Transição supercondutora mediada por grãos eletrônicos em cupratos sobredopados

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2026
Autor(a) principal: Santana, Hércules de Souza
Orientador(a): Mello, Evandro Vidor Lins de lattes
Banca de defesa: Sanchez Candela, Dalber Ruben lattes, Orlando, Marcos Tadeu D’Azeredo lattes, Continentino, Mucio Amado lattes, Pureur Neto, Paulo lattes
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Link de acesso: https://app.uff.br/riuff/handle/1/43166
Resumo: A origem da supercondutividade de alta temperatura crítica nos cupratos (óxidos de cobre) permanece sem explicação consensual. Esses materiais são isolantes, mas podem tornar-se supercondutores com a dopagem de um átomo por outro de maior afinidade eletrônica, cuja fase supercondutora emerge com a dopagem p 0.05, atinge valor ótimo em p 0.16 (maior valor de temperatura crítica Tc) e desaparece próximo de p 0.27, formando um domo. Em trabalhos anteriores, utilizamos um modelo no qual a supercondutividade é mediada pela desordem de carga, tais como charge ordering (CO) ou charge density waves (CDW); tal instabilidade é bem documentada em compostos subdopados p 0.16. Acreditava-se que essa desordem era característica dessa região, enquanto compostos com p ¡ 0.16 seriam eletronicamente uniformes, com traços metálicos ou mesmo comportamento de líquido de Fermi. Recentemente, descobriu-se que essas desordens também ocorrem na região superdopada, próxima de p 0.27, exibindo inclusive diamagnetismo parcial acima de Tc, como nos subdopados. Novos dados experimentais sugerem que tais inhomogeneidades de carga não se limitam à região próxima de p 1{8 e se estendem até o fim da fase supercondutora, próximo de p 0.27. Nesta tese, propomos que os cupratos se comportam como supercondutores granulares com transição em duas etapas: a primeira ocorre abaixo de Tonset c , marcando o surgimento local da amplitude supercondutora nos grãos formados por regiões de densidades distintas induzidas pela desordem; já a segunda etapa corresponde à ordem de longo alcance, ou seja, quando o acoplamento Josephson entre os grãos promove o ordenamento de fase em todo o material, devido à média desse acoplamento nos grãos superar a desordem térmica pxEJy ¥ kBTq. Utilizamos uma teoria de separação de domínios para modelar tais compostos, sendo que a temperatura de pseudogap (Tpg) marca o início dessa separação, gerando desordem na densidade eletrônica. Aplicamos este método para descrever compostos superdopados via cálculos bidimensionais em uma rede quadrada N N, simulando os planos de CuO2 onde ocorre a supercondutividade, com desordem de carga na forma de checkerboard irregular. Empregamos a teoria de Bogoliubov-de Gennes (BdG) em espaço real com hamiltoniana estendida de Hubbard, calculando a amplitude supercondutora de onda-d. O modelo foi aplicado para p 0.17, 0.21, 0.25, 0.26 e 0.29, reproduzindo resultados experimentais de temperatura ligados ao diamagnetismo parcial acima de Tc. Nosso modelo é o único lida a tratar o fenômeno da supercondutividade para todas as dopagens da região supercondutora, além de definir claramente os papéis de Tpg e Tonset c , fornecendo uma descrição unificada dos compostos subdopados e superdopados, indicando que a supercondutividade nestes compostos pode ser descrita pelo mesmo mecanismo.
