A escrita feminina na lírica de Maria Teresa Horta

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2015
Autor(a) principal: Souza, Natália Salomé de lattes
Orientador(a): Pereira, Vinícius Carvalho lattes
Banca de defesa: Pereira, Vinícius Carvalho lattes, Benfatti, Flávia Andréa Rodrigues lattes, Ramos, Tania Regina Oliveira lattes
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal de Mato Grosso
Programa de Pós-Graduação: Programa de Pós-Graduação em Estudos de Linguagem
Departamento: Instituto de Linguagens (IL)
País: Brasil
Área do conhecimento CNPq:
Resumo: Na busca de uma escrita que falasse do corpo feminino pela própria mulher, encontrei a lírica de Maria Teresa Horta. Em seus poemas, a eu-lírica dá voz a um corpo, de forma a desamarrá-lo de um jugo patriarcal. Há, portanto, uma voz e uma escrita feminina que partem de uma imanência, analisadas, a princípio, a partir de um movimento interior que nos responderá perguntas essenciais, tais como: o que torna esta escrita verdadeiramente feminina? Em quais aspectos ela diverge de uma escrita masculina? Esta escrita é uma manifestação biológica ou seu conceito não se funda nesta perspectiva? Na concepção de Hélène Cixous e Luce Irigaray, teóricas do feminismo da diferença, há um ser mulher que foi constantemente apagado pela lei do pai e do logos, portanto a escrita e a fala feminina precisariam subverter o falogocentrismo e deixarem-se fluir através do próprio corpo feminino. Seria a retomada da linguagem semiótica de Kristeva, essencialmente feminina e circular, que não se prende na denominação e estaticidade do nome. Numa linguagem poética e erótica, encontramos esta fala do corpo que em si ultrapassa uma ordem imposta à sociedade, e isto nos leva ao segundo movimento – um movimento exterior. As implicações de uma retomada do corpo feminino pelas mulheres fora da soberania patriarcal levariam a uma mudança completa da sociedade, em que homens e mulheres não ocupariam espaços verticais; antes disso, suas posições sociais dar-se-iam num eixo horizontal em que não haveria hierarquia, logo as mulheres não seriam subalternas aos homens e vice-versa. Haveria respeito mútuo dentro da diferença e politicamente a diferença de gênero não seria motivo de discriminação e subalternidade. A poesia representa, portanto, a possibilidade de subversão da ordem patriarcal, da ordem do falo, desde que, quando produzida por mulheres, seja uma escrita do corpo feminino, uma escrita feminina que se diz a partir da voz de uma eu-lírica. Da mesma forma que do devir mulher surge uma lírica feminina, emerge também a ginocrítica – teoria literária que marca uma tradição feminina nos estudos da literatura que rejeita a crítica tradicional.
id UFMT_2a6afbece62308dedc5e2bda11bba048
oai_identifier_str oai:localhost:1/202
network_acronym_str UFMT
network_name_str Repositório Institucional da UFMT
repository_id_str
