AVALIAÇÃO DOS DERRAMAMENTOS NA COSTA NORDESTE DO BRASIL EM 2019 E 2022 ATRAVÉS DO ESTUDO COMPOSICIONAL DE HIDROCARBONETOS EM BORRAS DE ÓLEO E MATRIZES AMBIENTAIS
| Ano de defesa: | 2025 |
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Resumo: | Em agosto de 2019, ocorreu no Brasil um grande desastre ambiental causado por um derramamento de óleo que atingiu praias do Nordeste. Três anos depois, grandes quantidades de tarballs surgiram, levantando questionamentos sobre sua possível relação com o derramamento de 2019 e sobre o impacto destes eventos, que vêm sendo cada vez mais constantes. Sendo assim, a composição química dos óleos derramados nos eventos ocorridos na costa Nordeste do Brasil em 2019 e 2022.2 foi investigada. A técnica analítica de GC-MS foi utilizada para determinação dos hidrocarbonetos em borras de óleos dos dois eventos e sedimentos e águas marinhas de regiões impactadas pelo derramamento de 2019. Metodologias de preparo de amostras envolveram extração com solvente, assistida ou não por ultrassom, e SPME. Visou-se melhor compreensão das origens dos óleos e processos pós-derramamento, bem como seus impactos em ecossistemas costeiros. Os óleos dos dois eventos apresentam origens distintas, conforme indicado por suas impressões digitais, composição de alcanos lineares, HPAs e biomarcadores específicos, como o terpano tricíclico Tr23 e o oleanano. Apesar das diferenças, as rochas geradoras compartilham semelhanças nos paleoambientes e condições deposicionais, e ambos os óleos sofreram pouco intemperismo, sendo este principalmente atribuído à evaporação e dissolução. Os resultados para o óleo derramado em 2019 reforçam que se trata de um produto misto, enriquecido tanto em n-alcanos leves quanto em 25-norhopanos. Em contraste, as amostras de óleo do derramamento de 2022.2 mostram características de petróleo cru não processado, proveniente de um depósito parafínico em tanques de armazenamento. Sedimentos superficiais de Pernambuco afetados pelo derramamento de 2019 foram coletados 6 meses, 1 ano e 1,5 ano após o evento e apresentaram impacto de hidrocarbonetos petrogênicos com variações temporais e conforme o tipo de ecossistema (mangues ou praias com formações recifais próximas) bem como tendências de degradação e/ou espalhamento dos compostos com o tempo. As águas marinhas coletadas nestas mesmas localidades 1 ano e 1,5 ano após o derramamento de 2019 possivelmente sofreram contaminação crônica por HPAs pirogênicos e derramamento não causou entrada significativa de HPAs petrogênicos, contudo, a avaliação do impacto eventos específicos nestas matrizes é dificultada devido à hidrodinâmica local. A composição molecular e as razões diagnósticas obtidas para amostras de óleo dos eventos de derramamento e de ecossistemas afetados são essenciais para estabelecer linhas de base para o monitoramento contínuo de derramamentos de óleo em ecossistemas marinhos |
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AVALIAÇÃO DOS DERRAMAMENTOS NA COSTA NORDESTE DO BRASIL EM 2019 E 2022 ATRAVÉS DO ESTUDO COMPOSICIONAL DE HIDROCARBONETOS EM BORRAS DE ÓLEO E MATRIZES AMBIENTAISDerramamento de óleoBiomarcadores de petróleoAmbientes costeiros marinhosAmostras ambientaisValidação analíticaGeoquímica orgânica.BiomarcadoresAmbiente costeiroDesastre ecológicoOil spillPetroleum biomarkersAnalytical validationEnvironmental samplesMarine coastal environmentsEm agosto de 2019, ocorreu no Brasil um grande desastre ambiental causado por um derramamento de óleo que atingiu praias do Nordeste. Três anos depois, grandes quantidades de tarballs surgiram, levantando questionamentos sobre sua possível relação com o derramamento de 2019 e sobre o impacto destes eventos, que vêm sendo cada vez mais constantes. Sendo assim, a composição química dos óleos derramados nos eventos ocorridos na costa Nordeste do Brasil em 2019 e 2022.2 foi investigada. A técnica analítica de GC-MS foi utilizada para determinação dos hidrocarbonetos em borras de óleos dos dois eventos e sedimentos e águas marinhas de regiões impactadas pelo derramamento de 2019. Metodologias de preparo de amostras