Moralidades sobre o uso problemático de álcool em uma unidade da Estratégia Saúde da Família no Rio de Janeiro.

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2019
Autor(a) principal: Carvalho, Vitor Aguiar Lobato de
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Centro Biomédico::Instituto de Medicina Social
BR
UERJ
Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://www.bdtd.uerj.br/handle/1/3988
Resumo: Neste trabalho, analiso as práticas e os discursos de profissionais de saúde de uma unidade da Estratégia Saúde da Família (ESF) do município do Rio de Janeiro - RJ em relação ao uso de álcool. Realizei uma pesquisa etnográfica nessa unidade de saúde ao longo de cinco meses, de agosto a dezembro de 2018, que incluiu observação-participante na unidade, nas salas de reuniões, nas consultas e no território adscrito, além de entrevistas semiestruturadas com nove profissionais de saúde dessa unidade. O uso de álcool é um ato social muito difundido e aceito em diversos contextos. Pela sua variabilidade social, podemos nos referir no plural a usos de álcool. Determinados padrões desses usos são considerados como problema de saúde, caracterizando o diagnóstico de uso problemático de álcool. Este foi escolhido como recorte para compreender as moralidades que atravessam as práticas dos profissionais da unidade onde realizei esta pesquisa. O uso problemático de álcool contempla uma ampliação da classificação médica relacionada ao uso de álcool considerado desviante, que foi definido anteriormente, de forma mais restrita, como alcoolismo. Diversas publicações na área da saúde assinalam que, considerando as estimativas epidemiológicas, o uso problemático de álcool é pouco diagnosticado e, consequentemente, uma proporção significativa de pessoas que poderiam ser classificadas de acordo com esse diagnóstico não estão recebendo o tratamento que seria indicado. Nesta pesquisa, busquei problematizar a produção de conhecimento hegemônica no campo da saúde e estranhar práticas que eram familiares para mim. Os dados produzidos referem-se às especificidades da realidade do local onde realizei a pesquisa e foram contextualizados em relação às políticas de saúde do SUS e da Estratégia Saúde da Família, as publicações da Organização Mundial de Saúde (OMS) e no campo da Saúde Mental Global (SMG). Esses dados foram analisados a partir de dois eixos temáticos e suas subdivisões. O primeiro dele refere-se à interface do controle e do cuidado nos seguintes níveis: individual, familiar e comunitário. O segundo eixo temático contempla uma compreensão dessas moralidades a partir dos conceitos de desvio (BECKER, 2008), acusação (VELHO, 2003), estigma (GOFFMAN, 2002) e medicalização (CONRAD, 2007).
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O uso de álcool é um ato social muito difundido e aceito em diversos contextos. Pela sua variabilidade social, podemos nos referir no plural a usos de álcool. Determinados padrões desses usos são considerados como problema de saúde, caracterizando o diagnóstico de uso problemático de álcool. Este foi escolhido como recorte para compreender as moralidades que atravessam as práticas dos profissionais da unidade onde realizei esta pesquisa. O uso problemático de álcool contempla uma ampliação da classificação médica relacionada ao uso de álcool considerado desviante, que foi definido anteriormente, de forma mais restrita, como alcoolismo. Diversas publicações na área da saúde assinalam que, considerando as estimativas epidemiológicas, o uso problemático de álcool é pouco diagnosticado e, consequentemente, uma proporção significativa de pessoas que poderiam ser classificadas de acordo com esse diagnóstico não estão recebendo o tratamento que seria indicado. Nesta pesquisa, busquei problematizar a produção de conhecimento hegemônica no campo da saúde e estranhar práticas que eram familiares para mim. Os dados produzidos referem-se às especificidades da realidade do local onde realizei a pesquisa e foram contextualizados em relação às políticas de saúde do SUS e da Estratégia Saúde da Família, as publicações da Organização Mundial de Saúde (OMS) e no campo da Saúde Mental Global (SMG). Esses dados foram analisados a partir de dois eixos temáticos e suas subdivisões. O primeiro dele refere-se à interface do controle e do cuidado nos seguintes níveis: individual, familiar e comunitário. O segundo eixo temático contempla uma compreensão dessas moralidades a partir dos conceitos de desvio (BECKER, 2008), acusação (VELHO, 2003), estigma (GOFFMAN, 2002) e medicalização (CONRAD, 2007).In this work, I analyze the practices and speeches of health professionals from a unit of the Family Health Strategy of the municipality of Rio de Janeiro - RJ in relation to alcohol use. I carried out an ethnographic research in this health unit over a period of five months, from August to December 2018, which included participant observation in the unit, in the meeting rooms, in the consultations and in the assigned territory, as well as semi-structured interviews with nine health professionals of this unit. The use of alcohol is a very widespread and accepted social act in many contexts. By its social variability, we can refer in the plural to uses of alcohol. Certain patterns of these uses are considered as a health problem, characterizing the diagnosis of problematic alcohol use. This was chosen as a category to understand the moralities that cross the practices of the professionals of the unit where I carried out this research. The problematic alcohol use contemplates an amplification of the medical classification related to the use of alcohol considered deviant, which was previously defined, more restrictively, as alcoholism. Several publications in the health area indicate that, considering epidemiological estimates, the problematic alcohol use is poorly diagnosed and, consequently, a significant proportion of people that could be classified according to this diagnosis is not receiving the treatment that would be indicated. In this research, I tried to problematize the production of hegemonic knowledge in the field of health and to describe, from another perspective, practices that were familiar to me. The data produced refer to the specificity of the reality of the place where the research was carried out and were contextualized in relation to the Brazilian National Health System (SUS) and Family Health Strategy (FHS) policies, World Health Organization (WHO) publications and in the field of Global Mental Health (GMH). These data were analyzed on two thematic axes and their subdivisions. The first one refers to the interface of control and care at the following levels: individual, family and community. The second thematic axis contemplates an understanding of these moralities from the concepts of deviance (BECKER, 2008), accusation (VELHO, 2003), stigma (GOFFMAN, 2002) and medicalization (CONRAD, 2007).Universidade do Estado do Rio de JaneiroCentro Biomédico::Instituto de Medicina SocialBRUERJPrograma de Pós-Graduação em Saúde ColetivaGuerrero, Francisco Javier Ortegahttp://lattes.cnpq.br/0354606807105450Fortes, Sandra Lucia Correia Limahttp://lattes.cnpq.br/8632178826165568Nogueira, Carolina Oliveirahttp://lattes.cnpq.br/1111111111111111Silva, Martinho Braga Batista ehttp://lattes.cnpq.br/6530523453818209Azize, Rogério Lopeshttp://lattes.cnpq.br/6265564915369838Carvalho, Vitor Aguiar Lobato de2020-07-05T16:01:27Z2019-11-262019-04-29info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfCARVALHO, Vitor Aguiar Lobato de. Moralidades sobre o uso problemático de álcool em uma unidade da Estratégia Saúde da Família no Rio de Janeiro.. 2019. 119 f. Dissertação (Mestrado em Ciências Humanas e Saúde; Epidemiologia; Política, Planejamento e Administração em Saúde; Administra) - Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2019.http://www.bdtd.uerj.br/handle/1/3988porinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UERJinstname:Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)instacron:UERJ2024-02-26T23:29:34Zoai:www.bdtd.uerj.br:1/3988Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.bdtd.uerj.br/PUBhttps://www.bdtd.uerj.br:8443/oai/requestbdtd.suporte@uerj.bropendoar:29032024-02-26T23:29:34Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UERJ - Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)false
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