spelling 2017-02-13T15:59:45Z2016-01-062017-02-13T15:59:45Z2015-12-07SOUZA, Natália Salomé de. A escrita feminina na lírica de Maria Teresa Horta. 2015. 121 f. Dissertação (Mestrado em Estudos de Linguagem) - Universidade Federal de Mato Grosso, Instituto de Linguagens, Cuiabá, 2015.http://ri.ufmt.br/handle/1/202Na busca de uma escrita que falasse do corpo feminino pela própria mulher, encontrei a lírica de Maria Teresa Horta. Em seus poemas, a eu-lírica dá voz a um corpo, de forma a desamarrá-lo de um jugo patriarcal. Há, portanto, uma voz e uma escrita feminina que partem de uma imanência, analisadas, a princípio, a partir de um movimento interior que nos responderá perguntas essenciais, tais como: o que torna esta escrita verdadeiramente feminina? Em quais aspectos ela diverge de uma escrita masculina? Esta escrita é uma manifestação biológica ou seu conceito não se funda nesta perspectiva? Na concepção de Hélène Cixous e Luce Irigaray, teóricas do feminismo da diferença, há um ser mulher que foi constantemente apagado pela lei do pai e do logos, portanto a escrita e a fala feminina precisariam subverter o falogocentrismo e deixarem-se fluir através do próprio corpo feminino. Seria a retomada da linguagem semiótica de Kristeva, essencialmente feminina e circular, que não se prende na denominação e estaticidade do nome. Numa linguagem poética e erótica, encontramos esta fala do corpo que em si ultrapassa uma ordem imposta à sociedade, e isto nos leva ao segundo movimento – um movimento exterior. As implicações de uma retomada do corpo feminino pelas mulheres fora da soberania patriarcal levariam a uma mudança completa da sociedade, em que homens e mulheres não ocupariam espaços verticais; antes disso, suas posições sociais dar-se-iam num eixo horizontal em que não haveria hierarquia, logo as mulheres não seriam subalternas aos homens e vice-versa. Haveria respeito mútuo dentro da diferença e politicamente a diferença de gênero não seria motivo de discriminação e subalternidade. A poesia representa, portanto, a possibilidade de subversão da ordem patriarcal, da ordem do falo, desde que, quando produzida por mulheres, seja uma escrita do corpo feminino, uma escrita feminina que se diz a partir da voz de uma eu-lírica. Da mesma forma que do devir mulher surge uma lírica feminina, emerge também a ginocrítica – teoria literária que marca uma tradição feminina nos estudos da literatura que rejeita a crítica tradicional.In the search for writings by women that talked about the female body I found Maria Teresa Horta’s lyric. In her poems, the eu-lírica gives voice to a body as a way to untie it from the patriarchal domain. Thus, there is a woman’s voice and a woman’s writing that derive from an immanence. They are analyzed, at first, from an internal movement that will answer some essential questions, such as: what makes this writing truly feminine? In what aspects is it different from a masculine one? Is it a biological manifestation or is this concept not founded in such perspective? According to the ideas of Hélène Cixous and Luce Irigaray, theoreticians of the difference feminism, there is a ‘woman being’ that has constantly been erased by the “father”’s and the logos’s laws, therefore women’s writing and speech need to