"A fumaça das bruxas queimadas ainda paira": Wicca, feminino e natureza como reação a um trauma na memória cultural

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Sagredo, Raisa
Orientador(a): Silveira, Aline Dias da
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Link de acesso: https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/270465
Resumo: Tese (doutorado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Filosofia e Ciências Humanas, Programa de Pós-Graduação em História, Florianópolis, 2025.
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Para tal, recorremos a duas principais fontes, localizadas nas raízes da construção dessa religião, a saber: as obras O Culto das Bruxas na Europa Ocidental (1921) de Margaret Murray e A Bruxaria Hoje (1954) de Gerald Gardner, abordadas através da metodologia da Hermenêutica Imaginativa de Márcia Schuback (2000), cujo diferencial é compreender a fonte em sua complexidade e subjetividade. Longe de ser uma aproximação naturalizada e óbvia, tal intersecção entre Feminino e Natureza emerge das fontes de forma conectada a um episódio histórico, a caça às bruxas da Europa dos séculos XVI ao XVIII, um ápice simbólico, como demonstraremos, do processo de demonização do Feminino e da Natureza. É rememorando esse passado das perseguições e subvertendoo, negociando e entrelaçando diversas temporalidades, que essas fontes nos convidam a abordar a problemática pelo viés da memória. A partir do aporte teórico de Memória Cultural de Jan Assmann (2008), focado nas heranças simbólicas que ligam presente e pretérito, e em como o passado é lembrado, percebese a existência de um trauma manifestado na Memória Cultural. A partir dessa abordagem, a tese que se torna possível é a de que a Wicca surge como reação a um Trauma Cultural (Felman, 2014) manifestado no âmbito da cultura dessa religião, que além de interseccionar Feminino e Natureza feridos em uma longa duração, constrói uma proposta de cura desse trauma através da (re)integração do Ser na crença de um equilíbrio entre potências divinas e de uma expansão da consciência de globalidade (Robertson, 1995) que tensiona e media, de forma criativa, o local e o global.Abstract: Wicca, a religion created by occultist and folklorist Gerald Gardner in the 1950?s in England, is known by the epithet \"Old Religion,\" alluding to the ancient preChristian and polytheistic references that (supposedly) resisted Christianity since antiquity. It centers on the sacredness of Nature and the female protagonist, both in its rituals and mythology. In this worldview, the Feminine and Nature are seen as essential parts of the ethos of this new religion, which leads us to the question: how and why did the Feminine and Nature intersect in the neopagan Wicca worldview? To this end, we draw on two primary sources, located at the roots of this religion's construction: Margaret Murray's WitchCulturing in Western Europe (1921) and Gerald Gardner's Witchcraft Today (1954). These are approached through Márcia Schuback's (2000) Imaginative Hermeneutics methodology, whose distinguishing feature is understanding the source in its complexity and subjectivity. Far from being a naturalized and obvious approach, this intersection between the Feminine and Nature emerges from the sources in a way connected to a historical episode: the witch hunts in Europe from the 16th to the 18th centuries, a symbolic culmination, as we will demonstrate, of the process of demonizing the feminine and Nature. By recalling and subverting this past of persecution, negotiating and interweaving diverse temporalities, these sources invite us to approach the issue from the perspective of memory. Based on Jan Assmann's (2008) theoretical approach to Cultural Memory, which focuses on the symbolic legacies that connect present and past, and on how the past is remembered, we perceive the existence of a trauma manifested in Cultural Memory. From this approach, the thesis that becomes possible is that Wicca emerges as a reaction to a Cultural Trauma (Felman, 2014) manifested within the culture of this religion. Besides intersecting the longterm wounded feminine and Nature, it constructs a proposal for healing this trauma through the (re)integration of Being in the belief in a balance between divine powers and an expansion of global consciousness (Robertson, 1995) that creatively tensions and mediates the local and the global.332 p.| il.porHistóriaFeitiçariaWiccaMemória coletivaNeopaganismo"A fumaça das bruxas queimadas ainda paira": Wicca, feminino e natureza como reação a um trauma na memória culturalinfo:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisreponame:Repositório Institucional da UFSCinstname:Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)instacron:UFSCinfo:eu-repo/semantics/openAccessORIGINALPHST0866-T.pdfPHST0866-T.pdfapplication/pdf5229025https://repositorio.ufsc.br/bitstream/123456789/270465/1/PHST0866-T.pdf0e2da8a77fdd1d855f91ab7bc775af14MD51123456789/2704652025-12-05 16:10:08.011oai:repositorio.ufsc.br:123456789/270465Repositório InstitucionalPUBhttp://150.162.242.35/oai/requestsandra.sobrera@ufsc.bropendoar:23732025-12-05T19:10:08Repositório Institucional da UFSC - Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)false
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