Alternativas penais ou penas alternativas?: significações do monitoramento eletrônico para os assistidos da CAP–CE

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2019
Autor(a) principal: Oliveira, Carla Juliana Loiola de
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Estadual do Ceará
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://siduece.uece.br/siduece/trabalhoAcademicoPublico.jsf?id=93687
Resumo: A discussão proposta e advinda de intensa pesquisa e investigação versa sobre a problemática e o contexto social que circunscreve o cenário de insegurança, da mesma forma que aborda as políticas públicas de segurança e de justiça propostas pelo Estado na intenção de aplacar tal situação. Desta feita, propõe-se neste trabalho, a discussão acerca das tendências punitivas do Estado e sua economia penal, com foco nas medidas cautelares alternativas à prisão. De modo mais específico, objetivou-se investigar como é feita a implantação e o acompanhamento dessas medidas alternativas através da Coordenadoria de Alternativas Penais (CAP), órgão estatal responsável pela operacionalização de tais atividades. Para tanto, utilizou-se o método qualitativo de pesquisa, que considera a complexidade dos campos empíricos e suas particularidades. Além disso, foram realizadas entrevistas com alguns interlocutores profissionais da CAP, a fim de se aproximar da estruturação do Estado, no que concerne à economia da pena que nele parece se delinear. Bem como, e de modo preponderante, foram realizadas entrevistas com alguns interlocutores usuários do serviço prestado pela coordenadoria com a finalidade de compreender a percepção deles, no que tange ao acompanhamento realizado pela CAP. Ainda com o mesmo objetivo, pretendeu-se investigar a vivência e o cotidiano das pessoas em cumprimento de medida cautelar alternativa à prisão, com foco no monitoramento eletrônico, cujo propósito era a aproximação da realidade experienciada por tais interlocutores e sua interface com a economia da pena. Além disso, também foram consultados os profissionais que acompanhavam os monitorados, com o objetivo de analisar a impressão deles no que diz respeito ao impacto das tornozeleiras no cotidiano dos assistidos. Como principais resultados, observou-se que há uma ambiguidade em relação à convivência com a tornozeleira eletrônica, apontada por vários interlocutores como uma oportunidade alternativa ao encarceramento, ainda que também seja mencionada como impeditivo para a reentrada no mercado de trabalho, tendo em vista o caráter estigmatizador para com quem a utiliza. Além disso, em relação à interpretação da medida pelos profissionais, percebeu-se nos seus discursos a contradição em relação à função atribuída à coordenadoria, que possui responsabilidade fiscalizadora e controladora dos corpos que se utilizam de seu acompanhamento, tendo em vista que a CAP deve ser entendida como um aparato<br/>do Estado penal e como parte da lógica punitiva de exceção. Em suma, muitas questões são suscitadas e devem ser problematizadas a fim de compreender a complexidade que engloba a necessidade de Políticas Públicas de Segurança e de Justiça que, atualmente, têm se mostrado ineficientes para reduzir a criminalidade e a violência social.&nbsp;Palavras - Chave: Economia da pena. Alternativas Penais. Políticas Públicas de Segurança e de Justiça. Monitoramento Eletrônico.
