Marchas da infância: práticas educativas e discursivas de resistência das crianças do acampamento José Maria do Tomé - Chapada do Apodi - CE

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2019
Autor(a) principal: Lima, Tânia Maria
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Estadual do Ceará
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://siduece.uece.br/siduece/trabalhoAcademicoPublico.jsf?id=94607
Resumo: Comprometemo-nos neste trabalho a estudar a participação das crianças do acampamento Zé Maria do Tomé- Chapada do Apodi, Ceará, no processo de luta pela terra que se inscreve no campo de lutas e tensões por território entre o campesinato e o agronegócio na Região do Vale do Jaguaribe, desde a implantação das agroindústrias de fruticultura de exportação, a partir da década de 1990, quando foi instalado o Perímetro Irrigado Jaguaribe – Apodi. Neste contexto, decidimos olhá-las enquanto sujeitos de sua infância, observando sua capacidade de agir, se relacionar, aprender e construir práticas educativas e discursivas que dialogam com a resistência deste coletivo. Em igual importância, nós nos propusemos a refletir como a própria luta e vivência dentro de um movimento social atuam na formação humana e política das crianças que dele participam. Fomos motivados nessa pesquisa pela possibilidade de evidenciar o protagonismo infantil dentro de acampamentos organizados por movimentos sociais, buscando acessar o universo da infância Sem Terra em suas vivências, construções, práticas e discursos contra-hegemônicos, a partir da própria percepção das crianças. Durante muito tempo e ainda na contemporaneidade, a criança é considerada pela classe dominante como um indivíduo cuja voz é secundaria. Dessa forma, pensar a vivência de uma criança em acampamentos dos movimentos sociais é fazer um exercício das possibilidades e novos valores de formação humana que estas podem construir, é tirá-las do lugar comum a que vêm sendo colocadas pela sociedade capitalista. No que se refere ao arcabouço teóricometodológico que orientou nossa pesquisa, trabalhamos com as seguintes dimensões de estudo: a “criança”, em sua relação de aprendizado com a luta social e organização do coletivo; os “Movimentos Sociais do Campo”, que têm atuado em ações político-educativas dentro da realidade do Acampamento, o qual apresenta o MST em sua base organizativa; a “Educação Não-Formal”, dimensão da Educação que legitima o seio dos movimentos sociais, e também, os acampamentos e assentamentos como espaços onde podem ocorrer processos de formação e educação; e a “Análise do Discurso Crítica (ADC)”, perspectiva de análise que foi fundamental para nortear nossas reflexões acerca das práticas educativas e discursivas das crianças desta realidade. No desenvolvimento deste estudo, também fizemos uso de procedimentos de natureza etnográfica, com vista a melhor captar a prática dos sujeitos no cotidiano do acampamento, dentre os quais: a observação participante, notas de campo, grupo focal, entrevistas focalizadas e quatro oficinas pedagógicas com as crianças. Os resultados da pesquisa indicam que nos cenários da luta as crianças desempenham papeis políticos, expressando formas próprias de construir e visibilizar suas ações e discursos de 9 enfrentamento, a exemplo, na ocasião em que seus desenhos sobre a vida no Acampamento foram utilizados para defender o direito à água na produção familiar ou mesmo quando se sentiram seguras e fortes para permanecer junto a seus pais e companheiros nas frentes de luta, somando forças, vozes, enriquecendo as místicas, recuperando a memória da luta de uma forma lúdica, sensível e revolucionária. Assim, inferimos que elas estão junto a seus pais nos momentos de formações, reuniões, assembleias, plenárias. Aprendem sobre o plantar e o colher, a ter suas preferências e suas próprias iniciativas de luta. Neste sentido, analisamos que as crianças constroem a si mesmas enquanto se relacionam com seu coletivo, observam e aprendem no meio em que vivem. Nos espaços de luta constroem sua identidade Sem Terrinha, definindo suas representações e elaborando e reelaborando discursos e práticas que dialogam com a resistência do Movimento que vivenciam.&nbsp;<div>Palavras–chave: Crianças. Acampamento Zé Maria do Tomé. Espaços de luta. Movimentos Sociais. Práticas educativas e discursivas&nbsp;</div>
id UECE-0_442fb7482fbe9be3930f3305cfaf7003
oai_identifier_str oai:uece.br:94607
network_acronym_str UECE-0
network_name_str Repositório Institucional da UECE
repository_id_str
