A autonomia jornalística na televisão pública brasileira e portuguesa

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: SILVA, Acsa Roberta Macena da
Orientador(a): ROCHA, Heitor Costa Lima da
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
dARK ID: ark:/64986/001300002gt72
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal de Pernambuco
Programa de Pós-Graduação: Programa de Pos Graduacao em Comunicacao
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Brasil
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/64506
Resumo: A pesquisa investiga como o jornalismo das TVs públicas do Brasil e de Portugal pode servir ao público com autonomia, especialmente diante de denúncias de interferência política, que evidenciam uma confusão entre comunicação pública e governamental. Dessa forma, o estudo analisa como ostelejornais públicos de ambos os países cumpriram sua função social durante a cobertura da pandemia da COVID-19 entre 2020 e 2021. Parte-se da hipótese de que a objetividade jornalística, norma profissional que pressupõe um posicionamento imparcial, pode camuflar interesses governamentais na notícia da TV pública e comprometer o compromisso com o interesse coletivo, especialmente em contextos de crise. A metodologia inclui um estudo comparativo (HALLIN; MANCINI, 2010), que permite explorar as similaridades e diferenças no processo de construção da notícia entre os principais noticiários: o Repórter Brasil (TV Brasil) e o Telejornal (RTP1). O corpus expandido é formado por 220 matérias do telejornal brasileiro e 670 do telejornal português, além de 10 entrevistas em profundidade com repórteres, editores e apresentadores. Para a análise qualitativa, foi realizada uma amostragem de 25 matérias de cada telejornal, a partir das seguintes temáticas: (a) uso de máscaras, (b) distanciamento e isolamento social, (c) vacinação, (d) impacto econômico e (e) avanço da contaminação. O tratamento dos dados se dá por meio da análise de conteúdo jornalística (BAUER; GASKELL, 2002), complementada pela Análise do Discurso Jornalístico (BENETTI, 2010), que reconhece a composição dialógica e polifônica dos elementos que compõem a heterogeneidade do discurso telejornalístico (textos e imagens). Os resultados destacam o esforço dos noticiários na promoção da cidadania, valorizando a ciência como referência de autoridade e credibilidade, ainda que apresentem limitações sobre a dimensão dos impactos econômicos frente à precarização das condições de vida de parcelas expressivas da população. Quanto às diferenças, no contexto brasileiro, observou-se a desinformação, omissão de responsabilidades governamentais e priorização de pautas secundárias, revelando o negligenciamento do interesse público e colaboração com estratégias que colocaram vidas em risco. Já entre os méritos do Telejornal (RTP1), destaca-se o compromisso social no combate à desinformação sobre o negacionismo científico, bem como a dimensão humana da crise na saúde pública. Dessa forma, ambos apresentam diferentes graus de autonomia editorial e de pressão política. O estudo conclui que, em Portugal, houve maior articulação entre comunicação pública e princípios de transparência e interesse coletivo. No Brasil, a comunicação pública foi instrumentalizada para dissimular a comunicação governamental, minando a autonomia jornalística. A imparcialidade, embora valorizada por jornalistas em ambos os países, é percebida como difícil de manter, dadas as pressões externas que variam conforme o ambiente democrático. Portanto, o grau de autonomia conferido à TV pública depende diretamente das estruturas políticas (governos), institucionais (modelos de governança, controle social e financiamento) e das normas que regem o profissionalismo jornalístico. Nesse sentido, não apenas a noção de imparcialidade precisa ser revista, mas todo arcabouço relacionado à autonomia do jornalismo da TV pública, que pode ser instrumentalizado para encobrir interesses particulares e enfraquecer a sua função social.
