Melanin shield: a influência da melanina na virulência de Fonsecaea pedrosoi em interação com Acanthamoeba castellanii

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2026
Autor(a) principal: Silva, Lucas Martins Alcântara da
Orientador(a): Guimarães, Allan Jefferson lattes
Banca de defesa: Almeida, Marcos de Abreu lattes, Penna, Bruno de Araújo lattes, Mendoza, Susana Ruiz lattes, Silva, Fernando Almeida da lattes
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Link de acesso: https://app.uff.br/riuff/handle/1/44307
Resumo: A melanina é um biopolímero multifuncional que desempenha um papel determinante na proteção e patogenicidade de fungos demáceos. Este estudo investigou a interação ecológica entre Fonsecaea pedrosoi, principal agente da cromoblastomicose, e a ameba de vida livre Acanthamoeba castellanii, testando a hipótese do hospedeiro ambiental como um "campo de treinamento" para a virulência fúngica. Inicialmente, a cinética de interação foi mapeada através de modelagem matemática tridimensional, definindo as proporções de 2:1 e 5:1 como pontos ótimos de infecção para os ensaios subsequentes. A aplicação de pinças ópticas revelou que a inibição da síntese de DHN-melanina pelo triciclazol reduz drasticamente o tempo característico de adesão para 4,7 ± 0,26s, em comparação aos 8,5 ± 0,31s observados nos controles melanizados, evidenciando que o pigmento retarda o reconhecimento inicial pelo predador. Aprofundando a caracterização da parede celular, os dados refutaram a hipótese de um mascaramento passivo simples; a inibição da melanogênese resultou em uma diminuição dos níveis totais de quitina e comprometeu a acessibilidade tanto de quitoligômeros (WGA-Fc) quanto de β-1,3-glucanas (Dectina-1-Fc). Estes achados sugerem que a melanina exerce um papel organizacional crítico na disposição espacial dos polímeros estruturais. Paralelamente, demonstrou-se a capacidade intrínseca de A. castellanii em degradar diferentes quimiotipos de melanina. Análises de Espalhamento de Luz Dinâmica (do inglês, Dynamic light scattering - DLS) e potencial Zeta confirmaram a redução do tamanho das partículas e alterações na estabilidade coloidal após o tratamento com frações amebianas. A análise proteômica identificou a presença da enzima homogentisato 1,2-dioxigenase (HmgA), sugerindo que a ameba ativa vias metabólicas específicas para o catabolismo de precursores aromáticos, possivelmente como estratégia de detoxificação ou regulação da melanogênese fúngica. Por fim, ensaios in vivo no modelo Galleria mellonella revelaram que a passagem prévia por A. castellanii aumenta significativamente a virulência de F. pedrosoi. De forma paradoxal, o grupo com síntese de melanina inibida que interagiu previamente com a ameba apresentou a maior letalidade entre todos os grupos experimentais. Este resultado indica que a pressão seletiva do predador induz respostas adaptativas ou seleção de fenótipos hipervirulentos que compensam a ausência do escudo melânico. Em conjunto, os dados reforçam a teoria da "escola ambiental" para a origem da virulência e posicionam o remodelamento da parede celular como um alvo central para o entendimento da patogênese fúngica.
