Uma aliança abominável e per/vertida?: anotações subalternas sobre o arquivo deuteronômico

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2011
Autor(a) principal: SILVA, Fernando Candido da
Orientador(a): SCHWANTES, Milton
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Metodista de São Paulo
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://repositorio.metodista.br/handle/123456789/1275
Resumo: O objetivo central desta pesquisa é avaliar os valores e possibilidades da “aliança” pregada no Deuteronômio. Para tanto, procuro captar a necessária tensão de qualquer tipo de aliança. Faço esse exercício, primeiramente, no próprio campo da hermenêutica. Sugiro uma leitura subalterna que agregue diferentes lutas no interior das interpretações libertárias (feminista, queer e pós-colonial). Nesse ínterim, forjo o trabalho do “exegeta orgânico”, a saber, aquele intérprete que articula vozes dissidentes para fazer frente às estruturas sistêmicas de subordinação. Após essa proposição teórica, avalio o Deuteronômio enquanto discursos concatenados em forma de arquivo. A principal sugestão é de que os textos deuteronômicos foram coletados ou produzidos em prol de um ideal de berit “aliança”. Esse ideal origina-se do material agora disposto em 4,44-26+28: um contrato comunitário atávico com Yhvh. Esse resultado é possibilitado pela crítica retórica ao texto e seus interesses propagandísticos desde o nascedouro arquivístico. Após uma comparação honesta com os tratados do Antigo Oriente Próximo, não se pode mais negar a pedagogia da obediência intrínseca ao contrato. A isso chamo, muitas vezes, de “colusão do povo santo”. A crítica retórica, entretanto, não encaminha apenas uma reificação desse ideal de berit, ao apontar, antes, para o debate interno da comunidade. Um contrato retórico, afinal, guarda em si, memórias silenciadas para que a propaganda se efetive. Nesse momento é que busco colisões de memórias, em especial, dentro das perícopes proibitivas do contrato. Todo o lixo deuteronômico, por assim dizer, está assinalado por duas fórmulas básicas: ki to„abat yhvh “eis uma abominação para Yhvh” e u- bi„arta ha-ra„ mi-qirbeka “exterminarás o per/vertido do teu meio”. Dedico-me aos textos marcados por essas fórmulas, ao fomentar uma episódica unificação de “abomináveis” e “per/vertidos”. Avalio a luta particular de cada um/a, para então, propor uma agenda subalterna que promova a justiça social por reconhecimento e redistribuição. A “aliança abominável e per/vertida” intra-Deuteronômio apresenta uma proposta radicalmente democrática (i) em favor de uma cultura aberta ao Outro e (ii) contra estruturas autoritárias piramidais. Assinalo, portanto, que com essa dupla tática, os valores imperiais de hierarquização e subtração da “irmandade deuteronômica” são retoricamente postos em debate na comunidade.
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Nesse ínterim, forjo o trabalho do “exegeta orgânico”, a saber, aquele intérprete que articula vozes dissidentes para fazer frente às estruturas sistêmicas de subordinação. Após essa proposição teórica, avalio o Deuteronômio enquanto discursos concatenados em forma de arquivo. A principal sugestão é de que os textos deuteronômicos foram coletados ou produzidos em prol de um ideal de berit “aliança”. Esse ideal origina-se do material agora disposto em 4,44-26+28: um contrato comunitário atávico com Yhvh. Esse resultado é possibilitado pela crítica retórica ao texto e seus interesses propagandísticos desde o nascedouro arquivístico. Após uma comparação honesta com os tratados do Antigo Oriente Próximo, não se pode mais negar a pedagogia da obediência intrínseca ao contrato. A isso chamo, muitas vezes, de “colusão do povo santo”. A crítica retórica, entretanto, não encaminha apenas uma reificação desse ideal de berit, ao