Vivência da gagueira por adultos: sentidos, ações e interpretações

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Sousa, Rachel Cassiano de
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://biblioteca.sophia.com.br/terminalri/9575/acervo/detalhe/593167
Resumo: O adulto que gagueja enfrenta desafios comunicativos que podem impactar sua vida social, emocional e profissional, tornando essencial a investigação científica sobre os significados, as ações e as interpretações sobre a gagueira. Pensou-se, pois, em estudar o distúrbio da fluência que mais acomete a população no mundo, a gagueira, na perspectiva do adulto que vivencia e lida diariamente com esse distúrbio. Este trabalho objetivou compreender os sentidos, as ações e as interpretações atribuídas à gagueira por adultos acometidos por essa alteração. Realizou-se um estudo exploratório, com abordagem qualitativa e associada, de forma complementar, a dados quantitativos. O Interacionismo Simbólico e a Teoria Neurolinguística e Motora da Gagueira foram as lentes teóricas deste estudo, que se realizou em duas etapas. Na primeira etapa foi aplicado o questionário Perfil socioeconômico e sobre condições de saúde de adultos que gaguejam, participaram 106 adultos com gagueira. Os dados quantitativos foram identificados a partir de quatro dimensões: grupo social, histórico familiar, perfil socioeconômico e caracterização da gagueira. A análise dos dados foi realizada por meio de estatística descritiva e testes de associação. Observou-se que o grupo social estudado possui idade entre 19 e 65 anos, 57,5% do gênero masculino, 67% solteiros. Quanto ao histórico familiar, 22,6% possuem filhos e destes, 7,5% gaguejam. 62,3% dos adultos com gagueira possuem outros membros na família que também gaguejam. A caracterização socioeconômica mostrou que 50,9% residem em moradia própria, 34,9% são graduados, 17,9% especialistas, 6,6% mestres, 1,9% doutores e 71,7% estão inseridos no mercado de trabalho. Sobre a caracterização da gagueira, na percepção dos participantes, a gagueira se manifesta em diversas situações: ao falar determinadas palavras (23,6%), ao falar com certas pessoas (22,7%), numa ligação telefônica (16,2%), perguntar algo para outra pessoa é uma situação desafiadora (17,2%). Quanto aos tratamentos realizados, 85,8% já fizeram tratamento para a gagueira com um fonoaudiólogo, 43,4% já foram acompanhados por um psicólogo, dentre os quais, 22,6% fizeram esse tratamento na vida adulta. Todos os participantes utilizam os serviços de saúde, sendo que 27,4% buscam o SUS, 25,5% são usuários dos planos de saúde e 16% buscam serviços de saúde de modo particular. A gagueira prejudica as relações familiares, profissionais e sociais para 77,4% dos participantes. As associações encontradas nos cruzamentos dos dados quantitativos mostraram que há diferenças de percepções e ações quando analisados pelo gênero: 80,3% dos homens e 58,1% das mulheres se encontram trabalhando; 14,8% dos homens relacionam o início da sua gagueira a uma causa particular, enquanto 30,2% das mulheres atribuem-no a alguma particularidade; os homens buscam mais o fonoaudiólogo do que as mulheres para o tratamento da gagueira. Na segunda etapa foi aplicado o Roteiro do grupo focal para o adulto que gagueja com 27 participantes. A Análise de Conteúdo na modalidade temática foi utilizada e identificaram-se quatro temáticas as quais coincidem com as três premissas do Interacionismo Simbólico ("significados da gagueira para o adulto que gagueja", "estratégias de evitação da gagueira", "acesso ao fonoaudiólogo nos serviços de saúde" e "visão dos participantes sobre a evolução da gagueira ao longo do tempo" e doze núcleos de sentido. Estes dados correlacionam-se entre si e mostram a visão dos adultos sobre a gagueira. Nessa análise, verificaram-se que os adultos que gaguejam possuem conhecimentos técnicos sobre a gagueira e que vários fatores interferem para o seu surgimento e manutenção, sendo a gagueira um transtorno multifatorial, assim como descreve a Teoria Neurolinguística e Motora da Gagueira. Os adultos que gaguejam utilizam estratégias que aprenderam sozinhos ou com o fonoaudiólogo como mecanismo de evitação da gagueira; acessam o fonoaudiólogo no SUS, no plano de saúde ou de modo particular para o tratamento da gagueira, evidenciando os desafios desde a infância até a vida adulta na busca deste profissional nos serviços de saúde. Possuem uma visão clara sobre a evolução da gagueira ao longo do tempo com destaque para as mudanças observadas e não observadas da infância à idade adulta além de fatores que influenciam na variabilidade da gagueira. Assim, o presente estudo permitiu conhecer as principais características de adultos que gaguejam no Brasil, uma vez que os sentimentos, as ações e as interpretações dos adultos sobre a gagueira permitem um olhar contextualizado sobre a questão, favorecendo a instrumentalização de fonoaudiólogos, moderadores de grupos de apoio, familiares e os próprios adultos que gaguejam a redimensionarem os seus conhecimentos e as ações voltadas aos cuidados da pessoa que gagueja. Palavras-chave: gagueira; transtornos da comunicação; fonoaudiologia; promoção da saúde.