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Inicialmente, a cinética de interação foi mapeada através de modelagem matemática tridimensional, definindo as proporções de 2:1 e 5:1 como pontos ótimos de infecção para os ensaios subsequentes. A aplicação de pinças ópticas revelou que a inibição da síntese de DHN-melanina pelo triciclazol reduz drasticamente o tempo característico de adesão para 4,7 ± 0,26s, em comparação aos 8,5 ± 0,31s observados nos controles melanizados, evidenciando que o pigmento retarda o reconhecimento inicial pelo predador. Aprofundando a caracterização da parede celular, os dados refutaram a hipótese de um mascaramento passivo simples; a inibição da melanogênese resultou em uma diminuição dos níveis totais de quitina e comprometeu a acessibilidade tanto de quitoligômeros (WGA-Fc) quanto de β-1,3-glucanas (Dectina-1-Fc). Estes achados sugerem que a melanina exerce um papel organizacional crítico na disposição espacial dos polímeros estruturais. Paralelamente, demonstrou-se a capacidade intrínseca de A. castellanii em degradar diferentes quimiotipos de melanina. Análises de Espalhamento de Luz Dinâmica (do inglês, Dynamic light scattering - DLS) e potencial Zeta confirmaram a redução do tamanho das partículas e alterações na estabilidade coloidal após o tratamento com frações amebianas. A análise proteômica identificou a presença da enzima homogentisato 1,2-dioxigenase (HmgA), sugerindo que a ameba ativa vias metabólicas específicas para o catabolismo de precursores aromáticos, possivelmente como estratégia de detoxificação ou regulação da melanogênese fúngica. Por fim, ensaios in vivo no modelo Galleria mellonella revelaram que a passagem prévia por A. castellanii aumenta significativamente a virulência de F. pedrosoi. De forma paradoxal, o grupo com síntese de melanina inibida que interagiu previamente com a ameba apresentou a maior letalidade entre todos os grupos experimentais. Este resultado indica que a pressão seletiva do predador induz respostas adaptativas ou seleção de fenótipos hipervirulentos que compensam a ausência do escudo melânico. Em conjunto, os dados reforçam a teoria da "escola ambiental" para a origem da virulência e posicionam o remodelamento da parede celular como um alvo central para o entendimento da patogênese fúngica.Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível SuperiorFundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de JaneiroConselho Nacional de Desenvolvimento Científico e TecnológicoMelanin is a multifunctional biopolymer crucial for the environmental fitness and pathogenicity of dematiaceous fungi. This study investigated the ecological interaction between Fonsecaea pedrosoi, the primary agent of chromoblastomycosis, and the free-living amoeba Acanthamoeba castellanii, testing the "amoeboid predator hypothesis" as a training ground for fungal virulence. Interaction kinetics were mapped using 3D mathematical