subvert phallogocentrism and let themselves flow through female body. It would be the return of the semiotic language of Kristeva, essentially feminine and circular, which is not tied to the denomination and immobility of the name. In a poetic and erotic language, we find this speech of the body that surpasses an imposed social order, thus leading us to a second movement – an external one. The implications of a recovery of the female body by women outside the patriarchal sovereign would lead to a complete change in society, in which men and women would not occupy vertical spaces; on the contrary, their social positions would be established in a horizontal axis with no hierarchy, so women would not be subordinated to men and vice-versa. There would be mutual respect inside the difference. Politically, gender difference would not be a reason for discrimination and subordination. Hence, poetry represents the possibility of subversion of the patriarchal order from the phallus, as long as, when produced by women, it is the writing of a female body, a woman’s writing that voices the eu-lírica. From the becoming of a woman, women’s lyrics is born. Similarly, there comes gynocritics– a literary theory that marks a women’s tradition in the literary studies that rejects traditional criticism.Submitted by Jordan (jordanbiblio@gmail.com) on 2017-02-13T15:59:32Z No. of bitstreams: 1 DISS_2015_Natália Salomé de Souza.pdf: 3085936 bytes, checksum: 7977f55038ff9f4443c4b9cd5aa5c33e (MD5)Approved for entry into archive by Jordan (jordanbiblio@gmail.com) on 2017-02-13T15:59:45Z (GMT) No. of bitstreams: 1 DISS_2015_Natália Salomé de Souza.pdf: 3085936 bytes, checksum: 7977f55038ff9f4443c4b9cd5aa5c33e (MD5)Made available in DSpace on 2017-02-13T15:59:45Z (GMT). No. of bitstreams: 1 DISS_2015_Natália Salomé de Souza.pdf: 3085936 bytes, checksum: 7977f55038ff9f4443c4b9cd5aa5c33e (MD5) Previous issue date: 2015-12-07CAPESporUniversidade Federal de Mato GrossoPrograma de Pós-Graduação em Estudos de LinguagemUFMT CUC - CuiabáBrasilInstituto de Linguagens (IL)A escrita feminina na lírica de Maria Teresa Hortainfo:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisMaria Teresa HortaEscrita femininaGinocríticaCNPQ::LINGUISTICA, LETRAS E ARTESMaria Teresa HortaWomen’s writingGynocriticsPereira, Vinícius Carvalhohttp://lattes.cnpq.br/5304593788129950Pereira, Vinícius Carvalho109.873.267-75http://lattes.cnpq.br/5304593788129950Benfatti, Flávia Andréa Rodrigues102.787.048-16http://lattes.cnpq.br/6412107397671158109.873.267-75Ramos, Tania Regina Oliveira032.265.229-49http://lattes.cnpq.br/1347288334988743024.812.651-22http://lattes.cnpq.br/2450520174806901Souza, Natália Salomé deinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Repositório Institucional da UFMTinstname:Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT)instacron:UFMTTEXTDISS_2015_Natália Salomé de Souza.pdf.txtDISS_2015_Natália Salomé de Souza.pdf.txtExtracted