A desinformação científica e em saúde sobre câncer no YouTube em tempos de crise epistêmica

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Lacerda, Aline Goneli de
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
dARK ID: ark:/87559/001300001cg70
Idioma: por
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://app.uff.br/riuff/handle/1/39887
Resumo: A popularização das plataformas digitais e o crescente interesse por terapias alternativas têm impulsionado a disseminação de desinformação sobre o câncer, especialmente no YouTube. Esse fenômeno representa um risco à saúde pública, pois pode influenciar negativamente a percepção, a tomada de decisão e o comportamento de pacientes oncológicos. Partimos da hipótese de que, em um contexto de crise epistêmica, atores que promovem desinformação sobre câncer utilizam características específicas dos vídeos para construir uma autoridade epistêmica própria, fortalecendo narrativas terapêuticas não comprovadas e desafiando os saberes estabelecidos. O objetivo foi investigar como a desinformação científica sobre o câncer circula no YouTube, com foco nos elementos que conferem autoridade epistêmica às mensagens veiculadas. Adotou-se abordagem qualitativa baseada na Análise de Conteúdo (Sampaio e Lycarião, 2021), aplicada em quatro etapas: mapeamento de vídeos sobre “cura” ou “tratamento” do câncer por meio da ferramenta YouTube Data Tools; identificação e categorização de vídeos com desinformação; análise aprofundada dos vídeos selecionados; e discussão dos resultados. Foram mapeados 96 vídeos, dos quais 31 foram classificados como desinformativos, a partir de protocolo próprio (livro-código), com categorias construídas a priori. Os resultados revelaram que os tipos mais recorrentes de desinformação foram promessas de grandes novidades (11 vídeos), simulações de reportagens científicas (5) e distorções de conexões ou contextos (4). A maioria dos vídeos foi veiculada por mídias tradicionais (20), seguidas por profissionais da saúde (4) e ONGS/Fundações (4). Os temas predominantes foram “tratamentos inovadores” (12), “métodos de tratamento” (8) e “eficácia de terapias alternativas” (5). O discurso emocional-testemunhal (15 vídeos) e o discurso científico (10) foram os mais frequentes. Metáforas, gráficos e menções a autoridades não verificadas foram as ferramentas mais utilizadas. O tom comunicativo mais comum foi o esperançoso. Observou-se que os vídeos jornalísticos desinformativos seguem uma estrutura narrativa ambígua, com ênfase inicial em promessas de cura e linguagem emocional, enquanto as ressalvas e limitações aparecem apenas no final. Considerando pesquisas recentes sobre o tempo médio de visualização dos vídeos no YouTube (Vidyard, 2024), essa forma de apresentação pode intensificar o impacto da desinformação, mesmo em conteúdos produzidos por fontes tradicionais. Conclui-se que o enfrentamento da desinformação exige ações intersetoriais que envolvam educação midiática, formação crítica em comunicação em saúde e revisão das práticas narrativas da própria mídia jornalística. A responsabilização algorítmica das plataformas e a transparência na comunicação científica emergem como elementos centrais em tempos de crise epistêmica.
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Partimos da hipótese de que, em um contexto de crise epistêmica, atores que promovem desinformação sobre câncer utilizam características específicas dos vídeos para construir uma autoridade epistêmica própria, fortalecendo narrativas terapêuticas não comprovadas e desafiando os saberes estabelecidos. O objetivo foi investigar como a desinformação científica sobre o câncer circula no YouTube, com foco nos elementos que conferem autoridade epistêmica às mensagens veiculadas. Adotou-se abordagem qualitativa baseada na Análise de Conteúdo (Sampaio e Lycarião, 2021), aplicada em quatro etapas: mapeamento de vídeos sobre “cura” ou “tratamento” do câncer por meio da ferramenta YouTube Data Tools; identificação e categorização de vídeos com desinformação; análise aprofundada dos vídeos selecionados; e discussão dos resultados. Foram mapeados 96 vídeos, dos quais 31 foram classificados como desinformativos, a partir de protocolo próprio (livro-código), com categorias construídas a priori. Os resultados revelaram que os tipos mais recorrentes de desinformação foram promessas de grandes novidades (11 vídeos), simulações de reportagens científicas (5) e distorções de conexões ou contextos (4). A maioria dos vídeos foi veiculada por mídias tradicionais (20), seguidas por profissionais da saúde (4) e ONGS/Fundações (4). Os temas predominantes foram “tratamentos inovadores” (12), “métodos de tratamento” (8) e “eficácia de terapias alternativas” (5). O discurso emocional-testemunhal (15 vídeos) e o discurso científico (10) foram os mais