Questão ambiental e regulação pública do meio ambiente : uma análise das ações do estado frente à destruição do ecossistema lacustre na cidade de Iguatu/CE

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2023
Autor(a) principal: PINHEIRO, Maria Keile
Orientador(a): SILVA, Maria das Graças e
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
dARK ID: ark:/64986/001300000qpf8
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal de Pernambuco
Programa de Pós-Graduação: Programa de Pos Graduacao em Servico Social
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Brasil
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/56114
Resumo: A “questão ambiental” é produzida e aprofundada no capitalismo, o qual se baseia na lógica exploradora e extrativista, reduzida aos anseios de aumento dos lucros, pautada no valor de troca e geradora de uma ruptura irreparável nas relações entre humanidade e natureza. A partir dessas relações, são produzidos processos históricos e diversos de expulsão dos sujeitos das terras em que vivem, como foi possível observar pelo debate de acumulação primitiva em Marx. O desenvolvimento urbano, ordenado sob esta lógica, desconsidera o atendimento primário das necessidades humanas e impõe relações destrutivas que degradam a vida dos animais humanos e não humanos e, em medida crescente, elimina os meios de subsistência presentes na natureza, o que se dá em grande medida com a anuência do Estado. A partir disso, o presente estudo teve como objetivo analisar o papel do Estado diante da destruição do ecossistema lacustre na cidade de Iguatu/CE no período entre 2019 e 2022, tendo como referência empírica os conflitos produzidos em torno dos usos e da conservação/preservação da Lagoa da Bastiana. Para tal propósito, se ancorou no materialismo histórico-dialético com a pretensão de entender as contradições e mediações que consubstanciam a “questão ambiental” no território. Metodologicamente, desenvolveu uma abordagem qualitativa e realizou pesquisas bibliográfica e documental, além de entrevistas semiestruturadas com gestor/a e servidor/a da Secretaria de Meio Ambiente, Sustentabilidade e Proteção Animal e com militante que participa do movimento SOS Bastiana. Como síntese das análises realizadas, se destaca os processos que não preservam a memória dos povos indígenas no território e apagam a existência do ecossistema lacustre da “cidade das lagoas”, o que se dá pelo contínuo aterramento dessas áreas e pela não disseminação da sua história, que, por sua vez, tem relação direta com os interesses do mercado imobiliário em se apropriar das terras dessa região e usá-las como propriedade privada. Essa é uma dinâmica produtora de conflitos dos quais se destaca a luta em defesa da preservação da Lagoa da Bastiana protagonizada pelo movimento SOS Bastiana, diante da mais recente obra de urbanização da referida Lagoa, projeto impulsionado pela Prefeitura Municipal de Iguatu. No tocante à regulação pública do meio ambiente, avanços legais quanto à proteção do ecossistema lacustre podem ser observados, contudo a continuidade do aterramento das lagoas e mais especificamente da Lagoa da Bastiana, da concessão de licenciamento ambiental autorizando construções nos anos estudados evidencia que, embora minimamente regulamentada a proteção desse ecossistema não vem sendo garantida. O aterramento da Lagoa da Bastiana e a desconsideração pela proteção, preservação e recuperação do ecossistema lacustre não são ações particulares do Estado na temporalidade pesquisada, pois o estágio de degradação desse ecossistema permite afirmar que atravessam a atuação histórica das consecutivas gestões públicas.
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O desenvolvimento urbano, ordenado sob esta lógica, desconsidera o atendimento primário das necessidades humanas e impõe relações destrutivas que degradam a vida dos animais humanos e não humanos e, em medida crescente, elimina os meios de subsistência presentes na natureza, o que se dá em grande medida com a anuência do Estado. A partir disso, o presente estudo teve como objetivo analisar o papel do Estado diante da destruição do ecossistema lacustre na cidade de Iguatu/CE no período entre 2019 e 2022, tendo como referência empírica os conflitos produzidos em torno dos usos e da conservação/preservação da Lagoa da Bastiana. Para tal propósito, se ancorou no materialismo histórico-dialético com a pretensão de entender as contradições e mediações que consubstanciam a “questão ambiental” no território. Metodologicamente, desenvolveu uma abordagem qualitativa e realizou pesquisas bibliográfica e documental, além de entrevistas semiestruturadas com gestor/a e servidor/a da Secretaria de Meio Ambiente, Sustentabilidade e Proteção Animal e com militante que participa do movimento SOS Bastiana. Como síntese das análises realizadas, se destaca os processos que não preservam a memória dos povos indígenas no território e apagam a existência do ecossistema lacustre da “cidade das lagoas”, o que se dá pelo contínuo aterramento dessas áreas e pela não disseminação da sua história, que, por sua vez, tem relação direta com os interesses do mercado imobiliário em se apropriar das terras dessa região e usá-las como propriedade privada. Essa é uma dinâmica produtora de conflitos dos quais se destaca