Disputas hegemônicas e contexto situacional : construções de sentidos sobre a transposição do Rio São Francisco

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2011
Autor(a) principal: Helena Costa Carvalho de Araújo Lima, Maria
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal de Pernambuco
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/9151
Resumo: Este trabalho teve por objetivo analisar construções de sentidos sobre a transposição do Rio São Francisco, levando em consideração a existência de dois níveis de articulação discursiva distintos: 1- o político-institucional, em que um polo favorável e um polo contrário ao projeto constroem sentidos em disputa declarada; 2- o das relações interpessoais em Cabrobó, local de onde parte a tomada de águas do Eixo Norte da transposição. A construção do corpus envolveu duas etapas: pesquisa documental com materiais de agentes sociais do polo favorável (Lula e Ministério da Integração Nacional) e do polo contrário (Comissão Pastoral da Terra e Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco); entrevistas com cabroboenses que não estiveram diretamente envolvidos em movimentos favoráveis nem contrários à transposição. Para abordar a questão, dando conta das especificidades desses dois níveis, propus-me o desafio de utilizar, como aporte teórico, o marxismo, na perspectiva de Gramsci (1966, 1972) e de Bakhtin (2004), juntamente com o interacionismo simbólico de Strauss (1999) e de Becker (2007, 2008, 2009). Para compreender as produções de sentidos dos polos político-institucionais, recorri a Gramsci, com ênfase nas ideias de disputa hegemônica e articulação de forças políticas. No trato com a produção de sentidos pelos cabroboenses, utilizei o interacionismo simbólico, tendo como foco de atenção os sentidos compartilhados a respeito dos objetos relacionados à transposição (água, seca, desenvolvimento, agentes sociais favoráveis e contrários às obras). Em ambos os casos, a abordagem teórica ocorreu em diálogo com uma análise de discurso bakhtiniana. Trabalhei com os dados fazendo, primeiramente, uma análise de discurso para os documentos e outra para as entrevistas. Em seguida, observando os temas e conteúdos que surgiram como centrais em cada nível, fiz um cruzamento, obtendo luzes a respeito das relações entre eles. Foi possível perceber, por exemplo, que, enquanto os polos favorável e contrário significam a transposição a partir de diferentes sentidos sobre semi-árido, população impactada e necessidade, os entrevistados partem da colocação de problemas distintos, fazendo articulações discursivas a partir de suas próprias questões, entre as quais destacam-se o conteúdo trabalho como valor e necessidade de emprego. Por essa razão, desenvolvimento mostrou-se um elemento central nas articulações discursivas tanto dos documentos político-institucionais quanto das entrevistas
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