Tratamento agudo do acidente vascular cerebral no Sistema Único de Saúde do Recife : perfil profissional dos médicos dos hospitais terciários

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2020
Autor(a) principal: NASCIMENTO, Ana Dolores Firmino Santos do
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso embargado
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal de Pernambuco
UFPE
Brasil
Programa de Pos Graduacao em Neuropsiquiatria e Ciencia do Comportamento
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/37811
Resumo: A fibrinólise química para tratamento de acidente vascular cerebral isquêmico deve ser realizada o mais rápido possível para se obter os melhores resultados. A despeito de que a maior barreira para isso seja o tempo entre início dos sintomas e chegada ao hospital de referência (>4,5 horas), aqueles que conseguem transpor esse obstáculo ainda encontram entraves decorrentes de problemas intra-hospitalares como: atraso na realização de exames complementares e insegurança na prescrição da medicação. O estudo teve como objetivo caracterizar os centros de referência em tratamento agudo de acidente vascular cerebral do sistema público do Recife, bem como o perfil profissional dos médicos responsáveis por tal procedimento, utilizando tomografia de crânio como exame complementar. A amostra do estudo foi composta por 64 médicos, responsáveis pelo atendimento emergencial de pacientes com sintomas de acidente vascular cerebral, nos hospitais de referência em doenças neurológicas, do sistema público do Recife. Para obtenção dos dados, cada participante preencheu um questionário estruturado pela pesquisadora. A taxa de participação foi de 97% dos profissionais. Trinta profissionais responderam ser neurologistas; a média de anos de formado foi de 8,8; e de 3,6 anos trabalhando com trombólise venosa para acidente vascular cerebral isquêmico no Sistema Único de Saúde. Só dezoito participantes se auto definiram totalmente capazes de indicar e realizar trombólise venosa na maior parte dos casos; e 3 profissionais apresentam taxas de > 20 trombólises na carreira. A autopercepção sobre a capacidade de realizar a medicação mostrou associação com o tempo de formado, o tempo trabalhando com realização do procedimento e com a conclusão da residência em neurologia. Já a quantidade de trombólises realizadas teve, como única associação estatisticamente significativa, a autoanálise de se declarar totalmente capaz para realizar a administração da alteplase. O tempo de formado mostrou-se inversamente associado ao número de trombólises realizadas; e o tempo trabalhando com trombólise e a presença de especialização em Neurologia mostraram uma tendência a aumentar o número de pacientes tratados, porém não foram confirmados por testes estatísticos. No tocante às contraindicações, os profissionais definiram como contraindicações absolutas: cirurgia de grande porte realizada há < 14 dias (58/64), ASPECTS <7 (45/64) e uso de DOACs (38/64). O ASPECTS < 7 e o uso de warfarin, independentemente do valor do INR (17/64) foram as variáveis que tiveram suas escolhas como contraindicações absolutas associadas com o tempo trabalhando com trombólise. Os hospitais apresentam estrutura adequada para oferecer o tratamento, porém com subutilização de recursos. Os profissionais participantes se mostram atualizados com as novas práticas, mas ainda com pouca experiência, podendo atrapalhar a elegibilidade de pacientes para o tratamento adequado.
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spelling Tratamento agudo do acidente vascular cerebral no Sistema Único de Saúde do Recife : perfil profissional dos médicos dos hospitais terciáriosAcidente vascular cerebralTrombólise venosaContraindicaçõesBarreiras médicasEducação médicaA fibrinólise química para tratamento de acidente vascular cerebral isquêmico deve ser realizada o mais rápido possível para se obter os melhores resultados. A despeito de que a maior barreira para isso seja o tempo entre início dos sintomas e chegada ao hospital de referência (>4,5 horas), aqueles que conseguem transpor esse obstáculo ainda encontram entraves decorrentes de problemas intra-hospitalares como: atraso na realização de exames complementares e insegurança na prescrição da medicação. O estudo teve como objetivo caracterizar os centros de referência em tratamento agudo de acidente vascular cerebral do sistema público do Recife, bem como o perfil profissional dos médicos responsáveis por tal procedimento, utilizando tomografia de crânio como exame complementar. A amostra do estudo foi composta por 64 médicos, responsáveis pelo atendimento emergencial de pacientes com sintomas de acidente vascular cerebral, nos hospitais de referência em doenças neurológicas, do sistema público do Recife. Para obtenção dos dados, cada participante preencheu um questionário estruturado pela pesquisadora. A taxa de participação foi de 97% dos profissionais. Trinta profissionais responderam ser neurologistas; a média de anos de formado foi de 8,8; e de 3,6 anos trabalhando com trombólise venosa para acidente vascular cerebral isquêmico no Sistema Único de Saúde. Só dezoito participantes se auto definiram totalmente capazes de indicar e realizar trombólise venosa na maior parte dos casos; e 3 profissionais apresentam taxas de > 20 trombólises na carreira. A autopercepção sobre a capacidade de realizar a medicação mostrou associação com o tempo de formado, o tempo trabalhando com realização do procedimento e com a conclusão da residência em neurologia. Já a quantidade de trombólises realizadas teve, como única associação estatisticamente significativa, a autoanálise de se declarar totalmente capaz para realizar a administração da alteplase. O tempo de formado mostrou-se inversamente associado ao