Do sertão à nação: a trajetória de vida de Luiz Gonzaga e a nacionalização do baião (1912-1957)

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2023
Autor(a) principal: JÚNIOR, JOÃO MONTEIRO SILVA
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Estadual do Ceará
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Link de acesso: https://siduece.uece.br/siduece/trabalhoAcademicoPublico.jsf?id=110028
Resumo: Como um gênero de música atualmente designado de regional foi, entre as décadas de 1940 e 1950, a principal referência da música brasileira concomitantemente ao samba? O baião foi um dos grandes fenômenos da música brasileira cuja produção musical foi predominante nas gravações de discos e nos programas de auditório das rádios, sobretudo no decênio de 1947-1957. Durante a pesquisa, a análise das fontes revelou uma contradição entre as designações dadas ao baião na atualidade — referindo-se a este como uma expressão regional de música — e àquelas veiculadas pela imprensa durante o referido decênio, quando lhe faziam menção de ser uma música nacional. Essa constatação levou a objetivação desse estudo em compreender o processo de nacionalização do baião, observando os fatores que favoreceram a sua ascensão nacional. Para isso, a trajetória de vida do sanfoneiro Luiz Gonzaga foi o percurso analítico seguido para contextualizar o cenário histórico-cultural em que se deu o sucesso do baião, uma vez que se entendeu ser indissociável o êxito do referido gênero musical ao fenômeno artístico que foi o próprio Luiz Gonzaga. Por essa razão, a análise concentra-se em um recorte temporal entre os anos de 1912 a 1957, período que abrange desde a infância e adolescência do sanfoneiro no sertão pernambucano até o seu estrelato, não abordando, contudo, por uma questão metodológica, o período em que o artista atuou como militar nos anos 1930. Dessa forma, buscou-se analisar as experiências de Luiz Gonzaga vivenciadas com e por meio da música, de modo a entender como essas vivências refletiram no seu trabalho artístico. Assim, percebeu-se que a produção musical de Gonzaga se apresentava como um contraponto ao predomínio da música estrangeira e rivalizava — ou compartilhava — com o samba os elementos de nacionalidade, sendo o baião o único gênero, até então, que conseguiu fazer frente ao samba em número de músicas gravadas. Apresentado por Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira por meio de uma campanha que visava a difundir pelo país a chamada “música do Norte”, o baião foi responsável pelo lançamento de outros gêneros musicais nordestinos, como o xaxado e o forró, no circuito Rio – São Paulo. Sempre associando sua produção artística a elementos folclóricos e populares do Nordeste, seus principais artífices encontravam nessa associação os argumentos para considerar o baião uma expressão legítima de nacionalidade, uma música genuinamente brasileira. Com essa compreensão, observou-se que as músicas de Luiz Gonzaga apresentavam questões universais da humanidade expressas a partir da vida de homens e mulheres sertanejos, o que levou ao entendimento de que o termo “regional” é insuficiente para contemplar a importância desse artista para a cultura brasileira. Da mesma forma, depreende-se que o baião deva ser referenciado como um gênero nacional de música, uma vez que a designação de “música regional” desmerece o impacto que este teve no cenário cultural-midiático brasileiro e encobre sua importância na história da música popular brasileira. Palavras-chaves: Luiz Gonzaga. Música. Sertão. Baião. Nacionalização
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Para isso, a trajetória de vida do sanfoneiro Luiz Gonzaga foi o percurso analítico seguido para contextualizar o cenário histórico-cultural em que se deu o sucesso do baião, uma vez que se entendeu ser indissociável o êxito do referido gênero musical ao fenômeno artístico que foi o próprio Luiz Gonzaga. Por essa razão, a análise concentra-se em um recorte temporal entre os anos de 1912 a 1957, período que abrange desde a infância e adolescência do sanfoneiro no sertão pernambucano até o seu estrelato, não abordando, contudo, por uma questão metodológica, o período em que o artista atuou como militar nos anos 1930. Dessa forma, buscou-se analisar as experiências de Luiz Gonzaga vivenciadas com e por meio da música, de modo a entender como essas vivências refletiram no seu trabalho artístico. Assim, percebeu-se que a produção musical de Gonzaga se apresentava como um contraponto ao predomínio da música estrangeira e rivalizava — ou compartilhava — com o samba os elementos de nacionalidade, sendo o baião o único gênero, até então, que conseguiu fazer frente ao samba em número de músicas gravadas. Apresentado por Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira por meio de uma