texttext/plain269532http://localhost/bitstream/1/202/3/DISS_2015_Nat%C3%A1lia+Salom%C3%A9+de+Souza.pdf.txt917f4b6addb93942339e9261e2900ab0MD53LICENSElicense.txtlicense.txttext/plain; charset=utf-81866http://localhost/bitstream/1/202/2/license.txt43cd690d6a359e86c1fe3d5b7cba0c9bMD52ORIGINALDISS_2015_Natália Salomé de Souza.pdfDISS_2015_Natália Salomé de Souza.pdfapplication/pdf3085936http://localhost/bitstream/1/202/1/DISS_2015_Nat%C3%A1lia+Salom%C3%A9+de+Souza.pdf7977f55038ff9f4443c4b9cd5aa5c33eMD511/2022017-02-15 03:00:19.899oai:localhost:1/202TElDRU7Dh0EgREUgRElTVFJJQlVJw4fDg08gTsODTy1FWENMVVNJVkEKCkNvbSBhIGFwcmVzZW50YcOnw6NvIGRlc3RhIGxpY2Vuw6dhLCB2b2PDqiAobyBhdXRvciAoZXMpIG91IG8gdGl0dWxhciBkb3MgZGlyZWl0b3MgZGUgYXV0b3IpIGNvbmNlZGUgYW8gUmVwb3NpdMOzcmlvIApJbnN0aXR1Y2lvbmFsIG8gZGlyZWl0byBuw6NvLWV4Y2x1c2l2byBkZSByZXByb2R1emlyLCAgdHJhZHV6aXIgKGNvbmZvcm1lIGRlZmluaWRvIGFiYWl4byksIGUvb3UgZGlzdHJpYnVpciBhIApzdWEgcHVibGljYcOnw6NvIChpbmNsdWluZG8gbyByZXN1bW8pIHBvciB0b2RvIG8gbXVuZG8gbm8gZm9ybWF0byBpbXByZXNzbyBlIGVsZXRyw7RuaWNvIGUgZW0gcXVhbHF1ZXIgbWVpbywgaW5jbHVpbmRvIG9zIApmb3JtYXRvcyDDoXVkaW8gb3UgdsOtZGVvLgoKVm9jw6ogY29uY29yZGEgcXVlIG8gRGVwb3NpdGEgcG9kZSwgc2VtIGFsdGVyYXIgbyBjb250ZcO6ZG8sIHRyYW5zcG9yIGEgc3VhIHB1YmxpY2HDp8OjbyBwYXJhIHF1YWxxdWVyIG1laW8gb3UgZm9ybWF0byAKcGFyYSBmaW5zIGRlIHByZXNlcnZhw6fDo28uCgpWb2PDqiB0YW1iw6ltIGNvbmNvcmRhIHF1ZSBvIERlcG9zaXRhIHBvZGUgbWFudGVyIG1haXMgZGUgdW1hIGPDs3BpYSBkZSBzdWEgcHVibGljYcOnw6NvIHBhcmEgZmlucyBkZSBzZWd1cmFuw6dhLCBiYWNrLXVwIAplIHByZXNlcnZhw6fDo28uCgpWb2PDqiBkZWNsYXJhIHF1ZSBhIHN1YSBwdWJsaWNhw6fDo28gw6kgb3JpZ2luYWwgZSBxdWUgdm9jw6ogdGVtIG8gcG9kZXIgZGUgY29uY2VkZXIgb3MgZGlyZWl0b3MgY29udGlkb3MgbmVzdGEgbGljZW7Dp2EuIApWb2PDqiB0YW1iw6ltIGRlY2xhcmEgcXVlIG8gZGVww7NzaXRvIGRhIHN1YSBwdWJsaWNhw6fDo28gbsOjbywgcXVlIHNlamEgZGUgc2V1IGNvbmhlY2ltZW50bywgaW5mcmluZ2UgZGlyZWl0b3MgYXV0b3JhaXMgCmRlIG5pbmd1w6ltLgoKQ2FzbyBhIHN1YSBwdWJsaWNhw6fDo28gY29udGVuaGEgbWF0ZXJpYWwgcXVlIHZvY8OqIG7Do28gcG9zc3VpIGEgdGl0dWxhcmlkYWRlIGRvcyBkaXJlaXRvcyBhdXRvcmFpcywgdm9jw6ogZGVjbGFyYSBxdWUgCm9idGV2ZSBhIHBlcm1pc3PDo28gaXJyZXN0cml0YSBkbyBkZXRlbnRvciBkb3MgZGlyZWl0b3MgYXV0b3JhaXMgcGFyYSBjb25jZWRlciBhbyBEZXBvc2l0YSBvcyBkaXJlaXRvcyBhcHJlc2VudGFkb3MgCm5lc3RhIGxpY2Vuw6dhLCBlIHF1ZSBlc3NlIG1hdGVyaWFsIGRlIHByb3ByaWVkYWRlIGRlIHRlcmNlaXJvcyBlc3TDoSBjbGFyYW1lbnRlIGlkZW50aWZpY2FkbyBlIHJlY29uaGVjaWRvIG5vIHRleHRvIApvdSBubyBjb250ZcO6ZG8gZGEgcHVibGljYcOnw6NvIG9yYSBkZXBvc2l0YWRhLgoKQ0FTTyBBIFBVQkxJQ0HDh8ODTyBPUkEgREVQT1NJVEFEQSBURU5IQSBTSURPIFJFU1VMVEFETyBERSBVTSBQQVRST0PDjU5JTyBPVSBBUE9JTyBERSBVTUEgQUfDik5DSUEgREUgRk9NRU5UTyBPVSBPVVRSTyAKT1JHQU5JU01PLCBWT0PDiiBERUNMQVJBIFFVRSBSRVNQRUlUT1UgVE9ET1MgRSBRVUFJU1FVRVIgRElSRUlUT1MgREUgUkVWSVPDg08gQ09NTyBUQU1Cw4lNIEFTIERFTUFJUyBPQlJJR0HDh8OVRVMgCkVYSUdJREFTIFBPUiBDT05UUkFUTyBPVSBBQ09SRE8uCgpPIERlcG9zaXRhIHNlIGNvbXByb21ldGUgYSBpZGVudGlmaWNhciBjbGFyYW1lbnRlIG8gc2V1IG5vbWUgKHMpIG91IG8ocykgbm9tZShzKSBkbyhzKSBkZXRlbnRvcihlcykgZG9zIGRpcmVpdG9zIAphdXRvcmFpcyBkYSBwdWJsaWNhw6fDo28sIGUgbsOjbyBmYXLDoSBxdWFscXVlciBhbHRlcmHDp8OjbywgYWzDqW0gZGFxdWVsYXMgY29uY2VkaWRhcyBwb3IgZXN0YSBsaWNlbsOnYS4KRepositório InstitucionalPUBhttp://ri.ufmt.br/oai/requestjordanbiblio@gmail.comopendoar:2017-02-15T06:00:19Repositório Institucional da UFMT - Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT)false