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Na primeira etapa foi aplicado o questionário Perfil socioeconômico e sobre condições de saúde de adultos que gaguejam, participaram 106 adultos com gagueira. Os dados quantitativos foram identificados a partir de quatro dimensões: grupo social, histórico familiar, perfil socioeconômico e caracterização da gagueira. A análise dos dados foi realizada por meio de estatística descritiva e testes de associação. Observou-se que o grupo social estudado possui idade entre 19 e 65 anos, 57,5% do gênero masculino, 67% solteiros. Quanto ao histórico familiar, 22,6% possuem filhos e destes, 7,5% gaguejam. 62,3% dos adultos com gagueira possuem outros membros na família que também gaguejam. A caracterização socioeconômica mostrou que 50,9% residem em moradia própria, 34,9% são graduados, 17,9% especialistas, 6,6% mestres, 1,9% doutores e 71,7% estão inseridos no mercado de trabalho. Sobre a caracterização da gagueira, na percepção dos participantes, a gagueira se manifesta em diversas situações: ao falar determinadas palavras (23,6%), ao falar com certas pessoas (22,7%), numa ligação telefônica (16,2%), perguntar algo para outra pessoa é uma situação desafiadora (17,2%). Quanto aos tratamentos realizados, 85,8% já fizeram tratamento para a gagueira com um fonoaudiólogo, 43,4% já foram acompanhados por um psicólogo, dentre os quais, 22,6% fizeram esse tratamento na vida adulta. Todos os participantes utilizam os serviços de saúde, sendo que 27,4% buscam o SUS, 25,5% são usuários dos planos de saúde e 16% buscam serviços de saúde de modo particular. A gagueira prejudica as relações familiares, profissionais e sociais para 77,4% dos participantes. As associações encontradas nos cruzamentos dos dados quantitativos mostraram que há diferenças de percepções e ações quando analisados pelo gênero: 80,3% dos homens e 58,1% das mulheres se encontram trabalhando; 14,8% dos homens relacionam o início da sua gagueira a uma causa particular, enquanto 30,2% das mulheres atribuem-no a alguma particularidade; os homens buscam mais o fonoaudiólogo do que as mulheres para o tratamento da gagueira. Na segunda etapa foi aplicado o Roteiro do grupo focal para o adulto que gagueja com 27 participantes. A Análise de Conteúdo na modalidade temática foi utilizada e identificaram-se quatro temáticas as quais coincidem com as três premissas do Interacionismo Simbólico ("significados da gagueira para o adulto que gagueja", "estratégias de evitação da gagueira", "acesso ao fonoaudiólogo nos serviços de saúde" e "visão dos participantes sobre a evolução da gagueira ao longo do tempo" e doze núcleos de sentido. Estes dados correlacionam-se entre si e mostram a visão dos adultos sobre a gagueira. Nessa análise, verificaram-se que os adultos que gaguejam possuem conhecimentos técnicos sobre a gagueira e que vários fatores interferem para o seu surgimento e manutenção, sendo a gagueira um transtorno multifatorial, assim como descreve a Teoria Neurolinguística e Motora da Gagueira. Os adultos que gaguejam utilizam estratégias que aprenderam sozinhos ou com o fonoaudiólogo como mecanismo de evitação da gagueira; acessam o fonoaudiólogo no SUS, no plano de saúde ou de modo particular para o tratamento da gagueira, evidenciando os desafios desde a infância até a vida adulta na busca deste profissional nos serviços de saúde. Possuem uma visão clara sobre a evolução da gagueira ao longo do tempo com destaque para as mudanças observadas e não observadas da infância à idade adulta além de fatores que influenciam na variabilidade da gagueira. Assim, o presente estudo permitiu conhecer as principais características de adultos que gaguejam no Brasil, uma vez que os sentimentos, as ações e as interpretações dos adultos sobre a gagueira permitem um olhar contextualizado sobre a questão, favorecendo a instrumentalização de fonoaudiólogos, moderadores de grupos de apoio, familiares e os próprios adultos que gaguejam a redimensionarem os seus conhecimentos e as ações voltadas aos cuidados da pessoa que gagueja. Palavras-chave: gagueira; transtornos da comunicação; fonoaudiologia; promoção da saúde.Adults who stutter face communicative challenges that may impact their social, emotional, and professional lives, making scientific investigation into the meanings, behaviors, and interpretations surrounding stuttering essential. This study aimed to explore the most prevalent fluency disorder globally—stuttering—from the perspective of adults who experience of this condition daily. The objective was to understand the meanings, behaviors, and interpretations attributed to stuttering by adults who stutter. An exploratory study was conducted using a qualitative approach, complemented by quantitative data. Symbolic Interactionism and the Neurolinguistic and Motor Theory of Stuttering served as the theoretical frameworks for this research, which