A poética exúnica de Cidinha da Silva em Um exu em Nova York : a boca que tudo come, alimento do narrar

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Furtado, Heitor Osteti
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Estadual de Maringá
Departamento de Teorias Linguísticas e Literárias
Programa de Pós-Graduação em Letras
Maringá, PR
Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://repositorio.uem.br:8080/jspui/handle/1/9691
Resumo: Orientador: Profa. Dra. Marcele Aires Franceschini
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spelling A poética exúnica de Cidinha da Silva em Um exu em Nova York : a boca que tudo come, alimento do narrarLiteratura afro-brasileiraExu (Orixá)ColonialismoSilva, Cidinha da, 1967-. Um exu em Nova York801.95Linguística, Letras e ArtesLetrasOrientador: Profa. Dra. Marcele Aires FranceschiniDissertação (mestrado em Letras) - Universidade Estadual de Maringá, 2025Resumo: Esta dissertação, intitulada A Poética Exúnica de Cidinha da Silva em Um Exu em Nova York: A Boca que Tudo Come, Alimento do Narrar, investiga a presença e a função de Exu como princípio organizador e possibilitador da escrita literária na obra Um Exu em Nova York (2018), de Cidinha da Silva. A hipótese central é a existência de uma poética da exuzilhada, neologismo que movimenta o discurso e as experiências de corpos e mentalidades historicamente silenciados pelo projeto colonial da modernidade. O referencial teórico mobilizado inclui os estudos de Paul Gilroy (2001), Homi Bhabha (1998) e o pensamento feminista negro brasileiro de Lélia Gonzalez (2020), Sueli Carneiro (2023), Carla Akotirene (2019) e Leda Maria Martins (2003, 2021), fundamentando-se também em estudos sobre Exu e a pedagogia das encruzilhadas de Luiz Rufino (2019). A metodologia organiza-se a partir da contextualização histórica e crítica da divindade Exu e o reino das encruzilhadas, e sua eventual presença e devir nas exuzilhadas narrativas da obra. A partir daí, desenvolvem-se temáticas tais a natureza trickster, esculhambadora da entidade, bem como os aspectos de Exu Mulher a partir de autores como Roger Bastide (1961), Pierre Verger (2002), Luiz Rufino (2019) e Cláudia Alexandre (2023). Na trajetória analítica perpassam quase a totalidade dos 19 contos do livro, contudo são aprofundados três contos: "I have shoes for you", "O Mandachuva" e "Sá Rainha", nos quais a autora desmantela a visão unívoca e masculina de Exu ao apresentar a figura de Exu Mulher. A análise demonstra como, no primeiro conto, a partir do aforismo nagô: "Exu matou um pássaro ontem com a pedra que jogou hoje", o orixá fundamenta toda a escrita literária da obra. Com a personagem Maria Felipa, em "O Mandachuva", encarna a interseccionalidade ao desafiar a opressão colonial, revelando perspectivas de encantamento e resistência diante das opressões de gênero, raça e classe. Já em "Sá Rainha", a ancestralidade e a performance das oralituras, a partir do pensamento de Leda Maria Martins (2003, 2021), são evocados enquanto sistema de linguagem alternativa que comunica o encantamento da cultura negra por meio dos Reinados Negros. Em seu percurso, o presente trabalho considera que, ao evocar Exu na encruzilhada de Nova York, Cidinha da Silva rompe com a colonialidade e seus estereótipos, rivalizando o local de produção de conhecimento, propondo Exu enquanto personagem e escritura ao mesmo tempo. Exu, com sua fome de significação, engole as raízes do pensamento único e cospe rizomas, mobilizando uma narrativa rápida e perspicaz, desestabilizadora do desencantamento ocidental e que possibilita o encantamento das histórias da negritude em diáspora.Abstract: This dissertation, entitled The Eshunic Poetics of Cidinha da Silva in An Eshu in New York: The Mouth that Eats Everything, Food for Narration, investigates the presence and function of Eshu as an organizing principle and enabler of literary writing in the work Um Exu em Nova York (2018), by Cidinha da Silva. The central hypothesis is the existence of a poetics of Crosseshuroad, a neologism that drives the discourse and experiences of bodies and mentalities historically silenced by the colonial project of modernity. The theoretical framework mobilized includes the studies of Paul Gilroy (2001), Homi Bhabha (1998), and the Brazilian black feminist thought of Lélia Gonzalez (2020), Sueli Carneiro (2023), Carla Akotirene (2019), and Leda Maria Martins (2003, 2021), also based on studies on Eshu and the pedagogy of crossroads by Luiz Rufino (2019). The methodology is organized based on the historical and critical contextualization of the deity Eshu and the realm of crossroads, and his eventual presence and becoming in the crosseshuroads narratives of the literary work. From there, themes such as the trickster nature of the entity, as well as aspects of Female Eshu, based on authors such as Roger Bastide (1961), Pierre Verger (2002), Luiz Rufino (2019), and Cláudia Alexandre (2023). The analytical trajectory runs through almost all of the 19 stories in the book, but three stories are explored in greater depth: "I have shoes for you," "O Mandachuva," and "Sá Rainha," in which the author dismantles the univocal and masculine view of Eshu by introducing the figure of Female Eshu. The analysis demonstrates how, in the first story, based on the Nago aphorism: "Eshu killed a bird yesterday with the stone he threw today," the orisha underpins the entire literary writing of the literary work. With the character Maria Felipa, in "O Mandachuva," the author embodies intersectionality by challenging colonial oppression, revealing perspectives of enchantment and resistance in the face of gender, race, and class oppression. In "Sá Rainha," ancestry and the performance of oralituras, based on the thinking of Leda Maria Martins (2003, 2021), are evoked as an alternative language system that communicates the enchantment of black culture through the Reinados Negros. In its course, this research considers that, by evoking Eshu at the crossroads of New York, Cidinha da Silva breaks with coloniality and its stereotypes, rivalling the place of knowledge production, proposing Eshu as both a character and a script. Eshu, with his hunger for meaning, swallows the roots of single-minded thinking and spits out rhizomes, mobilizing a quick and insightful narrative that destabilizes Western disenchantment and enables the enchantment of stories of blackness in diaspora.150 f.Universidade Estadual de MaringáDepartamento de Teorias Linguísticas e LiteráriasPrograma de Pós-Graduação em LetrasMaringá, PRCentro de Ciências Humanas, Letras e ArtesFranceschini, Marcele AiresFeldman, Alba Krishna TopanCamargo, Hertz Wendel deFurtado, Heitor Osteti2026-04-13T21:47:34Z2026-04-13T21:47:34Z2025info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfFURTADO, Heitor Osteti. A poética exúnica de Cidinha da Silva em Um exu em Nova York: a boca que tudo come, alimento do narrar. 2025. 150 f. Dissertação (mestrado em Letras) - Universidade Estadual de Maringá, 2025, Maringá, PR.http://repositorio.uem.br:8080/jspui/handle/1/9691info:eu-repo/semantics/openAccessporreponame:Repositório Institucional da Universidade Estadual de Maringá (RI-UEM)instname:Universidade Estadual de Maringá (UEM)instacron:UEM2026-04-13T21:47:34Zoai:localhost:1/9691Repositório InstitucionalPUBhttp://repositorio.uem.br:8080/oai/requestrepositorio@uem.bropendoar:2026-04-13T21:47:34Repositório Institucional da Universidade Estadual de Maringá (RI-UEM) - Universidade Estadual de Maringá (UEM)false
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