Quando a morte não é exceção : biopolítica, soberania, intersecções e divergências entre Mbembe e Agamben

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2022
Autor(a) principal: MEDEIROS, Thiago Henrique Santos de
Orientador(a): OLIVEIRA, Érico Andrade Marques de
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal de Pernambuco
Programa de Pós-Graduação: Programa de Pos Graduacao em Filosofia
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Brasil
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/51919
Resumo: Esta pesquisa analisa duas perspectivas contemporâneas acerca da Soberania, a partir dos estudos apresentados por Giorgio Agamben e Achille Mbembe. Para além de construir uma nova definição acerca do termo em si, ambos embasados na perspectiva da biopolítica foucaultiana, estes dois pensadores buscam analisar o exercício do poder soberano para, a partir disso, ofertar novas proposições epistemológicas. Embora possuam certas semelhanças, principalmente em seus embasamentos teóricos, há uma diferença entre perspectivas metodológicas que conduzem cada um a proposições diversas. Agamben, também utilizando-se das ideias de Carl Schmitt acerca do Estado de Exceção, parte de uma análise epistemológica que o conduz aos conceitos de Zoé e Bios, na qual a primeira tomará o caráter de centralidade, ou ainda, sempre esteve como eixo fundante das democracias ocidentais. Já Mbembe, embora também embasando-se na biopolítica foucaultiana, e até mesmo utilizando-se de Agamben em seu arcabouço teórico, propõe uma descentralização da discussão da soberania. Partindo da experiência colonial das Américas e das Áfricas, o filósofo camaronês trata a soberania não mais como um gerir da vida – principalmente a vida biológica, como propôs Foucault – mas a partir da morte em primeiro plano, cunhando assim o termo Necropolítica, bem como o retorno dessa condição colonial às metrópoles. Há, a partir disso, uma reformulação da ética nas relações entre povos, lastreado nas ideias de raça e a criação do que o mesmo chama de devir-negro. Percebe-se, desta forma, o condicionamento de Agamben a uma ratio eurocêntrica, enquanto Mbembe está relacionada a primazia da ética criada a partir das relações coloniais.
id UFPE_38bacfaeb2d0883a519c49f0b5e78486
oai_identifier_str oai:repositorio.ufpe.br:123456789/51919
network_acronym_str UFPE
network_name_str Repositório Institucional da UFPE
repository_id_str
spelling MEDEIROS, Thiago Henrique Santos dehttp://lattes.cnpq.br/7617904782684416http://lattes.cnpq.br/0725459534795685OLIVEIRA, Érico Andrade Marques de2023-08-16T19:38:18Z2023-08-16T19:38:18Z2022-08-29MEDEIROS, Thiago Henrique Santos de. Quando a morte não é exceção: biopolítica, soberania, intersecções e divergências entre Mbembe e Agamben. 