O agir humano em Confissões e obras anteriores de Agostinho de Hipona : um estudo das relações entre libido, consuetudo e voluntas

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2008
Autor(a) principal: Degani, Patrícia
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul
Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas
BR
PUCRS
Programa de Pós-Graduação em Filosofia
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://tede2.pucrs.br/tede2/handle/tede/2786
Resumo: Para responder à pergunta de por que o sujeito não age sempre segundo sua razão, Agostinho de Hipona (354- 430 d. C) formula o conceito de vontade cindida em Confissões, VIII. Esse conceito resulta da interrelação dos termos libido, consuetudo e voluntas desenvolvida nas obras anteriores ao ano de aparição de Confissões, compreendidas entre suas primeiras obras até 401 d.C.. Na análise de libido, consuetudo e voluntas nas obras anteriores ao relato autobiográfico do hiponense, com um número significativo de ocorrências, permanece o entendimento de libido como desejo desmedido, consuetudo como hábito e uma evolução no conceito de voluntas, desdobrado entre vontade (voluntas) e livre-arbítrio da vontade (liberum arbitrium voluntatis). A vontade, entendida nesse contexto específico como uma inclinação, pode pender tanto para os bens temporais quanto para os eternos. No entanto, devido à natureza corrompida do homem depois da Queda, a vontade já não mais se inclina naturalmente para os bens eternos. Estando a vontade inclinada para os bens temporais, o desejo desmedido e o hábito de usufruir desses bens impedem o pleno exercício do livrearbítrio da vontade. Ocorre, portanto, uma cisão da vontade entre os bens superiores e os inferiores. O livre-arbítrio não consegue exercer o seu poder de determinar a vontade, pois está impedido pelo desejo desmedido, constitutivo do homem caído, e pelo hábito. A libertação do livre-arbítrio dos grilhões da libido e da consuetudo é percebida como obra da Graça divina, uma vez que o desejo desmedido não pode ser superado pelo próprio indivíduo, embora se possa combater o hábito. Portanto, a interrelação entre libido, consuetudo e voluntas explica a idéia de vontade cindida e a necessidade da intervenção de um poder acima do homem para romper o ciclo vicioso assim instaurado.
id P_RS_09b4a60d05e2c9439781e05f391f368e
oai_identifier_str oai:tede2.pucrs.br:tede/2786
network_acronym_str P_RS
network_name_str Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da PUC_RS
repository_id_str
spelling O agir humano em Confissões e obras anteriores de Agostinho de Hipona : um estudo das relações entre libido, consuetudo e voluntasFILOSOFIAAGOSTINHO, SANTO - CRÍTICA E INTERPRETAÇÃODESEJOVONTADECNPQ::CIENCIAS HUMANAS::FILOSOFIAPara responder à pergunta de por que o sujeito não age sempre segundo sua razão, Agostinho de Hipona (354- 430 d. C) formula o conceito de vontade cindida em Confissões, VIII. Esse conceito resulta da interrelação dos termos libido, consuetudo e voluntas desenvolvida nas obras anteriores ao ano de aparição de Confissões, compreendidas entre suas primeiras obras até 401 d.C.. Na análise de libido, consuetudo e voluntas nas obras anteriores ao relato autobiográfico do hiponense, com um número significativo de ocorrências, permanece o entendimento de libido como desejo desmedido, consuetudo como hábito e uma evolução no conceito de voluntas, desdobrado entre vontade (voluntas) e livre-arbítrio da vontade (liberum arbitrium voluntatis). A vontade, entendida nesse contexto específico como uma inclinação, pode pender tanto para os bens temporais quanto para os eternos. No entanto, devido à natureza corrompida do homem depois da Queda, a vontade já não mais se inclina naturalmente para os bens eternos. Estando a vontade inclinada para os bens temporais, o desejo desmedido e o hábito de usufruir desses bens impedem o pleno exercício do livrearbítrio da vontade. Ocorre, portanto, uma cisão da vontade entre os bens superiores e os inferiores. O livre-arbítrio não consegue exercer o seu poder de determinar a vontade, pois está impedido pelo desejo desmedido, constitutivo do homem caído, e pelo hábito. A libertação do livre-arbítrio dos grilhões da libido e da consuetudo é percebida como obra da Graça divina, uma vez que o desejo desmedido não pode ser superado pelo próprio indivíduo, embora se possa combater o hábito. Portanto, a interrelação entre libido, consuetudo e voluntas explica a idéia de vontade cindida e a necessidade da intervenção de um poder acima do homem para romper o ciclo vicioso assim instaurado.Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do SulFaculdade de Filosofia e Ciências HumanasBRPUCRSPrograma de Pós-Graduação em FilosofiaBoni, Luis Alberto dehttp://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4783335P5Degani, Patrícia2015-04-14T13:54:52Z2008-08-112008-08-04info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfDEGANI, Patrícia. O agir humano em Confissões e obras anteriores de Agostinho de Hipona : um estudo das relações entre libido, consuetudo e voluntas. 2008. 117 f. Dissertação (Mestrado em Filosofia) - Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2008.http://tede2.pucrs.br/tede2/handle/tede/2786porinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da PUC_RSinstname:Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS)instacron:PUC_RS2015-04-17T19:25:48Zoai:tede2.pucrs.br:tede/2786Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://tede2.pucrs.br/tede2/PRIhttps://tede2.pucrs.br/oai/requestbiblioteca.central@pucrs.br||opendoar:2015-04-17T19:25:48Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da PUC_RS - Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS)false