envolveram extração com solvente, assistida ou não por ultrassom, e SPME. Visou-se melhor compreensão das origens dos óleos e processos pós-derramamento, bem como seus impactos em ecossistemas costeiros. Os óleos dos dois eventos apresentam origens distintas, conforme indicado por suas impressões digitais, composição de alcanos lineares, HPAs e biomarcadores específicos, como o terpano tricíclico Tr23 e o oleanano. Apesar das diferenças, as rochas geradoras compartilham semelhanças nos paleoambientes e condições deposicionais, e ambos os óleos sofreram pouco intemperismo, sendo este principalmente atribuído à evaporação e dissolução. Os resultados para o óleo derramado em 2019 reforçam que se trata de um produto misto, enriquecido tanto em n-alcanos leves quanto em 25-norhopanos. Em contraste, as amostras de óleo do derramamento de 2022.2 mostram características de petróleo cru não processado, proveniente de um depósito parafínico em tanques de armazenamento. Sedimentos superficiais de Pernambuco afetados pelo derramamento de 2019 foram coletados 6 meses, 1 ano e 1,5 ano após o evento e apresentaram impacto de hidrocarbonetos petrogênicos com variações temporais e conforme o tipo de ecossistema (mangues ou praias com formações recifais próximas) bem como tendências de degradação e/ou espalhamento dos compostos com o tempo. As águas marinhas coletadas nestas mesmas localidades 1 ano e 1,5 ano após o derramamento de 2019 possivelmente sofreram contaminação crônica por HPAs pirogênicos e derramamento não causou entrada significativa de HPAs petrogênicos, contudo, a avaliação do impacto eventos específicos nestas matrizes é dificultada devido à hidrodinâmica local. A composição molecular e as razões diagnósticas obtidas para amostras de óleo dos eventos de derramamento e de ecossistemas afetados são essenciais para estabelecer linhas de base para o monitoramento contínuo de derramamentos de óleo em ecossistemas marinhosIn August 2019, Brazil faced a major environmental disaster due to an oil spill that affected beaches in the Northeast. Three years later, large amounts of tarballs appeared, raising questions about their possible connection to the 2019 spill and the impact of these increasingly frequent events. Therefore, the chemical composition of oils spilt during the events that occurred on the northeastern coast of Brazil in 2019 and 2022.2 was investigated. The GC-MS analytical technique was used to determine the hydrocarbons in oil slicks from both events, as well as in marine sediments and seawater from regions impacted by the 2019 spill. Sample preparation methodologies involved solvent extraction, ultrasonic assisted extraction and SPME. The aim was to better understand the origins of the oils and post-spill processes, as well as their impacts on coastal ecosystems. The oils from the two events have distinct origins, as indicated by their fingerprints, the composition of linear alkanes, PAHs, and specific biomarkers, such as the tricyclic terpane Tr23 and oleanane. Despite the differences, the source rocks share similarities in paleoenvironmental and depositional conditions, and both oils underwent little weathering, mainly attributed to evaporation and dissolution. Results for the 2019 spill reinforce that it is a mixed product, enriched in both light n-alkanes and 25-norhopanes. In contrast, the tarballs from the 2022 spill show characteristics of unprocessed crude oil, originated from a paraffinic deposit in storage tanks. Surface sediments from Pernambuco affected by the 2019 spill were collected 6 months, 1 year, and 1.5 years after the event and showed an impact of petrogenic hydrocarbons with temporal variations and dependance on the type of ecosystem (mangroves or beaches with nearby reef formations), as well as trends of degradation and/or spreading of compounds over time. Seawater collected from these same locations 1 year and 1.5 years after the 2019 spill possibly suffered chronic contamination by pyrogenic PAHs, and the spill did not cause a significant input of petrogenic compounds. However, assessing the impact of specific events on