democracia brasileira e o aprofundamento dos estudos sobre os limites da governabilidade em sistemas presidencialistas multipartidários sob estresse institucional.
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spelling Agostinetti, Ana Clara MunizEscolas::EAESPAbrucio, Fernando Luizvirtual::697-1virtual::696Couto, Cláudio Gonçalves2026-05-22T20:32:50Z2026-03-19https://hdl.handle.net/10438/390050000-0001-7142-0668http://lattes.cnpq.br/8054573440939386Analisa a evolução dos mecanismos de governabilidade no presidencialismo de coalizão brasileiro, do pacto constituinte de 1988 ao cenário de estresse institucional da última década. Investiga se o modelo atravessa uma adaptação ou uma redefinição estrutural no equilíbrio entre os Poderes, avaliando a funcionalidade de instrumentos como poder de agenda, disciplina partidária e barganha orçamentária. A metodologia mista combina análise históricoinstitucional ao exame quantitativo de indicadores de sucesso legislativo, dominância do Executivo, alinhamento parlamentar, execução de emendas e judicializações entre 1989 e 2025. A fundação teórica ancora-se no conceito clássico de Abranches (1988), nas teses de governabilidade de Limongi e Figueiredo (1995; 1996; 1998; 2005), Amorim Neto (2000; 2002), Pereira e Mueller (2002; 2003), Pereira, Power e Rennó (2007), e nas análises contemporâneas de Melo (2016), Arguelhes e Ribeiro (2016; 2018), Zucco e Power (2024), Couto (2025), Couto, Arantes e Abrucio (2025) e Marona et al. (2025). Os achados demonstram que, embora o Executivo mantenha a dominância legislativa, houve queda nas taxas de sucesso, sobretudo em Medidas Provisórias, e elevação nos custos da governabilidade. Evidencia-se um Legislativo fortalecido pela impositividade das emendas, que reduziu o poder de negociação presidencial e conferiu maior autonomia orçamentária ao Congresso; e um Judiciário como ator central na arbitragem política. O estudo demonstra que o presidencialismo de coalizão brasileiro não colapsou, nem deve ser compreendido como um arranjo meramente transitório, mas redefiniu seus mecanismos de coordenação e aumentou seus custos políticos. Conclui-se que o modelo passa por uma transformação estrutural: de uma coordenação hierárquica para uma dinâmica transacional e conflituosa, marcada pela polarização ideológica, independência das lideranças parlamentares e judicialização, preservando a capacidade decisória sob elevada tensão, especialmente em governos minoritários. O trabalho apresenta-se como referencial para futuras investigações sobre a qualidade da democracia brasileira e o aprofundamento dos estudos sobre os limites da governabilidade em sistemas presidencialistas multipartidários sob estresse institucional.Analyzes the evolution of governability mechanisms in Brazilian coalitional presidentialism, from the 1988 constituent pact to the institutional stress scenario of the last decade. Investigates whether the model is undergoing adaptation or structural redefinition in the balance of powers, evaluating the functionality of instruments such as agenda power, party discipline, and budgetary bargaining. The mixed methodology combines historical-institutional analysis with the quantitative examination of indicators for legislative success, Executive dominance, parliamentary alignment, amendment execution, and judicialization between 1989 and 2025. The theoretical foundation is anchored in the classic concept of Abranches (1988); the governability theses of Limongi and Figueiredo (1995; 1998; 2005), Amorim Neto (2000; 2002), and Pereira and Mueller (2002; 2003); and contemporary analyses by Melo (2016), Arguelhes and Ribeiro (2016), Zucco and Power (2024), Couto (2025), and Marona et al. (2025). The findings demonstrate that, although the Executive maintains legislative dominance, there was a decline in success rates, primarily in Provisional Measures (MPs), and an increase in governability costs. It highlights a progressively strengthened Legislative branch through the mandatory nature of earmarks, which reduced presidential bargaining power and granted greater budgetary autonomy to Congress; and a Judiciary as a central actor in political arbitration. The study demonstrates that Brazilian coalitional presidentialism has not collapsed, nor should it be understood as a merely transitory arrangement, but has redefined its coordination mechanisms and increased its political costs. It concludes that the model is undergoing a structural transformation: from a hierarchical coordination to a transactional and conflictual dynamic, marked by ideological polarization, independence of parliamentary leaderships, and judicialization, preserving decision-making capacity under high tension, especially in minority governments. The work presents itself as a reference for future investigations into the quality of Brazilian democracy and the deepening of studies on the limits of governability in multiparty presidential systems under institutional stress. porPresidencialismo de coalizãoGovernabilidadeEquilíbrio entre poderesEmendas parlamentaresJudicialização da políticaOrçamento públicoCoalitional presidentialismGovernabilityParliamentary amendmentsJudicialization of politicsPublic budgetAdministração públicaPresidencialismoGovernos de coalizãoBrasil - Política e governoSeparação de poderesEquilibrismo entre poderes: governabilidade e transformações no presidencialismo de coalizãoinfo:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesis-1info:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Repositório Institucional do FGV (FGV Repositório Digital)instname:Fundação Getulio Vargas 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Governos de coalizão
Brasil - Política e governo
Separação de poderes
description Analisa a evolução dos mecanismos de governabilidade no presidencialismo de coalizão brasileiro, do pacto constituinte de 1988 ao cenário de estresse institucional da última década. Investiga se o modelo atravessa uma adaptação ou uma redefinição estrutural no equilíbrio entre os Poderes, avaliando a funcionalidade de instrumentos como poder de agenda, disciplina partidária e barganha orçamentária. A metodologia mista combina análise históricoinstitucional ao exame quantitativo de indicadores de sucesso legislativo, dominância do Executivo, alinhamento parlamentar, execução de emendas e judicializações entre 1989 e 2025. A fundação teórica ancora-se no conceito clássico de Abranches (1988), nas teses de governabilidade de Limongi e Figueiredo (1995; 1996; 1998; 2005), Amorim Neto (2000; 2002), Pereira e Mueller (2002; 2003), Pereira, Power e Rennó (2007), e nas análises contemporâneas de Melo (2016), Arguelhes e Ribeiro (2016; 2018), Zucco e Power (2024), Couto (2025), Couto, Arantes e Abrucio (2025) e Marona et al. (2025). Os achados demonstram que, embora o Executivo mantenha a dominância legislativa, houve queda nas taxas de sucesso, sobretudo em Medidas Provisórias, e elevação nos custos da governabilidade. Evidencia-se um Legislativo fortalecido pela impositividade das emendas, que reduziu o poder de negociação presidencial e conferiu maior autonomia orçamentária ao Congresso; e um Judiciário como ator central na arbitragem política. O estudo demonstra que o presidencialismo de coalizão brasileiro não colapsou, nem deve ser compreendido como um arranjo meramente transitório, mas redefiniu seus mecanismos de coordenação e aumentou seus custos políticos. Conclui-se que o modelo passa por uma transformação estrutural: de uma coordenação hierárquica para uma dinâmica transacional e conflituosa, marcada pela polarização ideológica, independência das lideranças parlamentares e judicialização, preservando a capacidade decisória sob elevada tensão, especialmente em governos minoritários. O trabalho apresenta-se como referencial para futuras investigações sobre a qualidade da democracia brasileira e o aprofundamento dos estudos sobre os limites da governabilidade em sistemas presidencialistas multipartidários sob estresse institucional.
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