Acompanhamento clínico remoto de paciente adultos portadores de fibrose cística e bronquiectasias não-fibrose cística durante a pandemia de SARS-CoV-2 (COVID-19)

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Camargo, Cristiane Christ
Orientador(a): Dalcin, Paulo de Tarso Roth
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Palavras-chave em Inglês:
Link de acesso: http://hdl.handle.net/10183/310753
Resumo: As bronquiectasias representam um desfecho comum de diversas patologias. São categorizadas como associadas à fibrose cística (FC) e não relacionada à FC. A FC é uma doença genética multissistêmica primariamente associada à deterioração progressiva da função pulmonar e exacerbações frequentes. A pandemia de COVID-19 interrompeu o atendimento ambulatorial tradicional dos pacientes portadores de FC e de bronquiectasias não-FC, levando à rápida adoção de estratégias de monitoramento remoto para manter a continuidade do tratamento. Ademais, o impacto clínico e os desfechos da infecção por SARS-CoV-2 são pouco explorados nessa população. Realizamos um estudo de coorte prospectivo com indivíduos adultos em acompanhamento em um centro de referência em FC, na cidade de Porto Alegre, no sul do Brasil. Foram incluídos paciente com idade ≥ 17 anos. Nos pacientes FC, hospitalização, internação em UTI ou óbito foram definidos como desfecho primário. No grupo de paciente com bronquiectasias não-FC, a incidência da infecção por COVID-19, no primeiro e no segundo ano de seguimento, foi o desfecho principal. Foi realizada a revisão de prontuários e coletado dados clínicos basais de janeiro a março de 2020. Foram utilizados os dados de construção do grupo de WhatsApp criado pelo programa de extensão em FC em março de 2020, com informações de saúde obtidas por questionário padronizado. Os pacientes foram monitorados remotamente durante a pandemia de COVID-19 (abril de 2020 a abril de 2022) e, posteriormente, acompanhados presencialmente por um período equivalente (abril de 2022 a abril de 2024). 78 pacientes portadores de FC foram incluídos da análise final, após quatro anos de seguimento. Tinham idade média de 28,6 anos e 66,7% eram do sexo feminino. As hospitalizações atingiram o pico durante o terceiro semestre de acompanhamento (42,5%) e, posteriormente, diminuíram significativamente no oitavo semestre (p < 0,05). As internações em UTI foram pouco frequentes e não apresentaram diferença estatística entre os semestres. Ocorreram cinco óbitos. A probabilidade de sobrevida geral foi de 93,7%. As exacerbações ultrapassaram a taxa de 50% entre o terceiro e o sétimo semestre, diminuindo acentuadamente no último semestre. O uso de moduladores de CFTR aumentou de 5,1% no início do estudo, para 44,9% ao final, impulsionado principalmente pela liberação do uso do ELX/TEZ/IVA no Brasil. A adesão à vacinação contra COVID-19 atingiu 90% (≥3 doses). A incidência cumulativa de COVID-19 foi de 17.3% nos pacientes FC, entre abril 2020 e abril 2021. Nos portadores de bronquiectasias não-FC, a incidência cumulativa foi 6.4% e 9.6% no primeiro e no segundo ano de seguimento, respectivamente. Não houve diferença estatística significativa em relação a incidência cumulativa de SARS-CoV-2 na população geral. O acompanhamento remoto possibilitou a continuidade do atendimento durante a pandemia e a identificação dos casos incidentes de COVID-19. Houve redução das hospitalizações, das exacerbações e das infecções por COVID-19 ao longo do estudo, ao mesmo tempo em que houve adesão a vacinação em larga escala e a introdução do novo modulador da CFTR, o ELX/TEZ/IVA nos pacientes FC.