2022. Dissertação (Mestrado em Filosofia) – Universidade Federal de Pernambuco, Recife, 2022.https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/51919Esta pesquisa analisa duas perspectivas contemporâneas acerca da Soberania, a partir dos estudos apresentados por Giorgio Agamben e Achille Mbembe. Para além de construir uma nova definição acerca do termo em si, ambos embasados na perspectiva da biopolítica foucaultiana, estes dois pensadores buscam analisar o exercício do poder soberano para, a partir disso, ofertar novas proposições epistemológicas. Embora possuam certas semelhanças, principalmente em seus embasamentos teóricos, há uma diferença entre perspectivas metodológicas que conduzem cada um a proposições diversas. Agamben, também utilizando-se das ideias de Carl Schmitt acerca do Estado de Exceção, parte de uma análise epistemológica que o conduz aos conceitos de Zoé e Bios, na qual a primeira tomará o caráter de centralidade, ou ainda, sempre esteve como eixo fundante das democracias ocidentais. Já Mbembe, embora também embasando-se na biopolítica foucaultiana, e até mesmo utilizando-se de Agamben em seu arcabouço teórico, propõe uma descentralização da discussão da soberania. Partindo da experiência colonial das Américas e das Áfricas, o filósofo camaronês trata a soberania não mais como um gerir da vida – principalmente a vida biológica, como propôs Foucault – mas a partir da morte em primeiro plano, cunhando assim o termo Necropolítica, bem como o retorno dessa condição colonial às metrópoles. Há, a partir disso, uma reformulação da ética nas relações entre povos, lastreado nas ideias de raça e a criação do que o mesmo chama de devir-negro. Percebe-se, desta forma, o condicionamento de Agamben a uma ratio eurocêntrica, enquanto Mbembe está relacionada a primazia da ética criada a partir das relações coloniais.This research analyzes two contemporary perspectives about Sovereignty, based on the studies presented by Giorgio Agamben and Achille Mbembe. Furthermore to construct a new definition of the term itself, both based on the perspective of Foucauldian biopolitics, these two theorists analyze the exercise of sovereign power in order to, from this, offer new epistemological propositions. Although they have certain similarities, mainly in their theoretical bases, there is a difference between methodological perspectives that lead each one to different propositions. Agamben, also using Carl Schmitt's ideas about the State of Exception, departs from an epistemological analysis that leads him to the concepts of Zoé and Bios, in which the first will take on the character of centrality, or even, has always been a founding axis of western democracies. Mbembe, while also basing himself on Foucauldian biopolitics, and even using Agamben in his theoretical framework, proposes a decentralization of the discussion of sovereignty. Starting from the colonial experience of the Americas and Africa, the Cameroonian philosopher treats sovereignty no longer as managing life – mainly biological life, as Foucault proposed – but from death in the foreground, thus coining the term Necropolitics, as well as the return of this colonial condition to the metropolises. From this, there is a reformulation of ethics in the