modeling, identifying optimal Multiplicity of Infection (MOI) ratios of 2:1 and 5:1. Optical tweezers assays revealed that inhibiting DHN-melanin synthesis with tricyclazole significantly reduced the characteristic adhesion time to 4.7 ± 0.26s, compared to 8.5 ± 0.31s in melanized controls, demonstrating that melanin acts as a biophysical barrier that delays initial predator recognition. Detailed cell wall characterization challenged the simple masking hypothesis; melanin inhibition led to a decrease in total chitin levels and compromised the accessibility of both chitin-oligomers (WGA-Fc) and β-1,3-glucans (Dectin-1-Fc). These findings suggest that melanin is essential for the spatial organization and structural integrity of the cell wall. Concurrently, A. castellanii demonstrated an intrinsic capacity to degrade various melanin chemotypes. Dynamic Light Scattering (DLS) and Zeta potential analyses confirmed a reduction in particle size and shifts in colloidal stability following treatment with amoeboid fractions. Proteomic analysis identified the enzyme homogentisate 1,2-dioxygenase (HmgA), indicating that the amoeba activates specific metabolic pathways for the catabolism of aromatic precursors, likely as a detoxification strategy or to regulate fungal melanization. Finally, in vivo assays using the Galleria mellonella model revealed that prior passage through A. castellanii significantly exacerbated F. pedrosoi virulence. Paradoxically, the group with inhibited melanin synthesis that previously interacted with the amoeba showed the highest lethality among all experimental groups. This suggests that predator selection pressure induces adaptive responses or selects for hypervirulent phenotypes that overcome the loss of the melanin shield. Together, these results support the "environmental school" theory of virulence origin and highlight cell wall remodeling as a pivotal factor in fungal pathogenesis.130 p.CC-BY-NCinfo:eu-repo/semantics/openAccessMelanin shield: a influência da melanina na virulência de Fonsecaea pedrosoi em interação com Acanthamoeba castellaniiinfo:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisFonsecaea pedrosoiAcanthamoeba castellaniiMelanina FúngicaInteração Patógeno-AmbienteMelaninaFungoPatogenicidadeFonsecaea pedrosoiAcanthamoeba castellaniiFungal MelaninPathogen- Environment InteractionDoutoradoUniversidade Federal FluminenseInstituto BiomédicoPrograma de Pós-graduação em Microbiologia e Parasitologia Aplicadas2026Niterói, RJObjetivo 3. Assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todos, em todas as idadesporreponame:Repositório Institucional da Universidade Federal Fluminense (RIUFF)instname:Universidade Federal Fluminense (UFF)instacron:UFFORIGINALTese Doutorado - Lucas Martins.pdfTese Doutorado - Lucas Martins.pdfapplication/pdf6961219https://app.uff.br/riuff/bitstream/1/44307/1/Tese%20Doutorado%20-%20Lucas%20Martins.pdfe26fcafa0a2eda5d134c3e45dca35cf2MD51LICENSElicense.txtlicense.txttext/plain; charset=utf-81866https://app.uff.br/riuff/bitstream/1/44307/2/license.txt43cd690d6a359e86c1fe3d5b7cba0c9bMD521/443072026-09-10 