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Parte-se da hipótese de que a objetividade jornalística, norma profissional que pressupõe um posicionamento imparcial, pode camuflar interesses governamentais na notícia da TV pública e comprometer o compromisso com o interesse coletivo, especialmente em contextos de crise. A metodologia inclui um estudo comparativo (HALLIN; MANCINI, 2010), que permite explorar as similaridades e diferenças no processo de construção da notícia entre os principais noticiários: o Repórter Brasil (TV Brasil) e o Telejornal (RTP1). O corpus expandido é formado por 220 matérias do telejornal brasileiro e 670 do telejornal português, além de 10 entrevistas em profundidade com repórteres, editores e apresentadores. Para a análise qualitativa, foi realizada uma amostragem de 25 matérias de cada telejornal, a partir das seguintes temáticas: (a) uso de máscaras, (b) distanciamento e isolamento social, (c) vacinação, (d) impacto econômico e (e) avanço da contaminação. 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Já entre os méritos do Telejornal (RTP1), destaca-se o compromisso social no combate à desinformação sobre o negacionismo científico, bem como a dimensão humana da crise na saúde pública. Dessa forma, ambos apresentam diferentes graus de autonomia editorial e de pressão política. O estudo conclui que, em Portugal, houve maior articulação entre comunicação pública e princípios de transparência e interesse coletivo. No Brasil, a comunicação pública foi instrumentalizada para dissimular a comunicação governamental, minando a autonomia jornalística. A imparcialidade, embora valorizada por jornalistas em ambos os países, é percebida como difícil de manter, dadas as pressões externas que variam conforme o ambiente democrático. Portanto, o grau de autonomia conferido à TV pública depende diretamente das estruturas políticas (governos), institucionais (modelos de governança, controle social e financiamento) e das normas que regem o profissionalismo jornalístico. Nesse sentido, não apenas a noção de imparcialidade precisa ser revista, mas todo arcabouço relacionado à autonomia do jornalismo da TV pública, que pode ser instrumentalizado para encobrir interesses particulares e enfraquecer a sua função social.CAPESThis research investigates how public television journalism in Brazil and Portugal can serve the public with autonomy, particularly in light of allegations of political interference, which reveal a conflation between public and state communication. Accordingly, the study analyzes how public TV newscasts in both countries fulfilled their social function during the coverage of the COVID-19 pandemic between 2020 and 2021. The hypothesis is that journalistic objectivity, a professional norm that assumes an impartial stance, may mask governmental interests in public television news and undermine the commitment to the collective interest, especially in times of crisis. The methodology includes a comparative study (HALLIN & MANCINI, 2010), which enables an exploration of similarities and differences in the news production process between the main newscasts: Repórter Brasil (TV Brasil) and Telejornal (RTP1). The expanded corpus comprises 220 news reports from the Brazilian newscast and 670 from the Portuguese newscast, in addition to 10 in-depth interviews with reporters, editors, and anchors. For the qualitative analysis, a sample of 25 news stories from each program was selected, based on the following themes: (a) mask use, (b) social distancing and isolation, (c) vaccination, (d) economic impact, and (e) spread of the virus. Data were examined using journalistic content analysis (BAUER & GASKELL, 2002), complemented by Journalistic Discourse Analysis (BENETTI, 2010), which acknowledges the dialogic and polyphonic composition of the elements that make up the heterogeneity of television news discourse (texts and images). The results highlight efforts by both newscasts to promote citizenship, emphasizing science as a reference of authority and credibility, although limitations are evident in their treatment of the economic impacts, particularly regarding the worsening living conditions of significant segments of the population. Regarding differences, in the Brazilian context, disinformation, omission of governmental responsibilities, and the prioritization of less central topics were observed, indicating a neglect of the public interest and alignment with communication strategies that endangered lives. Among the strengths of Telejornal (RTP1), the study highlights its social commitment to combating disinformation and scientific denialism, as well as its human-centered coverage of the public health crisis. Both cases, however, demonstrate varying degrees of editorial autonomy and political pressure. The study concludes that in Portugal, public communication was more aligned with principles of transparency and the collective interest. In Brazil, public communication was instrumentalized to obscure governmental messaging, undermining journalistic autonomy. Although impartiality is valued by journalists in both countries, it is perceived as difficult to uphold given the external pressures that vary according to the democratic environment. Therefore, the degree of autonomy granted to public TV depends directly on political structures (governments), institutional frameworks (governance models, public oversight, and funding), and the norms that guide journalistic professionalism. In this sense, not only must the notion of impartiality be reconsidered, but the entire framework surrounding the autonomy of public TV journalism must be reviewed, as it can be used to conceal private interests and weaken its social role.porUniversidade Federal de PernambucoPrograma de Pos Graduacao em ComunicacaoUFPEBrasilhttps://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/info:eu-repo/semantics/openAccessComunicação públicaTelejornalismo públicoAutonomia jornalísticaImparcialidade jornalísticacovid-19A autonomia jornalística na televisão pública brasileira e portuguesainfo:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisdoutoradoreponame:Repositório Institucional da UFPEinstname:Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)instacron:UFPEORIGINALTESE Acsa Roberta Macena Da Silva.pdfTESE Acsa Roberta Macena Da Silva.pdfapplication/pdf2885483https://repositorio.ufpe.br/bitstream/123456789/64506/1/TESE%20Acsa%20Roberta%20Macena%20Da%20Silva.pdf49932cdcc78b6744e085a143ee172c92MD51LICENSElicense.txtlicense.txttext/plain; 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