relations between peoples, based on the ideas of race and the creation of what he calls becoming-black. In this way, we can see Agamben's conditioning to a Eurocentric ratio, while Mbembe is related to the primacy of ethics created from colonial relations.porUniversidade Federal de PernambucoPrograma de Pos Graduacao em FilosofiaUFPEBrasilAttribution-NonCommercial-NoDerivs 3.0 Brazilhttp://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/3.0/br/info:eu-repo/semantics/openAccessFilosofiaAgamben, Giorgio, 1942-Mbembe, Achille, 1957-BiopolíticaEstado de exceçãoNecropolíticaQuando a morte não é exceção : biopolítica, soberania, intersecções e divergências entre Mbembe e Agambeninfo:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesismestradoreponame:Repositório Institucional da UFPEinstname:Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)instacron:UFPEORIGINALDISSERTAÇÃO Thiago Henrique Santos de Medeiros.pdfDISSERTAÇÃO Thiago Henrique Santos de Medeiros.pdfapplication/pdf1788779https://repositorio.ufpe.br/bitstream/123456789/51919/1/DISSERTA%c3%87%c3%83O%20Thiago%20Henrique%20Santos%20de%20Medeiros.pdf41c74bf01ff54767232ec9783259bed7MD51CC-LICENSElicense_rdflicense_rdfapplication/rdf+xml; charset=utf-8811https://repositorio.ufpe.br/bitstream/123456789/51919/2/license_rdfe39d27027a6cc9cb039ad269a5db8e34MD52LICENSElicense.txtlicense.txttext/plain; charset=utf-82362https://repositorio.ufpe.br/bitstream/123456789/51919/3/license.txt5e89a1613ddc8510c6576f4b23a78973MD53TEXTDISSERTAÇÃO Thiago Henrique Santos de Medeiros.pdf.txtDISSERTAÇÃO Thiago Henrique Santos de Medeiros.pdf.txtExtracted texttext/plain311628https://repositorio.ufpe.br/bitstream/123456789/51919/4/DISSERTA%c3%87%c3%83O%20Thiago%20Henrique%20Santos%20de%20Medeiros.pdf.txt4c3919041837a110b76ba7d7d87a7e9dMD54THUMBNAILDISSERTAÇÃO Thiago Henrique Santos de Medeiros.pdf.jpgDISSERTAÇÃO Thiago Henrique Santos de Medeiros.pdf.jpgGenerated Thumbnailimage/jpeg1276https://repositorio.ufpe.br/bitstream/123456789/51919/5/DISSERTA%c3%87%c3%83O%20Thiago%20Henrique%20Santos%20de%20Medeiros.pdf.jpg9dae525730783842875532d02fc30584MD55123456789/519192023-08-17 02:17:45.88oai:repositorio.ufpe.br:123456789/51919VGVybW8gZGUgRGVww7NzaXRvIExlZ2FsIGUgQXV0b3JpemHDp8OjbyBwYXJhIFB1YmxpY2l6YcOnw6NvIGRlIERvY3VtZW50b3Mgbm8gUmVwb3NpdMOzcmlvIERpZ2l0YWwgZGEgVUZQRQoKCkRlY2xhcm8gZXN0YXIgY2llbnRlIGRlIHF1ZSBlc3RlIFRlcm1vIGRlIERlcMOzc2l0byBMZWdhbCBlIEF1dG9yaXphw6fDo28gdGVtIG8gb2JqZXRpdm8gZGUgZGl2dWxnYcOnw6NvIGRvcyBkb2N1bWVudG9zIGRlcG9zaXRhZG9zIG5vIFJlcG9zaXTDs3JpbyBEaWdpdGFsIGRhIFVGUEUgZSBkZWNsYXJvIHF1ZToKCkkgLSBvcyBkYWRvcyBwcmVlbmNoaWRvcyBubyBmb3JtdWzDoXJpbyBkZSBkZXDDs3NpdG8gc8OjbyB2ZXJkYWRlaXJvcyBlIGF1dMOqbnRpY29zOwoKSUkgLSAgbyBjb250ZcO6ZG8gZGlzcG9uaWJpbGl6YWRvIMOpIGRlIHJlc3BvbnNhYmlsaWRhZGUgZGUgc3VhIGF1dG9yaWE7CgpJSUkgLSBvIGNvbnRlw7pkbyDDqSBvcmlnaW5hbCwgZSBzZSBvIHRyYWJhbGhvIGUvb3UgcGFsYXZyYXMgZGUgb3V0cmFzIHBlc3NvYXMgZm9yYW0gdXRpbGl6YWRvcywgZXN0YXMgZm9yYW0gZGV2aWRhbWVudGUgcmVjb25oZWNpZGFzOwoKSVYgLSBxdWFuZG8gdHJhdGFyLXNlIGRlIG9icmEgY29sZXRpdmEgKG1haXMgZGUgdW0gYXV0b3IpOiB0b2RvcyBvcyBhdXRvcmVzIGVzdMOjbyBjaWVudGVzIGRvIGRlcMOzc2l0byBlIGRlIGFjb3JkbyBjb20gZXN0ZSB0ZXJtbzsKClYgLSBxdWFuZG8gdHJhdGFyLXNlIGRlIFRyYWJhbGhvIGRlIENvbmNsdXPDo28gZGUgQ3Vyc28sIERpc3NlcnRhw6fDo28gb3UgVGVzZTogbyBhcnF1aXZvIGRlcG9zaXRhZG8gY29ycmVzcG9uZGUgw6AgdmVyc8OjbyBmaW5hbCBkbyB0cmFiYWxobzsKClZJIC0gcXVhbmRvIHRyYXRhci1zZSBkZSBUcmFiYWxobyBkZSBDb25jbHVzw6NvIGRlIEN1cnNvLCBEaXNzZXJ0YcOnw6NvIG91IFRlc2U6IGVzdG91IGNpZW50ZSBkZSBxdWUgYSBhbHRlcmHDp8OjbyBkYSBtb2RhbGlkYWRlIGRlIGFjZXNzbyBhbyBkb2N1bWVudG8gYXDDs3MgbyBkZXDDs3NpdG8gZSBhbnRlcyBkZSBmaW5kYXIgbyBwZXLDrW9kbyBkZSBlbWJhcmdvLCBxdWFuZG8gZm9yIGVzY29saGlkbyBhY2Vzc28gcmVzdHJpdG8sIHNlcsOhIHBlcm1pdGlkYSBtZWRpYW50ZSBzb2xpY2l0YcOnw6NvIGRvIChhKSBhdXRvciAoYSkgYW8gU2lzdGVtYSBJbnRlZ3JhZG8gZGUgQmlibGlvdGVjYXMgZGEgVUZQRSAoU0lCL1VGUEUpLgoKIApQYXJhIHRyYWJhbGhvcyBlbSBBY2Vzc28gQWJlcnRvOgoKTmEgcXVhbGlkYWRlIGRlIHRpdHVsYXIgZG9zIGRpcmVpdG9zIGF1dG9yYWlzIGRlIGF1dG9yIHF1ZSByZWNhZW0gc29icmUgZXN0ZSBkb2N1bWVudG8sIGZ1bmRhbWVudGFkbyBuYSBMZWkgZGUgRGlyZWl0byBBdXRvcmFsIG5vIDkuNjEwLCBkZSAxOSBkZSBmZXZlcmVpcm8gZGUgMTk5OCwgYXJ0LiAyOSwgaW5jaXNvIElJSSwgYXV0b3Jpem8gYSBVbml2ZXJzaWRhZGUgRmVkZXJhbCBkZSBQZXJuYW1idWNvIGEgZGlzcG9uaWJpbGl6YXIgZ3JhdHVpdGFtZW50ZSwgc2VtIHJlc3NhcmNpbWVudG8gZG9zIGRpcmVpdG9zIGF1dG9yYWlzLCBwYXJhIGZpbnMgZGUgbGVpdHVyYSwgaW1wcmVzc8OjbyBlL291IGRvd25sb2FkIChhcXVpc2nDp8OjbykgYXRyYXbDqXMgZG8gc2l0ZSBkbyBSZXBvc2l0w7NyaW8gRGlnaXRhbCBkYSBVRlBFIG5vIGVuZGVyZcOnbyBodHRwOi8vd3d3LnJlcG9zaXRvcmlvLnVmcGUuYnIsIGEgcGFydGlyIGRhIGRhdGEgZGUgZGVww7NzaXRvLgoKIApQYXJhIHRyYWJhbGhvcyBlbSBBY2Vzc28gUmVzdHJpdG86CgpOYSBxdWFsaWRhZGUgZGUgdGl0dWxhciBkb3MgZGlyZWl0b3MgYXV0b3JhaXMgZGUgYXV0b3IgcXVlIHJlY2FlbSBzb2JyZSBlc3RlIGRvY3VtZW50bywgZnVuZGFtZW50YWRvIG5hIExlaSBkZSBEaXJlaXRvIEF1dG9yYWwgbm8gOS42MTAgZGUgMTkgZGUgZmV2ZXJlaXJvIGRlIDE5OTgsIGFydC4gMjksIGluY2lzbyBJSUksIGF1dG9yaXpvIGEgVW5pdmVyc2lkYWRlIEZlZGVyYWwgZGUgUGVybmFtYnVjbyBhIGRpc3BvbmliaWxpemFyIGdyYXR1aXRhbWVudGUsIHNlbSByZXNzYXJjaW1lbnRvIGRvcyBkaXJlaXRvcyBhdXRvcmFpcywgcGFyYSBmaW5zIGRlIGxlaXR1cmEsIGltcHJlc3PDo28gZS9vdSBkb3dubG9hZCAoYXF1aXNpw6fDo28pIGF0cmF2w6lzIGRvIHNpdGUgZG8gUmVwb3NpdMOzcmlvIERpZ2l0YWwgZGEgVUZQRSBubyBlbmRlcmXDp28gaHR0cDovL3d3dy5yZXBvc2l0b3Jpby51ZnBlLmJyLCBxdWFuZG8gZmluZGFyIG8gcGVyw61vZG8gZGUgZW1iYXJnbyBjb25kaXplbnRlIGFvIHRpcG8gZGUgZG9jdW1lbnRvLCBjb25mb3JtZSBpbmRpY2FkbyBubyBjYW1wbyBEYXRhIGRlIEVtYmFyZ28uCg==Repositório InstitucionalPUBhttps://repositorio.ufpe.br/oai/requestattena@ufpe.bropendoar:22212023-08-17T05:17:45Repositório Institucional da UFPE - Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)false
dc.title.pt_BR.fl_str_mv Quando a morte não é exceção : biopolítica, soberania, intersecções e divergências entre Mbembe e Agamben
title Quando a morte não é exceção : biopolítica, soberania, intersecções e divergências entre Mbembe e Agamben
spellingShingle Quando a morte não é exceção : biopolítica, soberania, intersecções e divergências entre Mbembe e Agamben
MEDEIROS, Thiago Henrique Santos de
Filosofia
Agamben, Giorgio, 1942-
Mbembe, Achille, 1957-
Biopolítica
Estado de exceção