dc.title.none.fl_str_mv O agir humano em Confissões e obras anteriores de Agostinho de Hipona : um estudo das relações entre libido, consuetudo e voluntas
title O agir humano em Confissões e obras anteriores de Agostinho de Hipona : um estudo das relações entre libido, consuetudo e voluntas
spellingShingle O agir humano em Confissões e obras anteriores de Agostinho de Hipona : um estudo das relações entre libido, consuetudo e voluntas
Degani, Patrícia
FILOSOFIA
AGOSTINHO, SANTO - CRÍTICA E INTERPRETAÇÃO
DESEJO
VONTADE
CNPQ::CIENCIAS HUMANAS::FILOSOFIA
title_short O agir humano em Confissões e obras anteriores de Agostinho de Hipona : um estudo das relações entre libido, consuetudo e voluntas
title_full O agir humano em Confissões e obras anteriores de Agostinho de Hipona : um estudo das relações entre libido, consuetudo e voluntas
title_fullStr O agir humano em Confissões e obras anteriores de Agostinho de Hipona : um estudo das relações entre libido, consuetudo e voluntas
title_full_unstemmed O agir humano em Confissões e obras anteriores de Agostinho de Hipona : um estudo das relações entre libido, consuetudo e voluntas
title_sort O agir humano em Confissões e obras anteriores de Agostinho de Hipona : um estudo das relações entre libido, consuetudo e voluntas
author Degani, Patrícia
author_facet Degani, Patrícia
author_role author
dc.contributor.none.fl_str_mv Boni, Luis Alberto de
http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4783335P5
dc.contributor.author.fl_str_mv Degani, Patrícia
dc.subject.por.fl_str_mv FILOSOFIA
AGOSTINHO, SANTO - CRÍTICA E INTERPRETAÇÃO
DESEJO
VONTADE
CNPQ::CIENCIAS HUMANAS::FILOSOFIA
topic FILOSOFIA
AGOSTINHO, SANTO - CRÍTICA E INTERPRETAÇÃO
DESEJO
VONTADE
CNPQ::CIENCIAS HUMANAS::FILOSOFIA
description Para responder à pergunta de por que o sujeito não age sempre segundo sua razão, Agostinho de Hipona (354- 430 d. C) formula o conceito de vontade cindida em Confissões, VIII. Esse conceito resulta da interrelação dos termos libido, consuetudo e voluntas desenvolvida nas obras anteriores ao ano de aparição de Confissões, compreendidas entre suas primeiras obras até 401 d.C.. Na análise de libido, consuetudo e voluntas nas obras anteriores ao relato autobiográfico do hiponense, com um número significativo de ocorrências, permanece o entendimento de libido como desejo desmedido, consuetudo como hábito e uma evolução no conceito de voluntas, desdobrado entre vontade (voluntas) e livre-arbítrio da vontade (liberum arbitrium voluntatis). A vontade, entendida nesse contexto específico como uma inclinação, pode pender tanto para os bens temporais quanto para os eternos. No entanto, devido à natureza corrompida do homem depois da Queda, a vontade já não mais se inclina naturalmente para os bens eternos. Estando a vontade inclinada para os bens temporais, o desejo desmedido e o hábito de usufruir desses bens impedem o pleno exercício do livrearbítrio da vontade. Ocorre, portanto, uma cisão da vontade entre os bens superiores e os inferiores. O livre-arbítrio não consegue exercer o seu poder de determinar a vontade, pois está impedido pelo desejo desmedido, constitutivo do homem caído, e pelo hábito. A libertação do livre-arbítrio dos grilhões da libido e da consuetudo é percebida como obra da Graça divina, uma vez que o desejo desmedido não pode ser superado pelo próprio indivíduo, embora se possa combater o hábito. Portanto, a interrelação entre libido, consuetudo e voluntas explica a idéia de vontade cindida e a necessidade da intervenção de um poder acima do homem para romper o ciclo vicioso assim instaurado.
publishDate 2008
dc.date.none.fl_str_mv 2008-08-11
2008-08-04
2015-04-14T13:54:52Z
dc.type.status.fl_str_mv info:eu-repo/semantics/publishedVersion
dc.type.driver.fl_str_mv info:eu-repo/semantics/masterThesis
format masterThesis
status_str publishedVersion
dc.identifier.uri.fl_str_mv DEGANI, Patrícia. O agir humano em Confissões e obras anteriores de Agostinho de Hipona : um estudo das relações entre libido, consuetudo e voluntas. 2008. 117 f. Dissertação (Mestrado em Filosofia) - Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2008.
http://tede2.pucrs.br/tede2/handle/tede/2786
identifier_str_mv DEGANI, Patrícia. O agir humano em Confissões e obras anteriores de Agostinho de Hipona : um estudo das relações entre libido, consuetudo e voluntas. 2008. 117 f. Dissertação (Mestrado em Filosofia) - Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2008.
url http://tede2.pucrs.br/tede2/handle/tede/2786
dc.language.iso.fl_str_mv por
language por
dc.rights.driver.fl_str_mv info:eu-repo/semantics/openAccess
eu_rights_str_mv openAccess
dc.format.none.fl_str_mv application/pdf
dc.publisher.none.fl_str_mv Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul
Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas
BR
PUCRS
Programa de Pós-Graduação em Filosofia
publisher.none.fl_str_mv Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul
Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas
BR
PUCRS
Programa de Pós-Graduação em Filosofia
dc.source.none.fl_str_mv reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da PUC_RS
instname:Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS)
instacron:PUC_RS
instname_str Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS)
instacron_str PUC_RS
institution PUC_RS
reponame_str Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da PUC_RS
collection Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da PUC_RS
repository.name.fl_str_mv Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da PUC_RS - Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS)
repository.mail.fl_str_mv biblioteca.central@pucrs.br||
_version_ 1850041249871953920