Histórias de vida de pessoas transgêneros : identidades e memórias nos espaços escolares

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2024
Autor(a) principal: OLIVEIRA, Andreza de Souza
Orientador(a): OLIVEIRA, Aurenéa Maria de
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
dARK ID: ark:/64986/00130000278k1
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal de Pernambuco
Programa de Pós-Graduação: Programa de Pos Graduacao em Educacao
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Brasil
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/62673
Resumo: Através da História de Vida, essa pesquisa buscou evidenciar os desafios experienciados por pessoas trans (um homem trans e uma travesti/mulher trans) durante as suas respectivas trajetórias de vida, com foco no espaço escolar. Alice, uma mulher trans de 38 anos, é alegre e cheia de esperança apesar das dificuldades que enfrentou, como bullying na infância e responsabilidades precoces em casa. Sua entrevista ocorreu no Shopping Boa Vista, em Recife/PE. O segundo entrevistado, Felipe, é um homem trans de 20 anos e estudante do CIn na UFPE. A entrevista foi realizada no período da tarde, na biblioteca do CAC. Durante a execução desse trabalho, foi realizado um levantamento dos índices de violência contra pessoas trans no Brasil e, posteriormente, especificamente no estado de Pernambuco, por meio de organizações não governamentais especializadas na apuração desses dados. As principais fontes utilizadas foram o Grupo Gay da Bahia (GGB), uma ONG fundada em 1980 e a mais antiga do Brasil em defesa dos direitos LGBTQIA+, e os dossiês da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA), organização brasileira dedicada ao apoio e defesa dos direitos da população de travestis e transexuais e ao combate à transfobia, anteriormente conhecida como Rede Nacional de Travestis e, antes disso, como ASTRAL. Também foram consultados relatórios da Secretaria de Defesa Social do Estado de Pernambuco para recolher dados sobre agressões sofridas por pessoas transgênero no estado. O arcabouço teórico principal, veio da filósofa pós-estruturalista Judith Butler com seus livros Corpos que importam (2019) e Problemas de Gênero (2002). A metodologia utilizada conciliou a história de vida com a Análise de Discurso francesa (AD). Cada história de vida traz uma perspectiva única, experienciada por cada indivíduo, enquanto a existência humana reflete diversas dimensões que revelam aspectos da sociedade em que vivemos, como valores sociais e culturais, contextos históricos e econômicos, além das organizações e instituições de cada época. Dessa forma, a abordagem de história de vida amplia o estudo dos processos de aprendizagem do nível individual para o social, possibilitando a compreensão desses processos ao situá-los em um contexto mais extenso, que vai além do campo da educação (Ferraza; Antonello, 2017). A Análise de Discurso (AD) é considerada uma disciplina de intersecção, surgida a partir das contradições epistemológicas historicamente condicionadas que atravessam diferentes campos do conhecimento. Sua proposta é integrar ciências sociais, linguística, teoria do discurso e psicanálise, promovendo reflexões que vão além da linguagem e abrangem também a ideologia. A rede conceitual da AD articula três áreas do saber, com uma base teórica psicanalítica sobre o sujeito: (1) o materialismo histórico, que aborda as formações sociais, suas transformações e ideologias; (2) a linguística, que investiga os mecanismos sintáticos e os processos de enunciação; e (3) a teoria do discurso, que analisa a determinação histórica dos processos de significado (Orlandi, 2013). Aqui, o debate sobre a transexualidade entra em cena na perspectiva de desafiar a ordem binária de gênero. A identidade trans é uma vivência profundamente pessoal e que varia imensamente de indivíduo para indivíduo, incluindo diversas maneiras de se expressar. Alice identifica-se como travesti e não como mulher trans, embora considere os termos conceitualmente equivalentes. Essa escolha nos leva a refletir sobre a distinção entre as identidades de mulher trans e travesti. Observando as camadas sociais ao nosso redor, percebe-se que esses termos estão profundamente ligados à condição social. A interseção entre identidade de gênero e classe social evidencia um ciclo