“Mal-estares e utopia democrática”: poder local e autonomia institucional: o caso do Conselho Tutelar do Município de Horizonte–Ceará

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2018
Autor(a) principal: Santos, Antônio Nacílio Sousa dos
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Estadual do Ceará
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://siduece.uece.br/siduece/trabalhoAcademicoPublico.jsf?id=82831
Resumo: <div style="">A dissertação tem por objetivo compreender o processo de autonomia institucional do órgão Conselho Tutelar (CT), por meio da realização de estudo de caso do Conselho Tutelar do município de Horizonte - Ceará. Para isso, realizamos uma abordagem qualitativa por meio da qual privilegiamos o olhar dos conselheiros tutelares e dos agentes políticos locais a eles associados como os interlocutores privilegiados da pesquisa. Tomamos como referência de análise a concepção basilar de funcionamento do CT a sua a autonomia institucional (Art. 131/ECA), conforme disposto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA/90). Ou seja, um Conselho Tutelar é caracterizado, sobretudo, pela “liberdade institucional” para poder desenvolver suas atribuições, condição que se torna indispensável até mesmo para a existência do órgão. Nesta perspectiva, a pesquisa orientou-se pelas seguintes hipóteses de trabalho: a) as candidaturas ao CT possuem o objetivo de ocupação-trabalho; b) o CT passou a ser objeto de disputas de políticos locais; c) a vinculação entre conselheiros e políticos locais orbitam fora do campo da defesa infanto-juvenil, que nos possibilitaram percorrer a construção das estratégias metodológicas empreendidas em campo na obtenção e cotejamento dos dados empíricos cruciais para a análise. Para isso, o nosso olhar voltou-se para as tramas simbólicas engendradas na eleição para composição do Colegiado do Conselho local, bem como atentando para a identidade dos sujeitos que se submetem a esse processo decisório, assim como o envolvimento e interesse das forças políticas locais nessa disputa. Atentamos, também, para o fazer profissional cotidiano dos agentes tutelares, com uso da observação direta, buscando apreender os agenciamentos e os rebatimentos na prática da defesa dos direitos infanto-juvenis, aqui definidos como mal-estares; e a relação, implicada na eleição ao Colegiado, pautada na relação dos agentes tutelares com figuras políticas com mandatos eletivos locais. Mal-estares surgem, portanto, a partir do momento em que o modus operandi da cultura política partidária local permeia o percurso da eleição para a escolha dos membros do Colegiado, possibilitando que os agentes sociais estabeleçam relações de interesses mútuos resultando em acordos engendrados que culminam em apoios e no financiamento de campanhas dos pleiteadores ao cargo de conselheiros tutelares. São acordos pautados em negociações que mobilizam diferentes capitais político, econômico e cultural dos agentes locais imersos em suas idiossincrasias e artes cotidianas do fazer política e de afirmar seus interesses em jogo, processo que denominamos de cultura política local. Concluímos que o Conselho Tutelar possui essa caraterística dual: ao mesmo tempo em que esse repertório político local, tenciona e por vezes minora a autonomia de atuação dos agentes tutelares, com rebatimentos limitador no fazer profissional desses sujeitos, estes também atuam nos limites dessas fronteiras no sentido de darem, ainda que limitadas, respostas às demandas de crianças e adolescentes que recorrem ao CT. Palavras-chave: Autonomia. Democracia. Participação Social.</div>
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Ou seja, um Conselho Tutelar é caracterizado, sobretudo, pela “liberdade institucional” para poder desenvolver suas atribuições, condição que se torna indispensável até mesmo para a existência do órgão. Nesta perspectiva, a pesquisa orientou-se pelas seguintes hipóteses de trabalho: a) as candidaturas ao CT possuem o objetivo de ocupação-trabalho; b) o CT passou a ser objeto de disputas de políticos locais; c) a vinculação entre conselheiros e políticos locais orbitam fora do campo da defesa infanto-juvenil, que nos possibilitaram percorrer a construção das estratégias metodológicas empreendidas em campo na obtenção e cotejamento dos dados empíricos cruciais para a análise. Para isso, o nosso olhar voltou-se para as tramas simbólicas engendradas na eleição para composição do Colegiado do Conselho local, bem como atentando para a identidade dos sujeitos que se submetem a esse processo decisório, assim como o envolvimento e interesse das forças políticas locais nessa disputa. Atentamos, também, para o fazer profissional cotidiano dos agentes tutelares, com uso da observação direta, buscando apreender os agenciamentos e os rebatimentos na prática da defesa dos direitos infanto-juvenis, aqui definidos como mal-estares; e a relação, implicada na eleição ao Colegiado, pautada na relação dos agentes tutelares com figuras políticas com