Fernando Pessoa : o dandismo heteronímico e a descapitalização do eu
| Ano de defesa: | 2021 |
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| Autor(a) principal: | |
| Orientador(a): | |
| Banca de defesa: | |
| Tipo de documento: | Tese |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
| Idioma: | por |
| Instituição de defesa: |
Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul
Escola de Humanidades Brasil PUCRS Programa de Pós-Graduação em Letras |
| Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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| Departamento: |
Não Informado pela instituição
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| País: |
Não Informado pela instituição
|
| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | http://tede2.pucrs.br/tede2/handle/tede/9528 |
Resumo: | O que será discutido nesta tese é uma revolução inútil, molecular, uma despersonalização que, poeticamente, abolindo o eu-fixo do indivíduo detentor de seus predicados, desmoronando a mentira de um eu que acharmos ser nosso, nos torna livres para florescermos, para descobrirmos a nossa própria potência, nos tornando flaneres de nós mesmos. Somos todos os outros, é isso que os heterônimos nos ensinam. Trata-se de um sistema heteronímico, uma poética criada pela força disruptiva que é a ideia de dândi, um não indivíduo, uma sociedade molecular tão concreta, real, sem gênero, que parece não existir a olho nu, mas que tem o poder de nos fazer confundidos com a multidão de que somos feitos. Trata-se, acima de tudo, de uma resistência poética ao eu ressentido, capitalista, que conspurca as relações humanas, de uma resistência ao eu fascista. Quando nasceu, o processo heteronímico pessoano se concretizou em uma máquina poética de profanação de uma sociedade disciplinar que nos fazia quer que somos detentores de uma culpa que não pode ser abolida. Hoje, o dandismo heteronímico desarticula o indivíduo da produtividade, o empresário de si mesmo, por meio do passo lento, flâneur, daquele que se infiltra nos corações dos outros intermediado pelo amor maior que aos poetas foi dado cantar. Eu é multidão, ou seja, tudo o que existe. O dandismo heteronímico é a prova poética de que nós não somos nós mesmos, mas todos os outros, e é somente a partir dessa compreensão que é possível uma revolução real. |
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Fernando Pessoa : o dandismo heteronímico e a descapitalização do euDandismoFlânerieDespersonalizaçãoHeteronímiaDescapitalizaçãoDécapitalisationDandysmeFlânerieDépersonnalisationHétéronymieLINGUISTICA, LETRAS E ARTES::LETRASO que será discutido nesta tese é uma revolução inútil, molecular, uma despersonalização que, poeticamente, abolindo o eu-fixo do indivíduo detentor de seus predicados, desmoronando a mentira de um eu que acharmos ser nosso, nos torna livres para florescermos, para descobrirmos a nossa própria potência, nos tornando flaneres de nós mesmos. Somos todos os outros, é isso que os heterônimos nos ensinam. Trata-se de um sistema heteronímico, uma poética criada pela força disruptiva que é a ideia de dândi, um não indivíduo, uma sociedade molecular tão concreta, real, sem gênero, que parece não existir a olho nu, mas que tem o poder de nos fazer confundidos com a multidão de que somos feitos. Trata-se, acima de tudo, de uma resistência poética ao eu ressentido, capitalista, que conspurca as relações humanas, de uma resistência ao eu fascista. Quando nasceu, o processo heteronímico pessoano se concretizou em uma máquina poética de profanação de uma sociedade disciplinar que nos fazia quer que somos detentores de uma culpa que não pode ser abolida. Hoje, o dandismo heteronímico desarticula o indivíduo da produtividade, o empresário de si mesmo, por meio do passo lento, flâneur, daquele que se infiltra nos corações dos outros intermediado pelo amor maior que aos poetas foi dado cantar. Eu é multidão, ou seja, tudo o que existe. O dandismo heteronímico é a prova poética de que nós não somos nós mesmos, mas todos os outros, e é somente a partir dessa compreensão que é possível uma revolução real.Ce qui sera discuté dans cette thèse est une révolution moléculaire inutile, une dépersonnalisation qui, poétiquement, abolit le moi fixe de l’individu détenant ses prédicats. Cela effondre le mensonge d’un soi que nous pensons être le nôtre, nous rend libres de nous épanouir, de découvrir notre propre puissance, de pratiquer la flânerie de nous-mêmes. Nous sommes tout le monde, c’est ce que nous apprennent les hétéronymes. C’est un système hétéronymique, une poétique créée par la force disruptive qu’est l’idée de dandy, un non-individu, une société moléculaire si concrète, réelle, sans genre qu’elle ne semble pas exister à l’oeil nu, mais cela a le pouvoir de nous confondre avec la foule dont nous sommes faits. C’est avant tout une résistance poétique au moi capitaliste plein de ressentiment qui souille les relations humaines, une résistance au moi fasciste. A sa naissance, le processus hétéronymique s’est déroulé dans une machine poétique de profanation d’une societé disciplinaire qui nous a donné envie d’avoir une culpabilité qui ne peut être abolie. Aujourd’hui, le dandysme hétéronymique desloque l’individu de la productivité, l’entrepreneur de soi-même, par le pas lent, flâneur, de celui qui s’infiltre dans le coeur des autres, intermédié par le plus grand amour chanté par les poètes. Je est une foule, c’est-a-dire je est tout ce qui existe. Le dandysme hétéronymique est la preuve poétique que nous ne sommes pas nous-mêmes, mais tout le monde, et ce n’est qu’à partir de cette compréhension qu’une véritable révolution est possible.Conselho Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento Científico e Tecnológico - CNPqPontifícia Universidade Católica do Rio Grande do SulEscola de HumanidadesBrasilPUCRSPrograma de Pós-Graduação em LetrasBaumgarten, Carlos Alexandrehttp://lattes.cnpq.br/9047211743126405Casaroto Filho, Cesar Marcos2021-04-08T18:14:55Z2021-01-19info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttp://tede2.pucrs.br/tede2/handle/tede/9528porinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da PUC_RSinstname:Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS)instacron:PUC_RS2021-04-08T23:00:17Zoai:tede2.pucrs.br:tede/9528Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://tede2.pucrs.br/tede2/PRIhttps://tede2.pucrs.br/oai/requestbiblioteca.central@pucrs.br||opendoar:2021-04-08T23:00:17Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da PUC_RS - Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS)false |
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