de exclusão, no qual a pobreza e a vulnerabilidade social aumentam os desafios enfrentados pelas travestis. A memória discursiva presente no relato de Felipe remete à sua infância em Feira Nova, no interior de Pernambuco, onde associa o ambiente familiar e escolar a normas rígidas sobre seu comportamento e às expectativas sociais relacionadas ao seu desempenho de gênero como menina. Ele expressa, sem reservas, sentimentos contraditórios sobre essa fase, reconhecendo a dor da exclusão por colegas, mas ainda assim conseguindo relembrar momentos positivos. O interdiscurso que permeia seu relato, especialmente ao mencionar o "padrão normal de meninas," sugere uma crítica implícita à normatividade de gênero e à heteronormatividade. O uso das aspas em sua fala desafia essas normas de gênero, pois, de forma consciente, ele critica essas imposições sociais invisíveis que continuam a impactar a vida das pessoas, como ele próprio. Como resultado, a partir da metodologia aplicada, localizamos nas histórias de vida de nossos entrevistados, especificamente no ambiente escolar, a presença do bullying advindo sobretudo da ideologia cristã na produção de estigmas e de transfobia. A educação desempenha um papel essencial no combate à transfobia, ao bullying e a outras formas de violência. Como espaço de formação de opinião, ela pode fomentar uma compreensão mais abrangente das questões de gênero. Uma escola com professores e gestores mais bem preparados, munidos de informações adequadas para lidar com a diversidade, tende a promover a pluralidade, criando ambientes onde a diversidade é valorizada e os alunos são incentivados a questionar normas sociais opressivas de maneira saudável.
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O segundo entrevistado, Felipe, é um homem trans de 20 anos e estudante do CIn na UFPE. A entrevista foi realizada no período da tarde, na biblioteca do CAC. Durante a execução desse trabalho, foi realizado um levantamento dos índices de violência contra pessoas trans no Brasil e, posteriormente, especificamente no estado de Pernambuco, por meio de organizações não governamentais especializadas na apuração desses dados. As principais fontes utilizadas foram o Grupo Gay da Bahia (GGB), uma ONG fundada em 1980 e a mais antiga do Brasil em defesa dos direitos LGBTQIA+, e os dossiês da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA), organização brasileira dedicada ao apoio e defesa dos direitos da população de travestis e transexuais e ao combate à transfobia, anteriormente conhecida como Rede Nacional de Travestis e, antes disso, como ASTRAL. Também foram consultados relatórios da Secretaria de Defesa Social do Estado de Pernambuco para recolher dados sobre agressões sofridas por pessoas transgênero no estado. O arcabouço teórico principal, veio da filósofa pós-estruturalista Judith Butler com seus livros Corpos que importam (2019) e Problemas de Gênero (2002). A metodologia utilizada conciliou a história de vida com a Análise de Discurso francesa (AD). Cada história de vida traz uma perspectiva única, experienciada por cada indivíduo, enquanto a existência humana reflete diversas dimensões que revelam aspectos da sociedade em que vivemos, como valores sociais e culturais, contextos históricos e econômicos, além das organizações e instituições de cada época. Dessa forma, a abordagem de história de vida amplia o estudo dos processos de aprendizagem do nível individual para o social, possibilitando a compreensão desses processos ao situá-los em um contexto mais extenso, que vai além do campo da educação (Ferraza; Antonello, 2017). A Análise de Discurso (AD) é considerada uma disciplina de intersecção, surgida a partir das contradições epistemológicas historicamente condicionadas que atravessam diferentes campos do conhecimento. Sua proposta é integrar ciências sociais, linguística, teoria do discurso e psicanálise, promovendo reflexões que vão além da linguagem e abrangem também a ideologia. A rede conceitual da AD articula três áreas do saber, com uma base teórica psicanalítica sobre o sujeito: (1) o materialismo histórico, que aborda as formações sociais, suas transformações e ideologias; (2) a linguística, que investiga os mecanismos sintáticos e os processos de enunciação; e (3) a teoria do discurso, que analisa a determinação histórica dos processos