Colonialidade e precariedade em diálogo com a Educação em Ciências

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2021
Autor(a) principal: Nascimento, Hiata Anderson
Orientador(a): Monteiro, Bruno Andrade Pinto
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Rio de Janeiro/RJ
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://repositorio.ifes.edu.br/handle/123456789/1243
Resumo: A abordagem decolonial constitui-se numa perspectiva teórica, ética, política e epistemológica que integra o conjunto das chamadas teorias subalternas. Em seu confronto com a historiografia hegemônica - de viés eurocentrado - a decolonialidade inova, ao propor, a centralidade da América Latina como condição sine qua non para a constituição do sistema-mundo capitalista. Nos termos decoloniais, a partir da empreitada colonizadora iniciada no século XVI, teve início um novo padrão de poder, racista, predatório e colonial-epistêmico, que definiu novas identidades coletivas, novos parâmetros de validação do conhecimento e uma nova cartografia nas relações entre os países. Nascia aquilo que o sociólogo peruano Aníbal Quijano chamou de colonialidade, cujos reflexos são perceptíveis para além das independências jurídico-políticas das sociedades mantidas sob regime colonial. Este trabalho retoma o debate decolonial no contexto da Educação em Ciências, a ele acrescentando elementos da proposta crítica desenvolvida pela filósofa estadunidense Judith Butler, propondo o encontro entre duas abordagens distintas, mas que se complementam em diversos aspectos. Traz como questão de pesquisa a seguinte formulação: De que modo os elementos epistemológicos e éticos presentes na abordagem crítico-butleriana podem potencializar a noção de colonialidade e suas apropriações no contexto da Educação em Ciências? Trata-se de uma pesquisa teórica cujo campo de análise esteve circunscrito aos seguintes conceitos: colonialidade (Quijano), quadros de inteligibilidade, precariedade e luto (Butler). A tese foi organizada a partir da combinação de alguns elementos método-epistemológicos: seleção do material de pesquisa referente à temática apresentada (artigos, teses, livros, vídeos); análise desse material a partir de elementos da explication de texte (pós-estruturalista) e da Análise de Livre Interpretação, na qual valoriza-se as experiências anteriores dos/as pesquisadores/as em ensino e pesquisa como suporte para se pensar o referencial teórico adotado; participação em dois grupos de pesquisa em Educação em Ciências em 2020 como instantes para formulações de compreensão acerca das especificidades do campo em seu diálogo com a decolonialidade e; mapeamento de todas as produções em ensino de ciências e abordagem decolonial que foram apresentadas ao longo dos anos de realização do Encontro Nacional de Pesquisa em Educação em Ciências/Enpec (de 1997 a 2019). O texto incorpora algumas premissas do dialogismo bakhtiniano, de modo especial o reconhecimento de que expressa o diálogo entre enunciados que, em sua origem, não tinham estabelecido nenhuma conversação, até mesmo por serem produtos de contextos muito diferenciados. Nesse sentido, esta proposição coloca-se como uma forma de mediação entre essas vozes. A pesquisa mostrou haver possibilidades de conversação entre as perspectivas mencionadas. Apontou algumas das limitações explicativas da categoria da colonialidade e as contribuições que a crítica butleriana pode dar ao ampliar o escopo da crítica decolonial no âmbito da Educação em Ciências. Sinalizou para a necessidade de incorporação do modo como Butler analisa a produção de vidas precárias na atualidade, como uma forma de contestar a colonialidade vigente em alguns nichos do campo e de fortalecer a incorporação das premissas da “justiça social e cognitiva” como pressupostos de uma educação científica crítica, antirracista e anticolonial.
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Nos termos decoloniais, a partir da empreitada colonizadora iniciada no século XVI, teve início um novo padrão de poder, racista, predatório e colonial-epistêmico, que definiu novas identidades coletivas, novos parâmetros de validação do conhecimento e uma nova cartografia nas relações entre os países. Nascia aquilo que o sociólogo peruano Aníbal Quijano chamou de colonialidade, cujos reflexos são perceptíveis para além das independências jurídico-políticas das sociedades mantidas sob regime colonial. Este trabalho retoma o debate decolonial no contexto da Educação em Ciências, a ele acrescentando elementos da proposta crítica desenvolvida pela filósofa estadunidense Judith Butler, propondo o encontro entre duas abordagens distintas, mas que se complementam em diversos aspectos. Traz como questão de pesquisa a seguinte formulação: De que modo os elementos epistemológicos e éticos presentes na abordagem crítico-butleriana podem potencializar a noção de colonialidade e suas apropriações no contexto da Educação em Ciências? Trata-se de uma pesquisa teórica cujo campo de análise esteve circunscrito aos seguintes conceitos: colonialidade (Quijano), quadros de inteligibilidade, precariedade e luto (Butler). A tese foi organizada a partir da combinação de alguns elementos método-epistemológicos: seleção do material de pesquisa referente à temática apresentada (artigos, teses, livros, vídeos); análise desse material a partir de elementos da explication de texte (pós-estruturalista) e da Análise de Livre Interpretação, na qual valoriza-se as experiências anteriores dos/as pesquisadores/as em ensino e pesquisa como suporte para se pensar o referencial teórico adotado; participação em dois grupos de pesquisa em Educação em Ciências em 2020 como instantes para formulações de compreensão acerca das especificidades do campo em seu diálogo com a decolonialidade e; mapeamento de todas as produções em ensino de ciências e abordagem decolonial que foram apresentadas ao longo dos anos de realização do Encontro Nacional de Pesquisa em Educação em Ciências/Enpec (de 1997 a 2019). O texto incorpora algumas premissas do dialogismo bakhtiniano, de modo especial o reconhecimento de que expressa o diálogo entre enunciados que, em sua origem, não tinham estabelecido nenhuma conversação, até mesmo por serem produtos de contextos muito diferenciados. Nesse sentido, esta proposição coloca-se como uma forma de mediação entre essas vozes. A pesquisa mostrou haver possibilidades de conversação entre as perspectivas mencionadas. Apontou algumas das limitações explicativas da categoria da colonialidade e as contribuições que a crítica butleriana pode dar ao ampliar o escopo da crítica decolonial no âmbito da Educação em Ciências. 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