"Invocar como devir": ancestralidade, políticas do tempo e história do tempo presente

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Carlos Roberto da Silva
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
dARK ID: ark:/33523/001300000vrbv
Idioma: por
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://repositorio.udesc.br/handle/UDESC/22900
Resumo: Esta dissertação busca compreender quais políticas do tempo emergem quando movimentos indígenas coetâneos evocam suas ancestralidades no espaço público brasileiro. No capítulo introdutório, a pesquisa desenvolve uma análise teórica do conceito de ancestralidade, rastreando seus usos em periódicos brasileiros desde o século XIX, os quais revelam uma exaltação histórica das heranças europeias em detrimento das indígenas e africanas. Ao observar os usos da ancestralidade na contemporaneidade, todavia, percebe-se a polissemia inerente ao conceito, o que justifica a decisão de focar exclusivamente nos atos de fala de movimentos indígenas contemporâneos. A pesquisa opta por trabalhar com as políticas do tempo enquanto categoria de análise dos enunciados, partindo da compreensão de que os sujeitos realizam ações por meio de seus atos de fala; ou seja, a forma como evocam um tempo ancestral não é neutra. O segundo capítulo parte do entendimento de que a ancestralidade evocada pelos povos indígenas pressupõe uma indeterminação dos limites temporais, com ênfase na continuidade e coexistência entre presente, passado e futuro. Em contraste, as reflexões teóricas da História do Tempo Presente revelam uma separação qualitativa entre presente e passado. A partir desta percepção, discute-se teoricamente se a ancestralidade estaria legitimamente posta como objeto de investigação desse campo historiográfico. Conclui-se que a ancestralidade implica um presente que não é contemporâneo a si mesmo, levando a pesquisa, no terceiro capítulo, a uma tentativa de elaborar uma História do Tempo Presente que também não seja contemporânea a si. As análises das políticas do tempo produzidas pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil, Articulação Nacional das Mulheres Indígenas Guerreiras da Ancestralidade, Ministério dos Povos Indígenas e coletivos de jovens indígenas evidenciam que a ancestralidade pressupõe uma temporalidade policrônica, que rejeita a linearidade ocidental progressista e propõe uma visão do tempo como cíclico, espiralar, relacional, encarnado, político e contínuo. Essa pluralidade temporal implica uma ética que reconhece múltiplas formas de existir e resistir, nas quais passado, presente e futuro estão interligados e se retroalimentam. A ancestralidade, mobilizada como base ética e política, busca legitimar a agência histórica dos povos indígenas, assumindo papel central na formação de sujeitos históricos – protagonistas e responsáveis pela continuidade e defesa de seus direitos, territórios e modos de ser.
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