Fronteiras sobrepostas: as categorias de trabalho guarani na conquista e colonização da América Meridional (1541-1641)

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2024
Autor(a) principal: Castelo Branco, Bruno Oliveira
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
dARK ID: ark:/87559/00130000184xw
Idioma: por
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://app.uff.br/riuff/handle/1/35784
Resumo: Esta pesquisa tem como objetivo analisar categorias sociais e formas de trabalho relacionadas e atribuídas aos indígenas do grupo étnico guarani. Os guaranis – exímios horticultores e guerreiros – assim como outros grupos nativos caçadores-coletores, habitavam a região fronteiriça da bacia do Rio da Prata onde, entre 1541 e 1641, foi sistematizada a colonização ibérica. Devido à sua qualidade de fronteira imposta pela colonização, a imprecisa região platina articulava-se desde as proximidades de Potosí, no interior do continente sulamericano, passando pelo Paraguai, até atingir a costa sul da América portuguesa, nas cercanias de São Vicente. O intervalo de um século para a análise pretendida se justifica por abranger o complexo processo histórico de organização do trabalho indígena pelos colonizadores ibéricos, considerando como marco a fundação da cidade de Assunção, urbe de importância capital para a interiorização colonial. Neste contexto, os guaranis optam por estabelecer alianças de reciprocidade com os espanhóis, através da oferta de mulheres nativas, prática central em sua sociedade, com a finalidade de combater seus inimigos originais. Não obstante, esta situação inicial é substituída pelo sistema das encomiendas, que permitia legalmente aos europeus a exploração da força de trabalho nativo, fornecendo insumos para criação de situações análogas à escravidão. Consequentemente, na segunda metade do século XVI, os guaranis organizam uma sequência de rebeliões para se contrapor aos abusos constantes dos encomenderos. Com o fracasso das autoridades em pôr em prática a regulamentação efetiva do trabalho nativo, a primeira década do século XVII foi marcada pela aproximação dos cacicados guaranis com os padres jesuítas, dando origem às reduções ou missões guarani-jesuíticas do Paraguai, às quais, nas décadas posteriores seriam atacadas pelos paulistas, ávidos por adquirir potenciais escravos indígenas. Em todas as ocasiões, os guaranis agiram, individual ou coletivamente, em busca de seus direitos, que eram garantidos pela política indigenista colonial. Este processo foi marcado, do ponto de vista jurídico e da história do direito na época Moderna, por uma variada produção normativa. Entretanto, considera-se a hipótese de que esta produção normativa, longe de ser automática e estritamente europeia, esteve condicionada e informada pelos interesses e iniciativas indígenas, ganhando características específicas na província do Paraguai. Nessa direção, a tese busca compreender os distintos graus de atuação, estratégias e agências de homens e mulheres indígenas, os quais, na condição de vassalos cristãos da coroa hispânica, eram obrigados a prestação de trabalho compulsório.