de significado (Orlandi, 2013). Aqui, o debate sobre a transexualidade entra em cena na perspectiva de desafiar a ordem binária de gênero. A identidade trans é uma vivência profundamente pessoal e que varia imensamente de indivíduo para indivíduo, incluindo diversas maneiras de se expressar. Alice identifica-se como travesti e não como mulher trans, embora considere os termos conceitualmente equivalentes. Essa escolha nos leva a refletir sobre a distinção entre as identidades de mulher trans e travesti. Observando as camadas sociais ao nosso redor, percebe-se que esses termos estão profundamente ligados à condição social. A interseção entre identidade de gênero e classe social evidencia um ciclo de exclusão, no qual a pobreza e a vulnerabilidade social aumentam os desafios enfrentados pelas travestis. A memória discursiva presente no relato de Felipe remete à sua infância em Feira Nova, no interior de Pernambuco, onde associa o ambiente familiar e escolar a normas rígidas sobre seu comportamento e às expectativas sociais relacionadas ao seu desempenho de gênero como menina. Ele expressa, sem reservas, sentimentos contraditórios sobre essa fase, reconhecendo a dor da exclusão por colegas, mas ainda assim conseguindo relembrar momentos positivos. O interdiscurso que permeia seu relato, especialmente ao mencionar o "padrão normal de meninas," sugere uma crítica implícita à normatividade de gênero e à heteronormatividade. O uso das aspas em sua fala desafia essas normas de gênero, pois, de forma consciente, ele critica essas imposições sociais invisíveis que continuam a impactar a vida das pessoas, como ele próprio. Como resultado, a partir da metodologia aplicada, localizamos nas histórias de vida de nossos entrevistados, especificamente no ambiente escolar, a presença do bullying advindo sobretudo da ideologia cristã na produção de estigmas e de transfobia. A educação desempenha um papel essencial no combate à transfobia, ao bullying e a outras formas de violência. Como espaço de formação de opinião, ela pode fomentar uma compreensão mais abrangente das questões de gênero. Uma escola com professores e gestores mais bem preparados, munidos de informações adequadas para lidar com a diversidade, tende a promover a pluralidade, criando ambientes onde a diversidade é valorizada e os alunos são incentivados a questionar normas sociais opressivas de maneira saudável.Através da História de Vida, essa pesquisa buscou evidenciar os desafios experienciados por pessoas trans (um homem trans e uma travesti/mulher trans) durante as suas respectivas trajetórias de vida, com foco no espaço escolar. Alice, uma mulher trans de 38 anos, é alegre e cheia de esperança apesar das dificuldades que enfrentou, como bullying na infância e responsabilidades precoces em casa. Sua entrevista ocorreu no Shopping Boa Vista, em Recife/PE. O segundo entrevistado, Felipe, é um homem trans de 20 anos e estudante do CIn na UFPE. A entrevista foi realizada no período da tarde, na biblioteca do CAC. Durante a execução desse trabalho, foi realizado um levantamento dos índices de violência contra pessoas trans no Brasil e, posteriormente, especificamente no estado de Pernambuco, por meio de organizações não governamentais especializadas na apuração desses dados. As principais fontes utilizadas foram o Grupo Gay da Bahia (GGB), uma ONG fundada em 1980 e a mais antiga do Brasil em defesa dos direitos LGBTQIA+, e os dossiês da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA), organização brasileira dedicada ao apoio e defesa dos direitos da população de travestis e transexuais e ao combate à transfobia, anteriormente conhecida como Rede Nacional de Travestis e, antes disso, como ASTRAL. Também foram consultados relatórios da Secretaria de Defesa Social do Estado de Pernambuco para recolher dados sobre agressões sofridas por pessoas transgênero no estado. O arcabouço teórico principal, veio da filósofa pós-estruturalista Judith Butler com seus livros Corpos que importam (2019) e Problemas de Gênero (2002). A metodologia utilizada conciliou a história de vida com a Análise de Discurso francesa (AD). Cada história de vida traz uma perspectiva única, experienciada por cada indivíduo, enquanto a existência humana reflete diversas dimensões que revelam aspectos da sociedade em que vivemos, como valores sociais e