A nova era dos quadrinhos: deslocamentos e hibridez nos novos heróis da Marvel Comics

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2022
Autor(a) principal: Melo, Gabriel Braga Ferreira de
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Centro de Educação e Humanidades::Instituto de Letras
Brasil
UERJ
Programa de Pós-Graduação em Letras
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://www.bdtd.uerj.br/handle/1/18240
Resumo: Nunca foi tão necessário, como o é a cada novo dia, saber conviver com a diferença. Este é o maior desafio do cotidiano. Um desafio que se apresenta para aquele que precisa conviver com a differença, mas também para aquele que, sendo classificado como diferente, precisa lidar com o fato de que é apenas mais um no meio de incontáveis grupos taxados como diferentes. Se, por um lado, tal situação é um desafio grande para todos os envolvidos, por outro lado, a experiência é capaz de abrir nossas mentes e nos conscientizar das variadas tradições culturais que compõem a sociedade que habitamos. O efeito esperado – mas nem sempre alcançado – seria o fim da ideia de um melting pot que acabaria com as diferenças e uma maior aceitação do multiculturalismo existente na nossa sociedade. Como consequência natural da maior visibilidade alcançada por essas identidades em posições minoritárias de poder e influência, a demanda por um espaço nas mais diversas literaturas começa a se tornar impossível de ignorar. Mais rápido do que outras mídias – porém, mais lento do que deveriam – as revistas em quadrinhos de super-heróis nos Estados Unidos responderam a esse clamor e vêm se transformando em um retrato cada vez mais perto da realidade da sociedade na qual estão inseridas. Mais importante ainda, esta mudança nos quadrinhos vem acompanhada da ruptura com uma tradição de imposição de uma classe hegemônica, uma vez que observamos aumentar significativamente o número de personagens identificados com alguma minoria, bem como o número de autores pertencentes a tais minorias trabalhando na produção criativa das revistas. Com esse cenário em mente, este trabalho visa analisar como é aberto o espaço para identidades ex-cêntricas mostrarem sua voz e terem a oportunidade de serem ouvidas e, principalmente, como a temática do Outro é trabalhada em tais histórias. Quem é esse Outro? Por que ele está aqui? Como lidar com ele? Ele é realmente tão diferente assim? E isso importa? Para alcançar tais objetivos, a análise utiliza os suportes teóricos de autores como Eco (2001 [1964]) e Bauman (2013 [2011]) na discussão do papel dos quadrinhos como um veículo de cultura. Também se alicerça nas ideias de Hall (2005, 2009 [2003]), Toro (2010) e García Canclini (2008) para analisar como tais personagens se adequam a uma sociedade cada vez mais mutante e, por fim, com apoio de Landowski (2002), analisar qual tipo de Outro está representando a nação e qual tática adota no seu relacionamento com as alteridades de si mesmo. Verifica-se, assim, que o multiculturalismo é abraçado por meio de um destaque de novas identidades heroicas surgidas pós-2011 e outras provenientes da fragmentação do herói nacionalista, todas essas em maior consonância com os tempos atuais e que contemplam a diversidade cultural dos Estados Unidos.
