O controle da atividade policial nas audiências de custódia: justiça cerimonial e legitimação institucional
| Ano de defesa: | 2026 |
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| Tipo de documento: | Tese |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
| Idioma: | por |
| Instituição de defesa: |
Não Informado pela instituição
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| Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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| Departamento: |
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| Palavras-chave em Português: | |
| Palavras-chave em Inglês: | |
| Link de acesso: | https://hdl.handle.net/10438/38867 http://lattes.cnpq.br/7191035730609667 |
Resumo: | Esta tese investiga como se dá o controle da atividade policial nas audiências de custódia, com foco na abordagem policial, na violência e tortura, no ingresso em residência e no controle do flagrante. O trabalho parte da compreensão de que, embora a audiência de custódia constitua importante mecanismo de controle da prisão e da atuação policial, seu funcionamento concreto é atravessado por limites institucionais que reduzem a capacidade de controle imediato da legalidade da intervenção policial. A pesquisa, de abordagem qualitativa, combina revisão de literatura, entrevistas semiestruturadas com juízes, promotores e defensores públicos de diferentes regiões do país e análise de processos de relaxamento de prisão em audiências de custódia no estado de São Paulo. A revisão buscou mapear produção relevante sobre controle da atividade policial, fundada suspeita, letalidade policial e audiências de custódia. As entrevistas permitiram examinar percepções, rotinas e justificativas mobilizadas pelos atores do sistema de justiça criminal, enquanto a análise das decisões buscou identificar em que medida e sob quais fundamentos a ilegalidade da prisão é reconhecida. Os resultados indicam que a fundada suspeita raramente se afirma, na prática, como parâmetro efetivo de controle imediato da abordagem policial. Nas entrevistas, observou-se tendência ao deslocamento dessa controvérsia para momentos posteriores do processo, bem como forte deferência à narrativa policial. Nas decisões examinadas, o enfrentamento explícito da abordagem ou da busca mostrou-se minoritário, o que evidencia a baixa centralidade desse parâmetro nas rotinas decisórias. A pesquisa também mostra que relatos de violência policial tendem a ser tratados de modo protocolar, sem repercussão proporcional sobre a liberdade do custodiado ou sobre a responsabilização dos agentes. Nesses casos, o controle frequentemente assume caráter cerimonial: as agressões são minimizadas, os abusos são justificados e o relato do custodiado é desencorajado, o que revela a naturalização institucional da violência. A pesquisa também mostra que o ingresso policial em residência é frequentemente legitimado de modo retrospectivo com base no encontro posterior de objetos ilícitos. Além disso, os dados sugerem adaptação das narrativas policiais, silenciamento do custodiado e forte influência de dinâmicas de padronização, celeridade e economia decisória. Conclui-se que o controle da atividade policial nas audiências de custódia existe formalmente, mas opera, em larga medida, de modo seletivo, limitado e, não raras vezes, cerimonial, preservando a aparência de fiscalização sem alterar de forma consistente as práticas policiais. Nesse contexto, as câmeras corporais aparecem como instrumento com potencial para ampliar as condições de controle da atividade policial. Sua utilidade, contudo, depende de condições institucionais efetivas de preservação, acesso e uso dessas gravações no momento da custódia. Em síntese, a pesquisa indica que o fortalecimento desse controle depende também da compreensão, pelos atores do sistema de justiça, de seu papel na fiscalização da atividade policial, especialmente no exame da fundada suspeita, no enfrentamento da naturalização da violência policial em contextos marcados por acusações de tráfico de drogas e na superação da deferência acrítica ao depoimento policial. |
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Toledo, Fabio LopesEscolas::DIREITO SPRibeiro, Ludmila Mendonça Lopesvirtual::546-1Amparo, Thiago de Souzavirtual::547-1Jesus, Maria Gorete Marques devirtual::548-1Ferreira, Carolina Cutrupivirtual::549-1virtual::545Machado, Marta Rodriguez de Assis2026-05-18T15:26:13Z2026-04-23https://hdl.handle.net/10438/388670000-0002-0253-2743http://lattes.cnpq.br/7191035730609667Esta tese investiga como se dá o controle da atividade policial nas audiências de custódia, com foco na abordagem policial, na violência e tortura, no ingresso em residência e no controle do flagrante. O trabalho parte da compreensão de que, embora a audiência de custódia constitua importante mecanismo de controle da prisão e da atuação policial, seu funcionamento concreto é atravessado por limites institucionais que reduzem a capacidade de controle imediato da legalidade da intervenção policial. A pesquisa, de abordagem qualitativa, combina revisão de literatura, entrevistas semiestruturadas com juízes, promotores e defensores públicos de diferentes regiões do país e análise de processos de relaxamento de prisão em audiências de custódia no estado de São Paulo. A revisão