a luta em defesa da preservação da Lagoa da Bastiana protagonizada pelo movimento SOS Bastiana, diante da mais recente obra de urbanização da referida Lagoa, projeto impulsionado pela Prefeitura Municipal de Iguatu. No tocante à regulação pública do meio ambiente, avanços legais quanto à proteção do ecossistema lacustre podem ser observados, contudo a continuidade do aterramento das lagoas e mais especificamente da Lagoa da Bastiana, da concessão de licenciamento ambiental autorizando construções nos anos estudados evidencia que, embora minimamente regulamentada a proteção desse ecossistema não vem sendo garantida. O aterramento da Lagoa da Bastiana e a desconsideração pela proteção, preservação e recuperação do ecossistema lacustre não são ações particulares do Estado na temporalidade pesquisada, pois o estágio de degradação desse ecossistema permite afirmar que atravessam a atuação histórica das consecutivas gestões públicas.CAPESThe “environmental issue” is produced and deepened in capitalism, which is based on exploitative and extractive logic, reduced to the desire to increase profits, based on exchange value and generating an irreparable rupture in the relations between humanity and nature. From these relationships, historical and diverse processes of expulsion of subjects from the lands where they live are produced, as was possible to observe in the debate on primitive accumulation in Marx. Urban development, ordered under this logic, disregards the primary care of human needs and imposes destructive relationships that degrade the lives of human and non-human animals and, to an increasing extent, eliminates the means of subsistence present in nature, which results in largely with the consent of the State. Based on this, the present study aimed to analyze the role of the State in the face of the destruction of the lake ecosystem in the city of Iguatu/CE in the period between 2019 and 2022, taking as an empirical reference the conflicts produced around uses and conservation/preservation from Bastiana Lagoon. For this purpose, they were anchored in historical-dialectical materialism with the intention of understanding the contradictions and mediations that substantiate the “environmental issue” in the territory. Methodologically, it developed a qualitative approach and carried out bibliographical and documentary research, in addition to semi-structured interviews with a manager and employee of the Secretariat for the Environment, Sustainability and Animal Protection and with a militant who participates in the SOS Bastiana movement. As a summary of the analyzes carried out, we highlight the processes that do not preserve the memory of indigenous peoples in the territory and erase the existence of the lake ecosystem of the “city of lagoons”, which is due to the continuous landfilling of these areas and the non-dissemination of their history , which, in turn, is directly related to the interests of the real estate market in appropriating land in this region and using it as private property. This is a dynamic that produces conflicts, of which the fight in defense of the preservation of Lagoa da Bastiana led by the SOS Bastiana movement stands out, in the face of the most recent urbanization work on said Lagoa, a project promoted by the Municipality of Iguatu. Regarding public regulation of the environment, legal advances regarding the protection of the lake ecosystem can be observed, however the continuity of the filling of the lagoons and more specifically of the Bastiana Lagoon, the granting of environmental licensing authorizing constructions in the years studied shows that, although minimally regulated protection of this ecosystem has not been guaranteed. The filling of the Bastiana Lagoon and the disregard for the protection, preservation and recovery of the lake ecosystem are not particular actions of the State in the temporality researched, as the stage of degradation of this ecosystem allows us to affirm that they cross the historical performance of consecutive public administrations.porUniversidade Federal de PernambucoPrograma de Pos Graduacao em Servico SocialUFPEBrasilAttribution-NonCommercial-NoDerivs 3.0 Brazilhttp://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/3.0/br/info:eu-repo/semantics/openAccessQuestão ambientalEstadoAmbiental - PolíticaQuestão ambiental e regulação pública do meio ambiente : uma análise das ações do estado frente à destruição do ecossistema lacustre na cidade de Iguatu/CEinfo:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesismestradoreponame:Repositório Institucional da UFPEinstname:Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)instacron:UFPETEXTDISSERTAÇÃO Maria Keile Pinheiro.pdf.txtDISSERTAÇÃO Maria Keile Pinheiro.pdf.txtExtracted texttext/plain601070https://repositorio.ufpe.br/bitstream/123456789/56114/4/DISSERTA%c3%87%c3%83O%20Maria%20Keile%20Pinheiro.pdf.txt42f041cdb8d87257ff2f20b98236cadbMD54THUMBNAILDISSERTAÇÃO Maria Keile Pinheiro.pdf.jpgDISSERTAÇÃO Maria Keile Pinheiro.pdf.jpgGenerated Thumbnailimage/jpeg1259https://repositorio.ufpe.br/bitstream/123456789/56114/5/DISSERTA%c3%87%c3%83O%20Maria%20Keile%20Pinheiro.pdf.jpga0b2bfdd7f37292530843f4afd9cf609MD55CC-LICENSElicense_rdflicense_rdfapplication/rdf+xml; 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