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Esses materiais são isolantes, mas podem tornar-se supercondutores com a dopagem de um átomo por outro de maior afinidade eletrônica, cuja fase supercondutora emerge com a dopagem p 0.05, atinge valor ótimo em p 0.16 (maior valor de temperatura crítica Tc) e desaparece próximo de p 0.27, formando um domo. Em trabalhos anteriores, utilizamos um modelo no qual a supercondutividade é mediada pela desordem de carga, tais como charge ordering (CO) ou charge density waves (CDW); tal instabilidade é bem documentada em compostos subdopados p 0.16. Acreditava-se que essa desordem era característica dessa região, enquanto compostos com p ¡ 0.16 seriam eletronicamente uniformes, com traços metálicos ou mesmo comportamento de líquido de Fermi. Recentemente, descobriu-se que essas desordens também ocorrem na região superdopada, próxima de p 0.27, exibindo inclusive diamagnetismo parcial acima de Tc, como nos subdopados. Novos dados experimentais sugerem que tais inhomogeneidades de carga não se limitam à região próxima de p 1{8 e se estendem até o fim da fase supercondutora, próximo de p 0.27. Nesta tese, propomos que os cupratos se comportam como supercondutores granulares com transição em duas etapas: a primeira ocorre abaixo de Tonset c , marcando o surgimento local da amplitude supercondutora nos grãos formados por regiões de densidades distintas induzidas pela desordem; já a segunda etapa corresponde à ordem de longo alcance, ou seja, quando o acoplamento Josephson entre os grãos promove o ordenamento de fase em todo o material, devido à média desse acoplamento nos grãos superar a desordem térmica pxEJy ¥ kBTq. Utilizamos uma teoria de separação de domínios para modelar tais compostos, sendo que a temperatura de pseudogap (Tpg) marca o início dessa separação, gerando desordem na densidade eletrônica. Aplicamos este método para descrever compostos superdopados via cálculos bidimensionais em uma rede quadrada N N, simulando os planos de CuO2 onde ocorre a supercondutividade, com desordem de carga na forma de checkerboard irregular. Empregamos a teoria de Bogoliubov-de Gennes (BdG) em espaço real com hamiltoniana estendida de Hubbard, calculando a amplitude supercondutora de onda-d. O modelo foi aplicado para p 0.17, 0.21, 0.25, 0.26 e 0.29, reproduzindo resultados experimentais de temperatura ligados ao diamagnetismo parcial acima de Tc. Nosso modelo é o único lida a tratar o fenômeno da supercondutividade para todas as dopagens da região supercondutora, além de definir claramente os papéis de Tpg e Tonset c , fornecendo uma descrição unificada dos compostos subdopados e superdopados, indicando que a supercondutividade nestes compostos pode ser descrita pelo mesmo mecanismo.Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível SuperiorConselho Nacional de Desenvolvimento Científico e TecnológicoThe origin of high critical temperature superconductivity in cuprates (copper oxides) remains without a consensual explanation. These materials are insulators, but they can become superconductors through doping, in which an atom is replaced by another with higher electronic affinity. The superconducting phase emerges at p 0.05, reaches its optimum value at p 0.16 (maximum critical