número de trombólises realizadas; e o tempo trabalhando com trombólise e a presença de especialização em Neurologia mostraram uma tendência a aumentar o número de pacientes tratados, porém não foram confirmados por testes estatísticos. No tocante às contraindicações, os profissionais definiram como contraindicações absolutas: cirurgia de grande porte realizada há < 14 dias (58/64), ASPECTS <7 (45/64) e uso de DOACs (38/64). O ASPECTS < 7 e o uso de warfarin, independentemente do valor do INR (17/64) foram as variáveis que tiveram suas escolhas como contraindicações absolutas associadas com o tempo trabalhando com trombólise. Os hospitais apresentam estrutura adequada para oferecer o tratamento, porém com subutilização de recursos. Os profissionais participantes se mostram atualizados com as novas práticas, mas ainda com pouca experiência, podendo atrapalhar a elegibilidade de pacientes para o tratamento adequado.Thrombolytic therapy in acute ischemic stroke should be performed as soon as possible to obtain the best results. Although the greatest barrier to this is the time between onset of symptoms and arrival at the referral hospital (> 4.5hours), those who manage to overcome this obstacle still face many intrahospital barriers such as delays in performing complementary exams , insecurity of medical staff in the prescription of thrombolytic therapy, and ultimately patient may be considered not eligible for treatment for reasons that do not abide to the most up-to-date literature. This study aimed to better understand the reference centers for acute stroke treatment in the public health network of Recife, as well as the medical professionals responsible for such procedure, and how much the profile of these professionals interferes in the judgment of clinical situations as absolute contraindications for venous thrombolysis using CT-SCANS as single neuroimaging method. Method: The study sample consisted of 64 physicians, directly responsible for the acute care of patients with symptoms of stroke, from the only two neurological hospitals of the amidst SUS of Recife. In order to obtain the data, each participant filled out, in person, a questionnaire structured by the researcher. The participation rate was 97% of professionals. 46.9% of them had neurology as a specialty, having an average of 8.8 years of training and 3.6 years working with intravenous thrombolysis for stroke in the setting of public health system. Only 28.1% of the physicians defined themselves as fully capable of indicating and performing venous thrombolysis in most cases, and only 3 professionals presented rates of> 20 thrombolysis in their careers. Self-perception about the ability to perform the medication was influenced by the time of training, the time of experience working with the procedure and the conclusion of the residency in neurology. Despite that, the only factor that significantly correlated with the number of thrombolysis already performed by each professional was the self-declared perception as fully capable of indicating and administrating the thrombolytic. The years of experience since medical degree had an inverse effect on the number of thrombolysis performed, while the years of experience working with thrombolysis in acute stroke and the presence of formal specialization in neurology showed a tendency to increase the number of patients treated, but that was not confirmed by statistical tests. Regarding contraindications, professionals defined as absolute contraindications: large surgery performed <14 days (90.6%), ASPECTS <7 (70.3%) and use of NOACs (59.4%). The ASPECTS <7 and the use of warfarin, regardless of the INR value (26.6%) were the variables that were more influenced by the length of time working with thrombolysis as absolute contraindications for the procedure. Hospitals have adequate structure to offer treatment, but with underutilization of resources. Participating professionals are up to date with new practices, but still with little experience and can inadequately disrupt the eligibility of patients for appropriate treatment. Thus, it is necessary to promote continued education for all professionals, the creation of "stroke teams", and better organization of services so that their material and professional structures are used to the it fullest, ensuring an optimized number of patients selected safely for acute stroke treatment.Universidade Federal de PernambucoUFPEBrasilPrograma de Pos Graduacao em Neuropsiquiatria e Ciencia do ComportamentoVALENÇA, Marcelo MoraesFRANCO, Clélia Maria Ribeirohttp://lattes.cnpq.br/8463676662773364http://lattes.cnpq.br/8636975750865801http://lattes.cnpq.br/6907804381977359NASCIMENTO, Ana Dolores Firmino Santos do2020-09-04T17:42:58Z2020-09-04T17:42:58Z2020-02-17info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfNASCIMENTO, Ana Dolores Firmino Santos do. Tratamento agudo do acidente vascular cerebral no Sistema Único de Saúde do Recife: perfil profissional dos médicos dos hospitais terciários. 2020. Dissertação (Mestrado em Neuropsiquiatria e Ciências do Comportamento) - Universidade Federal de Pernambuco, Recife, 2020.https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/37811porAttribution-NonCommercial-NoDerivs 3.0 Brazilhttp://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/3.0/br/info:eu-repo/semantics/embargoedAccessreponame:Repositório Institucional da UFPEinstname:Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)instacron:UFPE2020-09-05T05:10:54Zoai:repositorio.ufpe.br:123456789/37811Repositório InstitucionalPUBhttps://repositorio.ufpe.br/oai/requestattena@ufpe.bropendoar:22212020-09-05T05:10:54Repositório Institucional da UFPE - Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)false
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