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Se, por um lado, tal situação é um desafio grande para todos os envolvidos, por outro lado, a experiência é capaz de abrir nossas mentes e nos conscientizar das variadas tradições culturais que compõem a sociedade que habitamos. O efeito esperado – mas nem sempre alcançado – seria o fim da ideia de um melting pot que acabaria com as diferenças e uma maior aceitação do multiculturalismo existente na nossa sociedade. Como consequência natural da maior visibilidade alcançada por essas identidades em posições minoritárias de poder e influência, a demanda por um espaço nas mais diversas literaturas começa a se tornar impossível de ignorar. Mais rápido do que outras mídias – porém, mais lento do que deveriam – as revistas em quadrinhos de super-heróis nos Estados Unidos responderam a esse clamor e vêm se transformando em um retrato cada vez mais perto da realidade da sociedade na qual estão inseridas. Mais importante ainda, esta mudança nos quadrinhos vem acompanhada da ruptura com uma tradição de imposição de uma classe hegemônica, uma vez que observamos aumentar significativamente o número de personagens identificados com alguma minoria, bem como o número de autores pertencentes a tais minorias trabalhando na produção criativa das revistas. Com esse cenário em mente, este trabalho visa analisar como é aberto o espaço para identidades ex-cêntricas mostrarem sua voz e terem a oportunidade de serem ouvidas e, principalmente, como a temática do Outro é trabalhada em tais histórias. Quem é esse Outro? Por que ele está aqui? Como lidar com ele? Ele é realmente tão diferente assim? E isso importa? Para alcançar tais objetivos, a análise utiliza os suportes teóricos de autores como Eco (2001 [1964]) e Bauman (2013 [2011]) na discussão do papel dos quadrinhos como um veículo de cultura. Também se alicerça nas ideias de Hall (2005, 2009 [2003]), Toro (2010) e García Canclini (2008) para analisar como tais personagens se adequam a uma sociedade cada vez mais mutante e, por fim, com apoio de Landowski (2002), analisar qual tipo de Outro está representando a nação e qual tática adota no seu relacionamento com as alteridades de si mesmo. Verifica-se, assim, que o multiculturalismo é abraçado por meio de um destaque de novas identidades heroicas surgidas pós-2011 e outras provenientes da fragmentação do herói nacionalista, todas essas em maior consonância com os tempos atuais e que contemplam a diversidade cultural dos Estados Unidos.Knowing how to live with the difference has become more necessary than ever every single day. This is the biggest challenge of everyday life. A challenge that presents itself to the ones who need to live with the difference, but also to those who, deemed as different, must deal with the fact that he or she is just one among countless groups of people labeled as different. If, on the one hand, such situation is a big challenge for everyone involved, on the other hand, the experience can open up our minds and make us aware of the several cultural traditions that make up the society we live in. The expected effect – though not always achieved – would cease the idea of a melting pot that would end the differences and a greater acceptance of the multiculturalism in our society. As a natural consequence of this, the demand for space in the various literatures become impossible to ignore. Faster than other media – slower than they should be, though – superhero comic books answered this clamor and have been making themselves a more and more realistic portrait to the reality of the society in which they are inserted. More importantly, this change in comics is followed by a rupture with the tradition of imposing a hegemonic class, as we see an expressive increase in the number of characters identified with some minority, as well as the number of authors belonging to such groups working in the creative sector of production of comics. Bearing this scenario in mind, this work aims to examine how a space is opened for “ex-centric” identities to show their voices, to have the opportunity to be heard and, especially, how the theme of the Other is worked on in such stories. Who is this Other? Why are they here? How to deal with them? Are they really that different? And does it matter? To achieve these goals, this analysis uses the theoretical support of authors like Eco (2011 [1964]) and Bauman (2013 [2011]) in the discussion of the role of the comics as a vehicle of culture. This work is also endorsed by Hall (2005, 2009 [2003]), Toro (2010) and García Canclini (2008) for the issues on how these comics characters adapt to a society in constant change. Finally, the study is also based on the ideas of Landowski (2002) to analyze which type of Other is representing the nation and which tactics this Other adopts in their relationship with the alterities of themselves. It is possible to notice, thus far, that multiculturalism is embraced through a highlight of new heroic identities that emerged after 2011 and others created by the fragmentation of the nationalist hero, all of them more aligned with the current times and that look on the cultural diversity of the United States.Universidade do Estado do Rio de JaneiroCentro de Educação e Humanidades::Instituto de LetrasBrasilUERJPrograma de Pós-Graduação em LetrasBatalha, Maria Cristinahttp://lattes.cnpq.br/5052083746041344Amorim, Claudia Maria de Souzahttp://lattes.cnpq.br/9132179645460003Ribas, Maria Cristina Cardosohttp://lattes.cnpq.br/5649309114787011Martoni, Alex Sandrohttp://lattes.cnpq.br/2491157440885383Silva, Heitor da Luzhttp://lattes.cnpq.br/2869591157834932Melo, Gabriel Braga Ferreira de2022-08-19T13:46:08Z2022-07-06info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfMELO, Gabriel Braga Ferreira de. A nova era dos quadrinhos: deslocamentos e hibridez nos novos heróis da Marvel Comics. 2022. 135 f. Tese (Doutorado em Letras) – Instituto de Letras, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2022.http://www.bdtd.uerj.br/handle/1/18240porinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UERJinstname:Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)instacron:UERJ2024-02-27T19:15:39Zoai:www.bdtd.uerj.br:1/18240Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.bdtd.uerj.br/PUBhttps://www.bdtd.uerj.br:8443/oai/requestbdtd.suporte@uerj.bropendoar:29032024-02-27T19:15:39Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UERJ - Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)false
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