Necropolítica
title_short Quando a morte não é exceção : biopolítica, soberania, intersecções e divergências entre Mbembe e Agamben
title_full Quando a morte não é exceção : biopolítica, soberania, intersecções e divergências entre Mbembe e Agamben
title_fullStr Quando a morte não é exceção : biopolítica, soberania, intersecções e divergências entre Mbembe e Agamben
title_full_unstemmed Quando a morte não é exceção : biopolítica, soberania, intersecções e divergências entre Mbembe e Agamben
title_sort Quando a morte não é exceção : biopolítica, soberania, intersecções e divergências entre Mbembe e Agamben
author MEDEIROS, Thiago Henrique Santos de
author_facet MEDEIROS, Thiago Henrique Santos de
author_role author
dc.contributor.authorLattes.pt_BR.fl_str_mv http://lattes.cnpq.br/7617904782684416
dc.contributor.advisorLattes.pt_BR.fl_str_mv http://lattes.cnpq.br/0725459534795685
dc.contributor.author.fl_str_mv MEDEIROS, Thiago Henrique Santos de
dc.contributor.advisor1.fl_str_mv OLIVEIRA, Érico Andrade Marques de
contributor_str_mv OLIVEIRA, Érico Andrade Marques de
dc.subject.por.fl_str_mv Filosofia
Agamben, Giorgio, 1942-
Mbembe, Achille, 1957-
Biopolítica
Estado de exceção
Necropolítica
topic Filosofia
Agamben, Giorgio, 1942-
Mbembe, Achille, 1957-
Biopolítica
Estado de exceção
Necropolítica
description Esta pesquisa analisa duas perspectivas contemporâneas acerca da Soberania, a partir dos estudos apresentados por Giorgio Agamben e Achille Mbembe. Para além de construir uma nova definição acerca do termo em si, ambos embasados na perspectiva da biopolítica foucaultiana, estes dois pensadores buscam analisar o exercício do poder soberano para, a partir disso, ofertar novas proposições epistemológicas. Embora possuam certas semelhanças, principalmente em seus embasamentos teóricos, há uma diferença entre perspectivas metodológicas que conduzem cada um a proposições diversas. Agamben, também utilizando-se das ideias de Carl Schmitt acerca do Estado de Exceção, parte de uma análise epistemológica que o conduz aos conceitos de Zoé e Bios, na qual a primeira tomará o caráter de centralidade, ou ainda, sempre esteve como eixo fundante das democracias ocidentais. Já Mbembe, embora também embasando-se na biopolítica foucaultiana, e até mesmo utilizando-se de Agamben em seu arcabouço teórico, propõe uma descentralização da discussão da soberania. Partindo da experiência colonial das Américas e das Áfricas, o filósofo camaronês trata a soberania não mais como um gerir da vida – principalmente a vida biológica, como propôs Foucault – mas a partir da morte em primeiro plano, cunhando assim o termo Necropolítica, bem como o retorno dessa condição colonial às metrópoles. Há, a partir disso, uma reformulação da ética nas relações entre povos, lastreado nas ideias de raça e a criação do que o mesmo chama de devir-negro. Percebe-se, desta forma, o condicionamento de Agamben a uma ratio eurocêntrica, enquanto Mbembe está relacionada a primazia da ética criada a partir das relações coloniais.
