A teoria da formação conceitual weberiana: uma análise através d’a ética protestante e o espírito do capitalismo

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2014
Autor(a) principal: Silva, Lucas Trindade da
Orientador(a): Hamlin, Cynthia Lins
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
dARK ID: ark:/64986/001300000bgbt
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal de Pernambuco
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/11733
Resumo: Diante da defesa contemporânea da atualidade do programa de investigação weberiano (Kalberg, Ringer, Schluchter), o presente trabalho realiza um retorno a Weber, investigando sistematicamente a relação entre os seus textos de elaboração metodológica e a aplicação desta metodologia na formação conceitual substantiva n’A Ética Protestante e o “Espírito” do Capitalismo (EPEC). A partir dos resultados desta estratégia comparativa buscamos refletir sobre os limites e potencialidades da metodologia weberiana para a investigação nas ciências sociais. Podemos dizer que a metodologia weberiana é formada por uma base epistemológica – seus pressupostos mais gerais – sobre a qual se desenvolve um método – a proposição de instrumentos de observação/seleção/verificação a serem seguidos na investigação empírica científico-social. Aquela base é constituída por uma teoria nominalista do conceito e por uma teoria da relação com valores. O método formado sobre tal base encontra sua síntese na noção de tipo ideal que salienta: o caráter irreal dos conceitos científico-sociais; a necessidade da elaboração de conceitos puros (livres de contradição); a finalidade genética/singular da investigação social; e propõe uma abordagem da ação social como resultado do desenvolvimento e/ou concatenação de ações individuais orientadas por um sentido (individualismo metodológico), melhor investigáveis se tomadas, num primeiro momento, como se seguissem um devir estritamente racional (racionalismo heurístico). A análise da formação conceitual substantiva na EPEC demonstra que a aplicação coerente da orientação individualista/racionalista do método weberiano possibilita uma análise sofisticada da gênese da conduta tipicamente capitalista nas fontes ético-doutrinárias protestantes. No entanto, a sua concepção explicitamente purista da formação típico-ideal, ao mesmo tempo em que permite uma maior clareza na definição da “ética protestante” e do “espírito do capitalismo”, impede, ao não demonstrar qualquer tensão com a realidade empírica investigada (hipostasiamento tendencial), a abordagem de outras características importantes do fenômeno tratado. Dimensões estruturais, como os processos de expropriação e exploração capitalistas, tornam-se inapreensíveis precisamente por transcenderem uma imagem individualista da ação social. Isto é particularmente explícito no tipo ideal “espírito do capitalismo” que, por ser definido exclusivamente em termos de racionalismo econômico e investimento de capital privado, impede a reflexão sobre as formas predatórias de acumulação capitalista e sobre a umbilical relação entre reprodução do capital e intervenção estatal. De um ponto de vista mais amplo, identificamos a antinomia entre uma metodologia cautelosa e uma explicação ousada, pois o conceito de “espírito do capitalismo” não se mostra como apenas mais uma elaboração lógica possível de uma problemática particular, mas como expressão conceitual unívoca do fenômeno investigado, como o fator crucial para a ascensão do capitalismo moderno, que une e dá coerência a um conjunto de condições formais dadas antes ou depois do calvinismo.
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