buscou mapear produção relevante sobre controle da atividade policial, fundada suspeita, letalidade policial e audiências de custódia. As entrevistas permitiram examinar percepções, rotinas e justificativas mobilizadas pelos atores do sistema de justiça criminal, enquanto a análise das decisões buscou identificar em que medida e sob quais fundamentos a ilegalidade da prisão é reconhecida. Os resultados indicam que a fundada suspeita raramente se afirma, na prática, como parâmetro efetivo de controle imediato da abordagem policial. Nas entrevistas, observou-se tendência ao deslocamento dessa controvérsia para momentos posteriores do processo, bem como forte deferência à narrativa policial. Nas decisões examinadas, o enfrentamento explícito da abordagem ou da busca mostrou-se minoritário, o que evidencia a baixa centralidade desse parâmetro nas rotinas decisórias. A pesquisa também mostra que relatos de violência policial tendem a ser tratados de modo protocolar, sem repercussão proporcional sobre a liberdade do custodiado ou sobre a responsabilização dos agentes. Nesses casos, o controle frequentemente assume caráter cerimonial: as agressões são minimizadas, os abusos são justificados e o relato do custodiado é desencorajado, o que revela a naturalização institucional da violência. A pesquisa também mostra que o ingresso policial em residência é frequentemente legitimado de modo retrospectivo com base no encontro posterior de objetos ilícitos. Além disso, os dados sugerem adaptação das narrativas policiais, silenciamento do custodiado e forte influência de dinâmicas de padronização, celeridade e economia decisória. Conclui-se que o controle da atividade policial nas audiências de custódia existe formalmente, mas opera, em larga medida, de modo seletivo, limitado e, não raras vezes, cerimonial, preservando a aparência de fiscalização sem alterar de forma consistente as práticas policiais. Nesse contexto, as câmeras corporais aparecem como instrumento com potencial para ampliar as condições de controle da atividade policial. Sua utilidade, contudo, depende de condições institucionais efetivas de preservação, acesso e uso dessas gravações no momento da custódia. Em síntese, a pesquisa indica que o fortalecimento desse controle depende também da compreensão, pelos atores do sistema de justiça, de seu papel na fiscalização da atividade policial, especialmente no exame da fundada suspeita, no enfrentamento da naturalização da violência policial em contextos marcados por acusações de tráfico de drogas e na superação da deferência acrítica ao depoimento policial.This thesis examines how police activity is reviewed in custody hearings, focusing on police stops, violence and torture, entry into the home, and judicial review of arrests in flagrante delicto. It starts from the premise that, although custody hearings are an important mechanism for overseeing both detention and police conduct, their concrete operation is shaped by institutional constraints that limit the possibility of immediately scrutinizing the legality of police intervention. Adopting a qualitative approach, the study combines a literature review, semi-structured interviews with judges, prosecutors, and public defenders from different regions of Brazil, and an analysis of decisions ordering the release of detainees in custody hearings in the state of São Paulo. The literature review mapped relevant scholarship on police oversight, reasonable suspicion, police lethality, and custody hearings. The interviews made it possible to examine the perceptions, routines, and justifications mobilized by actors within the criminal justice system, while the analysis of judicial decisions sought to identify the extent to which unlawful arrests are recognized and the grounds on which such findings are based. The findings indicate that reasonable suspicion rarely operates in practice as an effective standard for the immediate review of police stops. The interviews revealed a tendency to defer this issue to later stages of the proceedings, as well as a strong deference to police narratives. In the decisions examined, explicit scrutiny of the legality of the stop or search was uncommon, underscoring the limited role this standard plays in routine decision-making. The study also shows that reports of police violence tend to be handled in a procedural manner, without corresponding consequences for the detainee’s liberty or for police accountability. In such cases, oversight often assumes a ceremonial character: acts of violence are minimized, abuses are justified, and detainees’ accounts are discouraged, revealing the institutional normalization of violence. The research further shows that police entry into the home is often retrospectively legitimized on the basis of the subsequent discovery of illicit items. In addition, the data suggest an adaptation of police narratives, the silencing of detainees, and the strong influence of dynamics of standardization, speed, and decisional economy. The thesis concludes that review of police activity in custody hearings exists formally, but in practice often operates in a selective, limited, and at times ceremonial manner, preserving the appearance of oversight without consistently altering police practices. In this context, body-worn cameras emerge as a tool