publishDate 2022
dc.date.issued.fl_str_mv 2022-08-29
dc.date.accessioned.fl_str_mv 2023-08-16T19:38:18Z
dc.date.available.fl_str_mv 2023-08-16T19:38:18Z
dc.type.status.fl_str_mv info:eu-repo/semantics/publishedVersion
dc.type.driver.fl_str_mv info:eu-repo/semantics/masterThesis
format masterThesis
status_str publishedVersion
dc.identifier.citation.fl_str_mv MEDEIROS, Thiago Henrique Santos de. Quando a morte não é exceção: biopolítica, soberania, intersecções e divergências entre Mbembe e Agamben. 2022. Dissertação (Mestrado em Filosofia) – Universidade Federal de Pernambuco, Recife, 2022.
dc.identifier.uri.fl_str_mv https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/51919
identifier_str_mv MEDEIROS, Thiago Henrique Santos de. Quando a morte não é exceção: biopolítica, soberania, intersecções e divergências entre Mbembe e Agamben. 2022. Dissertação (Mestrado em Filosofia) – Universidade Federal de Pernambuco, Recife, 2022.
url https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/51919
dc.language.iso.fl_str_mv por
language por
dc.rights.driver.fl_str_mv Attribution-NonCommercial-NoDerivs 3.0 Brazil
http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/3.0/br/
info:eu-repo/semantics/openAccess
rights_invalid_str_mv Attribution-NonCommercial-NoDerivs 3.0 Brazil
http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/3.0/br/
eu_rights_str_mv openAccess
dc.publisher.none.fl_str_mv Universidade Federal de Pernambuco
dc.publisher.program.fl_str_mv Programa de Pos Graduacao em Filosofia
dc.publisher.initials.fl_str_mv UFPE
dc.publisher.country.fl_str_mv Brasil
publisher.none.fl_str_mv Universidade Federal de Pernambuco
dc.source.none.fl_str_mv reponame:Repositório Institucional da UFPE
instname:Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)
instacron:UFPE
instname_str Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)
instacron_str UFPE
institution UFPE
reponame_str Repositório Institucional da UFPE
collection Repositório Institucional da UFPE
bitstream.url.fl_str_mv https://repositorio.ufpe.br/bitstream/123456789/51919/1/DISSERTA%c3%87%c3%83O%20Thiago%20Henrique%20Santos%20de%20Medeiros.pdf
https://repositorio.ufpe.br/bitstream/123456789/51919/2/license_rdf
https://repositorio.ufpe.br/bitstream/123456789/51919/3/license.txt
https://repositorio.ufpe.br/bitstream/123456789/51919/4/DISSERTA%c3%87%c3%83O%20Thiago%20Henrique%20Santos%20de%20Medeiros.pdf.txt
https://repositorio.ufpe.br/bitstream/123456789/51919/5/DISSERTA%c3%87%c3%83O%20Thiago%20Henrique%20Santos%20de%20Medeiros.pdf.jpg
bitstream.checksum.fl_str_mv 41c74bf01ff54767232ec9783259bed7
e39d27027a6cc9cb039ad269a5db8e34
5e89a1613ddc8510c6576f4b23a78973
4c3919041837a110b76ba7d7d87a7e9d
9dae525730783842875532d02fc30584
bitstream.checksumAlgorithm.fl_str_mv MD5
MD5
MD5
MD5
MD5
repository.name.fl_str_mv Repositório Institucional da UFPE - Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)
repository.mail.fl_str_mv attena@ufpe.br
_version_ 1862741588615102464