frequentes. Metáforas, gráficos e menções a autoridades não verificadas foram as ferramentas mais utilizadas. O tom comunicativo mais comum foi o esperançoso. Observou-se que os vídeos jornalísticos desinformativos seguem uma estrutura narrativa ambígua, com ênfase inicial em promessas de cura e linguagem emocional, enquanto as ressalvas e limitações aparecem apenas no final. Considerando pesquisas recentes sobre o tempo médio de visualização dos vídeos no YouTube (Vidyard, 2024), essa forma de apresentação pode intensificar o impacto da desinformação, mesmo em conteúdos produzidos por fontes tradicionais. Conclui-se que o enfrentamento da desinformação exige ações intersetoriais que envolvam educação midiática, formação crítica em comunicação em saúde e revisão das práticas narrativas da própria mídia jornalística. A responsabilização algorítmica das plataformas e a transparência na comunicação científica emergem como elementos centrais em tempos de crise epistêmica.Fundação Euclides da CunhaThe popularization of digital platforms and the growing interest in alternative therapies have fueled the spread of misinformation about cancer, especially on YouTube. This phenomenon poses a risk to public health, as it can negatively affect the perceptions, decision-making, and behavior of cancer patients. We hypothesize that, in a context of epistemic crisis, actors who disseminate misinformation about cancer use specific features of videos to construct their own epistemic authority, thereby reinforcing unproven therapeutic narratives and challenging established scientific knowledge. The aim of this study was to investigate how scientific misinformation about cancer circulates on YouTube, focusing on the elements that confer epistemic authority to the messages conveyed. A qualitative approach based on Content Analysis (Sampaio & Lycarião, 2021) was adopted and applied in four stages: mapping videos on “cure” or “treatment” of cancer using the YouTube Data Tools; identifying and categorizing misinformation; in-depth content analysis of selected videos; and discussion of the findings. A total of 96 videos were mapped, of which 31 were classified as misinformative using a custom protocol (codebook) with a priori categories. The most frequent types of misinformation included promises of revolutionary treatments (11 videos), simulations of scientific reporting (5), and distortions of connections or contexts (4). Most of the videos were disseminated by traditional media outlets (20), followed by health professionals (4) and NGOs/Foundations (4). The predominant themes were “innovative treatments” (12), “treatment methods” (8), and “effectiveness of alternative therapies” (5). The most frequent discursive strategies were emotional testimonials (15 videos) and scientific discourse (10). The most common communicative tools included metaphors, data visualizations, and references to unverifiable authorities. The most common communicative tone was hopeful, marked by optimistic language and promises of healing. The analysis showed that misinformative journalistic videos tend to follow an ambiguous narrative structure, with an initial emphasis on cure promises and emotional language, while limitations and caveats appear only at the end. Considering recent research on average viewing time on YouTube (Vidyard, 2024), this narrative format may intensify the impact of misinformation, even in content produced by traditional sources. We conclude that addressing misinformation requires intersectoral strategies involving media literacy, critical training in health communication, and a review of journalistic narrative practices. Algorithmic accountability and transparency in science communication emerge as key elements in the current epistemic crisis.192 f.Oliveira, Thaiane Moreira dehttp://lattes.cnpq.br/4073806576367509http://lattes.cnpq.br/7221354634545780Lacerda, Aline Goneli de2025-08-21T12:21:22Z2025-08-21T12:21:22Zinfo:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfLACERDA, Aline Goneli de. A desinformação científica e em saúde sobre câncer no YouTube em tempos de crise epistêmica. 2025. 192 f. Tese (Doutorado em Comunicação) - Programa de Pós-Graduação em Comunicação, Instituto de Arte e Comunicação Social, Universidade Federal Fluminense, Niterói, 2025.https://app.uff.br/riuff/handle/1/39887ark:/87559/001300001cg70CC-BY-SAinfo:eu-repo/semantics/openAccessporreponame:Repositório Institucional da Universidade Federal Fluminense (RIUFF)instname:Universidade Federal Fluminense (UFF)instacron:UFF2025-08-21T12:21:22Zoai:app.uff.br:1/39887Repositório InstitucionalPUBhttps://app.uff.br/oai/requestriuff@id.uff.bropendoar:21202025-08-21T12:21:22Repositório Institucional da Universidade Federal Fluminense (RIUFF) - Universidade Federal Fluminense (UFF)false
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