Aquisição de um conceito científico por alunos surdos de classes regulares do ensino fundamental

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2004
Autor(a) principal: LORENZINI, Nydia Mara Pinheiro
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: UFSC
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/188688
Resumo: Este estudo objetiva investigar o conceito de ser vivo elaborado pelos alunos surdos de classes comuns do ensino regular, bem como verificar os efeitos da inclusão para a construção de conceitos e integração social. O conceito de ser vivo foi selecionado por ser utilizado desde as primeiras séries do Ensino Fundamental, tanto na escola quanto fora dela. Pensando na realidade dos alunos surdos, sabemos que existe uma grande dificuldade ao acesso de uma língua que lhes seja oferecida naturalmente (QUADROS, 1997). Isso faz com que desenvolvam um tipo de pensamento mais concreto, já que de acordo com VYGOSTSKY (1993) é através do diálogo e da aquisição do sistema conceitual que conseguimos internalizar conceitos abstratos. Este é o grande entrave na aquisição da linguagem das crianças surdas; é bastante difícil conversar com estas crianças sobre assuntos não relacionados diretamente ao ambiente em que a criança e o interlocutor se encontram. É possível que estas crianças tenham certa dificuldade em compreender conceitos científicos, devido à ausência de alguns conceitos previamente adquiridos e da sua dificuldade de abstração, já que a abstração e a generalização são funções mentais extremamente dependentes da linguagem (GOLDFELD, 1997). Isto acontece com uma grande parcela de alunos surdos que não tem oportunidade de acesso a uma educação em que a diferença seja reconhecida,onde a educação é baseada no oral-auditivo levando essa criança ao fracasso completamente previsível. Não é ela que é incapaz, o sistema a torna incapaz. Os sujeitos desta pesquisa foram 8 alunos surdos cursando a 5ª e 6 ª séries do Ensino Fundamental de classes comuns em escolas da rede pública estadual de Florianópolis/SC. O trabalho de campo abrangeu exame documental, relativo à história de vida e à trajetória escolar desse grupo, e um período de observação em sala de aula. A investigação da compreensão do conceito selecionado foi realizada através de um instrumento especialmente elaborado para esse fim. Investigamos também a aquisição desse conceito pelas crianças ouvintes das mesmas classes. Foram ainda entrevistados os professores, a coordenadora pedagógica e o intérprete de Língua de Sinais. A análise dos resultados obtidos não apresentou diferenças significativas. Acredito que esta constatação foi influenciada, principalmente, por três fatores: o conceito científico investigado apresenta uma complexidade muito grande, tanto no meio escolar quanto fora dele; a maioria dos alunos surdos investigados nesta pesquisa apresenta um bom domínio da Língua Brasileira de Sinais - LIBRAS, facilitando a aquisição de linguagem e conseqüentemente o desenvolvimento de seu pensamento; além disso, esses alunos apresentam uma vivência escolar bastante longa, tendo cursado várias vezes a mesma série e consequentemente apropriando-se de alguns conceitos científicos pelo contato repetitivo.
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Isso faz com que desenvolvam um tipo de pensamento mais concreto, já que de acordo com VYGOSTSKY (1993) é através do diálogo e da aquisição do sistema conceitual que conseguimos internalizar conceitos abstratos. Este é o grande entrave na aquisição da linguagem das crianças surdas; é bastante difícil conversar com estas crianças sobre assuntos não relacionados diretamente ao ambiente em que a criança e o interlocutor se encontram. É possível que estas crianças tenham certa dificuldade em compreender conceitos científicos, devido à ausência de alguns conceitos previamente adquiridos e da sua dificuldade de abstração, já que a abstração e a generalização são funções mentais extremamente dependentes da linguagem (GOLDFELD, 1997). Isto acontece com uma grande parcela de alunos surdos que não tem oportunidade de acesso a uma educação em que a diferença seja reconhecida,onde a educação é baseada no oral-auditivo levando essa criança ao fracasso completamente previsível. 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