14:00:34.833oai:app.uff.br:1/44307TElDRU7Dh0EgREUgRElTVFJJQlVJw4fDg08gTsODTy1FWENMVVNJVkEKCkNvbSBhIGFwcmVzZW50YcOnw6NvIGRlc3RhIGxpY2Vuw6dhLCB2b2PDqiAobyBhdXRvciAoZXMpIG91IG8gdGl0dWxhciBkb3MgZGlyZWl0b3MgZGUgYXV0b3IpIGNvbmNlZGUgYW8gUmVwb3NpdMOzcmlvIApJbnN0aXR1Y2lvbmFsIG8gZGlyZWl0byBuw6NvLWV4Y2x1c2l2byBkZSByZXByb2R1emlyLCAgdHJhZHV6aXIgKGNvbmZvcm1lIGRlZmluaWRvIGFiYWl4byksIGUvb3UgZGlzdHJpYnVpciBhIApzdWEgcHVibGljYcOnw6NvIChpbmNsdWluZG8gbyByZXN1bW8pIHBvciB0b2RvIG8gbXVuZG8gbm8gZm9ybWF0byBpbXByZXNzbyBlIGVsZXRyw7RuaWNvIGUgZW0gcXVhbHF1ZXIgbWVpbywgaW5jbHVpbmRvIG9zIApmb3JtYXRvcyDDoXVkaW8gb3UgdsOtZGVvLgoKVm9jw6ogY29uY29yZGEgcXVlIG8gRGVwb3NpdGEgcG9kZSwgc2VtIGFsdGVyYXIgbyBjb250ZcO6ZG8sIHRyYW5zcG9yIGEgc3VhIHB1YmxpY2HDp8OjbyBwYXJhIHF1YWxxdWVyIG1laW8gb3UgZm9ybWF0byAKcGFyYSBmaW5zIGRlIHByZXNlcnZhw6fDo28uCgpWb2PDqiB0YW1iw6ltIGNvbmNvcmRhIHF1ZSBvIERlcG9zaXRhIHBvZGUgbWFudGVyIG1haXMgZGUgdW1hIGPDs3BpYSBkZSBzdWEgcHVibGljYcOnw6NvIHBhcmEgZmlucyBkZSBzZWd1cmFuw6dhLCBiYWNrLXVwIAplIHByZXNlcnZhw6fDo28uCgpWb2PDqiBkZWNsYXJhIHF1ZSBhIHN1YSBwdWJsaWNhw6fDo28gw6kgb3JpZ2luYWwgZSBxdWUgdm9jw6ogdGVtIG8gcG9kZXIgZGUgY29uY2VkZXIgb3MgZGlyZWl0b3MgY29udGlkb3MgbmVzdGEgbGljZW7Dp2EuIApWb2PDqiB0YW1iw6ltIGRlY2xhcmEgcXVlIG8gZGVww7NzaXRvIGRhIHN1YSBwdWJsaWNhw6fDo28gbsOjbywgcXVlIHNlamEgZGUgc2V1IGNvbmhlY2ltZW50bywgaW5mcmluZ2UgZGlyZWl0b3MgYXV0b3JhaXMgCmRlIG5pbmd1w6ltLgoKQ2FzbyBhIHN1YSBwdWJsaWNhw6fDo28gY29udGVuaGEgbWF0ZXJpYWwgcXVlIHZvY8OqIG7Do28gcG9zc3VpIGEgdGl0dWxhcmlkYWRlIGRvcyBkaXJlaXRvcyBhdXRvcmFpcywgdm9jw6ogZGVjbGFyYSBxdWUgCm9idGV2ZSBhIHBlcm1pc3PDo28gaXJyZXN0cml0YSBkbyBkZXRlbnRvciBkb3MgZGlyZWl0b3MgYXV0b3JhaXMgcGFyYSBjb25jZWRlciBhbyBEZXBvc2l0YSBvcyBkaXJlaXRvcyBhcHJlc2VudGFkb3MgCm5lc3RhIGxpY2Vuw6dhLCBlIHF1ZSBlc3NlIG1hdGVyaWFsIGRlIHByb3ByaWVkYWRlIGRlIHRlcmNlaXJvcyBlc3TDoSBjbGFyYW1lbnRlIGlkZW50aWZpY2FkbyBlIHJlY29uaGVjaWRvIG5vIHRleHRvIApvdSBubyBjb250ZcO6ZG8gZGEgcHVibGljYcOnw6NvIG9yYSBkZXBvc2l0YWRhLgoKQ0FTTyBBIFBVQkxJQ0HDh8ODTyBPUkEgREVQT1NJVEFEQSBURU5IQSBTSURPIFJFU1VMVEFETyBERSBVTSBQQVRST0PDjU5JTyBPVSBBUE9JTyBERSBVTUEgQUfDik5DSUEgREUgRk9NRU5UTyBPVSBPVVRSTyAKT1JHQU5JU01PLCBWT0PDiiBERUNMQVJBIFFVRSBSRVNQRUlUT1UgVE9ET1MgRSBRVUFJU1FVRVIgRElSRUlUT1MgREUgUkVWSVPDg08gQ09NTyBUQU1Cw4lNIEFTIERFTUFJUyBPQlJJR0HDh8OVRVMgCkVYSUdJREFTIFBPUiBDT05UUkFUTyBPVSBBQ09SRE8uCgpPIERlcG9zaXRhIHNlIGNvbXByb21ldGUgYSBpZGVudGlmaWNhciBjbGFyYW1lbnRlIG8gc2V1IG5vbWUgKHMpIG91IG8ocykgbm9tZShzKSBkbyhzKSBkZXRlbnRvcihlcykgZG9zIGRpcmVpdG9zIAphdXRvcmFpcyBkYSBwdWJsaWNhw6fDo28sIGUgbsOjbyBmYXLDoSBxdWFscXVlciBhbHRlcmHDp8OjbywgYWzDqW0gZGFxdWVsYXMgY29uY2VkaWRhcyBwb3IgZXN0YSBsaWNlbsOnYS4KRepositório InstitucionalPUBhttps://app.uff.br/oai/requestriuff@id.uff.bropendoar:21202026-09-10T17:00:34Repositório Institucional da Universidade Federal Fluminense (RIUFF) - Universidade Federal Fluminense (UFF)false
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