O discurso do Gueto de Varsóvia : entre a clausura e a resistência

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Prado, Paulo Ricardo do
Orientador(a): Venturini, Maria Cleci
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://hdl.handle.net/1884/96529
Resumo: Orientadora: Profª. Drª. Maria Cleci Venturini
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spelling Universidade Federal do Paraná. Setor de Ciências Humanas. Programa de Pós-Graduação em LetrasVenturini, Maria CleciPrado, Paulo Ricardo do2025-05-15T15:17:15Z2025-05-15T15:17:15Z2025https://hdl.handle.net/1884/96529Orientadora: Profª. Drª. Maria Cleci VenturiniDissertação (mestrado) - Universidade Federal do Paraná, Setor de Ciências Humanas, Programa de Pós-Graduação em Letras. Defesa : Curitiba, 26/02/2025Inclui referênciasResumo: A temática do Holocausto é estudada a partir de vários objetos e um dos que merece destaque, nesta dissertação, é o Gueto de Varsóvia, recortando a resistência dos que sobreviveram. Realizamos nossa pesquisa na perspectiva da Análise de Discurso (AD), fundada por Michel Pêcheux na França e difundida no Brasil por Eni Orlandi e pesquisadores filiados à AD pecheuxtiana. A resistência foi além da resistência armada e dá visibilidade à existência do gueto, às práticas nazistas. Os guetos eram de clausura, segregação e subjugação dos judeus, mas, também lugares em que se realizaram gestos de resistência por meio de diferentes práticas: através do ensino, da escrita de registros sobre as condições miseráveis de sobrevivência, da luta por dar visibilidade às práticas nazistas e à violência, enterrando documentos e provas que pudessem ser encontradas na posteridade, contrariando o objetivo dos alemães de apagar os judeus da História. Estudar o Gueto de Varsóvia é de grande contribuição para os estudos da temática, do ensino sobre o Holocausto e para o campo teórico em que a pesquisa se inscreve. O livro de Samuel D. Kassow – Quem escreverá nossa história?: os arquivo secretos do Gueto de Varsóvia – faz parte de nosso arquivo, pois apresenta a história e testemunhos do Oyneg Shabes, organização secreta idealizada por Emanuel Ringelblum, cujo objetivo foi registrar e documentar os aspectos mais diversos da vida no gueto, como um modo de resistir ao esquecimento e ao apagamento das práticas da violência durante o acontecimento mais conhecido como Holocausto, objeto discursivo desta investigação. A rememoração, de acordo com Venturini (2024, p. 56), dá visibilidade à memória que sustenta a leitura e intepretação de discursos por meio de sujeitos, filiados a uma FD, interpelados pela ideologia e atravessados pelo inconsciente. A resistência no gueto aconteceu pela organização dos sujeitos e por sua identificação com a FD da resistência, que resulta da filiação ideológica. Se sentido de uma palavra, uma expressão, uma proposição, de acordo com Pêcheux (2014, p. 146-147), não existe ‘em si mesmo’ (não há uma relação transparente e literal no significante) esse sentido (ou sentidos, já que o sentido nunca é estanque e único) "é determinado pelas posições ideológicas que estão em jogo no processo sócio-histórico". O testemunho sobre a vida precária no gueto foi um ato de resistência não apenas ao momento histórico vivido, nas condições de produção no momento da guerra, mas, principalmente, como uma forma de resistir ao apagamento histórico dos judeus perseguidos e oprimidos pela ideologia nazista. O genocídio, a catástrofe não é sinônimo de passividade, de voluntariedade para os campos da morte, pois os judeus testemunharam e lutaram por suas vidas, resistiram à opressão e à ideologia nazista. O chamado para a resistência ao assassinato produzia efeitos também de resistência ao apagamento histórico e ao testemunho da vida no gueto e da legitimação da luta pela memória da ShoáAbstract: The theme of the Holocaust is studied through various lenses, and one of the highlights of this dissertation is the Warsaw Ghetto, focusing on the resistance of those who survived. Our research is conducted from the perspective of Discourse Analysis (DA), founded by Michel Pêcheux in France and disseminated in Brazil by Eni Orlandi and researchers affiliated with pecheuxian DA. Resistance went beyond armed struggle and brought visibility to the existence of the ghetto and Nazi practices. The ghettos were places of confinement, segregation, and subjugation of Jews, but they were also spaces where acts of resistance took place through various practices: through education, the writing of records about the miserable conditions of survival, the struggle to give visibility to Nazi practices and violence, and the burying of documents and evidence that could be found in the future, countering the German objective of erasing Jews from history. Studying the Warsaw Ghetto contributes significantly to the field of Holocaust studies, Holocaust education, and the theoretical framework in which this research is situated. The book by Samuel D. Kassow – Who Will Write Our History?: The Secret Archive of the Warsaw Ghetto – is part of our archive, as it presents the history and testimonies of the Oyneg Shabes, a secret organization conceived by Emanuel Ringelblum, whose goal was to record and document the most diverse aspects of life in the ghetto as a way of resisting oblivion and the erasure of violent practices during the event most commonly known as the Holocaust, the discursive object of this investigation. Remembrance, according to Venturini (2024, p. 56), gives visibility to the memory that supports the reading and interpretation of discourses through subjects, affiliated with a Discursive Formation (DF), interpellated by ideology, and traversed by the unconscious. Resistance in the ghetto occurred through the organization of subjects and their identification with the DF of resistance, which results from ideological affiliation. The meaning of a word, an expression, or a proposition, according to Pêcheux (2014, p. 146-147), does not exist "in itself" (there is no transparent and literal relationship in the signifier); this meaning (or meanings, since meaning is never fixed or singular) "is determined by the ideological positions at play in the socio-historical process." Testimonies about the precarious life in the ghetto were acts of resistance not only to the historical moment lived during the war's conditions of production but, above all, as a way of resisting the historical erasure of Jews persecuted and oppressed by Nazi ideology. Genocide and catastrophe are not synonymous with passivity or voluntary submission to the death camps, as Jews testified and fought for their lives, resisting oppression and Nazi ideology. The call for resistance to murder also produced effects of resistance to historical erasure and the testimony of life in the ghetto, legitimizing the struggle for the memory of the Shoah1 recurso online : PDF.application/pdfGuetos judeusHolocaustoResistência ao governoVarsóvia (Polônia) - HistóriaLetrasO discurso do Gueto de Varsóvia : entre a clausura e a resistênciainfo:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisporreponame:Repositório Institucional da UFPRinstname:Universidade Federal do Paraná (UFPR)instacron:UFPRinfo:eu-repo/semantics/openAccessORIGINALR - D - PAULO RICARDO DO PRADO.pdfapplication/pdf3253637https://acervodigital.ufpr.br/bitstream/1884/96529/1/R%20-%20D%20-%20PAULO%20RICARDO%20DO%20PRADO.pdf91ce4f2705be63a76a93fdff3a8e25a5MD51open access1884/965292025-05-15 12:17:15.601open accessoai:acervodigital.ufpr.br:1884/96529Repositório InstitucionalPUBhttp://acervodigital.ufpr.br/oai/requestinformacaodigital@ufpr.bropendoar:3082025-05-15T15:17:15Repositório Institucional da UFPR - Universidade Federal do Paraná (UFPR)false
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