with the potential to strengthen oversight of police activity. Their usefulness, however, depends on effective institutional conditions for the preservation, accessibility, and use of these recordings at the time of the custody hearing. More broadly, the study suggests that strengthening such oversight also depends on criminal justice actors recognizing their role in reviewing police conduct, especially in assessing reasonable suspicion, confronting the normalization of police violence in cases marked by drug trafficking allegations, and overcoming uncritical deference to police testimony.CapesporAudiência de custódiaControle da atividade policialFundada suspeitaJustiça cerimonialCustody hearingJudicial control of police activityFounded suspicionCeremonial justiceDireitoAudiência de custódiaPoliciais - AtitudesPoder de políciaViolência policialO controle da atividade policial nas audiências de custódia: justiça cerimonial e legitimação institucionalinfo:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesis-1info:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Repositório Institucional do FGV (FGV Repositório Digital)instname:Fundação Getulio Vargas 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O controle da atividade policial nas audiências de custódia: justiça cerimonial e legitimação institucional |
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O controle da atividade policial nas audiências de custódia: justiça cerimonial e legitimação institucional Toledo, Fabio Lopes Audiência de custódia Controle da atividade policial Fundada suspeita Justiça cerimonial Custody hearing Judicial control of police activity Founded suspicion Ceremonial justice Direito Audiência de custódia Policiais - Atitudes Poder de polícia Violência policial |
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Esta tese investiga como se dá o controle da atividade policial nas audiências de custódia, com foco na abordagem policial, na violência e tortura, no ingresso em residência e no controle do flagrante. O trabalho parte da compreensão de que, embora a audiência de custódia constitua importante mecanismo de controle da prisão e da atuação policial, seu funcionamento concreto é atravessado por limites institucionais que reduzem a capacidade de controle imediato da legalidade da intervenção policial. A pesquisa, de abordagem qualitativa, combina revisão de literatura, entrevistas semiestruturadas com juízes, promotores e defensores públicos de diferentes regiões do país e análise de processos de relaxamento de prisão em audiências de custódia no estado de São Paulo. A revisão buscou mapear produção relevante sobre controle da atividade policial, fundada suspeita, letalidade policial e audiências de custódia. As entrevistas permitiram examinar percepções, rotinas e justificativas mobilizadas pelos atores do sistema de justiça criminal, enquanto a análise das decisões buscou identificar em que medida e sob quais fundamentos a ilegalidade da prisão é reconhecida. Os resultados indicam que a fundada suspeita raramente se afirma, na prática, como parâmetro efetivo de controle imediato da abordagem policial. Nas entrevistas, observou-se tendência ao deslocamento dessa controvérsia para momentos posteriores do processo, bem como forte deferência à narrativa policial. Nas decisões examinadas, o enfrentamento explícito da abordagem ou da busca mostrou-se minoritário, o que evidencia a baixa centralidade desse parâmetro nas rotinas decisórias. A pesquisa também mostra que relatos de violência policial tendem a ser tratados de modo protocolar, sem repercussão proporcional sobre a liberdade do custodiado ou sobre a responsabilização dos agentes. Nesses casos, o controle frequentemente assume caráter cerimonial: as agressões são minimizadas, os abusos são justificados e o relato do custodiado é desencorajado, o que revela a naturalização institucional da violência. A pesquisa também mostra que o ingresso policial em residência é frequentemente legitimado de modo retrospectivo com base no encontro posterior de objetos ilícitos. Além disso, os dados sugerem adaptação das narrativas policiais, silenciamento do custodiado e forte influência de dinâmicas de padronização, celeridade e economia decisória. Conclui-se que o controle da atividade policial nas audiências de custódia existe formalmente, mas opera, em larga medida, de modo seletivo, limitado e, não raras vezes, cerimonial, preservando a aparência de fiscalização sem alterar de forma consistente as práticas policiais. Nesse contexto, as câmeras corporais aparecem como instrumento com potencial para ampliar as condições de controle da atividade policial. Sua utilidade, contudo, depende de condições institucionais efetivas de preservação, acesso e uso dessas gravações no momento da custódia. Em síntese, a pesquisa indica que o fortalecimento desse controle depende também da compreensão, pelos atores do sistema de justiça, de seu papel na fiscalização da atividade policial, especialmente no exame da fundada suspeita, no enfrentamento da naturalização da violência policial em contextos marcados por acusações de tráfico de drogas e na superação da deferência acrítica ao depoimento policial. |
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2026 |
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