spelling Marchas da infância: práticas educativas e discursivas de resistência das crianças do acampamento José Maria do Tomé - Chapada do Apodi - CEEducação e ensino Espaços de luta Movimentos sociaisComprometemo-nos neste trabalho a estudar a participação das crianças do acampamento Zé Maria do Tomé- Chapada do Apodi, Ceará, no processo de luta pela terra que se inscreve no campo de lutas e tensões por território entre o campesinato e o agronegócio na Região do Vale do Jaguaribe, desde a implantação das agroindústrias de fruticultura de exportação, a partir da década de 1990, quando foi instalado o Perímetro Irrigado Jaguaribe – Apodi. Neste contexto, decidimos olhá-las enquanto sujeitos de sua infância, observando sua capacidade de agir, se relacionar, aprender e construir práticas educativas e discursivas que dialogam com a resistência deste coletivo. Em igual importância, nós nos propusemos a refletir como a própria luta e vivência dentro de um movimento social atuam na formação humana e política das crianças que dele participam. Fomos motivados nessa pesquisa pela possibilidade de evidenciar o protagonismo infantil dentro de acampamentos organizados por movimentos sociais, buscando acessar o universo da infância Sem Terra em suas vivências, construções, práticas e discursos contra-hegemônicos, a partir da própria percepção das crianças. Durante muito tempo e ainda na contemporaneidade, a criança é considerada pela classe dominante como um indivíduo cuja voz é secundaria. Dessa forma, pensar a vivência de uma criança em acampamentos dos movimentos sociais é fazer um exercício das possibilidades e novos valores de formação humana que estas podem construir, é tirá-las do lugar comum a que vêm sendo colocadas pela sociedade capitalista. No que se refere ao arcabouço teóricometodológico que orientou nossa pesquisa, trabalhamos com as seguintes dimensões de estudo: a “criança”, em sua relação de aprendizado com a luta social e organização do coletivo; os “Movimentos Sociais do Campo”, que têm atuado em ações político-educativas dentro da realidade do Acampamento, o qual apresenta o MST em sua base organizativa; a “Educação Não-Formal”, dimensão da Educação que legitima o seio dos movimentos sociais, e também, os acampamentos e assentamentos como espaços onde podem ocorrer processos de formação e educação; e a “Análise do Discurso Crítica (ADC)”, perspectiva de análise que foi fundamental para nortear nossas reflexões acerca das práticas educativas e discursivas das crianças desta realidade. No desenvolvimento deste estudo, também fizemos uso de procedimentos de natureza etnográfica, com vista a melhor captar a prática dos sujeitos no cotidiano do acampamento, dentre os quais: a observação participante, notas de campo, grupo focal, entrevistas focalizadas e quatro oficinas pedagógicas com as crianças. Os resultados da pesquisa indicam que nos cenários da luta as crianças desempenham papeis políticos, expressando formas próprias de construir e visibilizar suas ações e discursos de 9 enfrentamento, a exemplo, na ocasião em que seus desenhos sobre a vida no Acampamento foram utilizados para defender o direito à água na produção familiar ou mesmo quando se sentiram seguras e fortes para permanecer junto a seus pais e companheiros nas frentes de luta, somando forças, vozes, enriquecendo as místicas, recuperando a memória da luta de uma forma lúdica, sensível e revolucionária. Assim, inferimos que elas estão junto a seus pais nos momentos de formações, reuniões, assembleias, plenárias. Aprendem sobre o plantar e o colher, a ter suas preferências e suas próprias iniciativas de luta. Neste sentido, analisamos que as crianças constroem a si mesmas enquanto se relacionam com seu coletivo, observam e aprendem no meio em que vivem. Nos espaços de luta constroem sua identidade Sem Terrinha, definindo suas representações e elaborando e reelaborando discursos e práticas que dialogam com a resistência do Movimento que vivenciam.&nbsp;<div>Palavras–chave: Crianças. Acampamento Zé Maria do Tomé. Espaços de luta. Movimentos Sociais. Práticas educativas e discursivas&nbsp;</div>We commit ourselves in this work to study the participation of the children of the camp Zé Maria do Tomé - Chapada do Apodi, Ceará, in the process of struggle for land that is part of the field of struggles and tensions for territory between the peasantry and agribusiness in Vale do Jaguaribe, since the implantation of export fruit farming agroindustries since the 1990s when it was installed the Irrigated Perimeter Jaguaribe – Apodi. In this context, we decided to look at them as subjects of their childhood, observing their ability to act, relate, learn and construct educational and discursive practices that dialogue with the resistance of this collective. Equally important, we propose to reflect how the struggle itself and its experience within a social movement act in the human and political formation of the children who participate in it. We were motivated in this research by the possibility of highlighting children's protagonism within camps organized by social movements, seeking to access the universe of Earthless childhood in their experiences, constructions, practices and counterhegemonic discourses, from the children's own perception. For a long time and still in the present time, the child is considered by the ruling