campanha que visava a difundir pelo país a chamada “música do Norte”, o baião foi responsável pelo lançamento de outros gêneros musicais nordestinos, como o xaxado e o forró, no circuito Rio – São Paulo. Sempre associando sua produção artística a elementos folclóricos e populares do Nordeste, seus principais artífices encontravam nessa associação os argumentos para considerar o baião uma expressão legítima de nacionalidade, uma música genuinamente brasileira. Com essa compreensão, observou-se que as músicas de Luiz Gonzaga apresentavam questões universais da humanidade expressas a partir da vida de homens e mulheres sertanejos, o que levou ao entendimento de que o termo “regional” é insuficiente para contemplar a importância desse artista para a cultura brasileira. Da mesma forma, depreende-se que o baião deva ser referenciado como um gênero nacional de música, uma vez que a designação de “música regional” desmerece o impacto que este teve no cenário cultural-midiático brasileiro e encobre sua importância na história da música popular brasileira. Palavras-chaves: Luiz Gonzaga. Música. Sertão. Baião. Nacionalização How was a genre of music currently called regional, between the 1940s and 1950s, the main reference for Brazilian music concurrently with samba? The baião was one of the great phenomena of Brazilian music whose musical production was predominant in record recordings and radio auditorium programs, especially in the 1947-1957 decade. During the research, the analysis of the sources revealed a contradiction between the designations given to the baião today – referring to it as a regional expression of music – and those published by the press during that decade, when they mentioned it as a song national. This finding led to the objective of this study to understand the process of nationalization of the baião, observing the factors that favored its national rise. For this, the life trajectory of accordion player Luiz Gonzaga was the analytical path followed to contextualize the historical-cultural scenario in which the success of the baião took place, since it was understood that the success of the aforementioned musical genre was inseparable from the artistic phenomenon that was Luiz Gonzaga himself. For this reason, the analysis focuses on a time frame between the years 1912 to 1957, a period that ranges from the childhood and adolescence of the accordion player in the backlands of Pernambuco to his stardom, not addressing, however, for methodological reasons, the period in which the artist served as a military man in the 1930s. That way, we sought to analyze Luiz Gonzaga's experiences with and through music, in order to understand how these experiences reflected in his artistic work. Like this, it was perceived that Gonzaga's musical production presented itself as a counterpoint to the predominance of foreign music and rivaled - or shared - with samba the elements of nationality, with baião being the only genre, until then, that managed to face the challenge samba in number of songs recorded. Presented by Luiz Gonzaga and Humberto Teixeira through a campaign that aimed to spread the so-called “Northern music” throughout the country, the baião was responsible for launching other northeastern musical genres, such as xaxado and forró, in the circuit Rio – São Paulo. Always associating his artistic production with folkloric and popular elements of the Northeast, its main craftsmen found in this association the arguments to consider baião a legitimate expression of nationality, a genuinely Brazilian music. With this understanding, it was observed that Luiz Gonzaga's songs presented universal questions of humanity expressed from the lives of countryside men and women, which led to the understanding that the term "regional" is insufficient to contemplate the importance of this artist for Brazilian culture. Likewise, it appears that baião should be referred to as a national genre of music, since the designation of “regional music” belittles the impact it had on the Brazilian cultural-media scene and obscures its importance in the history of music Brazilian popular. Keywords: Luiz Gonzaga. Music. Hinterland. Baião. Nationalization Universidade Estadual do CearáMANOEL CARLOS FONSECA DE ALENCARJÚNIOR, JOÃO MONTEIRO SILVA2023-06-05T10:34:22Zinfo:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://siduece.uece.br/siduece/trabalhoAcademicoPublico.jsf?id=110028info:eu-repo/semantics/openAccessporreponame:Repositório Institucional da UECEinstname:Universidade Estadual do Cearáinstacron:UECE2023-06-05T10:34:22Zoai:uece.br:110028Repositório InstitucionalPUBhttps://siduece.uece.br/siduece/api/oai/requestopendoar:2023-06-05T10:34:22Repositório Institucional da UECE - Universidade Estadual do Cearáfalse
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