unfolded in two stages. In the first stage, the "Socioeconomic Profile and Health Conditions of Adults Who Stutter" questionnaire was administered to 106 adults who stutter. Quantitative data were analyzed across four dimensions: social group, family history, socioeconomic profile, and stuttering characteristics. Descriptive statistics and association tests were used for data analysis. Findings revealed that the study group consisted of individuals aged 19 to 65 years, 57.5% of whom were male, and 67% were single. Regarding family history, 22.6% had children, and among those, 7.5% of the children also stuttered. Furthermore, 62.3% of adults who stutter reported having other family members who also stuttered. Socioeconomic characterization showed that 50.9% lived in their own homes, 34.9% held undergraduate degrees, 17.9% were specialists, 6.6% held master’s degrees, 1.9% had doctoral degrees, and 71.7% were employed. Regarding stuttering characteristics, participants reported stuttering in various situations: when saying certain words (23.6%), when speaking to specific people (22.7%), during phone calls (16.2%), or when asking someone a question (17.2%)—a particularly challenging scenario. In terms of treatment, 85.8% had undergone speech-language therapy, 43.4% had received psychological support, and of these, 22.6% did so during adulthood. All participants utilized health services: 27.4% used the public healthcare system (SUS), 25.5% had private health insurance, and 16% accessed care privately. Stuttering negatively impacted familial, professional, and social relationships for 77.4% of participants. Cross-analysis of quantitative data revealed gender-based differences in perceptions and behaviors: 80.3% of men versus 58.1% of women were employed; 14.8% of men attributed the onset of their stuttering to a specific cause, compared to 30.2% of women; men were more likely than women to seek speech-language therapy for stuttering treatment. In the second stage, a focus group protocol for adults who stutter was applied with 27 participants. Thematic Content Analysis identified four themes, which aligned with the three tenets of Symbolic Interactionism: (1) meanings of stuttering for adults who stutter, (2) avoidance strategies for stuttering, (3) access to speech-language pathologists in healthcare services, and (4) participants' perspectives on the evolution of stuttering over time. Twelve meaning cores were also identified. These findings revealed interconnected perceptions and highlighted adults' insights about stuttering. The analysis showed that adults who stutter demonstrate technical knowledge about stuttering and recognize that multiple factors contribute to its onset and persistence, reinforcing the notion that stuttering is a multifactorial disorder, as described in the Neurolinguistic and Motor Theory of Stuttering. Adults employed self-taught or clinician-taught strategies to avoid stuttering; they accessed speech-language therapy through public health services (SUS), private insurance, or out-of-pocket, underscoring the lifelong challenge of obtaining care. They demonstrated a clear understanding of how stuttering evolves over time, noting both observable and subtle changes from childhood to adulthood, as well as the factors influencing its variability. This study allowed for an in-depth understanding of the main characteristics of adults who stutter in Brazil. The meanings, behaviors, and interpretations they shared provide a contextualized perspective on the disorder, helping to better inform speech-language pathologists, support group facilitators, families, and adults who stutter themselves in redefining their knowledge and approaches to supporting individuals who stutter. Keywords: stuttering; communication disorders; speech-language pathology; health promotion.A Tese foi enviada com autorização e certificação via CI 33008/25 em 04/06/2025.Brasil, Christina Cesar PracaAssenço, Ana Manhani CáceresCarvalho, Wilson Júnior de AraújoAlmeida, Ana Mattos Brito dePalmeira, Charleston TeixeiraFrota, Mirna AlbuquerqueBrilhante, Aline Veras MoraisUniversidade de Fortaleza. Programa de Pós-Graduação em Saúde ColetivaSousa, Rachel Cassiano de2025info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdf182f.https://biblioteca.sophia.com.br/terminalri/9575/acervo/detalhe/593167https://uol.unifor.br/auth-sophia/exibicao/42766porreponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UNIFORinstname:Universidade de Fortaleza (UNIFOR)instacron:UNIFORinfo:eu-repo/semantics/openAccess2025-06-05T13:24:24Zoai::593167Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttps://www.unifor.br/bdtdONGhttp://dspace.unifor.br/oai/requestbib@unifor.br||bib@unifor.bropendoar:2025-06-05T13:24:24Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UNIFOR - Universidade de Fortaleza (UNIFOR)false
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