apontar, antes, para o debate interno da comunidade. Um contrato retórico, afinal, guarda em si, memórias silenciadas para que a propaganda se efetive. Nesse momento é que busco colisões de memórias, em especial, dentro das perícopes proibitivas do contrato. Todo o lixo deuteronômico, por assim dizer, está assinalado por duas fórmulas básicas: ki to„abat yhvh “eis uma abominação para Yhvh” e u- bi„arta ha-ra„ mi-qirbeka “exterminarás o per/vertido do teu meio”. Dedico-me aos textos marcados por essas fórmulas, ao fomentar uma episódica unificação de “abomináveis” e “per/vertidos”. Avalio a luta particular de cada um/a, para então, propor uma agenda subalterna que promova a justiça social por reconhecimento e redistribuição. A “aliança abominável e per/vertida” intra-Deuteronômio apresenta uma proposta radicalmente democrática (i) em favor de uma cultura aberta ao Outro e (ii) contra estruturas autoritárias piramidais. Assinalo, portanto, que com essa dupla tática, os valores imperiais de hierarquização e subtração da “irmandade deuteronômica” são retoricamente postos em debate na comunidade.The objective of this research is to evaluate the values and possibilities of the “alliance” preached on Deuteronomy. For that, I try to capture the necessary tension of any kind of alliance. First, I do this exercise in the field of hermeneutics suggesting an aggregate reading of different subaltern struggles within the libertarian interpretation (feminist, queer and postcolonial). Meanwhile, I forged the concept of an “organic exegete”, namely, an interpreter who articulates dissident voices to confront the systemic structures of subordination. After this theoretical proposition, I evaluate Deuteronomy as joined speeches in the form of an archive. The main suggestion is that the Deuteronomic texts were collected or produced toward an ideal of berit “covenant”. This ideal comes from the material that is now present in 4,44-26+28: an atavistic communitarian contract with Yhwh. This result is made possible by critical rhetoric applied to the text and its propagandistic interests from the very place of origin of the archive. After an honest comparison with the treaties of the Ancient Near East we could not longer deny the intrinsic pedagogy of obedience to the contract. I often call it the “collusion of the holy people”. However, the rhetorical criticism did not refer only to the reification of this ideal of berit. Rather, it points to the internal debate in the community: a rhetorical contract, after all, contains within itself silenced memories for the effectiveness of its propaganda. Therefore, I search for collisions of memories especially within the prohibitive pericopes of the contract. All Deuteronomic trash, as it were, is marked by two basic formulas: ki to„abat yhvh “because it is an abomination to Yhwh” and u-bi„arta ha-ra„ mi-qirbeka “destroy the per/verted from within you”. I devote myself to the texts checked by these formulas to propose an episodic unification of “abominable” and “per/verted” ones. So, I evaluate the particularity of each struggle to encourage a subaltern agenda that promotes the social justice of recognition and redistribution. The “abominable and per/verted alliance” intra-Deuteronomy proposes a radically democratic communitarian ethos (i) in favor of an open culture to the Other and (ii) against authoritarian pyramidal structures. Therefore, I note that this dual tactics places the imperial values of hierarchy and subtraction of the “Deuteronomic brotherhood” in the community‟s debate.Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES)Universidade Metodista de São PauloCiências HumanasDeuteronômioAliançaArquivoRetóricaSubalternosDeuteronomyAllianceArchiveRhetoricSubalternsUma aliança abominável e per/vertida?: anotações subalternas sobre o arquivo deuteronômicoinfo:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisporreponame:Repositório da METODISTAinstname:Universidade Metodista de São Paulo (METODISTA)instacron:METODISTAinfo:eu-repo/semantics/openAccessORIGINALFernando Candido da Silva.pdfFernando Candido da Silva.pdfapplication/pdf2331061https://repositorio.metodista.br/bitstreams/551800c3-f8b7-45e3-8a02-4ce5b713a60f/download5872d8aff76d3e85322bdad0113a98a2MD52LICENSElicense.txtlicense.txttext/plain; charset=utf-81748https://repositorio.metodista.br/bitstreams/dd572cb9-467b-47fa-af6d-134a8809ed21/downloadbb9bdc0b3349e4284e09149f943790b4MD51TEXTFernando Candido da Silva.pdf.txtFernando Candido da Silva.pdf.txtExtracted texttext/plain103923https://repositorio.metodista.br/bitstreams/6db7d626-d4e5-4b33-945c-88dfd9d014a5/download7b01146aa4cd708c7297406c920d34dbMD53THUMBNAILFernando Candido da Silva.pdf.jpgFernando Candido da Silva.pdf.jpgGenerated Thumbnailimage/jpeg3186https://repositorio.metodista.br/bitstreams/6f5238da-5aa9-49aa-a311-5c3896297109/download28e2d8b25bca69edf7946a235fd241eeMD54123456789/12752025-10-04 03:00:23.97open.accessoai:repositorio.metodista.br:123456789/1275https://repositorio.metodista.brBiblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://tede.metodista.br/jspui/http://tede.metodista.br/oai/requestbiblioteca@metodista.br||erick.roberto@metodista.bropendoar:2025-10-04T03:00:23Repositório da METODISTA - Universidade Metodista de São Paulo (METODISTA)falseTk9URTogUExBQ0UgWU9VUiBPV04gTElDRU5TRSBIRVJFClRoaXMgc2FtcGxlIGxpY2Vuc2UgaXMgcHJvdmlkZWQgZm9yIGluZm9ybWF0aW9uYWwgcHVycG9zZXMgb25seS4KCk5PTi1FWENMVVNJVkUgRElTVFJJQlVUSU9OIExJQ0VOU0UKCkJ5IHNpZ25pbmcgYW5kIHN1Ym1pdHRpbmcgdGhpcyBsaWNlbnNlLCB5b3UgKHRoZSBhdXRob3Iocykgb3IgY29weXJpZ2h0IG93bmVyKSBncmFudHMgdG8gRFNwYWNlIFVuaXZlcnNpdHkgKERTVSkgdGhlIG5vbi1leGNsdXNpdmUgcmlnaHQgdG8gcmVwcm9kdWNlLCB0cmFuc2xhdGUgKGFzIGRlZmluZWQgYmVsb3cpLCBhbmQvb3IgZGlzdHJpYnV0ZSB5b3VyIHN1Ym1pc3Npb24gKGluY2x1ZGluZyB0aGUgYWJzdHJhY3QpIHdvcmxkd2lkZSBpbiBwcmludCBhbmQgZWxlY3Ryb25pYyBmb3JtYXQgYW5kIGluIGFueSBtZWRpdW0sIGluY2x1ZGluZyBidXQgbm90IGxpbWl0ZWQgdG8gYXVkaW8gb3IgdmlkZW8uCgpZb3UgYWdyZWUgdGhhdCBEU1UgbWF5LCB3aXRob3V0IGNoYW5naW5nIHRoZSBjb250ZW50LCB0cmFuc2xhdGUgdGhlIHN1Ym1pc3Npb24gdG8gYW55IG1lZGl1bSBvciBmb3JtYXQgZm9yIHRoZSBwdXJwb3NlIG9mIHByZXNlcnZhdGlvbi4KCllvdSBhbHNvIGFncmVlIHRoYXQgRFNVIG1heSBrZWVwIG1vcmUgdGhhbiBvbmUgY29weSBvZiB0aGlzIHN1Ym1pc3Npb24gZm9yIHB1cnBvc2VzIG9mIHNlY3VyaXR5LCBiYWNrLXVwIGFuZCBwcmVzZXJ2YXRpb24uCgpZb3UgcmVwcmVzZW50IHRoYXQgdGhlIHN1Ym1pc3Npb24gaXMgeW91ciBvcmlnaW5hbCB3b3JrLCBhbmQgdGhhdCB5b3UgaGF2ZSB0aGUgcmlnaHQgdG8gZ3JhbnQgdGhlIHJpZ2h0cyBjb250YWluZWQgaW4gdGhpcyBsaWNlbnNlLiBZb3UgYWxzbyByZXByZXNlbnQgdGhhdCB5b3VyIHN1Ym1pc3Npb24gZG9lcyBub3QsIHRvIHRoZSBiZXN0IG9mIHlvdXIga25vd2xlZGdlLCBpbmZyaW5nZSB1cG9uIGFueW9uZSdzIGNvcHlyaWdodC4KCklmIHRoZSBzdWJtaXNzaW9uIGNvbnRhaW5zIG1hdGVyaWFsIGZvciB3aGljaCB5b3UgZG8gbm90IGhvbGQgY29weXJpZ2h0LCB5b3UgcmVwcmVzZW50IHRoYXQgeW91IGhhdmUgb2J0YWluZWQgdGhlIHVucmVzdHJpY3RlZCBwZXJtaXNzaW9uIG9mIHRoZSBjb3B5cmlnaHQgb3duZXIgdG8gZ3JhbnQgRFNVIHRoZSByaWdodHMgcmVxdWlyZWQgYnkgdGhpcyBsaWNlbnNlLCBhbmQgdGhhdCBzdWNoIHRoaXJkLXBhcnR5IG93bmVkIG1hdGVyaWFsIGlzIGNsZWFybHkgaWRlbnRpZmllZCBhbmQgYWNrbm93bGVkZ2VkIHdpdGhpbiB0aGUgdGV4dCBvciBjb250ZW50IG9mIHRoZSBzdWJtaXNzaW9uLgoKSUYgVEhFIFNVQk1JU1NJT04gSVMgQkFTRUQgVVBPTiBXT1JLIFRIQVQgSEFTIEJFRU4gU1BPTlNPUkVEIE9SIFNVUFBPUlRFRCBCWSBBTiBBR0VOQ1kgT1IgT1JHQU5JWkFUSU9OIE9USEVSIFRIQU4gRFNVLCBZT1UgUkVQUkVTRU5UIFRIQVQgWU9VIEhBVkUgRlVMRklMTEVEIEFOWSBSSUdIVCBPRiBSRVZJRVcgT1IgT1RIRVIgT0JMSUdBVElPTlMgUkVRVUlSRUQgQlkgU1VDSCBDT05UUkFDVCBPUiBBR1JFRU1FTlQuCgpEU1Ugd2lsbCBjbGVhcmx5IGlkZW50aWZ5IHlvdXIgbmFtZShzKSBhcyB0aGUgYXV0aG9yKHMpIG9yIG93bmVyKHMpIG9mIHRoZSBzdWJtaXNzaW9uLCBhbmQgd2lsbCBub3QgbWFrZSBhbnkgYWx0ZXJhdGlvbiwgb3RoZXIgdGhhbiBhcyBhbGxvd2VkIGJ5IHRoaXMgbGljZW5zZSwgdG8geW91ciBzdWJtaXNzaW9uLgo=
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