mandatos eletivos locais. Mal-estares surgem, portanto, a partir do momento em que o modus operandi da cultura política partidária local permeia o percurso da eleição para a escolha dos membros do Colegiado, possibilitando que os agentes sociais estabeleçam relações de interesses mútuos resultando em acordos engendrados que culminam em apoios e no financiamento de campanhas dos pleiteadores ao cargo de conselheiros tutelares. São acordos pautados em negociações que mobilizam diferentes capitais político, econômico e cultural dos agentes locais imersos em suas idiossincrasias e artes cotidianas do fazer política e de afirmar seus interesses em jogo, processo que denominamos de cultura política local. Concluímos que o Conselho Tutelar possui essa caraterística dual: ao mesmo tempo em que esse repertório político local, tenciona e por vezes minora a autonomia de atuação dos agentes tutelares, com rebatimentos limitador no fazer profissional desses sujeitos, estes também atuam nos limites dessas fronteiras no sentido de darem, ainda que limitadas, respostas às demandas de crianças e adolescentes que recorrem ao CT. Palavras-chave: Autonomia. Democracia. Participação Social.</div><div style="">The purpose of this dissertation is to understand the institutional autonomy process of the Tutelary Council (CT), through a case study of the Tutelary Council of the municipality of Horizonte - Ceará. In order to do this, we have carried out a qualitative approach whereby we privilege the view of the tutorial advisers and the local political agents associated with them as the privileged interlocutors of the research. We take as reference of analysis the basic conception of the functioning of the TC and its institutional autonomy (Article 131 / ECA), as provided for in the Statute of the Child and Adolescent (ECA / 90). That is, a Guardianship Council is characterized, above all, by "institutional freedom" to be able to develop its attributions, a condition that becomes indispensable even for the existence of the organ. In this perspective, the research was guided by the following hypotheses: a) the applications to the TC have the objective of occupation-work; b) the CT has become the object of disputes by local politicians; c) the link between counselors and local politicians orbits outside the field of child and juvenile defense, which enabled us to go through the construction of the methodological strategies undertaken in the field in obtaining and collating the empirical data crucial for the analysis. In order to do so, our focus was on the symbolic plots engendered in the election for the composition of the local Council Collegiate, as well as on the identity of the subjects who submit to this decision-making process, as well as the involvement and interest of the local political forces in this dispute. We also try to make the day-to-day professional of the guardians, using direct observation, seeking to apprehend the assemblages and refutations in the practice of the defense of children's rights, here defined as malaise; and the relation, implied in the election to the Collegiate, based on the relation of the tutelary agents with political figures with local elective mandates. From the moment that the modus operandi of the local party political culture permeates the course of the election to the choice of the members of the Collegiate, allowing the social agents to establish relations of mutual interests resulting in agreements generated that culminate in support and in the financing of campaigns of the plaintiffs to the position of guardianship advisers. They are agreements based on negotiations that mobilize different political, economic and cultural capitals of local agents immersed in their idiosyncrasies and daily arts of political making and asserting their interests at stake, a process we call local political culture. We conclude that the Tutelary Council has this dual characteristic: at the same time that this local political repertoire, intends and sometimes undermines the autonomy of action of the tutelary agents, with limitations limiting in the professional doing of these subjects, these also act within the limits of these frontiers in the to limit the responses to the demands of children and adolescents who use the TC.&nbsp;<span style="font-size: 10pt;">Keywords: Autonomy. Democracy. Social Participation.</span></div>Universidade Estadual do CearáGeovani Jaco de FreitasSantos, Antônio Nacílio Sousa dos2019-04-22T14:11:17Z2018info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://siduece.uece.br/siduece/trabalhoAcademicoPublico.jsf?id=82831info:eu-repo/semantics/openAccessporreponame:Repositório Institucional da UECEinstname:Universidade Estadual do Cearáinstacron:UECE2019-04-22T14:11:17Zoai:uece.br:82831Repositório InstitucionalPUBhttps://siduece.uece.br/siduece/api/oai/requestopendoar:2019-04-22T14:11:17Repositório Institucional da UECE - Universidade Estadual do Cearáfalse
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