dc.title.pt_BR.fl_str_mv A escrita feminina na lírica de Maria Teresa Horta
title A escrita feminina na lírica de Maria Teresa Horta
spellingShingle A escrita feminina na lírica de Maria Teresa Horta
Souza, Natália Salomé de
CNPQ::LINGUISTICA, LETRAS E ARTES
Maria Teresa Horta
Escrita feminina
Ginocrítica
Maria Teresa Horta
Women’s writing
Gynocritics
title_short A escrita feminina na lírica de Maria Teresa Horta
title_full A escrita feminina na lírica de Maria Teresa Horta
title_fullStr A escrita feminina na lírica de Maria Teresa Horta
title_full_unstemmed A escrita feminina na lírica de Maria Teresa Horta
title_sort A escrita feminina na lírica de Maria Teresa Horta
author Souza, Natália Salomé de
author_facet Souza, Natália Salomé de
author_role author
dc.contributor.advisor1.fl_str_mv Pereira, Vinícius Carvalho
dc.contributor.advisor1Lattes.fl_str_mv http://lattes.cnpq.br/5304593788129950
dc.contributor.referee1.fl_str_mv Pereira, Vinícius Carvalho
dc.contributor.referee1ID.fl_str_mv 109.873.267-75
dc.contributor.referee1Lattes.fl_str_mv http://lattes.cnpq.br/5304593788129950
dc.contributor.referee2.fl_str_mv Benfatti, Flávia Andréa Rodrigues
dc.contributor.referee2ID.fl_str_mv 102.787.048-16
dc.contributor.referee2Lattes.fl_str_mv http://lattes.cnpq.br/6412107397671158
dc.contributor.advisor1ID.fl_str_mv 109.873.267-75
dc.contributor.referee3.fl_str_mv Ramos, Tania Regina Oliveira
dc.contributor.referee3ID.fl_str_mv 032.265.229-49
dc.contributor.referee3Lattes.fl_str_mv http://lattes.cnpq.br/1347288334988743
dc.contributor.authorID.fl_str_mv 024.812.651-22
dc.contributor.authorLattes.fl_str_mv http://lattes.cnpq.br/2450520174806901
dc.contributor.author.fl_str_mv Souza, Natália Salomé de
contributor_str_mv Pereira, Vinícius Carvalho
Pereira, Vinícius Carvalho
Benfatti, Flávia Andréa Rodrigues
Ramos, Tania Regina Oliveira
dc.subject.cnpq.fl_str_mv CNPQ::LINGUISTICA, LETRAS E ARTES
topic CNPQ::LINGUISTICA, LETRAS E ARTES
Maria Teresa Horta
Escrita feminina
Ginocrítica
Maria Teresa Horta
Women’s writing
Gynocritics
dc.subject.keyword.pt_BR.fl_str_mv Maria Teresa Horta
Escrita feminina
Ginocrítica
dc.subject.keyword2.pt_BR.fl_str_mv Maria Teresa Horta
Women’s writing
Gynocritics
description Na busca de uma escrita que falasse do corpo feminino pela própria mulher, encontrei a lírica de Maria Teresa Horta. Em seus poemas, a eu-lírica dá voz a um corpo, de forma a desamarrá-lo de um jugo patriarcal. Há, portanto, uma voz e uma escrita feminina que partem de uma imanência, analisadas, a princípio, a partir de um movimento interior que nos responderá perguntas essenciais, tais como: o que torna esta escrita verdadeiramente feminina? Em quais aspectos ela diverge de uma escrita masculina? Esta escrita é uma manifestação biológica ou seu conceito não se funda nesta perspectiva? Na concepção de Hélène Cixous e Luce Irigaray, teóricas do feminismo da diferença, há um ser mulher que foi constantemente apagado pela lei do pai e do logos, portanto a escrita e a fala feminina precisariam subverter o falogocentrismo e deixarem-se