culturais, contextos históricos e econômicos, além das organizações e instituições de cada época. Dessa forma, a abordagem de história de vida amplia o estudo dos processos de aprendizagem do nível individual para o social, possibilitando a compreensão desses processos ao situá-los em um contexto mais extenso, que vai além do campo da educação (Ferraza; Antonello, 2017). A Análise de Discurso (AD) é considerada uma disciplina de intersecção, surgida a partir das contradições epistemológicas historicamente condicionadas que atravessam diferentes campos do conhecimento. Sua proposta é integrar ciências sociais, linguística, teoria do discurso e psicanálise, promovendo reflexões que vão além da linguagem e abrangem também a ideologia. A rede conceitual da AD articula três áreas do saber, com uma base teórica psicanalítica sobre o sujeito: (1) o materialismo histórico, que aborda as formações sociais, suas transformações e ideologias; (2) a linguística, que investiga os mecanismos sintáticos e os processos de enunciação; e (3) a teoria do discurso, que analisa a determinação histórica dos processos de significado (Orlandi, 2013). Aqui, o debate sobre a transexualidade entra em cena na perspectiva de desafiar a ordem binária de gênero. A identidade trans é uma vivência profundamente pessoal e que varia imensamente de indivíduo para indivíduo, incluindo diversas maneiras de se expressar. Alice identifica-se como travesti e não como mulher trans, embora considere os termos conceitualmente equivalentes. Essa escolha nos leva a refletir sobre a distinção entre as identidades de mulher trans e travesti. Observando as camadas sociais ao nosso redor, percebe-se que esses termos estão profundamente ligados à condição social. A interseção entre identidade de gênero e classe social evidencia um ciclo de exclusão, no qual a pobreza e a vulnerabilidade social aumentam os desafios enfrentados pelas travestis. A memória discursiva presente no relato de Felipe remete à sua infância em Feira Nova, no interior de Pernambuco, onde associa o ambiente familiar e escolar a normas rígidas sobre seu comportamento e às expectativas sociais relacionadas ao seu desempenho de gênero como menina. Ele expressa, sem reservas, sentimentos contraditórios sobre essa fase, reconhecendo a dor da exclusão por colegas, mas ainda assim conseguindo relembrar momentos positivos. O interdiscurso que permeia seu relato, especialmente ao mencionar o "padrão normal de meninas," sugere uma crítica implícita à normatividade de gênero e à heteronormatividade. O uso das aspas em sua fala desafia essas normas de gênero, pois, de forma consciente, ele critica essas imposições sociais invisíveis que continuam a impactar a vida das pessoas, como ele próprio. Como resultado, a partir da metodologia aplicada, localizamos nas histórias de vida de nossos entrevistados, especificamente no ambiente escolar, a presença do bullying advindo sobretudo da ideologia cristã na produção de estigmas e de transfobia. A educação desempenha um papel essencial no combate à transfobia, ao bullying e a outras formas de violência. 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description Através da História de Vida, essa pesquisa buscou evidenciar os desafios experienciados por pessoas trans (um homem trans e uma travesti/mulher trans) durante as suas respectivas trajetórias de vida, com foco no espaço escolar. Alice, uma mulher trans de 38 anos, é alegre e cheia de esperança apesar das dificuldades que enfrentou, como bullying na infância e responsabilidades precoces em casa. Sua entrevista ocorreu no Shopping Boa Vista, em Recife/PE. O segundo entrevistado, Felipe, é um homem trans de 20 anos e estudante do CIn na UFPE. A entrevista foi realizada no período da tarde, na biblioteca do CAC. Durante a execução desse trabalho, foi realizado um levantamento dos índices de violência contra pessoas trans no Brasil e, posteriormente, especificamente no estado de Pernambuco, por meio de organizações não governamentais especializadas na apuração desses dados. As principais fontes utilizadas foram o Grupo Gay da Bahia (GGB), uma ONG fundada em 1980 e a mais antiga do Brasil em defesa dos direitos LGBTQIA+, e os dossiês da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA), organização brasileira dedicada ao apoio e defesa dos direitos da população