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O intervalo de um século para a análise pretendida se justifica por abranger o complexo processo histórico de organização do trabalho indígena pelos colonizadores ibéricos, considerando como marco a fundação da cidade de Assunção, urbe de importância capital para a interiorização colonial. Neste contexto, os guaranis optam por estabelecer alianças de reciprocidade com os espanhóis, através da oferta de mulheres nativas, prática central em sua sociedade, com a finalidade de combater seus inimigos originais. Não obstante, esta situação inicial é substituída pelo sistema das encomiendas, que permitia legalmente aos europeus a exploração da força de trabalho nativo, fornecendo insumos para criação de situações análogas à escravidão. Consequentemente, na segunda metade do século XVI, os guaranis organizam uma sequência de rebeliões para se contrapor aos abusos constantes dos encomenderos. Com o fracasso das autoridades em pôr em prática a regulamentação efetiva do trabalho nativo, a primeira década do século XVII foi marcada pela aproximação dos cacicados guaranis com os padres jesuítas, dando origem às reduções ou missões guarani-jesuíticas do Paraguai, às quais, nas décadas posteriores seriam atacadas pelos paulistas, ávidos por adquirir potenciais escravos indígenas. Em todas as ocasiões, os guaranis agiram, individual ou coletivamente, em busca de seus direitos, que eram garantidos pela política indigenista colonial. Este processo foi marcado, do ponto de vista jurídico e da história do direito na época Moderna, por uma variada produção normativa. Entretanto, considera-se a hipótese de que esta produção normativa, longe de ser automática e estritamente europeia, esteve condicionada e informada pelos interesses e iniciativas indígenas, ganhando características específicas na província do Paraguai. Nessa direção, a tese busca compreender os distintos graus de atuação, estratégias e agências de homens e mulheres indígenas, os quais, na condição de vassalos cristãos da coroa hispânica, eram obrigados a prestação de trabalho compulsório.Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior.This research aims to analyze social categories and forms of work related to and attributed to indigenous people from the Guarani ethnic group. The Guaranis – expert horticulturists and warriors – as well as other hunter-gatherer native groups, inhabited the border region of the Río de la Plata basin where, between 1541 and 1641, Iberian colonization was systematized. Due to its status as a borderland imposed by colonization, the imprecise platinum region was articulated from the vicinity of Potosí, in the interior of the South American continent, passing through Paraguay, until reaching the south coast of Portuguese America, next to São Vicente. The interval of one century for the intended analysis is justified by the fact that it encompasses the complex historical process of organization of indigenous labor by the Iberian colonizers, considering the founding of the city of Asunción, a city of capital importance for colonial interiorization. In this context, the Guaranis chose to establish reciprocal alliances with the Spaniards, through the offer of native women, a central practice in their society, to combat their original enemies. However, this initial situation was replaced by the encomienda system, which legally allowed Europeans to exploit the native workforce, providing inputs for the creation of situations analogous to slavery. Consequently, in the second half of the 16th century, the Guaranis organized a sequence of rebellions to oppose the constant abuses of the encomenderos. Given the failure of the authorities to put into practice the effective regulation of native work, the first decade of the 17th century was marked by the rapprochement of the Guarani chiefs with the Jesuit priests, giving rise to the Guarani-Jesuit reductions or missions in Paraguay, which, in later decades, would be attacked by the Paulistas, eager to acquire potential indigenous slaves. On all occasions, the Guaranis acted, individually or collectively, in search of their rights, which were guaranteed by the colonial indigenous policy. From the legal point of view and the history of law in the Modern era, this process was marked by a varied normative production. However, the hypothesis is considered that this normative production, far from being automatic and strictly European, was conditioned and informed by indigenous interests and initiatives, gaining specific characteristics in the province of Paraguay. In this direction, the thesis seeks to understand the different degrees of action, strategies, and agencies of indigenous men and women, who, as Christian vassals of the Hispanic crown, were obliged to perform compulsory labor.336 f.Garcia, Elisa FrühaufVilardaga, José CarlosNeumann, Eduardo SantosWanderley , Marcelo da RochaJulio, Suelen SiqueiraCastelo Branco, Bruno Oliveira2024-12-13T15:55:27Z2024-12-13T15:55:27Zinfo:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfCASTELO BRANCO, Bruno Oliveira. Fronteiras sobrepostas: as categorias de trabalho guarani na conquista e colonização da América Meridional (1541-1641). 2022. 336 f. Tese (Doutorado em História) - Programa de Pós-graduação em História, Instituto de História, Universidade Federal Fluminense, Niterói, 2022.https://app.uff.br/riuff/handle/1/35784ark:/87559/00130000184xwCC-BY-SAinfo:eu-repo/semantics/openAccessporreponame:Repositório Institucional da Universidade Federal Fluminense (RIUFF)instname:Universidade Federal Fluminense (UFF)instacron:UFF2024-12-18T15:34:45Zoai:app.uff.br:1/35784Repositório InstitucionalPUBhttps://app.uff.br/oai/requestriuff@id.uff.bropendoar:21202024-12-18T15:34:45Repositório Institucional da Universidade Federal Fluminense (RIUFF) - Universidade Federal Fluminense (UFF)false
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