class as an individual who has no voice. In this way, to think about the experience of a child in social movements' camps is to make an exercise of the possibilities and new values of human formation that they can build, and to remove it from the common place to which it is being placed by capitalist society. With regard to the theoretical-methodological framework that guided our research, we work with the following study dimensions: the "child", in its relation of learning with the social struggle and organization of the collective; the "Social Movements of the Field", which has acted in political-educational actions within the reality of the Camp, which has the MST in the organizational base of the Camp; "non-formal education", the dimension of education that legitimates social movements, as well as camps and settlements as spaces where training and education processes can take place; and "Critical discourse analysis (CDA)", an analysis perspective that was fundamental to guide our reflections on the educational and discursive practices of children of this reality. In the development of this study, we also used ethnographic procedures, in order to better capture the subjects' practice in the daily routine of the camp, such as: participant observation, field notes, focus group, focused interviews and four pedagogical workshops with the children. The research results indicate that in the fight scenarios children play political roles, expressing their own ways of constructing and making visible their actions and discourses of confrontation, for example, when their drawings about life in the Camp were used to defend the right to water in the family production or even when 11 they felt safe and strong to stay with their parents and companions in the fronts of struggle, adding forces, voices, enriching the mystics, recovering the memory of the fight in a playful, sensitive and revolutionary way. Thus, we infer that they are together with their parents in times of formation, meetings, assemblies, plenaries. They learn about planting, harvesting, having their preferences and initiatives. In this sense, we analyze that children construct themselves as they relate to their collective, observe and learn in the environment in which they live. In the spaces of struggle they construct their identity, defining their representations and elaborating and reworking discourses and practices that dialogue with the resistance of the Movement that they experience.&nbsp;<div>Keywords: Earthless Children. Spaces of strugggle. Zé Maria do Tomé camp. Social movements. Educational and discursive practices.</div>Universidade Estadual do CearáCLAUDIANA NOGUEIRA DE ALENCARLima, Tânia Maria2019-12-17T16:13:38Z2019info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://siduece.uece.br/siduece/trabalhoAcademicoPublico.jsf?id=94607info:eu-repo/semantics/openAccessporreponame:Repositório Institucional da UECEinstname:Universidade Estadual do Cearáinstacron:UECE2019-12-17T16:13:38Zoai:uece.br:94607Repositório InstitucionalPUBhttps://siduece.uece.br/siduece/api/oai/requestopendoar:2019-12-17T16:13:38Repositório Institucional da UECE - Universidade Estadual do Cearáfalse
dc.title.none.fl_str_mv Marchas da infância: práticas educativas e discursivas de resistência das crianças do acampamento José Maria do Tomé - Chapada do Apodi - CE
title Marchas da infância: práticas educativas e discursivas de resistência das crianças do acampamento José Maria do Tomé - Chapada do Apodi - CE
spellingShingle Marchas da infância: práticas educativas e discursivas de resistência das crianças do acampamento José Maria do Tomé - Chapada do Apodi - CE
Lima, Tânia Maria
Educação e ensino
Espaços de luta
Movimentos sociais
title_short Marchas da infância: práticas educativas e discursivas de resistência das crianças do acampamento José Maria do Tomé - Chapada do Apodi - CE
title_full Marchas da infância: práticas educativas e discursivas de resistência das crianças do acampamento José Maria do Tomé - Chapada do Apodi - CE
title_fullStr Marchas da infância: práticas educativas e discursivas de resistência das crianças do acampamento José Maria do Tomé - Chapada do Apodi - CE
title_full_unstemmed Marchas da infância: práticas educativas e discursivas de resistência das crianças do acampamento José Maria do Tomé - Chapada do Apodi - CE
title_sort Marchas da infância: práticas educativas e discursivas de resistência das crianças do acampamento José Maria do Tomé - Chapada do Apodi - CE
author Lima, Tânia Maria
author_facet Lima, Tânia Maria
author_role author
dc.contributor.none.fl_str_mv CLAUDIANA NOGUEIRA DE ALENCAR
dc.contributor.author.fl_str_mv Lima, Tânia Maria
dc.subject.por.fl_str_mv Educação e ensino
Espaços de luta
Movimentos sociais
topic Educação e ensino
Espaços de luta
Movimentos sociais