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Para tanto, utilizou-se o método qualitativo de pesquisa, que considera a complexidade dos campos empíricos e suas particularidades. Além disso, foram realizadas entrevistas com alguns interlocutores profissionais da CAP, a fim de se aproximar da estruturação do Estado, no que concerne à economia da pena que nele parece se delinear. Bem como, e de modo preponderante, foram realizadas entrevistas com alguns interlocutores usuários do serviço prestado pela coordenadoria com a finalidade de compreender a percepção deles, no que tange ao acompanhamento realizado pela CAP. Ainda com o mesmo objetivo, pretendeu-se investigar a vivência e o cotidiano das pessoas em cumprimento de medida cautelar alternativa à prisão, com foco no monitoramento eletrônico, cujo propósito era a aproximação da realidade experienciada por tais interlocutores e sua interface com a economia da pena. Além disso, também foram consultados os profissionais que acompanhavam os monitorados, com o objetivo de analisar a impressão deles no que diz respeito ao impacto das tornozeleiras no cotidiano dos assistidos. Como principais resultados, observou-se que há uma ambiguidade em relação à convivência com a tornozeleira eletrônica, apontada por vários interlocutores como uma oportunidade alternativa ao encarceramento, ainda que também seja mencionada como impeditivo para a reentrada no mercado de trabalho, tendo em vista o caráter estigmatizador para com quem a utiliza. Além disso, em relação à interpretação da medida pelos profissionais, percebeu-se nos seus discursos a contradição em relação à função atribuída à coordenadoria, que possui responsabilidade fiscalizadora e controladora dos corpos que se utilizam de seu acompanhamento, tendo em vista que a CAP deve ser entendida como um aparato<br/>do Estado penal e como parte da lógica punitiva de exceção. Em suma, muitas questões são suscitadas e devem ser problematizadas a fim de compreender a complexidade que engloba a necessidade de Políticas Públicas de Segurança e de Justiça que, atualmente, têm se mostrado ineficientes para reduzir a criminalidade e a violência social.&nbsp;Palavras - Chave: Economia da pena. Alternativas Penais. Políticas Públicas de Segurança e de Justiça. Monitoramento Eletrônico.The discussion proposed as well as resulted of intense research and investigation deals with the problematic along with social contexts that circumvents the scenario of insecurity in the same direction that approaches the public security and justice policies proposed by the State in terms of placating such situation. Thus, it is proposed through this paper the discussion about the State punitive tendencies as well as its criminal economy whose focus is established on alternative precautionary measures to imprisonment. More specifically, it aimed the investigation on how the implementation and the attendance of these alternative measures are put into practice by the Coordenadoria de Alternativas Penais (CAP), State organ responsible for the operationalization of such activities. Therefore, the research qualitative method was the approach chosen for the consideration of the complexity of the empirical field and its particularities. Besides that, interviews were conducted among some CAP professional interlocutors in order to get closer the State structuring heading the criminal economy, which on it seems to outline. Also and in a preponderant way, interviews with some users of the service offered by the coordination were conducted concerning the intention of understanding their perception on what is relevant towards the attendance provided by CAP. Still on the same objective, it was intended to investigate the experience as well as the everyday of the people on alternative precautionary measures to imprisonment, focusing on the electronic monitoring, whose intention was getting closer to the reality experimented by such interlocutors and their interface with the penalty economy. Besides that, the professionals, who were following the monitored ones, were too consulted with the purpose of analyzing their impression towards the anklets impact on the everyday of the people on imposition of their use. As main results, it was observed the ambiguity in relation to the electronic anklets usage for it was pointed by several interlocutors as an alternative precautionary measure to incarceration, even when it is also understood as an impediment to the reentrance on the working market for their stigmatizing character towards the person wearing them. Furthermore, in what concerns the professionals point of view considering the measure, it was noticed the contradiction related to the role developed by the coordination which deals with the supervisory and bodies controlling of the ones in request of monitoring responsibility for CAP is supposed to be seen as a device of<br/>the criminal State, so as part of the punitive of exception logic. Summarizing, there are many questions asked and they must be problematized on the purpose of understanding the complexity which includes the necessity of public security and justice policies, that currently, have been presenting themselves ineffective in order to reduce crime and social violence.&nbsp;Keywords: Penalty Economy. Alternative to imprisionment. Public Security and Justice Policies. Electronic Monitoring.Universidade Estadual do CearáLEILA MARIA PASSOS DE SOUZA BEZERRAOliveira, Carla Juliana Loiola de2019-10-16T15:32:37Z2019info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://siduece.uece.br/siduece/trabalhoAcademicoPublico.jsf?id=93687info:eu-repo/semantics/openAccessporreponame:Repositório Institucional da UECEinstname:Universidade Estadual do Cearáinstacron:UECE2019-10-16T15:32:37Zoai:uece.br:93687Repositório InstitucionalPUBhttps://siduece.uece.br/siduece/api/oai/requestopendoar:2019-10-16T15:32:37Repositório Institucional da UECE - Universidade Estadual do Cearáfalse
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