temperature Tc), and vanishes near p 0.27, forming a dome-shaped region. In previous studies, we employed a model in which superconductivity is mediated by charge disorder, such as charge ordering (CO) or charge density waves (CDW). This type of instability is well documented in underdoped compounds with p 0.16. It was previously assumed that such disorder was a characteristic of this region, while compounds with p ¡ 0.16 would be electronically homogeneous, exhibiting metallic features or even Fermi-liquid behavior. More recently, it has been reported that these instabilities also occur in the overdoped regime, close to p 0.27, even displaying partial diamagnetism above Tc, as observed in underdoped systems. Experimental evidence further suggests that charge inhomogeneities are not restricted to the region around p 1{8, but rather extend up to the end of the superconducting phase, near p 0.27. In this thesis, we propose that cuprates behave as granular superconductors undergoing a two-step transition. The first step occurs below Tonset c , marking the local onset of the superconducting amplitude within grains formed by regions of distinct densities induced by disorder. The second step corresponds to long-range order, i.e., when Josephson coupling between the grains promotes global phase coherence throughout the material, as the average coupling energy overcomes thermal fluctuations pxEJy ¥ kBTq. We employed a domain separation framework to model these compounds, in which the pseudogap temperature (Tpg) signals the onset of such separation, generating disorder in the electronic density. This approach was applied to overdoped compounds using two-dimensional calculations on a square N N lattice, simulating the CuO2 planes where superconductivity takes place, with charge disorder modeled as irregular checkerboard. The Bogoliubov-de Gennes (BdG) real-space formalism with an extended Hubbard Hamiltonian was employed to compute the d-wave superconducting amplitude. The model was tested for p 0.17, 0.21, 0.25, 0.26, and 0.29, successfully reproducing experimental temperature-dependent features associated with partial diamagnetism above Tc. Our model uniquely addresses the superconducting phenomenon across the entire doping range of the superconducting dome, while clearly distinguishing the roles of Tpg and Tonset c . This provides a unified description of both underdoped and overdoped compounds, suggesting that superconductivity in these systems can be consistently explained within the same mechanism.94 pCC-BY-SAinfo:eu-repo/semantics/openAccessTransição supercondutora mediada por grãos eletrônicos em cupratos sobredopadosinfo:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisSupercondutores de Alta-TcComposto LSCO sobredopadoCupratosSupercondutores de Alta Temperatura CríticaSupercondutores CupratosAcoplamento JosephsonLSCO SuperdopadoProdução intelectualHigh-Tc SuperconductorsOverdoped LSCO compoundCuprateDoutoradoUniversidade Federal FluminenseInstituto de FísicaPrograma de Pós-Graduação em Física2025Niterói, RJObjetivo 9. Construir infraestruturas resilientes, promover a industrialização inclusiva e sustentável e fomentar a inovaçãoporreponame:Repositório Institucional da Universidade Federal Fluminense (RIUFF)instname:Universidade Federal Fluminense (UFF)instacron:UFFORIGINALTESE-Hércules de Souza Santana.pdfTESE-Hércules de Souza Santana.pdfTese Hércules de Souza Santanaapplication/pdf5116674https://app.uff.br/riuff/bitstream/1/43166/1/TESE-H%c3%a9rcules%20de%20Souza%20Santana.pdfc102b67494c074a7d5edd0848b2f7ccaMD51LICENSElicense.txtlicense.txttext/plain; charset=utf-81866https://app.uff.br/riuff/bitstream/1/43166/2/license.txt43cd690d6a359e86c1fe3d5b7cba0c9bMD521/431662026-04-14 14:18:17.608oai:app.uff.br:1/43166TElDRU7Dh0EgREUgRElTVFJJQlVJw4fDg08gTsODTy1FWENMVVNJVkEKCkNvbSBhIGFwcmVzZW50YcOnw6NvIGRlc3RhIGxpY2Vuw6dhLCB2b2PDqiAobyBhdXRvciAoZXMpIG91IG8gdGl0dWxhciBkb3MgZGlyZWl0b3MgZGUgYXV0b3IpIGNvbmNlZGUgYW8gUmVwb3NpdMOzcmlvIApJbnN0aXR1Y2lvbmFsIG8gZGlyZWl0byBuw6NvLWV4Y2x1c2l2byBkZSByZXByb2R1emlyLCAgdHJhZHV6aXIgKGNvbmZvcm1lIGRlZmluaWRvIGFiYWl4byksIGUvb3UgZGlzdHJpYnVpciBhIApzdWEgcHVibGljYcOnw6NvIChpbmNsdWluZG8gbyByZXN1bW8pIHBvciB0b2RvIG8gbXVuZG8gbm8gZm9ybWF0byBpbXByZXNzbyBlIGVsZXRyw7RuaWNvIGUgZW0gcXVhbHF1ZXIgbWVpbywgaW5jbHVpbmRvIG9zIApmb3JtYXRvcyDDoXVkaW8gb3UgdsOtZGVvLgoKVm9jw6ogY29uY29yZGEgcXVlIG8gRGVwb3NpdGEgcG9kZSwgc2VtIGFsdGVyYXIgbyBjb250ZcO6ZG8sIHRyYW5zcG9yIGEgc3VhIHB1YmxpY2HDp8OjbyBwYXJhIHF1YWxxdWVyIG1laW8gb3UgZm9ybWF0byAKcGFyYSBmaW5zIGRlIHByZXNlcnZhw6fDo28uCgpWb2PDqiB0YW1iw6ltIGNvbmNvcmRhIHF1ZSBvIERlcG9zaXRhIHBvZGUgbWFudGVyIG1haXMgZGUgdW1hIGPDs3BpYSBkZSBzdWEgcHVibGljYcOnw6NvIHBhcmEgZmlucyBkZSBzZWd1cmFuw6dhLCBiYWNrLXVwIAplIHByZXNlcnZhw6fDo28uCgpWb2PDqiBkZWNsYXJhIHF1ZSBhIHN1YSBwdWJsaWNhw6fDo28gw6kgb3JpZ2luYWwgZSBxdWUgdm9jw6ogdGVtIG8gcG9kZXIgZGUgY29uY2VkZXIgb3MgZGlyZWl0b3MgY29udGlkb3MgbmVzdGEgbGljZW7Dp2EuIApWb2PDqiB0YW1iw6ltIGRlY2xhcmEgcXVlIG8gZGVww7NzaXRvIGRhIHN1YSBwdWJsaWNhw6fDo28gbsOjbywgcXVlIHNlamEgZGUgc2V1IGNvbmhlY2ltZW50bywgaW5mcmluZ2UgZGlyZWl0b3MgYXV0b3JhaXMgCmRlIG5pbmd1w6ltLgoKQ2FzbyBhIHN1YSBwdWJsaWNhw6fDo28gY29udGVuaGEgbWF0ZXJpYWwgcXVlIHZvY8OqIG7Do28gcG9zc3VpIGEgdGl0dWxhcmlkYWRlIGRvcyBkaXJlaXRvcyBhdXRvcmFpcywgdm9jw6ogZGVjbGFyYSBxdWUgCm9idGV2ZSBhIHBlcm1pc3PDo28gaXJyZXN0cml0YSBkbyBkZXRlbnRvciBkb3MgZGlyZWl0b3MgYXV0b3JhaXMgcGFyYSBjb25jZWRlciBhbyBEZXBvc2l0YSBvcyBkaXJlaXRvcyBhcHJlc2VudGFkb3MgCm5lc3RhIGxpY2Vuw6dhLCBlIHF1ZSBlc3NlIG1hdGVyaWFsIGRlIHByb3ByaWVkYWRlIGRlIHRlcmNlaXJvcyBlc3TDoSBjbGFyYW1lbnRlIGlkZW50aWZpY2FkbyBlIHJlY29uaGVjaWRvIG5vIHRleHRvIApvdSBubyBjb250ZcO6ZG8gZGEgcHVibGljYcOnw6NvIG9yYSBkZXBvc2l0YWRhLgoKQ0FTTyBBIFBVQkxJQ0HDh8ODTyBPUkEgREVQT1NJVEFEQSBURU5IQSBTSURPIFJFU1VMVEFETyBERSBVTSBQQVRST0PDjU5JTyBPVSBBUE9JTyBERSBVTUEgQUfDik5DSUEgREUgRk9NRU5UTyBPVSBPVVRSTyAKT1JHQU5JU01PLCBWT0PDiiBERUNMQVJBIFFVRSBSRVNQRUlUT1UgVE9ET1MgRSBRVUFJU1FVRVIgRElSRUlUT1MgREUgUkVWSVPDg08gQ09NTyBUQU1Cw4lNIEFTIERFTUFJUyBPQlJJR0HDh8OVRVMgCkVYSUdJREFTIFBPUiBDT05UUkFUTyBPVSBBQ09SRE8uCgpPIERlcG9zaXRhIHNlIGNvbXByb21ldGUgYSBpZGVudGlmaWNhciBjbGFyYW1lbnRlIG8gc2V1IG5vbWUgKHMpIG91IG8ocykgbm9tZShzKSBkbyhzKSBkZXRlbnRvcihlcykgZG9zIGRpcmVpdG9zIAphdXRvcmFpcyBkYSBwdWJsaWNhw6fDo28sIGUgbsOjbyBmYXLDoSBxdWFscXVlciBhbHRlcmHDp8OjbywgYWzDqW0gZGFxdWVsYXMgY29uY2VkaWRhcyBwb3IgZXN0YSBsaWNlbsOnYS4KRepositório InstitucionalPUBhttps://app.uff.br/oai/requestriuff@id.uff.bropendoar:21202026-04-14T17:18:17Repositório Institucional da Universidade Federal Fluminense (RIUFF) - Universidade Federal Fluminense (UFF)false
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