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Nos pacientes FC, hospitalização, internação em UTI ou óbito foram definidos como desfecho primário. No grupo de paciente com bronquiectasias não-FC, a incidência da infecção por COVID-19, no primeiro e no segundo ano de seguimento, foi o desfecho principal. Foi realizada a revisão de prontuários e coletado dados clínicos basais de janeiro a março de 2020. Foram utilizados os dados de construção do grupo de WhatsApp criado pelo programa de extensão em FC em março de 2020, com informações de saúde obtidas por questionário padronizado. Os pacientes foram monitorados remotamente durante a pandemia de COVID-19 (abril de 2020 a abril de 2022) e, posteriormente, acompanhados presencialmente por um período equivalente (abril de 2022 a abril de 2024). 78 pacientes portadores de FC foram incluídos da análise final, após quatro anos de seguimento. Tinham idade média de 28,6 anos e 66,7% eram do sexo feminino. 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Não houve diferença estatística significativa em relação a incidência cumulativa de SARS-CoV-2 na população geral. O acompanhamento remoto possibilitou a continuidade do atendimento durante a pandemia e a identificação dos casos incidentes de COVID-19. Houve redução das hospitalizações, das exacerbações e das infecções por COVID-19 ao longo do estudo, ao mesmo tempo em que houve adesão a vacinação em larga escala e a introdução do novo modulador da CFTR, o ELX/TEZ/IVA nos pacientes FC.Bronchiectasis represents a common outcome of several underlying conditions and is categorized as cystic fibrosis (CF)–related and non–CF-related disease. CF is a multisystem genetic disorder primarily associated with progressive deterioration of pulmonary function and frequent exacerbations. The COVID-19 pandemic disrupted traditional outpatient care for patients with CF and non-CF bronchiectasis, leading to the rapid adoption of remote monitoring strategies to maintain continuity of care. Furthermore, the clinical impact and outcomes of SARS-CoV-2 infection remain poorly explored in this population. We conducted a prospective cohort study including adult individuals followed at a CF referral center in Porto Alegre, southern Brazil. Patients aged ≥17 years were included. In the CF group, hospitalization, intensive care unit (ICU) admission, or death were defined as the primary outcome. In the non-CF bronchiectasis group, the incidence of COVID-19 infection during the first and second years of follow-up was the main outcome. Medical records were reviewed and baseline clinical data were collected from January to March 2020. Data from the WhatsApp group created by the CF extension program in March 2020 were also used, including health information obtained through a standardized questionnaire. Patients were remotely monitored during the COVID-19 pandemic (April 2020 to April 2022) and subsequently followed in person for an equivalent period (April 2022 to April 2024). After four years of follow-up, 78 patients with CF were included in the final analysis. The mean age was 28.6 years, and 66.7% were female. Hospitalization peaked during the third semester of follow-up (42.5%) and subsequently decreased significantly in the eighth semester (p < 0.05). ICU admissions were infrequent and showed no statistically significant difference between semesters. Five deaths occurred, with an overall survival probability of 93.7%. Exacerbations exceeded a rate of 50% between the third and seventh semesters, markedly decreasing in the final semester. The use of CFTR modulators increased from 5.1% at study onset to 44.9% at the end, mainly driven by the approval of ELX/TEZ/IVA in Brazil. Adherence to COVID-19 vaccination reached 90% (≥3 doses). The cumulative incidence of COVID-19 among patients with CF was 17.3% between April 2020 and April 2021. Among individuals with non-CF bronchiectasis, the cumulative incidence was 6.4% and 9.6% in the first and second years of follow-up, respectively. No statistically significant difference was observed in comparison with the cumulative incidence in the general population. Remote follow-up enabled continuity of care during the pandemic and identification of incident COVID-19 cases. Over the study period, there was a reduction in hospitalizations, exacerbations, and COVID-19 infections, concomitant with widespread vaccination uptake and the introduction of the new CFTR modulator ELX/TEZ/IVA in patients with CF.application/pdfporFibrose císticaTelemedicinaMonitoramento remoto de pacientesCOVID-19PandemiasCystic fibrosisTelehealthRemote monitoringAcompanhamento clínico remoto de paciente adultos portadores de fibrose cística e bronquiectasias não-fibrose cística durante a pandemia de SARS-CoV-2 (COVID-19)info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisUniversidade Federal do Rio Grande do SulFaculdade de MedicinaPrograma de Pós-Graduação em Ciências PneumológicasPorto Alegre, BR-RS2025doutoradoinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Lume - Repositório Digital da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)instname:Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)instacron:UFRGSTEXT001308527.pdf.txt001308527.pdf.txtExtracted Texttext/plain165093http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/10183/310753/2/001308527.pdf.txt15dc1770ef1b4b7ef2df3374cafcc27cMD52ORIGINAL001308527.pdfTexto parcialapplication/pdf1634323http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/10183/310753/1/001308527.pdfaac276dd24cc8720ac819324ec37a965MD5110183/3107532026-07-26 08:04:57.905036oai:www.lume.ufrgs.br:10183/310753Repositório InstitucionalPUBhttps://lume.ufrgs.br/oai/requestlume@ufrgs.bropendoar:2026-07-26T11:04:57Lume - Repositório Digital da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) - Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)false
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