de travestis e transexuais e ao combate à transfobia, anteriormente conhecida como Rede Nacional de Travestis e, antes disso, como ASTRAL. Também foram consultados relatórios da Secretaria de Defesa Social do Estado de Pernambuco para recolher dados sobre agressões sofridas por pessoas transgênero no estado. O arcabouço teórico principal, veio da filósofa pós-estruturalista Judith Butler com seus livros Corpos que importam (2019) e Problemas de Gênero (2002). A metodologia utilizada conciliou a história de vida com a Análise de Discurso francesa (AD). Cada história de vida traz uma perspectiva única, experienciada por cada indivíduo, enquanto a existência humana reflete diversas dimensões que revelam aspectos da sociedade em que vivemos, como valores sociais e culturais, contextos históricos e econômicos, além das organizações e instituições de cada época. Dessa forma, a abordagem de história de vida amplia o estudo dos processos de aprendizagem do nível individual para o social, possibilitando a compreensão desses processos ao situá-los em um contexto mais extenso, que vai além do campo da educação (Ferraza; Antonello, 2017). A Análise de Discurso (AD) é considerada uma disciplina de intersecção, surgida a partir das contradições epistemológicas historicamente condicionadas que atravessam diferentes campos do conhecimento. Sua proposta é integrar ciências sociais, linguística, teoria do discurso e psicanálise, promovendo reflexões que vão além da linguagem e abrangem também a ideologia. A rede conceitual da AD articula três áreas do saber, com uma base teórica psicanalítica sobre o sujeito: (1) o materialismo histórico, que aborda as formações sociais, suas transformações e ideologias; (2) a linguística, que investiga os mecanismos sintáticos e os processos de enunciação; e (3) a teoria do discurso, que analisa a determinação histórica dos processos de significado (Orlandi, 2013). Aqui, o debate sobre a transexualidade entra em cena na perspectiva de desafiar a ordem binária de gênero. A identidade trans é uma vivência profundamente pessoal e que varia imensamente de indivíduo para indivíduo, incluindo diversas maneiras de se expressar. Alice identifica-se como travesti e não como mulher trans, embora considere os termos conceitualmente equivalentes. Essa escolha nos leva a refletir sobre a distinção entre as identidades de mulher trans e travesti. Observando as camadas sociais ao nosso redor, percebe-se que esses termos estão profundamente ligados à condição social. A interseção entre identidade de gênero e classe social evidencia um ciclo de exclusão, no qual a pobreza e a vulnerabilidade social aumentam os desafios enfrentados pelas travestis. A memória discursiva presente no relato de Felipe remete à sua infância em Feira Nova, no interior de Pernambuco, onde associa o ambiente familiar e escolar a normas rígidas sobre seu comportamento e às expectativas sociais relacionadas ao seu desempenho de gênero como menina. Ele expressa, sem reservas, sentimentos contraditórios sobre essa fase, reconhecendo a dor da exclusão por colegas, mas ainda assim conseguindo relembrar momentos positivos. O interdiscurso que permeia seu relato, especialmente ao mencionar o "padrão normal de meninas," sugere uma crítica implícita à normatividade de gênero e à heteronormatividade. O uso das aspas em sua fala desafia essas normas de gênero, pois, de forma consciente, ele critica essas imposições sociais invisíveis que continuam a impactar a vida das pessoas, como ele próprio. Como resultado, a partir da metodologia aplicada, localizamos nas histórias de vida de nossos entrevistados, especificamente no ambiente escolar, a presença do bullying advindo sobretudo da ideologia cristã na produção de estigmas e de transfobia. A educação desempenha um papel essencial no combate à transfobia, ao bullying e a outras formas de violência. Como espaço de formação de opinião, ela pode fomentar uma compreensão mais abrangente das questões de gênero. Uma escola com professores e gestores mais bem preparados, munidos de informações adequadas para lidar com a diversidade, tende a promover a pluralidade, criando ambientes onde a diversidade é valorizada e os alunos são incentivados a questionar normas sociais opressivas de maneira saudável.
publishDate 2024
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