fluir através do próprio corpo feminino. Seria a retomada da linguagem semiótica de Kristeva, essencialmente feminina e circular, que não se prende na denominação e estaticidade do nome. Numa linguagem poética e erótica, encontramos esta fala do corpo que em si ultrapassa uma ordem imposta à sociedade, e isto nos leva ao segundo movimento – um movimento exterior. As implicações de uma retomada do corpo feminino pelas mulheres fora da soberania patriarcal levariam a uma mudança completa da sociedade, em que homens e mulheres não ocupariam espaços verticais; antes disso, suas posições sociais dar-se-iam num eixo horizontal em que não haveria hierarquia, logo as mulheres não seriam subalternas aos homens e vice-versa. Haveria respeito mútuo dentro da diferença e politicamente a diferença de gênero não seria motivo de discriminação e subalternidade. A poesia representa, portanto, a possibilidade de subversão da ordem patriarcal, da ordem do falo, desde que, quando produzida por mulheres, seja uma escrita do corpo feminino, uma escrita feminina que se diz a partir da voz de uma eu-lírica. Da mesma forma que do devir mulher surge uma lírica feminina, emerge também a ginocrítica – teoria literária que marca uma tradição feminina nos estudos da literatura que rejeita a crítica tradicional.
publishDate 2015
dc.date.issued.fl_str_mv 2015-12-07
dc.date.available.fl_str_mv 2016-01-06
2017-02-13T15:59:45Z
dc.date.accessioned.fl_str_mv 2017-02-13T15:59:45Z
dc.type.status.fl_str_mv info:eu-repo/semantics/publishedVersion
dc.type.driver.fl_str_mv info:eu-repo/semantics/masterThesis
format masterThesis
status_str publishedVersion
dc.language.iso.fl_str_mv por
language por
dc.rights.driver.fl_str_mv info:eu-repo/semantics/openAccess
eu_rights_str_mv openAccess
dc.publisher.none.fl_str_mv Universidade Federal de Mato Grosso
dc.publisher.program.fl_str_mv Programa de Pós-Graduação em Estudos de Linguagem
dc.publisher.initials.fl_str_mv UFMT CUC - Cuiabá
dc.publisher.country.fl_str_mv Brasil
dc.publisher.department.fl_str_mv Instituto de Linguagens (IL)
publisher.none.fl_str_mv Universidade Federal de Mato Grosso
dc.source.none.fl_str_mv reponame:Repositório Institucional da UFMT
instname:Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT)
instacron:UFMT
instname_str Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT)
instacron_str UFMT
institution UFMT
reponame_str Repositório Institucional da UFMT
collection Repositório Institucional da UFMT
bitstream.url.fl_str_mv http://localhost/bitstream/1/202/3/DISS_2015_Nat%C3%A1lia+Salom%C3%A9+de+Souza.pdf.txt
http://localhost/bitstream/1/202/2/license.txt
http://localhost/bitstream/1/202/1/DISS_2015_Nat%C3%A1lia+Salom%C3%A9+de+Souza.pdf
bitstream.checksum.fl_str_mv 917f4b6addb93942339e9261e2900ab0
43cd690d6a359e86c1fe3d5b7cba0c9b
7977f55038ff9f4443c4b9cd5aa5c33e
bitstream.checksumAlgorithm.fl_str_mv MD5
MD5
MD5
repository.name.fl_str_mv Repositório Institucional da UFMT - Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT)
repository.mail.fl_str_mv jordanbiblio@gmail.com
_version_ 1873189987383508992