these matrices is challenging due to local hydrodynamics. The molecular composition and diagnostic ratios obtained for oil samples from the spill events and affected ecosystems are essential to establish baselines for continuous monitoring of oil spills in marine ecosystems.222 f.Bernardes, Marcelo CorrêaLeal, Katia ZaccurMarques, Flávia Ferreira de CarvalhoRamos, Rut Amélia DíazFarias, Cassia de OliveiraMartins, Laercio LopesCorrêa, Antônia Machado2025-09-26T21:35:42Z2025-09-26T21:35:42Zinfo:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfCORRÊA, Antônia Machado. Avaliação dos derramamentos na costa Nordeste do Brasil em 2019 e 2022 através do estudo composicional de hidrocarbonetos em borras de óleo e matrizes ambientais. 2024. 222 f. Tese (Doutorado em Química) - Instituto de Química, Universidade Federal Fluminense, Niterói, 2024.https://app.uff.br/riuff/handle/1/40247ark:/87559/001300001cmtwCC-BY-SAinfo:eu-repo/semantics/openAccessporreponame:Repositório Institucional da Universidade Federal Fluminense (RIUFF)instname:Universidade Federal Fluminense (UFF)instacron:UFF2025-09-26T21:35:43Zoai:app.uff.br:1/40247Repositório InstitucionalPUBhttps://app.uff.br/oai/requestriuff@id.uff.bropendoar:21202025-09-26T21:35:43Repositório Institucional da Universidade Federal Fluminense (RIUFF) - Universidade Federal Fluminense (UFF)false |
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Em agosto de 2019, ocorreu no Brasil um grande desastre ambiental causado por um derramamento de óleo que atingiu praias do Nordeste. Três anos depois, grandes quantidades de tarballs surgiram, levantando questionamentos sobre sua possível relação com o derramamento de 2019 e sobre o impacto destes eventos, que vêm sendo cada vez mais constantes. Sendo assim, a composição química dos óleos derramados nos eventos ocorridos na costa Nordeste do Brasil em 2019 e 2022.2 foi investigada. A técnica analítica de GC-MS foi utilizada para determinação dos hidrocarbonetos em borras de óleos dos dois eventos e sedimentos e águas marinhas de regiões impactadas pelo derramamento de 2019. Metodologias de preparo de amostras envolveram extração com solvente, assistida ou não por ultrassom, e SPME. Visou-se melhor compreensão das origens dos óleos e processos pós-derramamento, bem como seus impactos em ecossistemas costeiros. Os óleos dos dois eventos apresentam origens distintas, conforme indicado por suas impressões digitais, composição de alcanos lineares, HPAs e biomarcadores específicos, como o terpano tricíclico Tr23 e o oleanano. Apesar das diferenças, as rochas geradoras compartilham semelhanças nos paleoambientes e condições deposicionais, e ambos os óleos sofreram pouco intemperismo, sendo este principalmente atribuído à evaporação e dissolução. Os resultados para o óleo derramado em 2019 reforçam que se trata de um produto misto, enriquecido tanto em n-alcanos leves quanto em 25-norhopanos. Em contraste, as amostras de óleo do derramamento de 2022.2 mostram características de petróleo cru não processado, proveniente de um depósito parafínico em tanques de armazenamento. Sedimentos superficiais de Pernambuco afetados pelo derramamento de 2019 foram coletados 6 meses, 1 ano e 1,5 ano após o evento e apresentaram impacto de hidrocarbonetos petrogênicos com variações temporais e conforme o tipo de ecossistema (mangues ou praias com formações recifais próximas) bem como tendências de degradação e/ou espalhamento dos compostos com o tempo. As águas marinhas coletadas nestas mesmas localidades 1 ano e 1,5 ano após o derramamento de 2019 possivelmente sofreram contaminação crônica por HPAs pirogênicos e derramamento não causou entrada significativa de HPAs petrogênicos, contudo, a avaliação do impacto eventos específicos nestas matrizes é dificultada devido à hidrodinâmica local. A composição molecular e as razões diagnósticas obtidas para amostras de óleo dos eventos de derramamento e de ecossistemas afetados são essenciais para estabelecer linhas de base para o monitoramento contínuo de derramamentos de óleo em ecossistemas marinhos |
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