description Comprometemo-nos neste trabalho a estudar a participação das crianças do acampamento Zé Maria do Tomé- Chapada do Apodi, Ceará, no processo de luta pela terra que se inscreve no campo de lutas e tensões por território entre o campesinato e o agronegócio na Região do Vale do Jaguaribe, desde a implantação das agroindústrias de fruticultura de exportação, a partir da década de 1990, quando foi instalado o Perímetro Irrigado Jaguaribe – Apodi. Neste contexto, decidimos olhá-las enquanto sujeitos de sua infância, observando sua capacidade de agir, se relacionar, aprender e construir práticas educativas e discursivas que dialogam com a resistência deste coletivo. Em igual importância, nós nos propusemos a refletir como a própria luta e vivência dentro de um movimento social atuam na formação humana e política das crianças que dele participam. Fomos motivados nessa pesquisa pela possibilidade de evidenciar o protagonismo infantil dentro de acampamentos organizados por movimentos sociais, buscando acessar o universo da infância Sem Terra em suas vivências, construções, práticas e discursos contra-hegemônicos, a partir da própria percepção das crianças. Durante muito tempo e ainda na contemporaneidade, a criança é considerada pela classe dominante como um indivíduo cuja voz é secundaria. Dessa forma, pensar a vivência de uma criança em acampamentos dos movimentos sociais é fazer um exercício das possibilidades e novos valores de formação humana que estas podem construir, é tirá-las do lugar comum a que vêm sendo colocadas pela sociedade capitalista. No que se refere ao arcabouço teóricometodológico que orientou nossa pesquisa, trabalhamos com as seguintes dimensões de estudo: a “criança”, em sua relação de aprendizado com a luta social e organização do coletivo; os “Movimentos Sociais do Campo”, que têm atuado em ações político-educativas dentro da realidade do Acampamento, o qual apresenta o MST em sua base organizativa; a “Educação Não-Formal”, dimensão da Educação que legitima o seio dos movimentos sociais, e também, os acampamentos e assentamentos como espaços onde podem ocorrer processos de formação e educação; e a “Análise do Discurso Crítica (ADC)”, perspectiva de análise que foi fundamental para nortear nossas reflexões acerca das práticas educativas e discursivas das crianças desta realidade. No desenvolvimento deste estudo, também fizemos uso de procedimentos de natureza etnográfica, com vista a melhor captar a prática dos sujeitos no cotidiano do acampamento, dentre os quais: a observação participante, notas de campo, grupo focal, entrevistas focalizadas e quatro oficinas pedagógicas com as crianças. Os resultados da pesquisa indicam que nos cenários da luta as crianças desempenham papeis políticos, expressando formas próprias de construir e visibilizar suas ações e discursos de 9 enfrentamento, a exemplo, na ocasião em que seus desenhos sobre a vida no Acampamento foram utilizados para defender o direito à água na produção familiar ou mesmo quando se sentiram seguras e fortes para permanecer junto a seus pais e companheiros nas frentes de luta, somando forças, vozes, enriquecendo as místicas, recuperando a memória da luta de uma forma lúdica, sensível e revolucionária. Assim, inferimos que elas estão junto a seus pais nos momentos de formações, reuniões, assembleias, plenárias. Aprendem sobre o plantar e o colher, a ter suas preferências e suas próprias iniciativas de luta. Neste sentido, analisamos que as crianças constroem a si mesmas enquanto se relacionam com seu coletivo, observam e aprendem no meio em que vivem. Nos espaços de luta constroem sua identidade Sem Terrinha, definindo suas representações e elaborando e reelaborando discursos e práticas que dialogam com a resistência do Movimento que vivenciam.&nbsp;<div>Palavras–chave: Crianças. Acampamento Zé Maria do Tomé. Espaços de luta. Movimentos Sociais. Práticas educativas e discursivas&nbsp;</div>
publishDate 2019
dc.date.none.fl_str_mv 2019-12-17T16:13:38Z
2019
dc.type.status.fl_str_mv info:eu-repo/semantics/publishedVersion
dc.type.driver.fl_str_mv info:eu-repo/semantics/masterThesis
format masterThesis
status_str publishedVersion
dc.identifier.uri.fl_str_mv https://siduece.uece.br/siduece/trabalhoAcademicoPublico.jsf?id=94607
url https://siduece.uece.br/siduece/trabalhoAcademicoPublico.jsf?id=94607
dc.language.iso.fl_str_mv por
language por
dc.rights.driver.fl_str_mv info:eu-repo/semantics/openAccess
eu_rights_str_mv openAccess
dc.format.none.fl_str_mv application/pdf
dc.publisher.none.fl_str_mv Universidade Estadual do Ceará
publisher.none.fl_str_mv Universidade Estadual do Ceará
dc.source.none.fl_str_mv reponame:Repositório Institucional da UECE
instname:Universidade Estadual do Ceará
instacron:UECE
instname_str Universidade Estadual do Ceará
instacron_str UECE
institution UECE
reponame_str Repositório Institucional da UECE
collection Repositório Institucional da UECE
repository.name.fl_str_mv Repositório Institucional da UECE - Universidade Estadual do Ceará
repository.mail.fl_str_mv
_version_ 1828296400142598144